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Maior fora o meu engenho e certamente que estas p�ginas estariam repletas de hist�rias originais, nunca ouvidas nem impressas, que muito poderiam enriquecer o anedot�rio nacional e n�o s�. Mas tal n�o � o caso, e acontece que, face �s resmas de material dispon�vel, muito do qual n�o � do conhecimento geral, achei por bem organizar esta compila��o a partir, principalmente, de anedotas de natureza e dimens�o diversas, que correm de boca a orelha, impressas um pouco por todo o lado ou que, ainda, est�o dispon�veis em diversos sites da Internet. A anedota tem esta caracter�stica comum com o boato: n�o se sabe quem foi o primeiro a proferi-la, espalha-se com enorme rapidez e n�o paga direitos de autor. De acordo com cada pa�s, ou at� mesmo regi�o, uma dada anedota pode assumir contornos diversos, de acordo com as suas realidades sociais, pelo que, com alguns retoques, uma piada sobre mineiros (de Minas Gerais), com uma roupagem adequada, pode ser transposta para Portugal e passar a ser mais uma piada de alentejanos. Ou outra em que o Portugu�s � o bombo da festa, invertendo ou redistribuindo os pap�is, poder� vitimar uma qualquer outra nacionalidade, colocando o nosso esp�cime dom�stico, pelo contr�rio, nas fun��es de �esperto�. Entreguei-me ao exerc�cio de, a partir de anedotas com uma mera meia d�zia de linhas, envolv�-las com um maior n�mero de detalhes e circunst�ncias, por vezes de forma exaustiva, at� que se parecesse mais com um breve conto sard�nico, apenas se reconhecendo o original quando encontrado o seu fio condutor. S�o aquelas hist�rias de maior f�lego, que ocupam v�rias p�ginas, que aqui desde o in�cio se pode encontrar Um aspecto que cabe sublinhar � o que se prende com a redac��o dos respectivos textos. Ainda que sem querer fazer pedagogia sobre gram�tica e sintaxe, procurei sempre escrever de uma forma correcta, quer em termos de portugu�s quer mesmo da pontua��o que lhe deve estar adjacente, mas a que nos dias de hoje se d� t�o pouca import�ncia, seja na escrita seja na leitura oral � basta para isso ouvirmos as r�dios e televis�es que temos. Na grande maioria dos casos, seja na imprensa em suporte de papel seja na electr�nica, a grafia dos termos empregues brada aos c�us, seja de origem nacional seja brasileira. E, quanto � pontua��o, que se devidamente lida aprimora o sentido das frases, e se n�o o for a t� o pode desvirtuar (lembram-se do epis�dio da v�rgula, num qualquer texto parlamentar, h� uns anos?) a� ent�o nem � bom falar. Fruto de raz�es que a psicologia poderia explicar muito melhor do que eu nem sequer me atrevo, a verdade � que grande parte � n�o necessariamente a maioria � das anedotas versam assuntos e situa��es de car�cter sexual, descrevendo pormenores anat�micos e comportamentais que, se de repente inseridos fora do contexto, podem pelo anacronismo suscitar a hilariedade, mas que quando usados � exaust�o redundam num desbragamento da linguagem perfeitamente gratuito. Da� que tenha omitido um bom n�mero das que se me depararam, em que o mau gosto e a facilidade do linguajar pareciam ser um objectivo em si mesmo, o que tornaria o material ora publicado insuscept�vel de ser compartilhado n�o necessariamente nos claustros de um qualquer convento mas pelo menos entre pessoas adultas e minimamente desempoeiradas mentalmente. Outras, pelo contr�rio, podem ser contadas at� no recreio da escola. Tamb�m aquelas que exploravam sistematicamente as defici�ncias f�sicas, a xenofobia prim�ria ou um racismo inconsequente foram postas liminarmente de parte, se bem que qualquer dos g�neros apresente aqui e ali uma ou outra digna representante da esp�cie � apenas por princ�pio, nem sequer com grande preocupa��o de privilegiar a melhor. A religi�o tamb�m n�o foi poupada, seja de forma