O BEIJO DO ESCORPIÃO é um romance difícil, é necessário não possuir tabus e imaginar a história de um ângulo não muito comum, os "mocinhos" e os "vilões" não possuem muitas diferenças, e muitas vezes nos colocamos contra os personagens principais em uma teia sem fim, mas quando menos se espera a bondade vira atrocidade e a dúvida sobre quem é quem, cresce.
Contada em um universo alternativo, o que parecia ser uma história de amor, ganha características de um romance policial e por fim suspense, envolto em uma aurea de poder e erotismo. Cada detalhe é um ponto importante da história que une lendas mitológicas subentendidas, ritos antigos e a paixão do Senhor pelos homens, convertendo o ceticismo dos personagens em algo mais profundo e amável.
A minha análise é muito romantica, e foi influenciada por grandes autores como Jane Austen (Orgulho e Preconceito) e Gaston Leroux (O Fantasma da Ópera). A maldade humana é posta na mesa, e trazemos de novo ao topo das discussões, até onde a religiosidade, a política e os ideais são saudáveis ao ser humano, sem que se tornem uma obsessão.
Mesmo que a Obra traga uma atmosfera um pouco fantástica às vezes, a realidade está incrustada mesmo nestes momentos, e podemos ver Magnus como um pai zeloso que tenta se manter a frente para proteger os pupilos, Argos, como um fiel conselheiro escondido, mas cujos olhos analisam muito bem, Scorpius como aquilo em que buscamos força para fazer o que a nossa consciência nos proíbe e Ethon, como o nosso demônio interior, ora bom, delicado, nos dizendo que nossos erros, são os erros de todos, e por outro lado, tentando nos eliminar quando já nos tornamos fortes o bastante para não dependermos mais dele.
As Rosarias são as tentações, em todas as formas, visando que algumas tentações não são pecados, mas outrém gosta de fantasiá-las assim. Elas são a beleza e a graça que não podemos alcançar, ou quando podemos, temos medo e incerteza, se a conseguiremos garantir por um longo período. Phobos e Deimos são nossos guardiões disfarçados, causam medo a primeira vista, mas tem muito mais amor em seus corações do que os guardiões de aparência tênue, se lembrando de que, até os anjos usam espadas.
A Mansão é os nossos segredos e as nossas dores, quando a nossa aparência as reflete e encobrimos o que há de mais belo e incrível em nós. A hera são nossos "anticorpos" emocionais, as barreiras que impomos para nos controlar e matar nossos próprios sentimentos, aflições. O carvalho é a nossa vida, o modo como crescemos enclausurados dentro dos nossos próprios sonhos de liberdade, como sobrevivemos sem luz, sem um caminho para seguir, mas ainda continuamos em pé, fortes, sem se render, dando nosso sangue, para fazer com que, o que há de bom no mundo, vença um dia.