A Arte Sacra

"O sentido da iconografia cristã está em reconhecer
na face do Cristo, a própria face"

Inicialmente queremos dedicar esta página de nosso site a um dos maiores iconoclastas da modernidade Cláudio Pastro, sua percepção sacra pelas muitas obras que já produziu, nos faz se não ver a Deus, pelo menos sentir que ele está muito perto de nós. Também aqui faremos uma viagem no entorno da Iconografia. 

   CLÁUDIO PASTRO

Nasceu em São Paulo, em 1948. Desde 1975 dedica-se à arte sacra. Cursou teoria e técnicas de arte na Abbaye Notre Dame de Tournay (França); no Museu de Arte Sacra de Catalúnia (Espanha); na Academia de Belas Artes Lorenzo de Viterbo (ltália); na Abadia Beneditina de Tepeiac (México) e no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. 

Têm realizado pinturas, vitrais, azulejos, altares, cruzes, vasos sagrados, esculturas, presbitérios, capelas, igrejas, mosteiros e catedrais no Brasil, Argentina, Bélgica, ltália, Alemanha e Portugal. Ilustrou vários livros, destacando-se: Os Diálogos de São Gregório Magno (Alemanha); Vida de Santo Antônio (ltália); Músicas Natalinas para Crianças (ltália); A Virgem de Guadalupe (Alemanha, Espanha e Brasil); O Cântico dos Cânticos (Alemanha) e A Bíblia - Edição Pastoral (Brasil). Realizou o grande painel comemorativo dos 500 Anos de Evangelização da América Latina para o ADVENIAT, Essen, Alemanha (1990). Ganhou o prêmio MISSIO de Arte Sacra de Aachen (Alemanha) com o Calendário de 1989. Publicou os livros: Arte Sacra - C. Pastro (1986); ltapeva, um tesouro em vaso de barro (1992); Arte Sacra, o espaço sagrado hoje (1993) e Guia do Espaço Sagrado (1999).Realizou exposições na Alemanha, Suíça, Áustria, ltália, Inglaterra, França, Bélgica, México, Argentina e Brasil. Criou o crucifixo adotado pelo CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano. Foi o artista convidado pelo Vaticano para conceber a imagem do Cristo do Terceiro Milênio, símbolo a ser utilizado em todas as publicações da Santa Sé a partir de 1999. Executou diversos trabalhos de restauração física e litúrgica de capelas, em parceria com a equipe da Eacom. Cláudio Pastro é, seguramente, um dos mais renomados e respeitados artistas sacros da atualidade.

  Ícones e a Questão Iconoclasta

No princípio do século 8 irrompeu uma controvérsia terrível na igreja ortodoxa sobre o uso dos ícones na adoração e na oração. Os dois lados na batalha foram chamados os iconoclastas (quebradores de imagens), e os favoráveis aos ícones. O argumento sobre os ícones foi discutido na igreja durante cem anos. Os iconoclastas diziam que os ícones eram adorados, enquanto os favoráveis achavam que era somente veneração. A palavra grega para veneração é proskynesis, e essa mesma veneração era concedida ao imperador. Reverência, saudação e respeito, mas não era adoração.

O Imperador Constantino através de um edito em 730 decretou a proibição dessas imagens. Esta proibição era ilegal e representava que, pela primeira vez, um imperador influía diretamente nos casos da igreja, ignorando os outros patriarcas, inclusive o papa em Roma.

O edito foi observado estritamente em Constantinopla. Mas, em 843, essa proibição foi revogada, com a vitória total dos ortodoxos.

Durante o Período Iconoclasta a tradição inteira da pintura dos ícones foi amplamente prejudicada. Podemos supor que os ícones criados durante esse período tinham um ar mais austero, talvez mesmo um tanto severo na aparência, considerando que nessa época quase todos os ícones eram produzidos nos mosteiros pelos monges.

