São Paulo, segunda-feira, 25 de maio de 2009
Futebol
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A menos de 13 meses da Copa
DUNGA CONVOCOU.
E começou a dar os toques finais à feição que desenha para o time que irá à Copa
de 2010, que será aberta em 11 de junho.
O que mais deveria ter chamado a atenção na lista de 23 nomes acabou sendo o que
menos chamou: a ausência de Ronaldinho Gaúcho.
E sejamos justos com Dunga: se houve alguém que deu força ao jogador milanês,
esse alguém foi exatamente o técnico da seleção. Que, quem sabe, ao reafirmar
com generosidade que espera pela recuperação dele até a última hora, tenha dado
o susto que RG precisava tomar pra decidir o que quer da vida.
De resto, o quase de sempre, fora as novidades nacionais.
Duas que se impunham, como Nilmar e Ramires, embora numa hora em que causarão
graves prejuízos aos seus times na Copa do Brasil e na Libertadores, assim como
o goleiro Victor, outra convocação justa, mas dispensável no momento, porque
para a reserva.
O gremista só foi convocado mesmo porque Dunga mora em Porto Alegre, o que é
natural.
Morasse em Belo Horizonte e Fábio seria o convocado.
Fábio Aurélio, na lateral esquerda, talvez fosse melhor opção que Kléber e André
Santos, o primeiro malemolente demais, o segundo muito menos do que imagina ser.
Gilberto Silva, com todo respeito que merece, mais uma vez deve ter ficado
surpreso com nova convocação, a menos que tenha comprado uma cadeira cativa na
seleção e nós desconheçamos.
Mas, de resto, com restrições aqui e ali, com a estranheza pela ausência, nem
que fosse para mostrar que não dá, de Grafite, Dunga acertou mais que errou e se
comportou muito bem na entrevista.
Nem tão bem, é verdade, porque pareceu achar que é sinal de independência dizer
orgulhosamente que a última vez que conversou com Mano Menezes foi quando este
estava no Grêmio. Coisa sem sentido, pois o técnico da seleção deveria conversar
diariamente com todos os técnicos dos grandes clubes do país.
Mas Dunga esteve controlado, bem-humorado e firme em suas convicções, como que
convencido de que nada mais o tira do comando até a Copa africana.
O que há mesmo para se lamentar não é da responsabilidade de Dunga: este
calendário que mistura as finais da Copa do Brasil e da Libertadores com as
eliminatórias e a Copa das Confederações.
Imagine se os clubes europeus aceitariam tal confusão com a milionária Copa dos
Campeões.
E bem sei, raro leitor, que você está muito mais preocupado com o seu time nas
semifinais da Copa do Brasil e nas quartas de final da Libertadores. E que, se
você, doce leitora, torce pelo Inter ou pelo Grêmio, ou, ainda, pelo Cruzeiro, a
alegria de ver jogadores de seus times na seleção é menor que a preocupação com
a falta que valores como Nilmar, Victor e Ramires farão.
Mas é assim. Nosso futebol é capaz de criar contradições como essas, porque dona
CBF não se convence de que não é possível que só nós estejamos com o passo certo
enquanto o resto do mundo do futebol vive, há anos, sob outro calendário.
O gregoriano que se lixe. O ricardiano é o que vale.
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Texto originalmente publicado, domingo, dia 24 de abril, na Folha de S.Paulo
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Juca Kfouri escreve nesta coluna, originalmente publicada na
Folha
de S. Paulo, às segundas-feiras, às quintas e aos domingos.
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