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O jazz influenciou a literatura pelo seu caráter artístico, quando os escritores da Geração Beat, principalmente Jack Kerouac, iriam buscar no Bebop, os elementos para o seu projeto literário. O Bebop e a literatura dos beatniks
Com uma comunidade cada vez maior de músicos jovens atraídos pelas oportunidades das Big Bands, não demorou muito para que, nos after hours, nas jam sessions, surgisse música inovadora e muito mais “intelectualizada”, distando bastante dos padrões comerciais. Para esse novo grupo de artistas, que encontraram abrigo no bar Minton´s de Nova Iorque, o estilo do swing era muito rígido, tanto rítmica e harmônica quanto melodicamente. Estava pronto o cenário onde Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros criariam o Bepop. O saxofonista Charlie Parker viria a ser, pelo seu virtuosismo e inspiração, o grande nome do estilo. Músico de personalidade conturbada, Parker aumentou ainda mais o mito ao redor de si quando morreu ainda jovem, vítima do sucessivo abuso de bebida e drogas. Inovador para a época em que foi criado – o final da Segunda Guerra –, o Bebop causou grande polêmica entre o público, principalmente entre as grandes platéias, acostumadas ao ritmo contagiante e aos belos arranjos dos grupos de swing. Essa nova música era agitada, difícil de ser ouvida pelas transgressões harmônicas e mais: não era feita para dançar. Ocorria então uma mudança fundamental no status artístico do jazz: é música para ser ouvida e refletida, aproximando-o assim do respeito intelectual tradicionalmente devotado à música clássica de origem européia.
Para controlar os excessos do Bebop, na década de 1950 apareceria o cool jazz, movimento liderado pelo trompetista Miles Davis. O cool influenciou definitivamente uma série de músicos no mundo inteiro, incluindo Tom Jobim, que utilizaria uma série de elementos desse novo estilo para criar a Bossa Nova. Em 1957, Jack Kerouak, o papa da literatura Beat, iria sintetizar o espírito e o impacto do Bebop e dos movimentos seguintes na juventude e na intelectualidade americana do período. Nessa época, 1947, o bop enlouquecia a América. Os rapazes do Loop seguiam soprando, mas com um ar melancólico, porque o bop atravessava um momento indeciso entre o período ornitológico de Charlie Parker e a nova era que começou com Miles Davis. E enquanto eu estava ali ouvindo esse noturno que o bop tinha vindo representar para todos nós, pensei nos meus amigos espalhados de um canto a outro da nação e em como todos eles viviam frenéticos e velozes, dentro dos limites de um único e imenso quintal. (On the road) A figura mitológica de Charlie Parker ainda influenciaria, dois anos depois da publicação de On the road, um dos principais expoentes do conto latino-americano e mundial, a partir do final da década de 1950: Julio Cortázar. Em O perseguidor, Cortázar cria uma personagem perturbada, o saxofonista Johnny, espécie de transposição da vida desregrada de Parker para o papel. O resultado é soberbo:
E justamente naquele momento, quando Johnny estava perdido em sua alegria, de repente deixou de tocar e soltando um murro no nada disse: “Estou tocando isso amanhã”, e os rapazes ficaram perplexos, só uns dois ou três seguiam os compassos, como um trem que demora a parar, e Johnny batia na testa e repetia: “Eu já toquei isso amanhã, é horrível Miles, eu já toquei isso amanhã”, e não conseguiam tirá-lo dessa, e a partir daquele momento deu tudo errado, Johnny tocava sem vontade e querendo ir embora (para se drogar outra vez, disse o técnico de som morrendo de rir), e quando o vi sair, cambaleando com a cara cinzenta, perguntei a mim mesmo se aquilo ainda ia durar muito.
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