Quando os pintores de ícones se tornaram livres para trabalhar abertamente, após a revogação de 843, é evidente que começaram a aparecer encomendas. Muitas igrejas precisavam imediatamente de decoração. Passaram-se muitos anos para os artistas voltarem a dominar a técnica e os estilos tradicionais. Os materiais para a pintura e o trabalho do mosaico tornaram-se difíceis de encontrar. Os ícones eram pintados na têmpera, no mosaico, no marfim, no vidro, no mármore, no ouro e em pedras preciosas. Nessa ocasião, o primeiro ícone ao lado foi criado sob encomenda na galeria sul de Hagia Sophia, por volta de 1185. A arte de Bizâncio tinha alcançado um refinamento e uma beleza talvez nunca antes conseguida. O mosaico descreve Cristo entronizado como Pantocrator; na esquerda (não mostrada) está Maria, mãe de Deus e João Batista (também não mostrado aqui). Considerando a posição do mosaico, e a qualidade própria do trabalho, este é o produto de um dos artistas famosos desse tempo. Infelizmente, como com a maioria da arte iconográfica, não sabemos o nome de seu autor. Este mosaico é, talvez, a realização artística mais delicada de Bizâncio e é tido como um dos trabalhos de arte mais importantes no mundo.

Este nível de realização perdurou após a conquista de Constantinopla pelos cruzados latinos em 1204 e durante a reconquista da cidade pelo imperador Miguel Paleologius em 1261. Entretanto, após cem anos da reconquista da cidade o estilo e a qualidade da pintura parecem declinar. O segundo ícone data de 1363 e é típico do trabalho dessa época. Mostra Cristo Pantocrator virtualmente na mesma modalidade que o mosaico de Hagia Sophia, mas o desenho é inexpressivo, a coloração é um tanto exagerada e o ícone tem um sentimento quase desajeitado. As duas figuras pequenas na parte de baixo do ícone são de dois oficiais elevados da corte bizantina. São apresentados como fundadores de um mosteiro dedicado ao Pantocrator, sendo que este ícone, provavelmente, pode estar associado com essa fundação.

Mosaico da Virgem e o Menino. A Santa aparece em fundo dourado, segurando o Menino no braço direito. Um dos mais importantes da série de ícones em mosaico grande.

O último ícone (mosaico) vem também da galeria superior de Hagia Sophia. Data do reinado do Imperador João Comnenus e é da Virgem "Nikopeia". Era o ícone sagrado dos imperadores de Bizâncio que o carregavam com eles durante as batalhas. Estas são cópias ampliadas dos mosaicos originais, que foram roubados durante o saque de Constantinopla pelos cruzados em 1204. São mostrados como relíquias no lado esquerdo do altar da Catedral de São Marcos em Veneza.

"Liturgia e arte são dois valores que constituem realidade única na celebração. Essa relação foi bem ressaltada por Paulo VI, no discurso aos artistas: "O nosso ministério tem necessidade da vossa colaboração. Porque, como sabeis, o nosso ministério é o de pregar e tornar acessível, até comovente, o mundo do espírito, do invisível, do inatingível, de Deus e, nesta operação, que atravessa o mundo invisível por meio de formas acessíveis, inteligíveis, vós sois mestre [...] e a vossa arte consiste justamente em captar, no céu do espírito, os seus tesouros e revesti-los de palavra, de cores, de formas, de acessibilidade" (AAS 56 [1964],438). 

   O Limiar de Bizâncio

Nos primeiros tempos do Império Bizantino não houve, a bem dizer, unidade na cultura. Uma infinita variedade de motivos, formas, coloridos, testemunhava uma prodigiosa miscelânea étnica: quadros egípcios, ornamentos sírios, mosaicos de Constantinopla, afrescos de Tessalônica, por todo o lado a marca profunda das tradições seculares. Placa giratória entre a Europa e a Ásia, Bizâncio sofreu a vigorosa influência das civilizações orientais. A arte antiga e a cultura persa e árabe marcaram muitas obras-primas da arte bizantina com um toque inigualável. Durante séculos, Bizâncio foi um enorme cadinho onde se fundiram as correntes culturais de toda a Bacia mediterrânea e do Oriente Médio, mas que, por seu lado, exerceu a sua influência no desenvolvimento da cultura e da arte em diversos povos da Europa e da Ásia.

