São Paulo, segunda-feira, 18 de maio de 2009
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Nem G20 nem G8. É G1
O governo Barack Obama anunciou seu plano
para a regulação dos derivativos, um mecanismo de apostas em diferentes tipos de
ativo (da cotação de moedas às commodities). Os derivativos foram (ou são) um
dos vilões da crise econômica em curso.
Seu valor, segundo o Council on Foreign Relations, é inacreditável: US$ 680
trilhões, muitíssimo mais que toda a economia mundial. Como é possível? É um
desses mistérios da riqueza puramente virtual, que não se materializa.
Ao contrário dos ativos tóxicos, não é um produto desconhecido no Brasil. Seu
estoque, em meados de 2008, era de US$ 2,5 bilhões, pouco em relação ao conjunto
de investimentos externos (US$ 1 trilhão), mas de crescimento explosivo:
multiplicou-se por 11,5 desde 2005, enquanto o total geral só duplicou.
O eixo do plano é a introdução de uma espécie de câmara de compensações, como a
que existe para os cheques. Centralizaria o risco, em vez de disseminá-lo, o que
é coerente com a discussão havida no G20 de março/abril: o sistema financeiro
deveria ser amortecedor e não propagador de riscos.
Regular todos os produtos financeiros foi a principal decisão do G20 no que se
refere à elaboração de uma nova arquitetura financeira global. O fato de os
Estados Unidos saírem na frente é institucional e politicamente significativo.
Primeiro, a ideia de que todos atuariam coordenadamente foi atropelada. Segundo,
a fanfarra em torno do papel relevante dos emergentes emudece algo. Claro que a
China tem um peso novo no mundo (os outros emergentes ainda precisam comer muito
arroz-e-feijão para chegar perto dos chineses), mas em matéria de liderança e
capacidade de iniciativa não há nem G20 nem mesmo o G8, o velho e ultrapassado
clubão dos ricos. É G1 mesmo. Mas pode chamar de Estados Unidos da América.
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Texto originalmente
publicado, domingo, dia 17 de maio, na Folha de S.Paulo
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Clóvis Rossi atualiza a coluna São Paulo (originalmente publicada na Folha
de S. Paulo) de terça a domingo.
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