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DE LENON À IVETE:O SONHO NÃO ACABOU... LEVANTOU POEIRA!!!
"Mnha dor é perceber que apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos... e vivemos como os nossos pais..."(Belchior)
PARTE IV
A última novidade para arrastar multidões às ruas não é religião,
guerra ou política. A desordenada marcha ativista transmutou-se
em um produto comercial confesso. As ruas que antes abrigavam
protestos furiosos, agora transformaram-se em um palco festivo.
Estou me referindo ao micareta!
O interessante é notar as diferenças e semelhanças entre o ajuntamento
do passado e o do presente: No passado a polícia tinha uma função
repressora, hoje a sua atribuição é protejer os foliões.
Naquela época as autoridades repremiam o ato, hoje elas patrocinam.
Antes as pessoas lutavam por emprego e justiça, atualmente milhares
vão trabalhar nos eventos para servir a multidão. Anteriormente os
militantes ofereciam as suas próprias vidas pela causa em que se
engajavam, agora há o sacrifício financeiro em troca da diversão
proporcionada. No pretérito as famílias reprovavam quem se envolvia
no movimento, no presente os pais pagam para os filhos irem.
Sobre esse último aspecto vale ressaltar que não era incomum,
jovens ricos envolverem-se em crimes para manter a guerrilha.
No carnaval fora de época ocorre o inverso: Muitos pobres trabalham
durante todo o ano para em um único dia, sentirem-se parte da elite.
Uma minoria paga caro para ter conforto em meio a folia, enquanto
uma grande massa fica de fora. Separada por um cordão de isolamento,
come as migalhas que caem da mesa de seus donos. É curioso como as
pessoas não percebem que tudo converge em fatores ideológicos, e como
os símbolos estão presentes em atos aparentemente ingênuos. O que parece
ser apenas uma brincadeira, em sua essência demonstra a superioridade de
quem está no alto da escala social, sobre aqueles que gostariam de ter
o mesmo privilégio. A crítica gratuita, e a denúncia de afronta social
é notória em todos os veículos de comunicação, mas o que poucos tiram como
lição é que o evento que dura poucos dias, não passa de uma mera
síntese do caos social que perdura há tempos na história do homem, antes
de ir de encontro a esse ajuntamento sem propósito, devemos insurgir contra
todo o sistema de dominação que nos dobra frente aos interesses dos outros
em detrimento dos nossos próprios.
Alguns aspectos não se prendem ao tempo: Em todos as épocas há uma
sensação de estar participando de algo que é fundamental para a
existência, do qual não se pode deixar de ir...
O sexo, a bebida e as dogras, atuam como elementos de
auto-afirmação. A música soa como um encanto, cauteriza a mente e
nos faz atuar em nome de algo exterior, fora de nossa responsabilidade.
O que nos move? O que nos faz sair de nossa comodidade e ousar?
Seria uma religião? Um sistema econômico? Um partido?
Um time? Uma bandeira?
Seja o que for não passa de mero fetiche. Um objeto que os
inescrupulosos manipulam muito bem. Gênios na arte de enganar,
oferecem o melhor caminho para atinjir com rapidez, todas as nossas
aspirações. Exigem lealdade, obediência e submissão total.
Resta a cada um decidir a quem servir, a quem entregar sua vida...
O sonho não acabou...transformou-se em poeira!
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