ESTRELAS DA SEQÜÊNCIA
PRINCIPAL


 


Ilustração artística da sonda Pioneer 10 da NASA, olhando para o Sol à medida que deixa o Sistema Solar.

 

    Conteúdo: 

 

 

    INTRODUÇÃO - A olho nu somos capazes de ver cerca de 6.000 estrelas no céu, se considerarmos ambos os hemisférios da Terra. Um punhado de areia tem cerca de 10 mil grãos, mais do que todas as estrelas visíveis a olho nu no céu límpido. Mas as estrelas visíveis são uma fração ínfima das estrelas mais próximas, com um pouco do brilho de outras estrelas mais distantes.

 

    As 2.000 estrelas mais próximas estão a 200 ou 300 anos-luz da Terra (Um ano-luz equivale a aproximadamente 9.500 bilhões de quilômetros!); a maioria das pertencentes ao Hemisfério Norte constam do catálogo de Hiparco (190 - 126 a. C.), que elaborou o primeiro cattálogo estrelar da história, com cerca de 850 estrelas. Se usarmos um binóculo, mesmo pequeno, ou uma luneta, esse número é capaz de ultrapassar 30.000. Através do telescópio de um Observatório Astronômico de médio porte, somos capazes de observar mais de 1.000.000 de estrelas. Mas a quantidade de estrelas no Universo é tão absurdamente grande que a imaginação do homem não é suficiente para visualizar a imensidão indicada pelos cálculos astrofísicos.

 

 

    QUANTAS ESTRELAS EXISTEM NO UNIVERSO? - Primeiro, é preciso lembrar que as estrrelas estão distribuídas em grupos imensos, aos quais denominamos galáxias. Nós pertencemos a uma galáxia à qual denominamos Via Láctea, uma galáxia de tamanho médio comparada com outras que vemos em nossa volta.

 


Via Láctea, nossa galáxia.

 

 

    Estima-se que existam entre 200 e 250 bilhões de estrelas só na Via Láctea. Estudos conduzidos por pesquisadores australianos dão conta de que o Universo tem 70 septilhões de estrelas. O número, composto de 22 zeros, é dez vezes superior ao número estimado de todos os grãos de areia na Terra (considerando-se todas as praias, desertos, etc.). Ainda assim, os cálculos são imprecisos porque só incluem estrelas ao alcance dos equipamentos!

 

 


            O Telescópio Espacial Hubble, responsável por muitas
das maiores descobertas da Astronomia Moderna.

 

    Nesse monumental cenário da vida cósmica, o tempo é um fator crucial sobre a perspectiva de o homem, algum dia, visitar regiões distantes do Sistema Solar. À velocidade máxima das naves espaciais disponíveis, 100.000 quilômetros por hora, uma viagem até a estrela mais próxima, a Alfa de Centauri, demoraria por volta de 45.000 anos. Isso é quatro vezes e meia mais que o tempo de existência da própria civilização humana. Mesmo à velocidade da luz, o limite absoluto do Universo, segundo as leis da Física, o trajeto tomaria quase quatro anos e meio só de ida! Certamente, ainda não se podem considerar como reais as diversas alternativas sugeridas pelos escritores de ficção científica [hiperespaço, jumper (salto), dobra espacial, etc.]. Mas também não é impossível que viagens desse gênero se tornem, afinal, um ambicionado passaporte da humanidade para as estrelas.

 

 

    MAS, O QUE É UMA ESTRELA E DE QUÊ ELAS SÃO FEITAS? - Uma estrela é um corpo celeste luminoso formado de plasma*, portanto elas não apresentam uma superfície definida, e muito menos matéria sólida. São compostas simplesmente de gás ionizado livre, sustido pela inexorável atração da gravidade. Essa gravidade obriga o gás a assumir a mais simples das configurações geométricas – a forma esférica (por isso todos os corpos celestes de grande massa tendem a ter forma esférica!). Competindo contra a gravidade numa estrela existe a pressão do gás superaquecido. Por causa de sua pressão interna, ele produz energia por fusão nuclear, transformando moléculas de hidrogênio em hélio. A energia gerada é emitida através do espaço sob a forma de radiação eletromagnética (luz), neutrinos e vento estrelar.

 

 

                                               

    Globo de Plasma – O plasma é o quarto estado da matéria (sendo os outros três: sólido, líquido e gasoso), produzido pela ionização de um gás, cujos átomos apresentam um comportamento coletivo. No exemplo do globo de plasma, os raios são produzidos pelas descargas elétricas em gases ionizados.

 

    As análises detalhadas dos elementos que compõe estrelas e nuvens de gás revelam que a matéria visível do Universo é essencialmente composta por átomos de Hidrogênio, Hélio (cerca de 99.9%), os elementos mais leves da tabela periódica, que teriam sido formados depois do Big Bang. De fato, o hélio foi detectado no Sol antes de ser detectado na Terra. A proporção entre esses elementos é exatamente aquela prevista pela teoria da Nucleosíntese Primordial, que combina Física Nuclear com a hipótese de que o Universo vem se expandindo e resfriando do modo previsto pela Relatividade Geral de Einstein.

 

    Quando o Universo se formou há cerca de 14 bilhões de anos, apenas os átomos de hidrogênio e parte do hélio foram formados (o hidrogênio é o elemento mais leve, simples e abundante do universo, e é o principal componente das estrelas). Na natureza só existe um tipo de objeto capaz de fabricar os demais átomos: as estrelas. Nos seus núcleos, em temperaturas de dezenas de milhões de graus e pressão imensa, ocorrem os processos de fusão nuclear pelos quais são fabricados os elementos químicos. Outros elementos, os mais massivos como urânio ou plutônio, são fabricados apenas no momento em que ocorre o colapso do núcleo de uma estrela, o fenômeno chamado Supernova. A esse processo chamamos de Nucleossíntese, e entenderemos melhor adiante.

