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Caminho das Missões4º dia - São Lourenço - São Miguel das Missões - 24 km25-02-2004 |
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| Fundada em 1632 e instalada definitivamente em 1687 | ||||
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Saímos às 7:00 depois de um farto café que teve até ovo frito. Visitamos a igrejinha da Fazenda, que para minha decepção era de estilo moderno. Vendo tanta coisa antiga, confesso que esperava uma capelinha de pedra no molde das Missões. O sol estava escaldante, prometendo um daqueles dias insuportáveis. Seriam 24 quilômetros sem parada para almoço. Garanti minha barra de cereais e frutas secas na mochilinha. Foi um dia em que andei um pouco com todo mundo, menos com o pessoal de Porto alegre, que como sempre disparou na frente. O cajado de Jane foi devolvido. Por causa do calor fizemos mais paradas que o planejado. A primeira numa casa de família, que como sempre nos recebeu com agua gelada. Ali descobri mais uma bolha se formando. Num cercado em frente da casa estavam dois lindos cavalos. Mais uma parada a frente, na Boca do Mato, debaixo de árvores frondosas com sombras refrescantes. Jane resolveu fazer ioga enquanto Cli, Lisete e eu admirávamos a sua disposição. Mais uma vez Jane largou o seu cajado, desta vez para sempre. Nova parada em um bar, onde encontramos todo mundo. Tomei uma coca refrescante e consegui mais uma vez falar pelo telefone com Gustavo. O trecho dali a São Miguel é pelo acostamento da estrada. Saímos Cli, Leôncio e Machado a cantar como loucos. Carros passavam e buzinavam. Pessoas acenavam. O próximo encontro com a turma era no restaurante já na entrada da cidade onde iríamos almoçar. O calor que subia do asfalto queimava as minhas pernas e a água era pouca no momento em que finalmente chegamos. Era um restaurante self-service bem arrumadinho. O suco servido era puro suco de laranja, sem açucar. Um luxo!. Tomei três copos de uma vez. Alguns tipos de salada, arroz feijão, peixe frito e frango em pedaços, sem peito, sagu e salada de frutas. Dali até a pousada seria mais um quilômetro no máximo. Saímos juntos e fizemos fotos em frente a uma placa com todas as quilometragens de são Miguel às outras Missões. | ||||
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Pouco mais adiante nos vimos frente à mais conservada das Missões por onde passaríamos. È linda!! A frente da igreja está quase toda preservada, inclusive sua torre, e se vê nitidamente a grande praça em frente a ela onde ainda perdura uma única cruz missioneira das quatro existentes ( uma em cada canto da praça). Tudo é muito imponente. Pensar que ali viviam 5000 índios orientados por apenas dois padres que davam instrução religiosa e os ensinavam a cultivar a terra e outros ofícios parece impressionante. A igreja é enorme, pois deveria comportar os 5000 indíos que ali assistiam a missa todos dias pela manhã. Depois da missa, trabalhavam a terra da comunidade por três horas e na parte da tarde , mais três horas eram dedicadas algumas vezes a música, e a escultura de santos em madeira que eram cópias muito bem feitas das trazidas da europa, para enfeitar as igrejas. Também trabalhavam em suas próprias plantações. Cada Missão tinha umas cem casas sem janelas, com varandas circundando a praça. Em cada uma vivia uma família e seus parentes. Uma dessas casas foi reconstruída com projeto de Lúcio Costa e hoje é um museu onde se pode ver várias imagens feitas pelos tupi-guaranis Do lado direito da igreja ficava o cemitério que era dividido em quatro. Uma parte para as meninas, outra para os meninos, a terceira para as mulheres e a quarta para os homens. Os padres eram enterrados dentro da igreja. Ao seu lado uma outra casa, bem maior onde moravam as viúvas e os filhos órfãos até treze anos ( para evitar a poligamia). Do lado esquerdo ficava o alojamento dos padres, armazens e oficinas. | ||||
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Seguimos até a pousada, que para nossa surpresa era a melhor até agora. Toda em módulos de tijolinhos, numa construção de apenas um andar. Quem quisesse podia pagar uma diferença e dormir em quarto separado. Mas o que estava pago eram dois quartos de oito pessoas, um para os homens e outro para as mulheres com banheiro privativo muito bom. Banho tomado e roupa lavada, fomos todos visitar a Missão por dentro, com uma guia e depois assistimos a um vídeo. Às 8 da noite haveria um espetáculo de luzes em frente a igreja. O pessoal voltou a pousada , mas eu resolvi visitar o museu e depois ir as lojinhas de artesanato. Confesso que estava cansada da comida típica e estava louca por um sanduíche. O bar em frente da Missão oferecia um Bauru. Resolvi arriscar e não me arrependi. Até o bife estava macio. Às oito estava na arquibancada para assistir ao show. Minha máquina digital resolveu não colaborar e não consegui fazer nem uma foto noturna. O show é impressionante. Além das luzes acontece um diálogo imaginário cheio de dramaticidade entre pessoas mortas nos conflitos que ali aconteceram. As vozes são de artistas conhecidos como Juca de Oliveira, Fernanda Torres e Maria Fernanda entre outros. Confesso que fiquei bastante impressionada e com olhos cheios dágua ao ouvir o sofrimento daqueles que viveram aquela batalha. Volltamos ao bar para o jantar. Servi-me apenas da sobremesa de claras que estava deliciosa. Dizem que foi a melhor refeição. Fomos dormir logo em seguida, pois a caminhada do dia seguinte será longa. |
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