
A Popularização do Beat"Imaginação não é apenas sagrada, é necessária. Não é apenas feroz, é prática. Homens morrem todos os dias pela sua ausência, ela é vasto e elegante". - Diane Di Prima Entre a leitura de "Howl" na Six Gallery em 1955 e a publicação de "On The Road" em 1957, houve o famoso processo jurídico onde Lawrence Ferlinghetti, ao publicar o livro "Howl and Other Poems" de Allen Ginsberg, passou a ser acusado pelo governo de promover pornografia. É um momento histórico desfavorável à mudanças, onde há no governo dissidências radicais. Liderados pelo Senador Joseph McCarthy, criou-se uma cruzada contra atividades rotuladas anti-americanas. Ao final do julgamento, o poema não só foi inocentado, como definido como sendo "de valioso conteúdo social". Mais importante ainda foi a cobertura diária da imprensa no julgamento, que tornou os termos Beat, Beat Poet e Beat Generation repentinamente conhecidos por todo o país, embora raros seriam aqueles que realmente entendiam do que se tratava.
Esta seria uma das primeiras vitórias da arte sobre a censura dentro deste período histórico americano. Mas se a poesia conseguiu vencer na justiça porque não testar as leis com prosa? Foi o que fez Barney Rossett, o corajoso dono da Grove Press, ao publicar o livro "Lady Chatterley's Lovers" de D. H. Lawrence. Romance impregnado de descrições de conduta sexual, dentro e fora do casamento, o livro foi igualmente taxado como pornográfico pela censura, rendendo outra disputa na justiça avidamente acompanhada pela imprensa. Rossett havia se colocado em uma posição onde poderia ser mandado à prisão e defendeu inteligentemente o livro. A justiça lhe deu ganho de causa e escritores de romance puderam escrever mais aliviadamente. Enquanto estes julgamentos se desenrolavam, "On The Road", escrito em três dias em 1951, contando uma série de aventuras que haviam acontecido cerca de cinco anos antes, finalmente é publicado. Não demorou muito e como que desafiando a justiça a condená-lo, Rossett publicou outro livro, o romance beat intitulado "Naked Lunch", de Williams Burroughs. Este romance não só falava de sexo fora do casamento, mas sexo dentro do casamento com a adição de múltiplos parceiros. Criava cenas contendo sexo homossexual, além de uma contínua prática no uso indiscriminado de entorpecentes pelo seus personagens. Em cada uma destas batalhas judiciais, que acabavam geralmente ganhas pelas editoras, a cobertura da imprensa servia para promover o livro e o autor. Foi assim que América como um todo descobre o movimento literário chamado Beat. A literatura beat passa a ser ao mesmo tempo elogiada por alguns críticos, como escrachados pelas associações literárias conservadoras e mote de gozações da imprensa em geral. É neste contexto que nasce o termo Beatnik, que surgiu no San Francisco Chronicle em uma coluna assinada por Herb Caen em abril de 1958. O sufixo nik, inspirado do Sputnik, oferece ao beat, a sugestão de ser subversivo, uma vez que Russos e Americanos simbolizavam a antítese entre Comunismo e Capitalismo. Não demoraria muito e Beat seria compreendido como um estilo de escrever, e Beatnik um estilo de viver. Curioso é como o nome beat ressoa bem no subconsciente da mecânica da sociedade consumista. Menos de dois meses depois de "On The Road" e ainda com todo o ba-fa-fá em relação ao julgamento, o termo passa a ser usado em anúncios da gravadora Atlantic para vender discos de jazz. Foi justamente com este excesso de publicidade em relação aos beats que se criou em San Francisco o que passou a ser visto como o circuito turístico, concentrando-se primordialmente em North Beach, ponto antigo dos beats originais. Passou a aglomerar no local uma horda de gente jovem, a maioria querendo ser ou passando por beats, todos estereotipados com boinas, barbichas e costeletas largas, óculos escuros e tocando bongô enquanto ouvem jazz. O ponto morreu para os autênticos beats, e muitos voltaram para a estrada, alguns indo parar no México, outros na Europa e ao norte da África. Se a referência original do termo beat era de conotações negativas, foi Ginsberg quem mais se esforçou em abrir o termo para englobar aspirações mais positivas. Beat é tratado como um algo que sugere uma percepção abrangente, aquele que observa sempre de olhos bem abertos. O termo passa a implicar que quando algo é Beat, automaticamente oferece uma percepção particular e real da natureza das coisas. Ser beat é ser aberto e receptivo para uma visão.
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