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Caminho das Missões6º dia - Carajazinho - São João Batista das Missões (Entre-Ijuís) Parque das Fontes - 28km27-02-2004 |
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| São João Batista foi fundada em 1697 pelo Padre Antonio Sepp. Ali foi implantada a primeira fundição de ferro. O padre também formou o primeiro coral e orquestra indígena das Missões. Ensinou aos índios inclusive a fabricar alguns instrumentos. Desde 1970 é tombado como Patrimônio Nacional | |||
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Clinete, Lisete, Romaldo e eu saímos às 7:00 e éramos os últimos. Depois de quase um quilômetro, Cli deu falta de seu cajado e retornou com com o guia para resgatá-lo. O dia ensolarado iluminava os campos verdes de soja até onde a vista alcançava. Encontramos agricultores e paramos para um dedo de prosa na esperança de que Clinete nos alcançasse. Como Lisete andava mais rápido, aos poucos nos aproximamos de Jane que ia de shorts com uma canga estampada amarrada na cabeça e que descia por seu corpo, o protegendo do sol. Ao longe vimos alguns eucaliptos onde o resto do pessoal estava refestelado lanchando a nossa espera. | |||
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Alguns quilômetros adiante chegamos à parada para o almoço e visita ao sítio arqueológico de São João Batista das Missões. Fomos logo visitá-lo, acompanhados por um guia local. Logo na entrada, sobre um gramado que era a antiga praça, estão pelo chão muitos fragmentos das construções Missioneiras. Alguns pedaços numerados da parede da igreja ainda estão de pé. Segundo o guia, a parede estava ameaçando cair e por isso teve de ser desmontada e novamente reconstruida. Pode-se ver através das escavações que estão sendo feitas o chão original de lajotas da igreja. Ao seu lado o cemitério, onde se continua enterrando o pessoal que morre na região. Segundo o guia, o cemitério original encontra-se sob o atual. | |||
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Nesta redução pudemos visitar o pomar e a horta comunitária, onde se encontram árvores de erva-mate, butiá, e uma fruta que parece a fruta-do-conde, bem pequena e que dá numa árvore enorme. Fiz questão de fotografar uma linda e gigantesca árvore centenária com a Jane ao seu lado, só para que as pessoas possam avaliar o seu tamanho. | |||
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Passeio encerrado, nos dirigimos ao bolicho que fica bem em frente a Missão para o almoço. Era um tipo de risoto de carne moida e bife de panela sempre acompanhada de muita salada e feijão. O calor continuava muito forte e insuportável debaixo das telhas de amianto. Depois do almoço alguns se refrescaram com um banho de mangueira. Fui descansar debaixo de uma árvore junto às galinhas que ciscavam. Pouco depois Romaldo me chamou para ser entrevistada por telefone por uma radio local que queria saber como estava a caminhada. Todos se levantaram e foram para perto do radio. Foi um bate papo de uns dez minutos onde aproveitei para falar da AACS- Brasil e comparar as Missões ao Caminho de Santiago. Clinete também foi entrevistada e enfocou a necessidade da conscientização e preservação das reduções Jesuíticas e da importância delas na história do Brasil. Do lado de fora do bolicho podia-se ver pedras originais da Missão de São João Batista jogadas pelo chão, fazendo papel de um antigo meio-fio, hoje desmoronado. | |||
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Saí por volta das três e meia porque queria chegar cedo ao Parque das Fontes para aproveitar e tomar um banho de piscina. No Caminho passei por uma ponte que foi construida também com com pedras retiradas da Missão. É triste ver a omissão e falta de interesse dos órgãos competentes em preservar a nossa história. Daí para frente, andei um bom tempo só. A água começou a escassear. Da estrada via casas afastadas, mas não queria sair da estrada principal para encher minha garrafa. Disse a mim mesma que pararia na primeira casa que aparecesse. Depois de uma lombada avistei uma linda fazenda com pastos e bastante vegetação. Entrei pelo primeiro portão gritando: "ó de casa!".Parecia vazia. Da casa vizinha pude ouvir os gritos de gente me chamando.Eram os peregrinos que estavam bebendo água à sombra de uma árvore. AH!! Como estava gelada! Tomei mais de um litro sôfregamente. A dona da casa gentilmente ofereceu biscoitos e perguntou quem era a jornalista que tinha dado entrevista pela radio, pois ela tinha adorado. Nossa! Estou ficando famosa. Dei uma conferida nos pés e resolvi acompanhar o primeiro pelotão para chegar mais rápido ao Parque. Cheguei ao Parque ainda claro, com Lisete "The Flash", e Leôncio. Do alto, na porteira ode dizia: " Bem Vindos Peregrinos" podíamos ver uma enorme piscina com algumas mesas e cadeiras a seu redor, vestiários e um bar. Na descida um carro cruzou conosco e parou. Mais uma pessoa perguntando pela jornalista que tinha falado pela rádio local. Era uma colega de profissão me cumprimentando e lamentando não poder ficar para um bate-papo. Corri para o albergue para trocar de roupa e pegar uma cama para Cli e para mim. Eram duas casinhas, uma de alvenaria onde estavam Sueli, Josy, Joca, Val e Marcelo que estava com uma unha roxa e acabou aderindo a turma da carona. Fui para a outra, onde até as paredes eram de telha de amianto. Um calor horroroso. Mas pensei: logo que o sol se pôr ela vai refrescar. Sueli me seguiu. Fui para a piscina levando uma muda de roupa. O mergulho foi refrescante, no que fui seguida por Sueli que entrou de roupa, pois não tinha levado maiô. Logo depois chegaram Jane, Romaldo, Mário e Claudia. Por último Clinete. Às 8 horas a piscina fechou. Tomei banho no chuveiro da piscina juntando-me à turma no bar da piscina para um vinho. jantar seria de despedida para Josy e Joca pois estavam de partida para o Rio, a fim de assistirem o desfile das escolas de samba campeãs de 2004. A comida foi servida sob um alpendre em frente à piscina. Quanto ao menu, não consigo me lembrar. O Clima era de fim de festa porque amanhã acabava a caminhada. O grupo que a cada dia se mostrava mais amigo e coeso ia se separar. Às 10 horas voltamos à casinha, que já estava bem fresquinha. Notei que Clinete tinha me abandonado e levado suas tralhas para a outra casa, que a estas alturas continuava uma sauna. Será que Clinete se encheu dos meus roncos? Durante a noite quase morri gelada ao me levantar para ir ao banheiro que ficava do lado de fora. |
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