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Caminho das Missões1º dia de caminhada- S. Nicolau - São Jerônimo - 31km22-02-2004 |
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Cli acordou às quatro da manhã para tomar banho, o que é um hábito dela.
Eu só levantei às 5:30. Rapidamente empacotei minhas coisas para serem despachadas
pelo carro de apoio e fiquei com uma pequena mochila com o mínimo indispensável:
sandália, kit bolha, filtro solar, repelente de mosquitos, celular, máquina fotográfica,
barrinhas de cereais e água. Voltamos ao bar da véspera para o café da manhã, simples
mas com um pão feito em casa, mel e geléia, leite, chá e café. | ||||
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Às 7:45 horas saimos em direção a São Jerônimo. O sol estava alto e prometia um dia ensolarado. O caminho é por estrada de terra, bastante poeirenta onde podemos ver de ambos os lados imensas plantações de soja. A esta altura já estava à procura de um matinho para me aliviar. A escolha tinha que ser cuidadosa, pois poderíamos ser surpreendidas pelos carros. A turma "a-jato-atômica" sumiu na nossa frente (Lisete, Leôncio e Machado). O pessoal de P. Alegre também se distanciou. Aos poucos também fui me adiantado, ficando o Romaldo e Clinete por último. A sinalização não é boa, e por isso não dá para ficar muito longe do guia. Vez por outra aparece um pequeno pasto com vaquuinhas. Encantada pelas pedras que encontrava pelo chão, distraí-me e fui ficando para trás. Achando pouco o que carregava, comecei a catar pedras. Todas tinham um destino determinado. Uma para uma amiga que as usa em sessões de energia, outra para a coleção da Inês, e algumas para mim. Quando achava uma mais bonita do que as que tinha nas mãos, rapidamente a trocava pela nova. Chegaram a ser tantas que o Romaldo me ajudou carregando algumas. Provavelmente pensava : " Cada louco com sua mania!". Depois de 15 km, ao meio dia e meia, paramos para o almoço na casa de um colono da região. Macarrão com galinha, um tipo de lingüiça, arroz, feijão e salada, e o célebre suquinho aguado. Sorte a nossa que tem refrigerantes e cervejas à venda . | ||||
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A primeira providência foi tirar as botas e passar um álcool de romero nos pés, que por enquanto estavam se comportando bem. Cli chegou até a tomar um banho no chuveiro da casa. Estranhei muito a parada para almoço, pois em todos os outros caminhos as paradas eram apenas para sanduíches ou beliscos. O almoço pesa no estômago, e andar de barriga cheia era desanimador. Mas como tudo ali era diferente, depois do rancho, siesta até às 3 e meia da tarde. Pela primeira vez pudemos conhecer a potência do ronco do Joca. E teve gente, que mesmo compartilhando o mesmo colchão, nem ligou e dormiu a sono solto. Né Lisete e Jane? Cli e eu forramos o chão com nossa canga e ficamos por lá mesmo. Mas quando Romaldo se levantou do seu colchão (eram 3 para todo mundo) eu imediatamente me aboletei em seu lugar. Quando voltou, era tarde demais, tinha perdido lugar. Como previsto, saímos depois das três e ainda fazia calor, mas não era forte. 13 quilômetros depois os pés estavam ardendo e algo não ia bem. Paramos num casinha para pedir água e aproveitei uma sombra para me sentar e tirar as botas. Havia alguns arbustos cobertos de araçá que o dono da casa simpaticamente nos ofereceu. Estavam deliciosos. Mas voltando aos pés, senti duas bolhas. Apesar das meias, os pés estavam vermelhos de barro e por isso resolvi não costurá-las ali. O apoio com que eu contava não estava disponível. Decidi ir para a estrada e ver se conseguia uma carona para os últimos 3 quilômetros. Lisete, preocupada comigo resolveu dar uma corridinha básica para conferir a veracidade da informação. Encontrou com um colono puxando um cavalo e perguntou se poderia me ajudar, mas respondeu que seria impossível, pois o animal estava sem sela. No sentido contrário passou um carro absolutamente lotado. Estava andando bem devagar quando uma moto parou ao meu lado. Lisete tinha conseguido um moto-taxi, coisa comum por estas bandas. Rapidinho cheguei a São Jerônimo, que para minha surpresa não era uma cidade e sim uma escola e duas casas à beira da estrada onde estávamos. Nosso alojamento era na escola, todos numa mesma sala de aula. Havia algumas camas e colchões pelo chão. Separei uma cama para mim e outra para Clinete. Como cheguei na frente da maioria, o único chuveiro quente estava vago. Aproveitei. Depois lavei a roupa que ao ser esfregada deixou sair uma calda cor de laranja escura. Coitado daquele que trouxe roupas brancas! Comecei a sessão de costura-bolhas. Comecei por Sueli que estava com um tênis menor do que deveria ser. Depois veio o Joca que por causa das bolhas tinha pegado uma carona. Porém o caso dele era mais grave e por isso passei a mãos mais competentes, as da Clinete. Uma de suas bolhas era de sangue e exigia assepsia total. Cli colocou as luvas cirúrgicas e usou agulha descartável.. Enquanto isso o alojamento virou uma sala de visitas com um alegre a animado bate-papo regado a cerveja Fomos interrompidos pela chamada para o jantar. Um arroz com carne moida, batata, salada e de sobremesa barrinhas de doce de leite. Às 10 horas fomos todos para a cama. O ronco do Joca tomou conta do ambiente, dizem as más linguas que eu também ronquei, mas nada que se comparasse ao dele. Meus tampões de ouvidos funcionaram maravilhosamente. De madrugada esfriou muito e foi um sacrifício ir ao banheiro. |
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