 

 

    O QUE DIFERENCIA ESTRELAS DE PLANETAS? - Estrelas (como o nosso Sol) têm brilho próprio. Planetas como a Terra e corpos celestes como a Lua apenas refletem parte da luz que recebem.

 

    As estrelas têm uma luz que, por ser própria, no céu noturno, elas parecem piscar levemente (é o ar na camada de nossa atmosfera que faz esse efeito). Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, mas estão muito mais próximos de nós, têm um brilho fixo (estamos falando aqui dos 5 planetas clássicos, de Mercúrio a Saturno). Obviamente que essa distinção requer condições ideais de observação! Mas, o mais importante é que os planetas mudam de posição no céu com o passar das horas. À noite, esse movimento pode ser percebido com facilidade. Mercúrio, por exemplo, tem um passo médio diário de 010 20’, Vênus  de cerca de 010  13’ e Marte de 0,5 graus. Este deslocamento se dá entre as constelações zodiacais, ou seja, próximo da eclíptica, já que os planos das órbitas dos planetas são diferenciados por apenas alguns graus. Note que um ângulo de 1 grau no céu equivalente a cerca de duas vezes o diâmetro da Lua cheia.

 

    As estrelas, por sua vez, se movem apenas em conseqüência do movimento de rotação da própria Terra, permanecendo sempre fixas umas em relação às outras, sempre à mesma distância!

 

*****

 

    Uma das descobertas mais bonitas da Ciência moderna é de que tudo o que existe na Terra, na Lua e nos outros planetas foi gerado nas estrelas. As pedras, os metais, o carbono dos seres vivos, o oxigênio que a gente respira, tudo. É por isso que somos todos “poeira das estrelas”.

 

    A evolução na Terra ocorre, em parte, por causa das mutações, e estas são influenciadas, em parte também, pela incidência dos raios cósmicos, essencialmente prótons lançados de estrelas que a muito já se foram, em Supernovas ou ejetando suas camadas externas na fase de Gigante Vermelha. Pense nisso: Nós estamos, de uma maneira muito profunda amarrados ao cosmo!

 

 

    DE ONDE SE ORIGINARAM AS ESTRELAS? - Estrelas nascem em nuvens moleculares, grandes regiões de matéria de alta densidade (apesar dessa densidade ser um pouco menor do que aquela obtida numa câmara de vácuo na Terra), composta basicamente de hidrogênio e cerca de 25% hélio, e outros elementos mais pesados em pequenas quantidades, e se formam por instabilidade gravitacional nestas nuvens. As nuvens moleculares possuem centenas de massas solares de gás. As estrelas se formam de uma nuvem.

 

    O modelo mais aceito é que de as estrelas teriam se formado de um gás primordial que teria sido criado depois do Big Bang. O gás primordial seria composto majoritariamente de átomos de hélio, hidrogênio, e de matéria escura. A matéria comum ficaria aglomerada em forma de disco devido à perda de energia, enquanto a matéria escura permaneceria espalhada pelo sistema em uma forma de halo (já que ela não perderia energia).

 

    Dentro de uma nebulosa, concentrações de gás e poeira formam pequenas nuvens no decorrer de milhões de anos. Mas, à medida que a gravidade as fragmenta e comprime, o calor começa a aumentar. O hidrogênio resfriado acomodou-se num disco giratório no centro da protogaláxia. Quando se formam, essas nuvens são extremamente frias, centenas de graus abaixo de zero. Em centenas de milhares de anos a nuvem assume a forma de um disco.

 

    Cada nuvem que se contrai produz de dezenas a milhares de estrelas. Para formar uma estrela como o Sol, de um milhão e meio de diâmetro, é preciso uma concentração de gás e poeira cem vezes maior do que o nosso Sistema Solar. Estrelas nascem em lotes, depois elas se afastam para seguir seu destino, na galáxia. As irmãs do Sol podem, até onde sabemos, estar do outro lado da galáxia.

 

 

 
Fases de formação de um disco gravitacional em uma nebulosa.

 

 

    As regiões mais densas do gás contraem-se em aglomerados formadores de estrelas, cada um deles centenas de vezes mais densos e luminosas que o Sol. À medida que o gás e a poeira continuam a cair para o interior do disco, os átomos do gás colidem entre si com freqüência e velocidade crescentes – o gás se aquece. Depois de aproximadamente 1 milhão de anos, a gravidade no centro do disco  transforma-o em uma pequena, quente e densa esfera, aonde o calor (radiação infravermelha) chega à temperatura de 2 milhões de graus: esse núcleo é denominado protoestrela. A radiação ultravioleta da estrela ioniza o gás hidrogênio que as envolve.


A Proto-estrela entra na seqüência principal, e passa a ser uma estrela!

 

 

    Esse estágio pode durar entre 10 e 50 milhões de anos. Em seguida, o gás ficará tão quente que o centro da estrela incipiente ferve a uma temperatura de 18 milhões de graus, tão quente que consegue sustentar a fusão termonuclear. Isso que dizer, átomos de hidrogênio se movem tão rápido que se fundem e formam átomos maiores, de hélio, e liberar energia, e o gás remanescente da formação estelar é ejetado para longe; uma parte desse gás e poeira poderá mais tarde se aglomerar para formar planetas. Se há fusão, você tem uma estrela. Mas, se a massa não for suficiente (menos de 0,1 massa solar), não se formará uma estrela, e em vez disso se tornará uma anã marrom, um objeto sub-estelar em que não tem lugar a fusão de hidrogênio, mas que brilha em infravermelhos e no vermelho devido a alguns outros tipos de reações nucleares e ao calor interno..

 

    Sempre que um núcleo de hélio é formado, um fóton de luz é gerado. A estrela entra na seqüência principal e seu lugar nessa seqüência dependerá de sua massa. Assim, as estrelas permanecem estáveis por muito tempo, com o calor das reações nucleares equilibrando a atração gravitacional.

