Qual A Herança Beat no Rock?

"Quão tintilante é aquela primeira picada.
Uma vez sentido, jamais esquecido." - Herbert Hunke

Seria também Kerouac quem primeiro enxergaria e tentaria traçar uma linha entre os Beats originais da década de quarenta e uma nova geração de jovens que surgia na década de cinqüenta. Geração esta que abraça e absorve o que era Beat. Eles são definidos por Kerouac como sendo uma geração pós-Guerra da Coréia, que por um milagre da metamorfose, emerge "cool" e "beat". De fato, vêm desta nova geração a maior parte das nossas referências para a conduta rebelde que seria definida como sendo roqueira nas décadas seguintes.

A linguagem e roupas dos "hipsters" passam a ser adaptadas pela nova geração via cinema. A herança Beat no rock 'n' roll provém inadvertidamente através de imagens geradas pelos ícones da tela grande, propagando a moda Beat que podem ser reconhecidos através de Montgomery Clift com sua jaqueta e Marlon Brando com a camiseta, ambos absorvidos e refletidos nos jovens com ainda maior intensidade através de James Dean. Por último, temos Elvis Presley com as costeletas largas.

Portanto definir o que é Beat, ou Beatnik continua sendo um exercício improdutivo. A força do termo podendo estar no seu poder de existir sem uma categoria ou definição definitiva. Podemos apenas definir o período, que se caracteriza por ser pós-Segunda Guerra Mundial, tendo sua autoconsciência ocorrida em 1948, mas "descoberta" pela mídia quase uma década depois. Com a descoberta, veio a maior aceitação e por consegüinte, maior facilidade de seus autores de conseguir publicar obras que, em alguns casos, foram escritas com até dez anos de antecedência.

A mais óbvia herança é a importância que a cidade de San Francisco ganhou, ponto dos Beats quando surgiram via imprensa para o povo, e mais tarde, já na década seguinte, ponto dos hippies e do surgimento do chamado Acid rock. A cidade passaria então a ser considerada e hoje ainda lembrada como sendo a capital dos hippies. O fim do período mais popular dos Beats, como sendo a ponta de lança de uma nova conscientização, pode ser detectado em 1966, quando a nova geração de jovens intelectuais, os novos "hipsters", embora prezando os Beats, não se enxergam mais como uma extensão do que foi Beat. A geração de sessenta opta por substituir o jazz por Bob Dylan e rock 'n' roll. Igualmente acabam substituindo a maconha por LSD (como alguns Beats o substituíram por morfina). Finalmente se afastam de nomes como Beat e Beatnik para definir-se. Não são mais hipsters. Agora são hippies.

 

 

 

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