"Daqui por diante"
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- Hey Line! Posso ligar uma MP3 sua??
- Claro... vai lá.
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Pedro se aproxima do micro de Aline e seleciona:
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"Que angústia desesperada, minha fé parece cansada...
e nada... nada mais me acalma..."
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- Urra, Barão Vermelho?!
- Éééé...
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Pedro desaba na cama de Aline e fica ali, deitado, de bruços. A amiga se assusta, pára na hora o que está fazendo e pausa a música. Pedro geme:
- Deixa tocar....
- Mas o que houve? [liga o áudio novamente]
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"Até aonde existe o amor e suportar suas feridas...
Até aonde existe a dor.... de quem assume esta sina..."
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- Me dá sua mão...
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Aline senta na cama e estende a mão ao amigo, que a beija carinhosamente. Pedro se vira de frente para a amiga, ainda deitado:
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- Essa música é um horror de tão deprê...lembra do clipe?
- Ô... se lembro. Tenho gravado. Sou obsessiva com essa música.
- É, você tem um arsenal e tanto de canções sinistras, hein??
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Aline sorri, pondo o amigo no colo:
- De vez em quando é necessário.
- Se é... noossa, ouve só esse refrão - caceta!!
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"A dor, o pranto nos olhos... a fúria do seu olhar...
apesar de todo o desencanto... eu não desisto de amar...
não vai.... haver mais dor pra mim -
daqui por diante... vai ter de ser assim"
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Aline fica sorrindo, nostálgica, lembrando da sua adolescência.
- Ééé... Sabe que eu quando ia brigar com o Rodrigo no telefone, já deixava minha fita K7 com essa música no 'pause', preparadinha para tocar?? Ficava iiiindo e voltando a fita, over and over...[ri] Adorava a sensação de brigar ao som dela...
- Que nem no clipe...
- Que nem no clipe. Achava glamourosíssimo, me sentia *a* Claudia Liz morena... hahahaha.
- Hahaha, sério??
- Sério. Só assim eu agüentava. [sorriso]
- Essa música te lembra ele? Humm, por isso que volta e meia ouço essa melodia vindo do seu quarto...
- É. [sorri] *Tenho* que ouvi-la. Porque aí sinto que tudo isso vale a pena. Pelo menos o sofrimento rola de um jeito super-paulista.
[os dois riem]
- Pena que meu apartamento não é nos Jardins.... [suspira] Nem tem aquela vista deslumbrante do clipe.
- Hehehe... mas tem eu te perturbando.
- Hahahahaha, o que é melhor que tudo isso junto... [abraçando o amigo]
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Quando Aline ia perguntar o que se passava com ele, Pedro suspira:
- Você me cura, Line. Eu tava tão mal, tão mal......
- Mas por quê??
- Ahh, um monte de coisas... gostar de alguém é sempre assim, né??
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Aline sorri:
- Ééé... é sempre assim, amigo-Pedro....
- Amiga-Line, a música está no repeat?
- Acho que sim.
- Que bom.
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Depois de um tempo de silêncio, a música volta:
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"Que angústia desesperada, minha fé parece cansada...
e nada... nada mais me acalma..."
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- Que foooda... Frejat tava inspirado!
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Aline concorda com a cabeça, sorrindo, mas ainda preocupada com o amigo, que prossegue, fascinado:
- Escuta essa parte, ui! [cantando junto]
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"E todo dia ao acordar eu vou querer saber...
que pedaço é esse que me falta que não me deixa esquecer...."
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Chega o refrão novamente e os dois seguem cantando.
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"A dor, o pranto nos olhos... a fúria do seu olhar...
apesar de todo o desencanto... eu não desisto de amar...
não vai.... haver mais dor pra mim -
daqui por diante... vai ter de ser assim"
(...)
"Vai ter de ser assiiiiim... vai ter de ser!"
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- Por quê sempre dói?? Por quê?? Não tinha que ser assim...
- Olha Pedro, se você descobrir a fórmula para a felicidade a dois, por favor divida comigo! [rindo]
- Demorô!! Mas tá difícil, viu.... tá difícil... [sorriso cansado]
- Eu sei... músicas como essa são um entrave!
- Por quê?
- Porque ela é tão linda que dá gosto sofrer ao som dela...hehehe. É um glamour só...
- Hahaha... só você, Line... só você para me fazer rir ao som desse drama...
- É a experiência, é a experiência... hehehe. Já chorei muito ao som dela. E ainda vou continuar chorando... [sorri] Era um draaaama minha vida com ela - com "ele".... uff! E é assim até hoje - conviver com alguém como o Rodrigo é muito difícil...muito difícil pra mim , sabe... [olhar perdido, gelado]
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Pedro, admirado, arrisca perguntar:
- Como consegue?? I mean, se é tão difícil...
- ... [suspiro] Não sei.... me pergunto isso até hoje.
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Aline fica em silêncio por alguns momentos, mexendo nos cabelos do amigo, até que sentencia, sorridente e conformada:
- Talvez a culpa seja do Barão Vermelho.
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Marina
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