O INFORME
DE BR�ZIL
O t�tulo desta p�gina � uma alus�o declarada ao delicioso livro INFORME DE BRODIE, do ilustre escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) cujo estilo, lembrando Jonathan Bickerstaff Swift (1667-1745), como viajante,  "reporta" aquilo que se pode ver e observar � sua autoridade mor.
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006/2004
E a m�dia anuncia (14/09 - todos os jornais) que oito entre cada dez "hackers" do mundo s�o brasileiros. Ao que um amigo, daqueles amigos irm�os (ser� que todos na realidade o s�o?), brasileiro ferrenho,  chegado a mais pura patriotada, acabou afirmando: "Nem podia ser diferente! Com a imagin�o e versitilidade brasileira, n�o podia dar outra!"
Entretanto, tenho, para mim, que a afirma��o �, no m�nimo, equivocada..Muito antes h� de de se considerar que aquele que se vale da imagina��o para tirar proveito da confian�a e do patrim�nio alheio �, antes de tudo, inescrupuloso, amoral ou, como diria o personagem Odorico Paraguassu, da pe�a O Bem-amado, de Dias Gomes, � um "mau-caratista". E a indaga��o que decorre da minha afirma��o �: ser� que os brasileiros, de modo geral, t�m uma �ndole ruim? S�o dotados de atributos tendentes � marginalidade? Eu diria, numa an�lise sem muita explica��o, que n�o! A falta de car�ter do brasileiro, sua mania de aplicar a famosa "Lei do Gerson", decorre dos exemplo dos governatentes deste pa�s que, absolutamente, n�o se elegem em raz�o de um ideal d�gno, neste d�gno inclu�do at� o desejo de poder, por�m o poder voltado para o bem. O que se tem � o mais descarado int�ito � locupleta��o, que de tanto se ver prosperar a impunidade, como j� dizia Ruy Barbosa, hoje se gera vergonha � honestidade. E estes governantes, absolutamente, n�o representam uma amostra real da popula��o brasileira, mas uma amostra, como lecionou Darci Ribeiro, da classe criada sob o regime de favoritismo que at� hoje campeia o meio pol�tico deste Brasil. Corruptos, ladr�es, bandidos, todos os pa�ses os t�m, por�m buscam mant�-los dentro do liame do aceit�vel, do ponder�vel, coisa que h� muito, tal qual chap�u, sumiiu no Brasil. E n�o se espantem com uma not�cia facilmente comprov�vel no site da pol�cia: o n�mero de mortes, at� este m�s, em dois mil e quatro, apenas por assassinato, nas cidades de Campinas e S�o Paulo, juntas, supera, em muito, o n�mero que mortes no Iraque, com todo o terrorismo, no mesmo per�odo. Estamos, pois, no Brasil, vivendo v�rias guerras do Iraque ao mesmo tempo, que n�o saem nos jornais e nas TVs (por que ser�?) � n�o �, pois (M�rcia os "pois" s�o pr� voc�), � toa que um povo burlado diuturnamente tenha a capacidade de gerarar tantos burladores (hackers) pessoas que, a exemplo da esc�ria dominante, que se alastra como praga e est� servindo de exemplo ao modelo brasileiro, passam a buscar um lugar ao sol pela via errada!

005/2004
E NOSSO SUPREMO TRIBUNAL, decidiu que o governo pode  se valer de parte dos benef�cios concedidos pela previd�ncia para custear a previd�ncia. Para n�o se falar de direitos � de se dizer que � um verdadeiro caso do rabo balan�ando o cachorro! Qualquer estudante de atu�ria que se preze sabe que um sistema de previd�ncia tende a ser deficit�rio, revertendo-se esta tend�ncia apenas pelo crescimento exponencial da massa contributiva, o que � perfeitamente poss�vel quando h� o pleno emprego � mais gente, muito mais gente entrando no mercado regular de trabalho, do que se aposentando. Portanto, quando a Constitui��o garante o benef�cio da previd�ncia para todos, mas apenas uma parte tem acesso aos meios de contribui��o (emprego � trabalho com contribui��o), o sistema est� fadado a falir. A �tica do governo, entretanto, n�o enquadra este prisma. Caolho, de h� muito, o pa�s teima em fazer da recess�o sua arma mais poderosa! Poderosa contra quem cara p�lida? Poderosa contra o pr�prio povo, que paga pela infla��o, paga pela falta dela, paga com o pr�prio desemprego e, agora, paga pelo desemprego de outros tamb�m. Quando o Direito se queda ante a impossibilidade decorrente da incompet�ncia governamental nada mais se pode esperar de um pa�s a n�o ser que, ao menos, os cais e aeroportos se mantenham abertos para uma �ltima sa�da.