 

 


Estrelas jovens como as Plêyades ainda estão cercadas por gás e poeira.

 

 

    O calor desprendido nessa reação, que é semelhante a uma explosão controlada de uma bomba de hidrogênio, é o que faz a estrela brilhar (o nosso Sol está convertendo 400 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio a cada segundo e ele já “queima” combustível a cerca de 5 bilhões de anos!). Esse calor adicional também aumenta a pressão do gás, até que seja suficiente para equilibrar a atração gravitacional e a estrela pare de se contrair, mas o material continua a cair para o interior da jovem estrela por milhões de anos porque o colapso em razão da gravidade é maior do que a pressão expansiva exercida pela fusão nuclear.

 

    Agora que a estrela está estável, ela tem os mesmos constituintes que o Sol:

 

 

    Entretanto, o interior pode variar em relação à localização das camadas. Estrelas como o Sol, e aquelas com menos massa que ele, possuem as camadas na seqüência descrita acima. Estrelas com várias vezes a massa do Sol possuem camadas convectivas profundas em seus núcleos e camadas radiativas externas. Em contraste, as estrelas intermediárias entre o Sol e aquelas com maior massa podem ter somente uma camada radiativa. Estudaremos mais detidamente essas regiões da estrela quando tratarmos do nosso Sol.

 

    Ao olharmos as estrelas numa noite escura, temos a impressão de que elas são simples pontos isolados no céu. Mas pelo menos metade desses faróis celestes representa dois astros ligados entre si pela atração gravitacional. Os sistemas comumente são duplos; duas estrelas, uma orbitando a outra, embora haja uma contínua gradação de sistemas triplos, nos aglomerados abertos, até de algumas dúzias de estrelas em aglomerados globulares maiores, resplandescentes, com um milhão de sóis. Algumas estrelas duplas estão tão próximas que o material estrelar flui entre elas. A maioria é tão pouco separada quanto Júpiter do Sol. Da Terra, só se vê um foco luminoso, mesmo sob o exame de grandes telescópios. Algumas poucas estrelas são solitárias como o nosso Sol.

 

    Um traço curioso dos astros emparelhados é que eles não devem ter planetas. Se um mundo se formar perto deles, será atraído ao mesmo tempo pelos dois astros, sendo jogado de um lado para outro. Nesse vaivém, mais cedo ou mais tarde o planeta será ejetado para longe, perdendo-se no espaço.

 

    Astrônomos árabes no século XI foram os primeiros a notar essa duplicidade. Eles viram que certa estrela no hemisfério norte sumia periodicamente. Ficaram tão perturbados que a batizaram de Algol, palavra árabe que significa demônio. Mais tarde se comprovou que ali havia dois astros, com um deles volta e meia passando na frente do outro, que, assim, parecia ter se apagado.

 

 

    OS NOMES DAS ESTRELAS - Existem diversos sistemas de denominação estelar. Os mais antigos partem das constelações, denominando as estrelas componentes com uma letra grega em ordem alfabética, aproximadamente em ordem de luminosidade aparente na constelação; esta é seguida pelo nome da constelação, tradicionalmente em latim: como Centaurus (Centauro), com a estrela Alpha Centauri, a estrela mais brilhante da constelação Centaurus. Devido à numerosidade de estrelas, grandes catálogos estelares que surgiram passaram a nominá-las numericamente, adicionando-se-lhe o prefixo que denota o catálogo seguido pelo número da estrela (ex. HIP 87937). Outros sistemas surgiram ao nominá-las de acordo com sua posição no céu (como ascensão reta/declinação), a partir de grandes varreduras computadorizadas que catalogam objetos (ex.: SDSSp J153259.96-003944.1, donde SDSS, Sloan Digital Sky Survey, é o nome da varredura digitalizada e o restante suas coordenadas celestes). O órgão responsável por denominar estrelas reconhecido pela comunidade científica é o International Astronomical Union. Um número de companhias privadas tenta vender nomes para as estrelas; esses nomes, entretanto, não são reconhecidos pela comunidade científica, nem usados por ela. Essas organizações são vistas como fraudulentas, que se aproveitam da ignorância das pessoas sobre a maneira com que uma estrela é denominada.

 

 

    AS CONSTELAÇÕES - No senso comum, uma Constelação é um grupo de estrelas que aparecem próximas umas das outras no céu que quando são ligadas formam uma imagem de um animal, objeto ou seres fictícios. Mas para a Astronomia, constelação é uma região do céu, conforme proposto por Eugène Joseph Delporte em 1930 e adotado pela União Astronômica Internacional. Nesse conceito astronômico, pertencem a uma constelação não somente estrelas, mas qualquer objeto celeste que, visto a partir da Terra, esteja contido na mesma região, mesmo sem qualquer ligação astrofísica com outro objeto ou estrela da constelação. Na verdade, normalmente estão bastante distantes uns dos outros. Tudo o que está em uma constelação mantém apenas um vínculo (uma ligação) aparente.

 

                                           

    Constelação de Órion. a = Como é vista no céu noturno; b = como era idealizada na Antiguidade; c = a distância entre as estrelas que a compõem mostra que essas estrelas estão a diferentes distâncias entre si.

 

 

    CLASSIFICAÇÃO DAS ESTRELAS - Ao longo da vida de uma estrela, a sua massa e composição se alteram gradativamente devido aos processos de fusão nuclear.

 

    As estrelas diferem na sua massa, cores, idades, suas temperaturas efetivas, composição química e brilho absoluto (não o brilho aparente, que varia com a sua distância ao ponto de observação).

    Existem diferentes classificações de estrelas. A espectroscopia estelar oferece uma maneira de classificar estrelas de acordo com suas linhas de absorção; linhas de absorção particulares podem ser observadas somente para uma dada temperatura.