    

O primeiro ícone Arcanjo Gabriel Monastério Chilandari , Mt. Athos, Grécia última metade de 1300 têmpera sobre madeira. O Segundo é a Sagrada Família de Cláudio Pastro da catedral de Campo Limpo - SP. O terceiro ícone, é o Ícone do Arcanjo Miguel em fundo dourado. Mostrado em posição frontal, segurando um cetro e o universo. Técnica soberba, de Constantinopla. Século 14.

No século VI e princípio do século VII surgiram importantes obras históricas. Procópio de Cesáreia, contemporâneo de Justiniano I, traçou um pormenorizado quadro da sua época. Na sua História secreta, ao contrário do que fizera nas suas outras obras, em que fazia o elogio do Imperador, Procópio relata os sofrimentos do povo e denuncia a venalidade dos funcionários e o deboche da corte.

Inúmeras obras de tradição oral cultivadas pelo povo não chegaram infelizmente até nós, mas os numerosos monumentos da arte bizantina que podemos admirar testemunham o gosto e mestria dos seus autores. Toda a riqueza da arte popular está revelada nos artigos de artesanato. As sedas eram ornadas com motivos de cores vivas; os artesãos trabalhavam a madeira, o osso, a prata, a cerâmica ou o mármore, tirando a sua inspiração do mundo vegetal ou animal. As paredes das igrejas estavam cobertas de afrescos de cores vivas, ainda livres de estilização. Os mosaicos do palácio imperial, por exemplo, reproduziam com muita verdade e calor certas cenas da vida rural. A iconoclastia deu um rude golpe na pintura religiosa acentuando ao mesmo tempo os assuntos profanos. Iluminuras cheias de dinamismo e de expressão ornavam as folhas dos livros.

Nos seus primórdios, os monumentos da arquitetura bizantina revelam uma forte influência da arte antiga. A maravilhosa igreja de Santa Sofia em Constantinopla é disso o mais perfeito exemplo. Foi construída no reinado de Justiniano, por Isidoro de Millet e Antêmio de Tralles e dedicada à Sabedoria Divina (Sophia). Esta basílica imensa é inundada pela luz que penetra pelas quarenta janelas rasgadas no contorno da alta cúpula. A sua abóbada coroa o edifício à semelhança do céu. Simbolizava o poderio e unidade do império cristão. No interior, Santa Sofia está suntuosamente decorada com mármores polícromos, mosaicos, afrescos resplandecentes e magníficas colunatas.

São Gregório
Hermitage Museum, São Petersburgo século 12Constantinopla têmpera sobre madeira 

Theotokos com Cristo Hagia Sophia, Istambul meados do século 12 mosaico

Igreja de San Marco em Veneza, Itália — A Entrada Triunfal em Jerusalém. Detalhe do Pala d’oro.

A Mãe de Deus de Cláudio Pastro

Em 13 de abril de 1204, os cruzados, vindos da Terra Santa, decidiram invadir Constantinopla. A cidade sucumbiu e sofreu um bárbaro saque. Metade da capital estava em escombros, enquanto a outra era devastada e pilhada. Os habitantes foram dizimados; dezenas de monumentos de arquitetura antiga, de inigualável beleza, perderam-se para sempre. Os cruzados saciaram-se com o sangue. Avaliou-se em mais de 400 000 marcos de prata a parte do saque que foi sistematicamente partilhada entre os cruzados, sem contar com as riquezas roubadas arbitrariamente e com o que ficou para os Venezianos. Um escritor bizantino, testemunha do saque de Constantinopla, dizia que os muçulmanos tinham sido mais misericordiosos e menos ferozes do que os cruzados.