004/2004
NO POSTO DE SA�DE, aqui perto, pude notar a fant�stica (melhor seria dizer teratol�gica) m�quina do governo em a��o. Compulsado a encaminhar certa pessoa ao seu atendimento, com direito a ficar na fila do rem�dio e tudo o mais, pude observar que a encarregada da farm�cia n�o tinha o menor controle dos rem�dios que entravam e saiam, caixas de rem�dio se esparramavam por todo lado num verdadeiro pandem�nio. Indagando pelo rem�dio em quest�o, fui premiado com uma lista de rem�dios " supostamente similares"  (pelo nome, pelo som da palavra, n�o pelo princ�pio ativo) e a seguinte recomenda��o: �Olha, o senhor leva esta lista para o seu m�dico e diz que estes s�o os rem�dios que possu�mos com o nome parecido. Se algum deles servir, o senhor pede para ele trocar a receita e volta aqui que eu lhe dou�. No mais, enquanto uma enfermeira, que depois vim a saber que nem era enfermeira � talvez uma trainee � se desdobrava para atender a sete pessoas, sete atendentes se desdobravam em explicar que a demora era porque s� havia uma enfermeira � mas ningu�m explicou por que havia sete atendentes e apenas uma enfermeira, dentre elas a que se dizia enfermeira-chefe que, se enfermeira de verdade, deveria era estar �pondo a m�o na massa�; sabe como �: �s vezes o nome do cargo n�o quer dizer nada...



003/2004
O DESEMPREGO CAIU para apenas 18,5% em S�o Paulo (Estad�o, 26/08/2004). o que quer dizer, em bom Portugu�s, que o �ndice, escamoteado, na realidade deve andar 4 ou 5 pontos percentuais acima, entre 22 e 23%. E pensar que na Grande Depress�o dos anos 30 o pico da taxa m�dia de desemprego, vejam bem, o pico, atingiu 26%. Logo estaremos l� (na realidade j� estamos se considerarmos que camel�s vendendo artigos contrabandeados, roubados, maquiados � data de validade vencida �, falsificados, n�o podem ser considerados parte da popula��o economicamente ativa mas, sim, parte da �bandidagem� economicamente ativa)... Enquanto isso O Seo Lula, tal qual seu antecessor, encontra-se chafurdando na gl�ria do aumento das exporta��es e super�vit prim�rio que n�o cobrem sequer 10% (DEZ POR CENTO) do servi�o da d�vida, entusiasmado com a id�ia do Minist�rio da Fazenda anunciada pelo Secret�rio de Pol�tica Econ�mica, Marcos Lisboa, de escamotear o j� escamoteado �ndice de Desemprego do IBGE que, j� no governo do FHC, se tornou mestre nesta arte � assim baixamos nosso �ndice de desemprego!



002/2004
PARECE QUE o maior problema do Comit� de Pol�tica Monet�ria, o COPOM, � a aliena��o em que seus membros vivem em rela��o � realidade da brasileira. Monetaristas ferrenhos, acreditam que a solu��o do Brasil vai pelo monetarismo arrochado, falta de liquidez e custo alto dos juros. Para mim, o taxa b�sica poderia ir de 16% para 20% a.a. desde que os bancos se contentassem em receber o dobro... 40%, ou at� o triplo: 60% O problema s�o os 120 a 160% ao ano, pra n�o falar de alguns que se atrevem a 220% para os bens de consumo. Isso j� n�o � mais juros e, por isso, os bancos, no mundo inteiro, aboliram a express�o �neg�cio da China� para utilizarem �neg�cio do Brasil�.

Este �, realmente, o para�so dos bancos que, ainda por cima, contando com uma popula��o �vida por emprego � qualquer um, contando que d� para comer �, pagam sal�rios irris�rias tornando a teoria da mais valia muito mais valiosa.

N�o foi outro, sen�o talvez o mais bem-sucedido banqueiro de todos os tempos, J. P. Morgan, que apesar desta condi��o nunca deixou de ser contador (naquele tempo dizia-se guarda-livro (bookeeper), quem vaticinou: �Quando os bancos v�o bem � porque a economia do pa�s, os meios de produ��o, v�o mal...�

