Caminho das Missões

7º dia - Parque das Fontes - Santo Ângelo - 16 KM - Fim da caminhada

28-02-2004

Santo Ângelo foi o último dos sete povos das missões a ser fundado em 1706. Nada mais resta dela. O material da missão foi ultilizada para a construção da nova cidade de Santo Ângelo e a Catedral foi construida a partir de 1929 baseada no projeto da Catedral de São Miguel.

Acordamos às 6:00 horas e sem muita pressa nos preparamos para sair, afinal seriam apenas 16 quilômetros. A chegada estava prevista para o meio dia e meia, seguida de um almoço de despedida. No alpendre foi servido o café da manhã com vista para a piscina. Mais um dia ensolarado sem uma nuvem no céu. Em compensação, notícias do Rio diziam que chovia a exata uma semana. Até o desfile das escolas de samba foi debaixo de um aguaceiro. Saímos todos juntos, penalizados por estarmos fazendo nosso último percurso. Ninguém se animou a desgarrar, nem mesmo a Val, Leila e Marcelo que eram os mais apressadinhos. Ao passarmos por Entre Rios ( é uma cidade), paramos num pequeno supermercado onde compramos água e usamos o banheiro. Uma última conferida nos pés e seguimos viagem. Sueli, que andou muito pouco durante todo o caminho, tentava ao menos fazer o final. Saindo da pequena cidade, entramos numa pequena trilha muito agradável e sombreada até chegarmos o Rio Ijuí, onde pegamos uma balsa para atravessá-lo.



Travessia do rio Ijuí

Do outro lado passamos por um lindo bosque e logo começamos a passar por casas simples que deviam ser os arredores de Santo Angelo. Em pouco tempo estávamos chegando ao trevo de entrada da cidade. Agora era só asfalto. Não sei o que era pior, o pó ou o asfalto. Fizemos nossa última parada para uma cerveja com direito a vários brindes. Sueli mancava bastante. Da mesa do lado de fora do bar , Romaldo apontou para um ônibus que estava chegando, avisando que era o nosso que partiria de volta para Porto Alegre à noite. De volta ao asfalto, podíamos observar claramente que estávamos entrando em direção ao centro da cidade. Romaldo fez uma parada em uma casa para pedir água, e para minha surpresa era a casa da colega jornalista que havia parado o carro no Parque das Fontes para conversar comigo. A rua larga dividiu-se em duas com um largo canteiro arborizado e florido no meio. Passamos por um monumento a Coluna Prestes. Sueli pegou uma carona com um médico da Unimed que a levou ao hospital para cuidar da suas bolhas e prometeu devolve-la antes da chegada a Catedral. As casas agora eram maiores e já se podia ver algum comércio.



Chegada a São Ângelo

Ao dobrarmos a esquerda em uma rua, Romaldo fez uma ligação pelo celular e nos pediu que esperássemos um pouco. Cinco minutos depois recomeçamos a andar e cantar. Avistamos uma linda praça arborizada. Ao começarmos a atravessá-la ouvimos os sinos da igreja tocando para nos receber e avisar a cidade que estávamos chegando. As lágrimas corriam pelo meu rosto. Quase todos choravam. Então, por entre as árvores, consegui ver a linda igreja missioneira por inteiro com toda a sua suntuosidade. Como é uma reconstrução, ela está exatamente como era no tempo das missões, enorme para poder receber os 5000 índios que nela assistiam a missa diariamente. Chegamos às escadas da igreja de mãos dadas e o pároco nos esperava para uma benção, com um cajado nas mãos,. Depois de algumas palavras nos surpreendeu devolvendo o cajado da Lisete que tinha sido perdido pela Jane alguns dias atrás e que o Romaldo tinha conseguido resgatar. De mãos dadas rezamos um Pai-Nosso. Depois de muitos beijos, abraços, lágrimas e fotos fomos visitar a igreja por dentro. Atrás do altar uma enorme pintura alusiva as missões com jesuita e indios. Dali fomos conhecer o escritório dos organizadores do caminho e comprar lembrancinhas, mas fomos interrompidos para irmos almoçar.


Catedral de São ângelo

Catedral de São ângelo

O restaurante era um "A Quilo" mas para nós o preço era fixo. Alí começaram as despedidas, que acabaram adiadas porque descobrimos que estávamos todos no mesmo ônibus das 11 da noite para POA. Cli e eu voltamos a praça para visitar um pequeno museu e terminar as compras (camisetas e pins). Acabei não resistindo e comprei a uma linda e pequena escultura de bronze de um cavalo. Retornamos ao escritório para apanhar nossas mochilas e irmos finalmente para o Hotel que Romaldo havia reservado para descansarmos até a hora da partida. Pegamos um taxi para deixar as mochilas no hotel pois ainda queríamos conhecer o Museu da Coluna Prestes. Mas ao chegar na porta do hotel, o cansaço era tamanho que desisti. Clinete, ô bichinha cabra da peste, aguentou firme a tentação e seguiu só. Aproveitei e tomei um banho bem demorado antes que ela voltasse. Rearrumei a bagagem e me deitei um pouco. Estava exausta. A turma do Rio, que estava toda no mesmo hotel, resolveu se encontrar para um jantar leve antes de enfrentar seis horas de ônibus para Porto Alegre. Um rodizio de pizza perto do hotel foi o escolhido. Convidamos Romaldo, que ao entrar na pizzaria, quase não foi reconhecido de tão chique que estava sem seu traje peregrino. O grupo convidou-o a participar do Encontro Internacional de Peregrinos que vai acontecer em junho no Rio e ele aceitou.


Clinete e Lillian

Romaldo e Lillian

Duas horas depois pedimos três taxis e fomos todos para a rodoviária. A viagem seria dura, pois eram seis horas em ônibus convencional. A agenda do dia seguinte em POA estava lotada até às 20 horas quando voaríamos de volta ao Rio. Por incrível que pareça, durante a viagem, consegui dormir bem mais que esperava mas, mais incrível foi a Clinete, que sempre dorme em qualquer lugar, passou a noite em claro.


Ônibus para Porto Alegre

Chegamos às 5 da manhã. Lairton e Ana Pupo estavam alegres e sorridentes à nossa espera. Cá entre nós, se eu tivesse que acordar tão cedo acho que estaria no maior mau humor. Café Colonial na casa do Walter Jorge e Gracinha. Fomos recebidas com festa e muito bate papo. Como era bom estar com eles de novo. Depois nos levaram ao Brick da Redenção para compras de artezanato local. Maléo nos encontrou lá, e foi outra festa. Comprei uma besteirinhas e a Maléo me deu um lindo par de pombas em bronze. Em seguida fomos todos almoçar numa galheteria. Depois passamos ao Bar Templário de nosso amigo peregrino Paulo. Para encerrar tive a alegria de rever Vilmar que veio de longe só para nos ver. Tomamos uma garrafa de vinho que foi pedida na galheteria do lado. Imaginem!! Um bar de peregrino, no Rio grande do Sul, não ter vinho. Como é que pode? Uma amiga de Clinete e Maléo nos levaram ao aeroporto, dando uma folga ao Lairton, Walter e Vilmar. Maléo com sua gentileza ficou conosco até a hora do embarque. Finalmete, depois de nove dias de aventura, voávamos de volta para casa. Foi um carnaval inesquecível, onde tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da rica história do Brasil e de rever amigos queridos que há muito não via.
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Fim

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