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A culpa � do periquito
��� N�o � uma distor��o da vidra�a, l� est� mesmo
um mercador de ilus�es! T�o mal-entrajado para esta esta��o do ano que n�o consigo
desviar meu pensamento do seu desconforto, tampouco me iludir com suas ilus�es. Gorro,
cintur�o, botas, o embornal cheio de mentirinhas, mangas longas... e aquele vermelho! Com
tantas cores no arco-�ris... melhor seria, todas elas juntas, pois, dizem os f�sicos,
quando misturadas umas �s outras tornam-se nenhuma _ o branco. E de lambuja, com a magia
de devolver a luz � luz e o calor ao calor! Mas, nunca vi Papai Noel de branco, como
tamb�m nunca me deparei com suas renas. Tamb�m n�o conhe�o tren� de perto! Chamin�s,
essas s�o do meu tempo, embora n�o levassem � lareira alguma.
��� Quem inventou o Papai Noel n�o deve ter imaginado que o sucesso de sua
obra se estendesse a essas plagas tropicais, assumindo at� o inadequado do traje. A mesma
sorte n�o teve o inventor de outro genu�no mercador de ilus�es: o homem do realejo.
Pouco bastaria: bermudas, camiseta-regata, sand�lias de tiras, aquela engenhoca sonora de
uma perna s�, soprando em todas as esquinas um "Sobre as ondas" e... um
periquito!
��� Periquito... s� pode ser dele a culpa do fracasso! Ningu�m mandou
n�o nascer inanimado, mec�nico ou hipot�tico como as renas do Bom Velhinho. Afinal,
tamb�m as renas est�o em extin��o, como os periquitos e as ilus�es!
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