 

 

    Espectroscopia estrelar - Em Química e Física o termo espectroscopia é a designação para toda técnica de levantamento de dados físico-químicos através da transmissão, absorção ou reflexão da energia radiante incidente em uma amostra. A base da espectroscopia é a natureza ondulatória das radiações eletromagnéticas, cuja variável é a freqüência fundamental.

 

 

    Toda e qualquer substância tem uma identificação característica, uma assinatura espectral, que permite que ela seja detectada mesmo a grande distância.  Átomos e moléculas distintos absorvem freqüências distintas ou cores de luzes distintas. As absorvidas, ou as freqüências que faltam aparecem como linhas pretas no espectro de luz que recebemos de um planeta ou estrela. O que é mais impressionante é que podemos dizer do que uma coisa é feita sem nunca chegar a tocá-la, através da observação espectroscópica.

 

    Um esquema utiliza letras de A ao P, e é a origem das classes espectrais usadas atualmente. Fisicamente, as classes indicam a temperatura da atmosfera da estrela e são normalmente listadas da mais quente para a mais fria.

 

    Numa classificação comum, as estrelas vão do tipo O que são muito grandes e brilhantes, até M que são de tamanho apenas suficiente para iniciar a ignição das reações termonucleares com o hidrogênio. As estrelas mais comuns de nossa galáxia são classificadas de acordo com as classes O, B, A, F, G, K, M, estabelecidas por Annie Jump Cannon (1863-1914), a partir de critérios de classificação desenvolvidos no Observatório da Faculdade de Harward. Além dessas, reconhecem-se atualmente mais três classes estelares: W, L, T. As estrelas W, também chamadas de Wolf-Rayet, são estrelas muito massivas, mais quentes do que as estrelas O. As classes L e T, por sua vez, correspondem ao extremo de baixa temperatura superficial. Estrelas de classe T são, na realidade, consideradas anãs marrons.

 

    Cada classe tem 9 subclassificações numéricas (0-9). Nosso Sol é uma estrela de classe G, subclassificação 2: notado dessa forma como G2.

    O nosso Sol é classificado como uma estrela do tipo G2 com base na sua temperatura e nos comprimentos de onda ou espectro de luz que emite. Ele é uma estrela "média". As estrelas do tipo M (chamadas anãs vermelhas) constituem a população estelar mais numerosa da nossa Galáxia.

 

Classificação espectral de Morgan-Keenan

 

 

    As classes espectrais são:

O: estrelas azuis, com temperatura da ordem de 40.000 K

B: estrelas azuis, com temperatura da ordem de 25.000 K

A: estrelas brancas, com temperatura da ordem de 9.500 K

F: estrelas brancas, com temperatura da ordem de 7.200 K

G: estrelas amarelas, com temperatura da ordem de 5.800 K

K: estrelas alaranjadas, com temperatura da ordem de 4.900 K

M: estrelas vermelhas, com temperatura da ordem de 3.600 K

L: anãs marrons, com temperatura da ordem de 2.000 K

T: anãs marrons, com temperatura da ordem de 1.000 K

 

 

    ANALISANDO A COR DAS ESTRELAS -  A temperatura de algo está relaciionada à cor da luz emitida.

 

    A olho nu (ou mesmo com telescópio) conseguimos distinguir estrelas de várias cores, do avermelhado ao azulado, passando por estrelas amareladas. A cor de uma estrela é indicativa da sua temperatura e, equivalentemente, da sua massa o que, por sua vez, nos indica a sua idade. As estrelas mais quentes (e de maior massa) são as mais azuladas, as mais frias (e de menor massa) apresentam-se mais avermelhadas. O Sol, com a temperatura superficial de 5.5000 C, está entre esses extremos e tem cor m grande parte amarela. Isto para estrelas na chamada "sequência principal", a fase mais estável na vida de uma estrela: no início ou no fim da vida de uma estrela o caso é mais complicado. Estas estrelas, de primeira grandeza, são as únicas que permitem ao olho humano perceber a variação de sua tonalidade cromática.

 

    A coloração das estrelas é provocada pela distribuição da energia emitida no espectro luminoso: quanto maior a temperatura, a energia se desloca para os comprimentos de onda mais curtos (em direção ao azul), aumentando a luminosidade. Assim, entre 3000 e 4000 graus Kelvin, a maior quantidade da energia irradiada está na região do infravermelho e a estrela parecerá vermelha. Por outro lado, acima dos 10000 graus Kelvin, a energia emitida estará na região do ultravioleta e do azul, dando esta coloração a estrela.

 

 

 

 

    BRILHO (MAGNITUDE) DAS ESTRELAS - O brilho de uma estrela é medido em maggnitudes; quanto mais brilhante a estrela, menor a sua magnitude. Quanto mais baixa é a magnitude, mais brilhante é a estrela. Nos astros mais brilhantes, a magnitude fica negativa. Sirius, a estrela mais brilhante, tem magnitude -1,5. O planeta Vênus chega a ter -4,5 e a Lua cheia -12.

 

    Existem dois tipos de magnitude: magnitude aparente, que é como o seu brilho é visto da Terra, e magnitude absoluta, que é o brilho como seria visto de uma distância padrão de 10 parsecs (32,6 anos-luz).

 

    A magnitude aparente indica a intensidade do brilho de uma estrela vista a olho nu. O limite da visibilidade a olho nu depende das condições do céu, mas as estrelas menos brilhantes que podem ser vistas em uma noite bem limpa têm magnitude +6. Quanto mais próxima está uma estrela, mais brilhante ela parece ser. Como as estrelas encontram-se a diferentes distâncias, a magnitude aparente não mede seu verdadeiro brilho. Objetos de magnitude superior a cerca de +5,5 não podem ser vistos a olho nu. A magnitude aparente fornece uma forma de comparar quão brilhante um objeto parece em relação a outro, mas não quão brilhante ele é. Isto porque a magnitude aparente depende da distância em que o objeto se encontra.