O Império Bizantino desfez-se em pedaços. Os cruzados criaram o Império Latino. Surgiram Estados Gregos no Epiro e na Ásia Menor, que iniciaram imediatamente a luta contra os conquistadores. Depois da partilha de Bizâncio, os cavaleiros ocidentais recusaram-se a continuar a cruzada. Já não fazia qualquer sentido que se enfrentassem novos perigos. Só o Papa manifestou algum descontentamento, que não durou muito tempo; perdoou este "licenciamento" aos cavaleiros, na esperança de poder submeter a Igreja Bizantina à Santa Sé (os cruzados achavam os bizantinos uns hereges porque não aceitavam a autoridade do Papa).

Muitos artistas estavam entre os milhares de refugiados de Constantinopla. Vários desses artistas foram aproveitados nos impérios gregos que se formaram em Nicéia, em Trebizonda e em Mistra. Nestas cortes, especialmente em Nicéia, as artes floresceram rapidamente. Um estilo novo da arte bizantina emergiu nos Balcãs, Grécia e Ásia Menor. O ícone ao lado do Arcanjo Gabriel é um bom exemplo. Os destaques brilhantes no rosto e na roupa são típicos desse tempo e adicionam um movimento, quase nervoso, ao ícone. O estilo é do período dos Paleólogos.

Mas o Império Bizantino não podia voltar a ter o seu antigo vigor. Os seus recursos materiais tinham sido completamente pilhados. Incendiada, meia deserta, com os seus palácios em ruínas e as praças cheias de mato, Constantinopla já nada tinha da sua magnificência passada. A "rainha das cidades" já não existia. O capital comercial italiano triunfava sobre os ofícios locais e sobre o comércio. Veneza estava solidamente estabelecida no rico arquipélago e em algumas cidades do Peloponeso.

O ícone abaixo de São Cirilo é de São João Crisóstomo, um bispo de Constantinopla que viveu no século V. Sua testa ampliada, olhos minúsculos e rosto comprimido, são mostrados em uma forma exagerada e maneirista, características típicas da arte do período dos Paleólogos. Abaixo do ícone de São João, um detalhe de um mosaico grande de São Jorge que fica na abóbada da igreja de São Salvador-in- Cora. Embora o rosto tenha o mesmo olhar suave e idealista do santo que tinha sido aceito pelos Cânones artísticos bizantinos por quase 1000 anos, determinados elementos na figura, tal como a cabeça ovalada, e as vestes excessivamente decoradas são marcas do período dos Paleólogos mostrado aqui em seu apogeu.

A imagem seguinte ao lado mostra a Virgem Theotokos que segura Cristo firmemente contra seu rosto. É uma pintura angular que talvez mostre a maestria do artista, que desenhou provavelmente a figura à mão livre, sem referência aos livros padronizados usados freqüentemente pelos artistas mais ou menos certos de seu talento. É um ícone curioso; o olhar indireto da Virgem parece distraído. Conscientemente ou inconscientemente, a representação do artista do Theotokos reflete a incerteza do tempo em que foi pintada.

Os historiadores da arte concluíram que as últimas décadas da arte de Bizâncio - aqueles anos que conduzem à conquista da cidade pelo sultão otomano Mehmet II, em 29 de maio de 1453 - foi um período difícil para a proteção da arte, considerando que uma tentativa válida foi feita para conservar o legado antigo de Bizâncio. Em um dos últimos estágios do império tentaram reacender a cultura que tinham herdado da Grécia, Roma e Bizâncio medieval. Por alguns anos a chama queimou-se brilhantemente.

A última imagem ao lado mostra o detalhe de uma pintura da Natividade que decorava uma das igrejas de Mistra antes da invasão turca. A imagem da Virgem Theotokos é uma das mais intensas que temos do Império Bizantino. Mostra o gênio artístico que a cultura de 1100 anos de Bizâncio manteve em seus anos crepusculares.

   

Sites Pesquisados:

www.starnews2001.com.br

www.juarezoliveira.com.br 

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