A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   

São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009

Futebol


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Campeão dos campeões

O 26º título estadual do Corinthians valeria tanto quanto o 25º, o 24º, o 23º etc, ou seja, todos aqueles posteriores aos anos 80, quando esses títulos já não valiam quase nada e receberam, aqui, o apelido de Paulistinha.

Mas, de fato, este valeu mais.

Pelo simples motivo de ter reintroduzido o Corinthians no rol dos grandes, depois do vexame da Segunda Divisão.

Sim, porque o título veio numa competição em que estavam dois times paulistanos que estão na Libertadores, um deles, o São Paulo, o atual campeão Brasileiro. Que o Corinthians, inclusive, derrotou duas vezes, em casa e fora.

O que o habilita a pensar maior em 2009, principalmente porque tem Ronaldo Fenômeno.

E pensar maior imediatamente é pensar na Copa do Brasil, competição que deixou escapar no ano passado, quando já poderia ter readquirido o diploma de grande.

Verdade que há um Inter nesta Copa, favorito destacado ao título.

Mas se o Corinthians já era o clube mais vezes campeão de São Paulo, passou a ser também o mais vezes campeão invicto, com cinco conquistas, uma a mais que o rival Palmeiras, o último a conseguir a façanha, 37 anos atrás.

Aliás, apenas 17 vezes, em 108 edições do torneio, houve campeões invictos e, no profissionalismo, só seis vezes: duas com o Palmeiras (em 1937), outra com o São Paulo, em 1946, mais uma com o Santos, 10 anos depois, e duas com o Corinthians, em 1938 e agora.

Claro que este título estadual é menor que aqueles dos Centenários da Independência e da fundação de São Paulo, como é menor que o da Libertação, em 1977, e até mesmo que os dois da Democracia Corinthiana, em 1982/83.

Acontece que a arrancada final, desde o empate dramático com o Palmeiras, com Ronaldo nos acréscimos, até as vitórias diante de São Paulo e Santos, nas circunstâncias fenomenais em que se deram, magnificaram a conquista do que seria apenas e tão somente mais um Paulistinha para a coleção.

O empate 1 a 1 com o Santos teve momentos dramáticos, quando, logo depois do 1 a 0 santista, Paulo Henrique desperdiçou chance para fazer 2 a 0. Até ali, só dava Santos.

Então, para felicidade geral da nação corintiana, André Santos empatou, em enfiada preciosa de Dentinho, apenas seis minutos depois.

O bastante para o Corinthians se ajeitar, tomar conta das coisas e dominar não apenas o restante do primeiro tempo como o jogo todo, só não fazendo 2 a 1 porque Ronaldo teve um momento de preciosismo e tentou encobrir Fábio Costa quando não precisava.

Enfim, está aí o Corinthians, capaz de ganhar um campeonato sem nada que o chamusque.

Hegemonia rubro-negra
Um jogo maluco: ruim no primeiro tempo e com dois gols do Flamengo; ótimo no segundo, com dois gols do Botafogo e a perda de um pênalti pelo alvinegro; decisão da marca penal e deu Flamengo, que seguirá a sua vida errática, diferentemente do que poderia acontecer com o Botafogo caso vencesse. Para o futebol, o 31º título rubro-negro não foi bom.

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Texto originalmente publicado, segunda-feira, dia 04 de abril, na Folha de S.Paulo

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Juca Kfouri escreve nesta coluna, originalmente publicada na Folha de S. Paulo, às segundas-feiras, às quintas e aos domingos.
    



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