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Aldeia
''Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...''
������� (Fernando Pessoa)
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Pois c� da minha janela vejo quanto de ingratid�o se pode ver na minha aldeia!
��� Aqui, pensando sobre o Dia do M�dico e sobre o Dia
do Professor, t�o pertinho no tempo, acabei tamb�m por junt�-los, m�dico e professor,
no parapeito de minha janela que d� para o pat�tico do Universo. Antigamente o homem
nascia, crescia e virava m�dico. A mulher nascia, crescia e virava professora. E assim,
ambos continuavam crescendo dentro da sua dignidade e da conquista do crescente respeito
que se lhes dispensavam. Ser filho de m�dico ou de professora significava import�ncia
porque o respeito se estendia por pelo menos duas gera��es! Ser filho de m�dico e de
professora, a uma s� vez, era o apogeu da gl�ria! N�o precisava ser mais nada na vida -
s� filho. Medicina e Magist�rio eram um sacerd�cio, num tempo em que os sacerdotes
tamb�m eram respeitados. Assim visto, tudo continua quase igual, hoje em dia, embora
predomine uma certa hierarquia de conveni�ncias: vida � vida; alma � alma; cultura �
um quase nada.
��� O m�dico vendeu, no bom sentido, sua alma para Hip�crates. O
professor vendeu sua alma para sua pr�pria convic��o (fiado, como era de se esperar). E
o sacerdote - continua negociando... no bom sentido!
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