    A magnitude absoluta compensa a distância da estrela, calculando sua magnitude aparente como se ela estivesse a uma distância de 32,6 anos-luz (10 parsecs). Por exemplo, Sirius A é uma estrela próxima e tem magnitude aparente de -1,4. Porém, sua magnitude absoluta é +1,4. O Sol tem magnitude aparente de -26,7 e magnitude absoluta de +4,8.

    Dois fatores determinam o brilho de uma estrela:

    A luminosidade também está relacionada ao tamanho da estrela. Quanto maior a estrela, maior a energia emitida, portanto mais luminosa ela será.

 

 

 

    A magnitude e o tipo espectral (cor) das estrelas podem ser dispostos sobre um gráfico denominado diagrama Hertzsprung-Russell (usualmente utiliza-se a abreviação Diagrama HR), que mostra que as estrelas tendem a se arranjar em diversos grupos bem definidos. Os grupos principais são as estrelas da Seqüência Principal (que transformam hidrogênio em hélio), gigantes, supergigantes e anãs brancas. mostra a relação matemática entre magnitude absoluta, luminosidade, classificação estrelar e a temperatura de superfície.

 

                                                               

     Há 22 séculos, o grego Hiparco tornou-se o primeiro a compilar um catálogo de 850 estrelas e a classificá-las de acordo com o brilho, numa medida que ele denominou magnitude. Sabe-se que ele as dividiu em seis grupos e no primeiro deles colocou as vinte estrelas que apareciam logo após o anoitecer. Eram os astros de primeira magnitude. Na sexta magnitude, reuniu os astros mais fracos. Seja como for, hoje conhecemos o brilho de 6 milhões de estrelas variáveis e temos catálogos com 15 milhões de estrelas de magnitude acima de 15, além de 4 milhões de galáxias.

 

    Magnitudes aparente de objetos conhecidos:

 


Magnitude aparente

 

 

    DIAGRAMA DE HERTZSPRUNG-RUSSELL (OU DIAGRAMA HR) – O Diagrama HR é usado para definir os diferentes tipos de estrelas, e para casar predições teóricas sobre a evolução estelar usando-se modelos computacionais e observações de estrelas verdadeiras. Este diagrama foi criado em 1910 por Ejnar Hertzprung (dinamarquês) e Henry Russell (americano).

 

    No Diagrama HR, a maior parte das estrelas encontra-se na faixa conhecida como seqüência principal, que relaciona a magnitude absoluta e tipo espectral das estrelas que queimam hidrogênio em seu núcleo. Em Astronomia, a sequência principal é uma curva no Diagrama HR, mais exatamente uma faixa, onde a maior parte das estrelas estão localizadas. Estrelas localizadas nesta faixa são chamadas de estrelas de seqüência principal [são aquelas que estão gerando luz e calor da fusão do Hidrogênio em Hélio em seu núcleo]. As mais frias são chamadas de anãs vermelhas. O Sol, juntamente com a maior parte das estrelas visíveis a olho nu, está na sequência principal.

    Um estrela entra na seqüência principal, saindo da fase de proto-estrela, assim que a temperatura de seu núcleo atinge um valor suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio em hélio e permanecerá nela até que esta fase se esgote e passe para a fase de subgigantes ou gigantes vermelhas.

 

    Estrelas menos massivas e mais frias, que queimam hidrogênio, como as anãs vermelhas, aparecem no canto inferior da seqüência principal no diagrama.

 

    O Sol é tomado com uma estrela padrão nesse sistema (Luminosidade = 1) não porque seja especial em algum sentido, apenas porque é a estrela mais próxima e melhor estudada que conhecemos, e a maior parte das características de outras estrelas é geralmente dada em unidades solares.

 

    No eixo vertical, indicamos a luminosidade intrínseca ou a magnitude absoluta das estrelas, no eixo horizontal colocamos a temperatura superficial em ordem  decrescente, ou a classe espectral da estrela.

 

 

    COMO OS ASTRÔNOMOS MEDEM A DISTÂNCIA EM ANOS-LUZ ENTRE AS ESTRELAS E A TERRA? - Em Astronomia, usamos como unidade de distância o ano-luz, que é a distância percorrida pela luz durante um ano. Como a luz se propaga à velocidade de 300.000 km/s e um ano tem 31 milhões e 536 mil segundos, multiplicando essas duas quantidades, obtemos 9,46 trilhões de quilômetros como a distância percorrida pela luz em um ano. A estrela mais próxima da Terra — depois do Sol, é Próxima Centauri, que fica a 39,9 trilhões de quilômetros. Podemos então afirmar que a estrela Próxima Centauri encontra-se a 4,2 anos-luz da Terra, pois sua luz leva 4,2 anos para alcançar-nos!

    Até o início do século XX as distâncias estelares eram determinadas pelo método da paralaxe. Para as grandes distâncias astronômicas tal procedimento não se revela um método preciso. O método da paralaxe mostra-se adequado para estrelas com até 50 parsecs de distância [1 parsec =  30.856.775.800.000 km ou 3,26156378 anos-luz].

 

 

    Primeiro observamos o astro com um telescópio. A luz que ele emite é como uma reta e o próprio instrumento mede o ângulo entre essa linha e a Terra. Seis meses depois, repete-se a operação. Aí, a Terra vai estar do outro lado do Sol, ou seja, no extremo oposto de sua órbita, e, por isso, o ângulo será diferente. Juntando as duas retas e a linha que representa o deslocamento da Terra entre os dois momentos, é possível desenhar um triângulo (veja o infográfico). Como o diâmetro da órbita terrestre é conhecido 300 milhões de quilômetros), que é a base do triângulo, e dois ângulos, pode-se deduzir o tamanho dos outros lados do triângulo, que são as distâncias da estrela nos dois momentos, assim, descobrir a distância entre a estrela e o nosso planeta. Usado desde 1838, o método tem margem de erro de 10%, o que é considerado muito pouco pelos astrônomos.

