São Paulo, segunda-feira, 1º de junho de 2009
Futebol
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Acabou a farsa
O PRESIDENTE da CBF acredita que vive num
país de néscios, razão pela qual passou meses repetindo que a Fifa é quem
escolhe as cidades-sede da Copa do Mundo. Verdade que há ex-jornalista em
atividade que repete a falácia na TV, apesar de saber que o formal não existe no
futebol, só existe o informal e a politicagem.
Mas vale saudar a escolha de quatro cidades do Nordeste, região que mais tem a
ganhar com a Copa. E lamentar a escolha de Cuiabá, no Mato Grosso do governador
"motosserra de ouro", título dado a Blairo Maggi pelo Greenpeace, em homenagem
ao maior produtor de soja do mundo e um dos maiores desmatadores do país.
Para uma Copa que se pretende ecológica, nada menos apropriado, embora Maggi
tenha bem mais de um milhão de razões para influenciar decisões no mundo do
futebol. Tão natural como a escolha de Manaus para representar a espoliada
Amazônia, apesar de Belém ter mais tradição futebolística, teria sido a de Campo
Grande para mostrar as belezas do Pantanal. Mas, de tudo, o que mais salta aos
olhos é a indefinição sobre quem fará a abertura da Copa. Claro está que Ricardo
Teixeira esperará quanto tempo puder para se definir entre São Paulo e Minas
Gerais, ou melhor, entre José Serra e Aécio Neves, além de guardar Brasília como
uma terceira hipótese, mais para constar e disfarçar o que está, de fato, em
jogo.
Não fosse a dúvida sobre qual dos dois será o candidato tucano à sucessão de
Lula e o cartola já teria se resolvido pelo ungido, embora seu coração penda
claramente para Neves, seu amigo e mais parecido com o yuppie Fernando Collor
-até pelo silêncio que impõe à imprensa minneira, como se fosse a alagoana-, a
quem o ex-genro de João Havelange chamava de "meu presidente". Se ele pudesse
ver José Serra pelas costas já estaria vendo, também pela presença de José Luís
Portella no governo paulista, alguém que Teixeira desgosta tanto que ameaçou não
entrar na cerimônia de lançamento do Museu do Futebol, no Pacaembu, quando soube
da presença do atual secretário dos Transportes Metropolitanos no local.
Portella, lembremos, foi o arquiteto do Estatuto do Torcedor.
A fragilidade do primeiro projeto de reforma do Morumbi foi a senha para
justificar a dúvida, embora até o mais ignorante dos cartolas da Fifa saiba que
São Paulo é a principal cidade do país, palco óbvio, ao menos, para a abertura
da Copa.
Que o Mineirão é mais agradável que o Morumbi ninguém pode negar. Só que como
nada justifica a construção de uma arena para a Copa em São Paulo, a não ser a
ganância dos de sempre, a festa inaugural tem de ser mesmo na casa tricolor. De
resto, é bom dizer que orgulha trabalhar num jornal que tenha feito o editorial
que esta Folha fez, no sábado, sobre a miséria de nosso futebol. E tenha dado a
cobertura que deu, ontem, sobre a escolha das sedes, revelando quem é quem na
Fifa e suas folhas corridas. Em vez da celebração acrítica que cabe aos
publicitários e aos donos da bola, o dedo nas feridas. E não porque a CBF
discrimina a Folha, mas porque o jornal não bajula a CBF para ter furos.
[email protected]
Texto originalmente publicado, domingo, dia 1º de junho, na Folha de S.Paulo
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Juca Kfouri escreve nesta coluna, originalmente publicada na
Folha
de S. Paulo, às segundas-feiras, às quintas e aos domingos.
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RECADOS DO MPR
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