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DE LENON À IVETE:O SONHO NÃO ACABOU... LEVANTOU POEIRA!!!
"Mnha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos... e vivemos como os nossos pais..."(Belchior)
PARTE II
Nem tudo são flores!!
A juventude latina percebeu que cantar musica Harekrisna, tomar chá de cogumelo e amar todo mundo, não iria alterar muito a situação da população. Na resistência contra o sistema eles se armaram. Guerrilhas espalharam-se pela américa a fora com o objetivo de resistir à nova investida colonial no pós guerra.
A Rússia, dona do império soviético, queria expandir o sua dominação pelo mundo e isso não agradou à nossa histórica parceria comercial. Os amigos do povo optaram por apoiar os ianques enquanto a juventude tomou o sonho marxista como bandeira para a sua luta. E novamente os ideais foram capitalizados em prol dos interesses econômicos.
A luta para libertar o povo da ávidez norte-americana seria muito meritória, se não fosse um detalhe milenar: Quem paga é quem manda!!
Uma revolução só pode ser para o povo se brotar no seio do povo, desde a inconfidência a elite tem essa mania de querer fazer a revolução para o povo...essa revolução foi financiada por um outro país(URSS) com não menos aspirações imperialistas do que o tio sam, enfim a luta foi verdadeira no aspecto ideológico, mas novamente esbarrou no fator de mercado, que sempre esbarra em tudo, não é?
É importante salientar que quem lutou na ditadura, como sempre ocorre em qualquer luta, foi uma minoria. A grande massa estava dispersa e com medo(não sem razão). Muitos dos que hoje alegam ter sido parte de uma geração revolucionária, não passaram de grandes expectadores, eles não podiam sequer aplaudir os verdadeiros heróis da nação(que não é Ayrton Senna, Pelé, Roberto Carlos, ou qualquer outro que a globo assim o intitule,
esses muito pelo contrário foram no mínimo omissos frente ao caos em que o país atravessou durante o seu estrelato). Os verdadeiros heróis aos quais me refiro -como sempre ocorre -, morreram no anonimato, nos porões da tortura, longe dos seus familiares, sem fama, sem dinheiro e até hoje sem reconhecimento...
Não posso deixar de mencionar que o modismo revolucionário pegou forte nesse período.
A moçada consumiu muitos produtos que simbolizavam a rebeldia.
Apesar de não poder usar che guevara estampado no peito como a playboizada assim o faz hoje,
uma pratica comum era comprar calças jeans, tênis, discos, etc... tudo importado ilegalmente,
à preços infladíssimos, com o fim de ser um genuino brasileiro imitador do mal gosto alheio.
O mérito da rapaziada foi manter viva a chama da resistência
contra a expoliação do país - que poderia estar em situação
bem pior do que a atual - não fosse a coragem de muitos
que ofereceram a sua própria vida para nos manter com
relativa independência frente aos interesses norte-americanos.
A constituição de 1988, juntamente com as eleições diretas
em 1990, foram um marco na história brasileira. Serviram
como válvula de escape frente à pressão social que uma
nova classe organizada no Brasil, exercia sobre os governantes.
A juventude saiu de cena para dar lugar há um apelo
insofismável, foi o grito de milhares de país de família,
vindo principalmente da região industrial de São Paulo.
Esses não tinham muita ideologia, estavam cheios de
pragmatismo. O capitalismo estava provando o seu próprio
remédio, os trabalhadores foram fisgados pelo consumismo
proporcionado por um embrionário processo de globalização,
eles viam surgir diante dos seus olhos, com intensa
velocidade, todas as novidades oferecidas pelos gigantes
capitalistas. Ávidos para usufruir da riqueza que geravam.
Conscientizados por uma corrente socialista que emanava
de dentro da igreja católica, mais precisamente denominada
Teologia da Libertação. Deram um golpe final a já desgastada
ditadura, que não conseguiu barrar o rio de gente que
enche o asfalto, entorna pelas ladeiras e entope o meio
fio...(Lô Borges). O governo militar tornou-se insustentável
diante da nova ordem mundial a qual determina governos
maleaveís às imposições em âmbito político e econômico.
De novo o maldito mercado mudou a história...
E a juventude?
A juventude foi se desbaratando.
Em meio há um processo de repúdio ideológico cheio de ideologia da boca para fora,
mergulhou fundo em um poço de futilidade. A sede de liberdade foi saciada com altas doses de
drogas pesadas e Aids. As letras de protesto do Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs,
Engenheiros do Havaí e Cazuza, denotavam uma libido reprimida. Um inadiável desejo
de participação no processo político nacional. Sabiamos que queriamos mudança,
só não esperavámos um novo golpe tão rápido em nossos sonhos...
Isso será assunto para a terceira parte, na qual será retratada a juventude em seu estágio atual,
gostaria de sugestões: O que você pensa da sua geração? O mercado realmente tem todo esse poder
de anular as nossas aspirações? É possível haver uma revolução que traga justiça e paz ao povo?
Quanta indagação...
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