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Caminho das Missões3º dia - São Luiz Gonzaga - São Lourenço 29km24-02-2004 |
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| Redução Jesuítica-guarani de 1690, fundada por Bernardo de La Veja e 3500 índios. Restam algumas paredes da igreja, da casa de armas, da cozinha e escola. Em frente à Igreja tem sempre uma grande praça gramada. | ||||
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Café da manhã foi caprichado com queijo e presunto e tudo o mais dos outros dias. Confesso que o queijinho matinal estava me fazendo falta. A saída foi às 6:55 num só grupo, pois a sinalização de saída da cidade não está boa. Parada em posto da gasolina para comprar água e ir ao banheiro. A estrada é muito pedregosa mas sem ladeiras. Aliás o caminho até aqui é praticamente plano com vez por outra uma lombada. O pó de barro não nos dá trégua. Ainda bem que tinha levado a bandana da AACS que a partir desse dia não saiu mais de meu pescoço. Dava uma lavadinha à noite e pela manhã estava pronta para outra. Pena que mudou de cor. Logo na saída pegamos uma trilha mais estreita que um carro que, segundo Romaldo, era um trecho original do caminho que se fazia entre as duas Missões. Fez pena ver a quantidade de casebres e de lixo jogado à beira de onde passávamos. Nunca vi em toda a minha vida tantos vira-latas juntos, eram mais de seis em cada casa numa sinfonia interminável de latidos. | ||||
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Neste dia foi criado uma nova palavra no grupo: " O pipi solidário", quando uma peregrina ia fazer pipi, mais uma ou duas iam para dar cobertura e aproveitar e se aliviar também. Algumas vezes era complicado, pois a soja é baixa e não nos garantia a privacidade necessária. Sempre havia o risco de aparecer um carro ou pior, um ônibus. Mas já sabíamos que ônibus havia apenas duas vezes por dia de manhã e no meio da tarde. Sete quilômetros depois fizemos uma parada numa casa humilde, de pessoas muito simpáticas que nos aguardavam com um chimarrão. Todas as vezes que tentei tomar, a bomba entupiu e não saiu líquido nenhum. Uma olhada nos pés mostraram que as bolhas não estavam boas, mas dava para aguentar. No quilômetro 13 mais uma parada onde a família além de água e chimarrão, nos ofereceu brevidades. Um biscoitinho delicioso. Também trabalhos manuais feitos pela dona da casa. Comprei um paninho de copa de vaquinha para minha filha. | ||||
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Um quilômetro à frente chegamos a nossa parada para o almoço em mais uma casa da região. Menu: Vaca atolada. Um panelão gigantesco com carne de vaca com osso e aipim. Confesso que não me animei muito e fiquei só no aipim que estava uma delícia e salada. Quem comeu disse que estava saborosíssima. Antes porém, sob a sombra de uma árvore tomamos umas cervejas e assistimos a uma sessão de música regional com viola e sanfona do dono da casa e seu filho com direito, ao final, à venda de CD´s. Notei que os homens da região são bastante vaidosos e quase todos nos recebem com seus trajes típicos, que incluem bombachas, botas, lenço e faixa na cintura. Sueli, que a princípio estava apavorada com as injeções de iodo, parecia até viciada nas agulhadas e perguntava a cada momento se eu não iria aplicar mais. Por isso virou motivo de piadinhas da turma. Como sempre, depois do almoço, a maioria dos peregrinos se jogou na grama para uma soneca criando uma imagem de final de festa. Havia botas e tênis por todos os lados. | ||||
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Depois do descanso, mais uma etapa de 10 quilômetros até uma casa onde conseguiríamos mais água. Na verdade, até agora, não passei nenhum aperto por falta de água. Tinha sempre comigo duas garrafinhas plásticas que somavam um litro, que foram mais que o suficiente. O calor apertava e a poeira incomodava. Nesta parada, numa fazenda super simpática, havia um cercado com bezerrinhos próximos a casa. Ali Jane deixou pela primeira vez o seu bastão. Vi que meus pés não estavam bem, com aparência de que novas bolhas apareceriam. Antes que elas se manifestassem, aproveitei a carona de quatro quilômetros de Sueli e Joca até a Missão de São Lourenço, que fica dentro da Fazenda da Sra. Cecília Kutler, assim como nosso alojamento. É uma casa bem antiga e simples, mas cuidada com muito capricho. Dna Cecília estava lá e estranhou a nossa chegada tão cedo. A mesa de jantar estava posta com uma toalha xadrez e havia enfeites de flores nas mesas laterais. Escolhi um quarto. Aproveitamos e ocupamos logo os banheiros (2) para que quando o resto do pessoal chegasse já estivessem livres. Quando estava lavando a roupa os primeiros caminhantes começaram a chegar. O ambiente é bastante agradável e um bate-papo informal aconteceu na frente da casa. Notei que a fazenda tinha uma "Casa do Livro". Fiz questão de doar um dos meus três que ainda tinha comigo para o acervo. | ||||
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Antes de escurecer o grupo se reuniu e foi conhecer o que restava da Missão de São Lourenço. Pela primeira vez senti a fúria dos mosquitos. Fomos devorados, embora com o corpo coberto de repelente. Romaldo foi nosso guia e explicou que o lugar passava uma energia muito forte e era comum pessoas sentirem coisas estranhas ao tocar as paredes da igreja. Mas fomos expulsos pela mosquitada. Voltando, Jane me fez um alongamento enquanto eu tomava a primeira taça de vinho do caminho. Era regular. De repente vi Clinete sentadinha no chão esperando a vez para o banho. Parecia chorosa. Sentei-me ao seu lado levando-lhe uma taça de vinho. Disse-me que se sentia estranha, acho que Romaldo tinha razão. Outras pessoas também não passaram bem a noite. Jantar: um arroz de carreteiro com carne moida acompanhada de abóbora caramelada. Disseram que ronquei muito. Foi o vinho! Cli e Sueli passaram muito tempo rindo de mim, enquanto eu dormia inocentemente protegida pelos tampôes de ouvido e a máscara. |
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