Mas o governo brasileiro est� mais preocupado em projetar o " Seo"  Presidente como estadista internacional � � mais f�cil �dar pitaco� no governo dos outros, especialidade do "Seo"  Lula h� muito tempo � do que quebrar o c�rculo vicioso do arrocho monet�rio que, ali�s, foi, al�m do grande endividamento provocado em oito anos que multiplicou por doze a d�vida que o pa�s levou 490 anos para formar, o �nico ferramental utilizado pelo Plano Real: de um lado cobrar taxas escabrosas de juros e produtos, de outro, manter abaixo da infla��o a remunera��o devida ao povo, tanto para o seu capital (poupan�a)  como para o trabalho, em flagrante afunilamento da pir�mide social, sob a desculpa de deter-se a demanda. A Demanda, na realidade, n�o se det�m, se enfrenta... com maior produtividade. Maior produtividade n�o � o mero deslocamento da produ��o destinada a suprir o mercado interno para o mercado externo atrav�s da cria��o de uma incapacidade de demanda interna. Maior produtividade quer dizer produzir-se mais a um custo menor de tal forma que a economia de escala provoque, simultaneamente, maior lucratividade para quem produz, ou, ao menos, lucratividade igual, e a gera��o que uma quantidade muito maior de bens que podem ser demandados a pre�os justos (custo mais lucratividade razo�vel e n�o escabrosa). A quest�o � de pura sintonia: n�o se pode aumentar a liquidez sem ter meios de produ��o (que n�o respondem imediatamente) para enfrent�-la; por outro lado, n�o se pode investir em meios de produ��o sem que haja demanda. O caminho l�gico, a execu��o de um pacto bilateral,  governo-sociedade, governo-meios-de-produ��o, bem coordenado, com medidas de sintoniza��o entre os dois meios que incluiriam at� a forma��o de estoques reguladores para os primeiros momentos, al�m de incentivos efetivos � produ��o,  seria a ocupa��o mais s�ria, aliada a outras de calibre pr�ximo, a ser desempenhada pelo governo. Mas o governo considera a tarefa um verdadeiro ato de se colocar o sino no pesco�o do gato e, enquanto ele puder apenas gritar junto com o povo que � preciso se colocar o sino no pesco�o do gato (mister no qual o presidente anterior se tornou mestre), n�o se arriscar� a faz�-lo. Cabe, portanto, � popula��o colocar o governo na parede, tal como fizeram os caras-pintadas, agora n�o para depor um governo, porque o pr�ximo entrar� na mesma rotina, mas para exigir que seja feito o que deve ser feito, ainda que com risco pol�tico, caso contr�rio o pa�s permanecer� neste impasse, dependendo da fome do seu povo, das crises internacionais para exportar e manter um super�vit prim�rio que n�o quer dizer nada, porque, logo abaixo dele, a linha do servi�o da d�vida � muito maior � � como um pai que alimenta mal e porcamente seus filhos para deixar no banco, todo m�s, apenas dez por cento dos juros cobrados no cheque especial � a d�vida continua a subir! Os filhos crescem desnutridos e sem forma��o para enfrentar, como heran�a, uma d�vida incomensur�vel, cuja  criatividade do brasileiro n�o ter� como pagar ainda que, do meio de tal pobreza, surjam muitos g�nios.

001/2004
GLOBALIZANDO AS PESSOAS � numa palestra proferida na UFRJ o  soci�logo franc�s Robert Castel, Diretor do Centro de Estudos de Movimentos Sociais de Paris salientou que �a globaliza��o funciona como uma gangorra que oscila entre o capital e o trabalho: se voc� refor�a o capitalismo financeiro internacional, ataca o regime de prote��o trabalhista porque exige mais agilidade, comprometimento com as inova��es tecnol�gicas e mais produ��o em menor tempo�. � obvio que dependendo, o querido Diretor do Centro de Estudos, n�o da contribui��o dos trabalhadores, mas dos capitalistas para garantir seu ganha-p�o, n�o teve d�vidas quanto ao lado a fazer pender sua pr�pria gangorra. Um regime de prote��o trabalhista n�o implica, necessariamente, falta de comprometimento e agilidade. Pelo contr�rio, implica, isso sem, numa forma��o cont�nua dos trabalhadores no sentido de atualiz�-los �s �ltimas inova��es pertinentes aos seus campos de atua��o. Mas para qu� se aqueles que est�o saindo dos bancos das escolas j� trazem tais conhecimentos, se sujeitam a trabalhar por muito menos e ainda n�o se encontram imunizados quanto �s promessas e decep��es?  E quando estes estiverem t�o esgotados em seus afazeres que n�o mais puderem acompanhar todas as novidades, outra leva j� estar� saindo, de tal forma que a eleva��o na escala social, via trabalho, estar� sempre restrita a uma classe que pode se dar ao luxo de trabalhar pouco para se atualizar muito. A esta situa��o se alia outra grande fal�cia que veio sob o t�tulo de Terceira Via, express�o cunhada por Tony Blair para a flexibiliza��o dos direitos dos empregados visando desonerar as empresas e possibilitar o pleno emprego. Ser� que se n�o houvesse leis a proteger os empregados todos estariam empregados?  A �nica afirma��o correta quanto a Terceira Via � que ela alia parte do capitalismo com parte do socialismo; mas n�o as melhores partes: ela alia a gan�ncia do capitalismo com o servilismo e conforma��o imposta pelo socialismo. O mundo, isto � a grande e desprivilegiada  massa de habitantes do planeta ter� que se conformar em adquirir produtos globalizados, sem op��o, mediante a explora��o do seu pr�prio trabalho, n�o mais se premiando a livre iniciativa. T�m-se, pois, que a globaliza��o e a Terceira Via nada mais s�o dos os dois lados de uma mesma moeda que acabar� por comprar e aprisionar o que de mais nobre pode existir no trabalho que � a dignidade de se poder cobrar o que se acha que vale e fazer, com o fruto do trabalho, aquilo que se quer. N�o h�, sob os prismas em discuss�o, qualquer possibilidade dignificante � condi��o humana �s massas. � de se temer cada vez mais e mais os caminhos da economia mundial e verdadeiros �dogmas� econ�micos que est�o sendo impostos � popula��o mundial.
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