— Aline, você me ama? [ele
deitado na cama]
— Claro, ué. Por que essa pergunta? [ela guardando algo no
armário, de costas pra ele]
— Sei lá.
— Eu te amo sim. Por quê? [sente um leve frio na espinha.
Vira-se de frente e fecha o armário] Você não
me ama mais?
— Não, que isso...! [assustado] Não... eu te
amo mais que tudo. Te amo loucamente. Perguntei pra saber o quanto
você me ama.
— Te amo muito, ué. Qual é o problema?
— Nenhum... [vago]
— Eu não te falo essas três palavras sempre nos momentos
mais inesperados da sua vida? [ri]
— É... é verdade. [sorri]
— Então. [enfiando-se debaixo das cobertas] O que
há?
— Nada. ‘Xá pra lá.
— Ih meudeus. Ok! [ela se vira pra apagar a luminária]
— Liine...
— SABIA! Hahahaha... sabiiiia que vinha um ‘Liine’...
[risada]
— [riso tímido] É que... você nunca
aceitou eu ser jogador de futebol. Nem mesmo
hoje, né?
— É. [ri.] Mas aprendi a separar isso do que eu sinto
por você. Agora eu lido bem com o fato – acho.
— Mas e se eu fosse DJ? [olha de banda pra ela]
— Ihhh Rodrigo... isso de novo? [entediada, rindo]
Passou o dia inteiro falando no assunto, esquece essa maluquice!
— Não, é sério... e se eu fosse DJ, você ia
gostar mais de mim?
— HAHAHA, FALA SÉRIO!! Eu tenho cara de maria-carrapeta??
Não me ofenda hein! Isso é tão podre quanto
maria-chuteira!
— É??
— CLARO!
— Hum.
— Por que você cismou com o DJ,
meudeeeeeus?
— Ah, intuição. Acho que ele gosta de você.
— Gosta nada, deixa de besteira.
— Gosta siiiim... eu vi, Line. Eu sei o que
é gostar de você, acredite.
— Ahh, que maluquice, pára com isso! Não tem nada a
veeeer!!!
— Eu sei que não tem, não tô falando que você
tava dando em cima dele. Tô falando que eu acho que ele gosta de
você.
— Affff, quanta besteira!!!! [se sacode toda tentando achar uma
posição confortável]
— É sério... [sorri, vendo que ela quicou]
— ...
— Não tem como negar, Line, depois de hoje....... [ri e a
abraça]
— !! Ro-dri-go!!!! [indignada, rindo] Ele foi só...
gentil...
— Ha. Tá. Tá bom. [gargalha alto] Nem você
se convenceu nessa, baby! Você viu a cara que o Pedro fez???
Hahahahahaha!
— Ai meus sais! Coitado do garoto... e o que foi aquiiiilo que o Pedro
falou, hein Rodrigo?? [ri] “A Aline aceitou juntar os
trapinhos com ele ontem!”???? Onde já se viu isso?!? [mais
risadas gerais]
— Putz, meu, foi hilário! Vê? Nem fui eu, eu tava quieto!
O Pedro percebeu, é só perguntar pra ele.
— Hunfffff.... homens!
— Tá... mas você não vai negar os fatos né,
meu?
— Hmm...nhnhnhn... tá... tá bom, confesso que aquilo foi
estranho. Mas é porque ele é
meio estranho...hehehe. Pergunta pra Ana.
— Não vem não... não tira o seu da reta! Ele
é estranho assim com você porque ele gosta de você.
— Gosta nada... shiu! Pára!
— Eu acho engraçado porque, pô, meu... eu tava ali!
— Cara, Rodrigo, aí é que tá! Se ele estivesse
afim não ia fazer nada na tua frente!
— O cara tá tão gamado que não se segura nem na
minha frente! [gargalhadas altas, zoando a namorada]
— Pára com isso... [ri]
— Não paro até você admitir que eu estou certo!
— Ok, ok, tá bom... vamos então SUPOR que, num universo
paralelo, bem paralelo!!!, esteja rolando alguma coisa no ar.
— Hum... hahahahaha. Hã!
— SUPONDO essa verdade paralela da sua cabeça louca...
ok, so what? E daí? Ele tá dando em cima de mim. Grandes
coisas. E daí? Tú não se garante??
— Eu me garanto... só não te
garanto, né.
— Pf. [silêncio. Senta na cama] É por isso que
você perguntou se eu ia gostar mais de você se você
fosse DJ? É isso então?
— ...
— Você acha que uma profissão determina o que eu sinto por
alguém? [séria-rindo]
— Não, eu---
— O fato dele ser DJ vai me fazer magicamente com que eu me apaixone?
É isso?
— Não é o fato---
— Olha, Rodrigo, eu sei que te dispensei mil anos atrás por
causa da sua “ocupação profissional”, mas eu tinha 16
anos... isso não significa que eu agora, burra velha, vou te
dispensar por alguém com uma profissão exótica
como um “DJ”... Afffe!...
— [sorri]
— Talvez se ele tivesse feito administração
numa FAAP da vida... [ri, provocando-o]
— Bah! [careta]
— Sério, Rodrigo, que besteira.
— Eu sei, eu tava zoando.
— Sei.
— É, eu tava tentando tirar isso da minha mente mas não
consegui.
— Isso o quê? Dele hoje?
— [faz que sim com a cabeça]
— Tsc. Bobo! Três palavras pra você, ó: Eu te
amo.
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