 

 

    MOVIMENTO PRÓPRIO DAS ESTRELAS - Numa primeira análise, a estrela parecee estar fixa no céu, em relação às outras estrelas. Uma observação mais cuidadosa revelará que as estrelas mudam lentamente de posição e que cada estrela possui seu próprio movimento.

 

    As estrelas ao nosso redor se movimentam em relação a Sistema Solar. Algumas se afastam e outras vêm em nossa direção. Este movimento é medido em duas quantidades. Movimento angular e o próprio movimento. A primeira quantidade indica para qual direção a esfera celeste gira; afinal, tanto planetas quanto estrela apresentam um movimento aparente no céu, causado pela rotação da Terra em torno do próprio eixo. Assim, estrelas e planetas surgem no horizonte leste (nascem) e desaparecem (se põem) no oeste.

 

    E a segunda quantidade fornece a magnitude do movimento, segundo de arco por ano. Como, no entanto, as estrelas se encontram muito distantes de nosso planeta, seus movimentos próprios só são percebidos através de medidas muito precisas, repetidas durante intervalos de tempo usualmente longos. Por isso, você pode observar que uma estrela SEMPRE nasce no mesmo ponto do horizonte.

 

    Jan Heindrik Oort (1900-1992) demonstrou que os movimentos podem ser interpretados em termos do movimento geral das estrelas em torno da galáxia, de acordo com as leis de movimento de Kepler. As estrelas mais próximas do centro da galáxia se movem mais rápido do que o Sol. Oort deduziu que o Sol revolve em torno do centro da nossa galáxia com uma velocidade de 220 km/s, completando uma volta a cada 202 milhões de anos, ou seja, há cada 225 milhões de anos o Sol completa uma volta em torno da galáxia.

 

.
Jan Hendrik Oort  

 

    O movimento das estrelas foi pela primeira vez descoberto por Sir Edmund Halley em 1718, quando relatou que as estrelas Arcturus (alfa bootis, da constelação do Boieiro, quarta maior estrela conhecida e a mais brilhante nas noites de verão do hemisfério norte) e Aldebaran haviam se movido meio grau, desde a medição efetuada pelo astrônomo da Antiguidade Hiparco, cerca de 1.850 anos antes; Sírius também havia mudado de meio grau. Lembro que um ângulo de 1 grau no céu, equivalente a cerca de duas vezes o diâmetro da Lua cheia,e o ângulo sob o qual o Sol é visto no céu é de 0,5º. Desde então os astrônomos têm medido o movimento transverso, isto é, o movimento aparente das estrelas no céu, perpendicular à linha de visada. Este movimento, chamado de movimento próprio, chega a 30 a 40 km/s.

Edmund Halley (1656-1742)

 

    As seguintes estrelas apresentam grande movimento.

 

    EFEITO DOPPLER - Em 1842 Christian Doppler (1803-1853) ddemonstrou que uma fonte que se distancia do observador tem todos os comprimentos de onda de seu espectro deslocados para o vermelho, isto é, o Efeito Doppler. Com estas medidas do Efeito Doppler, foi possível também medir a velocidade radial das estrelas, isto é, a velocidade na linha de visada. Combinando estes dois movimentos, podemos medir a verdadeira velocidade da estrela em relação ao Sol. E o que é o Efeito Doppler? É uma característica observada nas ondas quando emitidas ou refletidas por um objeto que está em movimento com relação ao observador. O movimento das estrelas afeta os comprimentos de onda da luz que recebemos delas, assim como o som agudo da sirene de um carro de bombeiros que se torna mais grave quando passa por nós.

 

 
Ilustração das ondas sonoras emitidas de um objeto em movimento.

 

 

    Medindo-se o espectro da estrela e comparando-o com o espectro de uma lâmpada padrão, é possível medir a intensidade do desvio Doppler. A intensidade do desvio Doppler nos informa a velocidade com que a estrela se move em relação a nós. Além disso, a direção do desvio Doppler pode nos dizer a direção do movimento da estrela. Se o espectro de uma estrela se desvia para a extremidade azul, então a estrela se move em nossa direção; se o espectro se desvia para a extremidade vermelha, então ela se afasta de nós. Do mesmo modo, se uma estrela gira sobre seu eixo, o desvio Doppler de seu espectro pode ser usado para medir sua taxa de rotação.

 

    Nas ondas luminosas este fenômeno é observável quando a fonte e o observador se afastam ou se aproximam com grande velocidade relativa. Neste caso, o espectro da luz recebida apresenta desvio para o vermelho (quando se afastam) e desvio para o azul ou violeta (quando se aproximam). Em Astronomia, permite a medição da velocidade relativa das estrelas e outros objetos celestes luminosos em relação à Terra. Essas medições permitiram aos astrônomos concluir que o Universo está em expansão, pois quanto maior a distância desses objetos, maior o desvio para o vermelho observado.

 

    CURIOSIDADES 1) Qual a estrela mais massiva? Uma estrela no aglomerado NGC 3603 Ela foi batizada de estrela A1. Ela tem simplesmente 114 vezes a massa do nosso Sol! batendo o valor anterior de 89 massas solares Se o Sol fosse uma bolinha de tênis, a maior estrela da categoria seria um campo de futebol. Em teoria, espera-se que uma estrela não ultrapasse 150 massas solares. Um ponto interessante é que estas estrelas estão na fase final de suas vidas (de 3-10 milhões de anos!) e são chamadas de Wolf-Rayet. Se A1 tem agora por volta de 114 massas solares e está na fase final de sua vida, certamente ela nasceu com bem mais que isso. Existe uma estrela suspeita perto do centro da galáxia chamada de “Pistol Star” que acredita-se ter nascido com mais de 200 massas solares e que teria hoje por volta de 100-150. Mas, como ela foi “pesada” por métodos menos precisos que o da dinâmica gravitacional, muita gente torce o nariz para esses valores, e o recorde não foi homologado.

