Caminho das Missões

Rio de Janeiro - Santo Angelo - 1.600 km

20 e 21-02-2004


Depois de mil dúvidas se ia dar ou não para ir, decidi partir com Jane, Sueli, Clinete numa desconfortável viagem de ônibus para Santo Angelo, pequena cidade do Rio Grande do Sul para fazer o Caminho das Missões jesuíticas. Lá encontraríamos o resto dos peregrinos bem de vida que tinham ido de avião. A viagem estava programada para 28 horas em ônibus CONVENCIONAL, com ar condicionado e banheiro. Mas como Santiago não nos deixa na mão, mexeu seu cajado e, na hora do embarque, o que apareceu foi um semi-leito, embora estivesse escrito "leito" na lataria.Por causa do trânsito de saída para o carnaval, chuva intermitente e muitas obras pelas estradas, a viagem se estendeu por 32 horas e as paradas programadas para serem de quatro em quatro horas passaram a ser de seis em seis para não aumentar ainda mais o atraso. O ônibus tinha DVD, mas o filme era de kung-fu e uma sangueira só.



Viagem de ônibus: longa, mas sem perder o humor...

Saímos do Rio 20 de fevereiro, sexta feira de carnaval às 12:30 horas e a chegada prevista para o dia seguinte, sábado às 16 horas. Só do Rio a Sampa ele fez seis paradas, a maioria para pegar um ou dois passageiros. Era um parador e nós não sabíamos! Numa desssas paradas fizemos uma vaquinha e compramos o filme "Pelle", sueco, premiado no festival de Cannes. Porém não se sabe porque, não se conseguiu colocar as legendas em português e nós o vimos assim mesmo em sueco, tentando adivinhar o que acontecia. Na segunda parada Jane e Clinete perderam a hora e quase que o motorista as deixa por lá. Levaram uma sonora vaia. Clinete dormiu a noite toda e eu dei alguns cochilos. Depois de muitos sacolejos e horas sem dormir finalmente estávamos quase chegando. Jane contatou o grupo que já estava em Santo Angelo avisando que em mais duas horas estaríamos na rodoviária. O mini-ônibus, desde cedo, estava a nossa espera para seguir para São Nicolau. Lá iniciaríamos a nossa caminhada de 180 quilômetros pelos seis povos das Missões, porque o sétimo, São Borja, não estava incluido pois fica muito afastado. Diante de nosso grande atraso, o mini- ônibus ficou a nos esperar num posto de gasolina, no meio do caminho para não retardar ainda mais a chegada a São Nicolau.

A viagem foi uma aventura, fiquei descadeirada como diria minha avó. Experiencia única, "única" mesmo, pois nunca mais repito a loucura. De hoje em diante, de ônibus, só viagens de até 6 horas. O encontro com a turma dos amigos queridos foi uma alegria só. Lisete, Machado, Leôncio, Mário, Claudia. Do Rio Grande do Sul, Val, Marcelo e Leila também peregrinos, e finalizando Josy e Joca, amigos de Lisete da Xerox. AH! Esqueci do Romaldo, é assim com "M" mesmo, nosso guia e companheiro nesta aventura. Grupo formado, partimos para tentar chegar ainda com a luz do dia e fazer as visitas às ruinas e museu programadas. Fizemos uma parada para conhecer o novo portal de entrada de São Miguel e chegamos a S. Nicolau à noite, com um céu estrelado e uma quase imperceptível lua nova. As visitas foram adiadas para o dia seguinte, antes da partida. O grupo decidiu ir jantar primeiro e depois se alojar para dormir, pois o horário de despertar era às 5:30 da manhã para 31 quilômetros no primeiro dia.



Primeira confraternização


Ao chegarmos para jantar via-se que era um bar simples e ao mesmo tempo a casa da família que carinhosamente nos recebeu. Comida simples, mas saborosa, sobremesa e um suquinho que achei aguado demais. Vinho nem pensar, a cerveja foi a dona da noite. Fomos presenteados com uma apresentação de uma dupla de repentistas sanfoneiros com músicas típicas do Rio Grande do Sul. Um deles logo se encantou pela Jane e lhe ofereceu uma música. Pouco depois, tomados pela exaustão fomos para a escola albergue nos recolher. Depois de uma conversa convenci o Romaldo a pelo menos naquela noite dar os dois quartinhos com banheiros para as recém chegadas de "buzum" . Sugestão aceita para a minha alegria e de Cli. O quarto é bastante simples, mas limpinho. Ao entrar no banheiro cometi um baraticídio, mas com tudo sob controle, tomei um demorado banho quente. Desmaiei em seguida na cama não sem antes colocar a máscara e tampões de ouvidos. No meio da noite senti frio e me enfiei no saco de dormir.

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