directa seja atrav�s das �desfuncionalidades� dos seus ministros, mas tamb�m aqui n�o se pretendeu exacerbar essa vertente, que corresponde a um foro em que a sensibilidade das pessoas frequentemente parece mais � flor da pele. Ali�s, a exemplo de outras �reas, como a pedofilia ou o incesto, que � n�o por receio da incompreens�o do leitor devido � actualidade do assunto � no actual momento e timing n�o teriam lugar num livro como este, que se pretende popular e abrangente, n�o pol�mico e muito menos provocador. No entanto, principalmente no espa�o de liberdade sem regras que � a �net�, h�-as em profus�o e, se anestesiarmos a moral e nos remetermos simplesmente para a ironia, o absurdo ou o rid�culo, n�o podemos, em alguns casos, deixar de dar umas boas gargalhadas. Seria preciso, isso sim, que todos soubessem contextualizar e p�r de lado arqu�tipos mentais ainda que socialmente t�nues e, como n�o se pode dizer que seja o caso da maioria, optei por n�o arriscar face � possibilidade de incompreens�o do contexto em que seriam reproduzidas. O mundo � o que � e as pessoas s�o assim � tal como frequentemente as crian�as �, por vezes corrosivas, cru�is, ainda que perspicazes, na abordagem de temas que, no fundo, as chocam e repudiam. N�o � por acaso que logo a seguir ao 11 de Setembro circulavam piadas sobre Bin Laden e os americanos atingidos por aquele desastre, ou na sequ�ncia dos casos de pedofilia em Portugal rapidamente corriam anedotas, algumas soezes, que envolviam crian�as, o �Bibi� ou Carlos Cruz, por exemplo. A sociedade cria estes escapes para, de alguma forma, exorcizar os fantasmas que de outro modo teria dificuldade em �digerir�. Uma nota final para as imagens que ilustram o livro. Esteve fora de cogita��o, desde logo, que as ilustra��es correspondessem objectivamente aos assuntos abordados, at� pela anarquia com eles est�o distribu�dos. Ainda assim, quis-se apresentar um conjunto de imagens que em maior ou menor grau, tivessem a ver com o universo da s�tira, do absurdo, do erotismo, tentando paralelamente n�o transigir com o mau gosto declarado ou a pornografia ou, menos ainda, imagens escandalosas no sentido de se obter um efeito imediato. Tal n�o seria dif�cil, pelo contr�rio, mas n�o iria ao encontro daquele n�vel de subtileza m�nimo com que se pretendeu dos textos em si mesmos. Julgo at� que algumas das ilustra��es fazem, aqui ou ali, o contraponto da crueza de algumas piadas mais �duras�. Dizia-me algu�m, a prop�sito: �Pois, mas por uma quest�o de coer�ncia, e n�o de quota, tamb�m deverias mostrar homens nus, e n�o quase exclusivamente mulheres!...� At� poderia ser, poderia haver mais imagens de rapag�es e dos seus atributos, ou mesmo de situa��es de actos sexuais mais ou menos expl�citos, tendo como pretexto certas anedotas publicadas. Contudo, h� que pensar, com bom senso, no n�vel de aceita��o com que a sociedade em que vivemos poderia contemporizar. Por uma quest�o cultural, ainda se aceita melhor � e refiro-me mesmo �s mulheres � imagens de nudez feminina, at� mesmo de comportamentos homossexuais, de donzelas do que de efebos. Isto sem p�r em causa a legitimidade das publica��es especializadas ou os apreciadores militantes do g�nero, que podem sempre encontrar no papel ou na �net� os seus locais de elei��o. Exemplo disso � o facto de, na maioria dos filmes que usam a nudez corporal, ser rara a contempla��o ostensiva do falo masculino, o que j� n�o acontece com os �jardins proibidos� delas. Concordo, ainda assim, com a cr�tica, pelo que t�o-s� poder�o visualizar a verga ao seu estado de pousio mas j� n�o terei os mesmos pruridos, se assim se lhes pode chamar, com os atributos do sexo oposto � tempos outros vir�o. Ali�s, a justifica��o j� vai longa para o que n�o merece tanta tinta. |
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