São Paulo, segunda-feira, 1º de junho de 2009
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O G8 morreu, o G20 respira pouco
O governo brasileiro está batalhando, sem
sucesso, para entronizar o G20, o clubão das maiores economias do planeta, como
gerente informal das finanças mundiais, o que lhe asseguraria um posto na linhas
de frente.
Mas, por desinteresse de países ricos, entre eles o que preside o G20 no
momento, o Reino Unido, o grupo não saiu do lugar desde a cúpula de Londres.
Todo o trabalho de coordenação e definição da reforma da arquitetura financeira
global ou não caminha ou fica a cargo de iniciativas isoladas. Estados Unidos e
União Europeia já divulgaram seus planos para regular os derivativos e para
vigiar os bancos, respectivamente.
Mas nada coordenado, o que combina com o abandono da tese, que o Brasil defendeu,
de que deveria haver um sistema supranacional de regulação.
Até aí, no entanto, o governo brasileiro não se preocupa. Aceitou que as
resistências a que estranhos xeretem Wall Street ou a City londrina são grandes
e poderosas demais para serem vencidas. O que incomoda o governo é que o G20 não
se dotou de um processo próprio de trabalho sobre a regulação do sistema
financeiro desde a cúpula de Londres, realizada já faz dois meses (2 de abril).
O que há é apenas um calendário de reuniões que serve para reforçar a sensação
de paralisia do grupo. A próxima reunião ministerial será apenas em setembro, em
Londres, três semanas antes da nova cúpula, a terceira do G20, marcada também
para setembro, nos EUA.
Reuniões de cúpula, como sabem todos os que as acompanham, são apenas a cereja
de um bolo que tem que ser preparado antes pelos técnicos. Não há ninguém
batendo esse bolo, o que cria um vácuo de gerenciamento financeiro global: o G8
morreu, mas ainda não foi enterrado, e o G20 nasceu, mas não consegue sair da
incubadora.
[email protected]
Texto originalmente
publicado, domingo, dia 31 de maio, na Folha de S.Paulo
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Clóvis Rossi atualiza a coluna São Paulo (originalmente publicada na Folha
de S. Paulo) de terça a domingo.
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