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DE LENON À IVETE:O SONHO NÃO ACABOU... LEVANTOU POEIRA!!!
"Mnha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos... e vivemos como os nossos pais..."(Belchior)
PARTE III
Já ocorreram na história vários tipos de revolução, utilizando-se para isso, vários símbolos.
O ícone da vez foi a ironia; estou me referindo aos "caras-pintadas".
Eles usaram como símbolo a tinta! Era uma resposta ao embrionário marketing político que
anunciou aos quatro ventos durante a campanha do presidente Collor, que o Brasil iria ficar colorido... e ficou mesmo!
O caçador de marajás foi caçado pela aristocracia, pois ela não suportuou a abertura do país ao
mercado estrangeiro. Collor abriu nossa débil indústria para o mundo, isso causou pânico tanto no
empresariado como na classe operária. Dessa vez, ambos uniram-se no desespero frente à dura realidade
global, que colocou o país em xeque: Para concorrer é necessário ter eficiência,
para ter eficiência necessita-se de investimento, para ter investimento é essencial inspirar
confiança, e por aí vai...
O adiamento do processo democrático demonstrou aos futuros governantes quais seriam as premissas
que nortiariam a abertura política. Essas condições foram impostas pela
oligarquia que governa o país de fato. Seus representantes no congresso, cheios de oportunismo,
fazem um lobby ininterrupto junto ao executivo. Seus votos custam caro, eles não abrem mão de
defender os interesses dos grupos privilegiados sem lucrar muito com isso.
Collor encontrou dificuldade nesse jogo. À despeito de ser eleito através de um partido nanico,
não compôs um ministério heterogêneo e exagerou nas mp's. Isso significa que não queria "negociar"
com muita frequência. Sua queda não deveu-se somente ao caso pc farias, muito menos às manifestações embaladas pela mídia. Ele não quis compartilhar o poder, esqueceu-se que já viviamos em uma nova fase: o período democrático, no qual há uma livre concorrência pelo dinheiro público, pouco autoritarismo e muita propina...
Nos governos que se seguiram: Itama Franco, FHC I e FHC II, houve um realinhamento de forças.
Aqueles que antes buscaram nas manifestações uma mudança na sociedade, estão agora tentando
sobreviver na luta diária. São hoje país de família, seus filhos vão crescendo, tomando conhecimento
dos fatos. Outros símbolos vão surgindo, outras bandeiras, outros lemas, outras paixões...
Há pessoas que sentem saudade da ditadura, outros nem querem ouvir esse nome. Os "caras-pintadas",
não tem muita coisa a dizer. Até porque, a maioria sequer sabia o que estava acontecendo.
E a tinta como símbolo, não passa de uma metáfora infeliz. A sensação é que estamos admitindo
que o nosso país não passa de um circo.
No último texto vamos refletir sobre nossos dias. Nos quais prevalece a profissionalização
das massas. É a sofisticação do mercado e a banalizão da ideologia dentro de um novo contexto.
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