    2) Existem estrelas fora das galáxias? No meio intergaláctico, a densidade de gás seria baixa demais para levar à formação de estrelas. Seria, mas não é. Descobertas recentes descobriram estrelas azuis supermassivas fora das galáxias, espalhadas pelo espaço. Essas estrelas são muito jovens, 20 a 30 vezes maior do que o Sol, com idade estimada ente 5 a 30 milhões de anos. Essas estrelas são chamadas de Bolhas azuis (em inglês Blue Blobs) conhecidas como "orfanatos de estrelas" por darem origem a estrelas fora das galáxias, que são possivelmente formados por colisões de gases e turbulências subseqüentes.

 

    3) Qual a menor estrela conhecida? Excluídas as estrelas de nêutrons, de dimensões apenas estimadas, a menor parece ser uma anã branca - estrela que se encontra no estágio final da sua evolução - denominada LP 327-16, descoberta em 19772, com raio de 850 quilômetros, a 100 anos-luz de distância.

 

    4) Qual a estrela mais próxima de nós, excetuando-se o nosso próprio Sol? Alfa Centauri, também chamada de Próxima Centauri, estando a uma distância de aproximadamente 4,3 anos-luz da Terra. Caso Alfa Centauri explodisse hoje, nós só saberíamos daqui a 4 anos. Não podemos olhar para o espaço sem olhar para trás no tempo. Esta estrela é, na verdade, um sistema triplo, no qual a Alfa Centauri A é orbitada por Alfa Centauri B e Alfa Centauri C. O sistema Alfa Centauri só pode ser observado no hemisfério sul e situa-se à leste do Cruzeiro do Sul. A olho nu apresenta-se como uma estrela única de magnitude -0,29. Com telescópios de pequeno porte já se podem distinguir a Alfa Centauri A e Alfa Centauri B.

 

 

    A PRIMEIRA GERAÇÃO DE ESTRELAS – Simulações em computador mostram que as primeiras estrelas devem ter surgido entre cem milhões e 250 milhões de anos depois do Big Bang. A radiação das primeiras estrelas ionizou o gás hidrogênio à sua volta. O processo que levou à criação das primeiras estrelas foi muito diferente da formação de estrelas do presente.

 


Ilustração das Estrelas de Primeira Geração.

 

 

    Algumas estrelas explodiram como supernovas, dispersando elementos pesados, como carbono e oxigênio, por todo o Universo, contribuindo na formação das gerações posteriores de estrelas, na formação de planetas e da vida em si.

 

    Essas estrelas extremamente maciças são as fábricas do ferro do Universo. Uma única estrela 150 vezes mais maciça do que o Sol pode produzir de 20 a 25 vezes a massa do Sol em ferro.

 

    As estrelas mais densas transformaram-se em Buracos Negros igualmente densos. A atração gravitacional empurrou as protogaláxias umas em direção às outras. Ao longo de centenas de milhões de anos, sucessivas fusões levaram à criação de galáxias. À medida que as protogaláxias se fundiram para formar galáxias, os buracos negros possivelmente se concentraram no centros galácticos. A colisão de protogaláxias muito provavelmente disparou formações explosivas de estrelas, exatamente como as fusões galácticas fazem no Universo atual. Os Buracos Negros das protogaláxias provavelmente se fundiram, levando à criação de Buracos Negros supermassivos. O rodopio violento de gás para dentro desses Buracos Negros teria gerado a Radiação característica dos Quasares.

 

    As Estrelas de Primeira Geração devem ter sido muito diferentes de todas as estrelas já observadas, pois estas possuem em seu interior uma certa quantidade (ainda que mínima) de elementos pesados, como ferro, carbono e oxigênio, embora sejam majoritariamente feitas de hidrogênio e hélio. Uma estrela primordial era puramente feita de hidrogênio e hélio e emitiriam grande parte de sua luminosidade na faixa do ultravioleta, o que a tornava  é bem diferente de uma estrela "comum" de mesma massa. Só para começar, elas deveriam ter sido muito mais quentes, maiores e mais luminosas.

 

    Devido a sua grande massa e composição de elementos, as Estrelas de Primeira Geração teriam uma vida relativamente curta, sendo as idades determinadas pela quantidade de massa das estrelas.

    A tabela abaixo compara as características das Estrelas com as do Sol.

Estrelas:

Sol

Estrelas de Primeira Geração

Massa:

1,9891 × 1030 kg

100 a 1000 massas solares

Raio:

696 mil km

4 a 14 raios solares

Luminosidade:

5.780 kelvins

100 mil a 110 mil kelvins

Tempo de Vida:

10 bilhões de anos

3 milhões de anos

 

 

    COMO OCORRE A FUSÃO NUCLEAR NO INTERIOR DE UMA ESTRELA? - Dentro do núcleo de uma estrela comum, em idade madura, a uma temperatura que chega a 15 milhões de graus, partículas atômicas chamadas prótons colidem entre si e durante o choque uma delas se transforma em outra denominada nêutron. Esse processo converte núcleos do átomo de hidrogênio, compostos de um próton cada um, em núcleos do elemento hélio, feitos de dois prótons e dois nêutrons, emitindo 2 pósitrons, 2 neutrinos e 2 raios gama. As partículas de luz, batizadas de fótons, surgem como um resíduo dessa metamorfose. Ao escapar para a superfície, os fótons colidem com hidrogênio e hélio gasosos e os aquecem. Assim, os gases fazem pressão de dentro para fora e contrabalançam a força da gravidade, que tende a puxá-los para o centro e implodir o astro. Estima-se que, nesse bate-bate com o hidrogênio e o hélio, cada fóton leva 1 milhão de anos para chegar ao espaço. Eles são o brilho estelar que vemos aqui da Terra.

