Rodrigo está com a pulga atrás da orelha desde o dia em
que o conheceu. Não faz idéia da onde surgiu a
sensação, mas cismou que está certo: o DJ
está de olho na Aline. Duas ou três ‘visitinhas inocentes’
ao Pedro culminaram naquele CD-R gravado especialmente para sua
namorada. Aquilo foi a gota d’água. E um dia depois
de Aline aceitar morar com ele.
Ele já havia desistido de convencê-la a casar há
tempos e, confessa, resolveu chamá-la para morarem juntos assim
que as ‘visitinhas’ começaram. Como se viu, a sorte (timing?)
estava do seu lado.
Mas o ciúme também. E o ciúme o consome agora,
só que
de forma diferente. Ele não está desconfiando dela – mas
sim do DJ. Rodrigo nunca se sentiu ameaçado por
ninguém no que diz respeito a namoradas. Mas o DJ... o
DJ o intimida. Desde o primeiro eye contact.
Aline provavelmente acharia tudo “um absurdo”, “maluquice total”. Diria
que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, que “todo mundo
fica feliz com as músicas que ele toca”. Mas Rodrigo tem a
certeza bizarra de que o DJ quer entreter *sua namorada*, e muito
além da pista de dança – ele *quer* sua namorada.
Até agora Rodrigo não sentiu nada de esquisito vindo
dela: não desistiu de morar com ele, continua
encaixotando as coisas normalmente, seu comportamento não mudou.
Aline pode até mesmo nem ter percebido a avançadinha
do DJ, pois não reagiu ao fato nem deu bola. Rodrigo,
portanto, não se preocupa com ela.
Rodrigo não consegue mais se imaginar sem Aline em sua vida, e
não vai ser um DJ surgindo do nada agora – logo agora! – que vai
botar tudo a perder. Ele não vai permitir isso. Enquanto puder,
manterá Aline “distraída”. O perturbador é que
isso não depende só dele-Rodrigo. It’s up to the DJ.
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