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Caminho das Missões2º dia de caminhada - São Jerônimo - São Luiz Gonzaga. 19 km23-02-2004 |
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| Redução jesuítica fundada em 1687 e a cidade atual se desenvolveu a partir das ruínas dessa Missão. | ||||
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Depois de um delicioso desjejum com pão caseiro, mel, café com leite e de algumas fotos, saímos às 7:05. Assim como o dia anterior, era um lindo dia de sol, fazia calor, mas não muito forte. Cli esqueceu o seu cajado. Foi a primeira entre nós que estreou a longa sequência de esquecimentos que veremos a seguir. Andei parte da manhã só. Por perto estavam Mário e Cláudia e de vez enquando eu conseguia chegar junto ao Machado , que justiça seja feita, até que não fez muita força para andar rápido. A paisagem continuava a mesma, com muita soja transgênica. Aprendi a distingui-la da soja normal. Na plantação normal, os pés de soja estão acompanhadas de muito mato, já na transgênica os pés de soja são uniformes, bem verdinhas e sem nenhum mato. Fácil! Mais para trás, por incrível que pareça, estava a Lisete fazendo companhia a Clinete e tornando-se sua guru por toda a caminhada. Lisete acabou trocando de tênis com a Josy que estava com dor numa unha. Duas horas depois parei para um descanso rápido e belisquei umas frutas secas. A etapa do dia, por ser mais curta, seria feita de uma só vez e o almoço servido no albergue da Margareth, onde nos hospedaríamos. Chegando ao portal de São Luis Gonzaga fui à procura do bar onde o Romaldo marcou para nos encontrarmos, para que assim ninguém se perdesse pelas ruas da cidade. Os apressadinhos já haviam tomado várias cervejas quando os encontrei. Aproveitei que havia gente atrás de mim e também tomei algumas estupidamente geladas. Sueli e Joca com os pés cobertos de bolhas tinham recorrido a uma carona e nos esperavam na gruta um pouco adiante. | ||||
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Indo em direção ao centro passamos pela gruta a Nossa Senhora de Lourdes, que foi ali edificada em 1926, como pagamento de promessa dos moradores, caso não acontecesse nenhuma batalha na cidade quando da passagem da Coluna Prestes por lá. A gruta é toda em cristais brutos de uma beleza ímpar. Era segunda feira de carnaval e o comércio estava quase todo fechado para o almoço. Parecia a Espanha na hora da "siesta". Fui encarregada de passar numa farmácia e comprar mais material para cuidar das bolhas de Sueli que pareciam piores . Arrumamos um moto-taxi para que ela pudesse alcançar o albergue. Joca por sua vez, tinha aprendido como cuidar das suas, mas mesmo assim andava com dificuldade. Decidiu que na parte da tarde ia comprar outro par de tenis, pelo menos um número maior do que normalmente usa. Josy deveria ter feito o mesmo, pois também apresentava um problema numa unha que já estava ficando roxa, porém não o fez.
Chegamos ao albergue da Margareth quase na hora do almoço onde fomos recebidos com
o maior carinho por ela e sua filha. Uma casinha simpática, com 4 quartos com colchões
no chão. Fizemos um quarto só de mulheres. Lisete, Cli, Jane e eu. Fila para o banho,
só havia dois banheiros para 15 pessoas. O almoço foi logo servido. Carneiro, arroz,
feijão, saladas, sobremesa e o suquinho de sempre. Aí começou o segundo round por
um espaço no tanque para lavar a roupa. Arrumei um balde e fui adiantando o serviço.
Seria uma tarefa árdua, pois as roupas estavam absolutamente vermelhas por causa do
barro. A cor das meias foi motivo de boas gargalhadas. Não existia uma só que ainda
fosse branca. Como lavamos a roupa cedo e fazia calor, a roupa iria secar rapidamente.
Com tudo resolvido comecei a sessão costura-bolhas. Romaldo foi o primeiro, com bolhas
pequenas, depois Sueli com seu festival. As do calcanhar se tornaram uma só imensa
bolha. Decidi tratar da mesma maneira que as minhas foram tratadas no hospital de
Astorga durante o Caminho de Santiago. Ou seja, drenaria toda água com uma seringa
de injeção e injetaria iodo no lugar. Sueli fez um esândalo e não me deixou nem
tocar em seu pé. Minutos depois voltou e reconsiderou. Fez mil caretas, mas toda
vez que chegava perto, ela se encolhia e não me deixava tocá-la. Depois de um tempo
pediu ao Machado para segurar seu pé. Só assim, de baixo de gritos e gemidos
consegui drenar e limpar as bolhas dos dois calcanhares./p>
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