    A energia luminosa escapa para a superfície e aquece as massas gasosas que encontra no caminho, isso cria uma pressão de dentro para fora. Ela é forte o suficiente para contrabalançar o peso da estrela, gerado por sua gravidade.

    Esse equilíbrio dura enquanto há hidrogênio para alimentar as reações, o que geralmente acontece por bilhões de anos. Mas o empate entre a gravidade e a pressão não é perfeito. O fluxo de luz lá do centro às vezes cai um pouco e o gás a sua volta tende a desabar sobre o núcleo. Esse aperto acaba acelerando as reações, o que eleva de novo a produção de energia luminosa. Com isso, o astro inteiro volta a se estabilizar. No caso do Sol, os terráqueos nem notam que o gigante teve um leve estremecimento interno.

 

    A esse processo de criação de novos núcleos atômicos a partir dos núcleos pré-existentes (prótons e nêutrons) chamamos de nucleossíntese dos elementos.

 

    As reações nucleares ocorrem pelo seguinte esquema:

    Fabricando os elementos além do Ferro: Estes elementos foram produzidos pelas primeiras estrelas, que num dado momento concluíram seu ciclo evolutivo e ejetaram para o meio interestelar os elementos químicos que produziram, seja por perda de massa seja pela explosão de uma Supernova. . Este material fez parte da geração seguinte de estrelas, que em seu ciclo de vida produziu material ainda mais enriquecido em elementos pesados, e assim sucessivamente.

 

    Exceto pelo hidrogênio e pelo hélio, cada átomo no Sol e na Terra foi criado em outras estrelas.

 

 

    EVOLUÇÃO DAS ESTRELAS CONFORME SUA MASSA - Todas as estrelas gastam 90% de suas viidas realizando a fusão nuclear do hidrogênio para produzir hélio em reações de alta pressão próximo ao seu centro. Tais estrelas estão na seqüência principal do Diagrama de Hertzsprung-Russell.

    O destino final das estrelas, depois de consumir todo o seu combustível nuclear, depende de duas coisas: primeiro, se a estrela é simples ou faz parte de um sistema binário ou múltiplo, e 60% das estrelas faz; e segundo, de sua massa inicial. Se a estrela faz parte de um sistema binário ou múltiplo, sua evolução depende tanto da massa quanto da separação entre as estrelas, que determinará quando na evolução as estrelas interagirão. Se a estrela não faz parte de um sistema binário ou múltiplo, sua evolução depende somente de sua massa inicial.

 

·        Estrelas de menor massa - Enquanto estrelas maciças têm a vida medida em milhões de anos, estrelas de menor massa medem suas vidas em dezenas de bilhões ou mesmo trilhões de anos. Todas essas estrelas ainda estão em sua infância, pois o Universo produz estrela a uns 10 bilhões de anos. Essas estrelas morrem vagarosamente.

 

·        Estrelas maciças -  Uma estrela gigante pode morrer em 1 milhão de anos. Uma estrela 10 vezes mais maciça que o Sol viverá apenas 1/1.000 da vida do Sol. Se a vida estimada do Sol é de 10 bilhões de anos, essa estrela poderá viver apenas 10 milhões de anos. Essas estrelas morrem em explosões violentas, chamadas Supernovas.

 

    As estrelas menores que o Sol têm menor temperatura e seu brilho é alaranjado ou avermelhado. As como o Sol têm temperatura média e o seu brilho é amarelado. E as maiores têm maior temperatura e um brilho branco-azulado.

 

    A evolução das estrelas depende de sua massa. Veja a tabela:

 

Massa (MSol): até 0,08

Evolução: não realiza reação termo-nuclear do Hidrogênio

Estágio Final: anã marrom (ou anã castanha)

 

 

Massa (MSol): 0,08 a 0,5

Evolução: só queima Hidrogênio

Estágio Final: anã branca de Hélio

 

 

Massa (MSol): 0,5 a 10

Evolução: queima Hidrogênio e Hélio

Estágio Final: anã branca de Carbono/Oxigênio

 

Massa (MSol): 10 a 11

Evolução: deflagração do Carbono ou colapso por captura de elétrons

Estágio Final: disrupção total ou estrela de nêutrons

 

 

Massa (MSol): 11 a 100 (*)

Evolução: queima Hidrogênio, Hélio, Carbono, Neônio, Oxigênio, Silício e gera o núcleo de Ferro.

Estágio Final: estrela de nêutrons ou buraco negro

 

Massa (MSol): acima de 100

Evolução: criação de pares, SN

Estágio Final: disrupção total ou buraco negro

 

 

(*) As estrelas massivas (>11 massas solares), no final de sua existência, passam a apresentar várias camadas fazendo nucleosíntese como uma "cebola".

 

    Quanto maior a quantidade de combustível que dá origem à estrela, tanto mais rapidamente será consumida. Isso acontece porque, quanto mais massa, maior calor necessitará para equilibrar sua atração gravitacional, provocando na matéria interior colisões mais freqüentes e violentas, isto por sua vez acelera as reações nucleares. Nosso Sol tem provavelmente combustível suficiente para outros 5 bilhões de anos ou mais, mas estrelas mais compactas podem consumir suas reservas no curto tempo de 100 milhões de anos.

    Estrelas maiores do que o nosso Sol tendem a formarem-se mais depressa, algumas em não mais de um milhão de anos. As maiores de todas têm cerca de 100 vezes a massa do Sol, e duram somente uns dez milhões de anos.

 

******

 

    Nos próximos artigos iremos conhecer melhor a evolução de cada tipo de estrela, conforme sua massa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1