| O INFORME DE BR�ZIL |
| O t�tulo desta p�gina � uma alus�o declarada ao delicioso livro INFORME DE BRODIE, do ilustre escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) cujo estilo, lembrando Jonathan Bickerstaff Swift (1667-1745), como viajante, "reporta" aquilo que se pode ver e observar � sua autoridade mor. |
| 001/2003 ...e agora, sob um novo lema populista, as comunidades financeiras regozijam-se de prestar apoio ao governo... e longe dos seus tempos de pobre, j� h� mais de trinta anos sem trabalhar de verdade, sem pegar no pesado, vivendo da palavra, o chefe continua a berrar como se o neg�cio ainda n�o fosse com ele. E projetos engavetados, verdadeiras li��es de casa enfadonhas e desinteressantes � orgia elitista que o pa�s viveu at� a pouco, foram passadas ao chefe que, sem imagina��o e livre arb�trio, procura cumprir para fazer-se digno de, ao menos, estar na posi��o que ocupa. E n�o se d� conta de que o que toca � a seara alheia ao povo que um dia jurou proteger. Est� a plantar aquilo que o povo jamais colher�, porque o direito n�o lhe pertence...mas isso n�o tem a menor import�ncia, porque, com um pouco de sorte, � capaz de em breve o povo nem mais existir como uma massa de cidad�os para reclamar...estar� t�o preocupado em buscar o que comer que ter� esquecido que um dia j� teve algum direito... E n�o � esta a hist�ria da humanidade? � pena, apesar de nela ter entrado tardiamente, n�o ter tal povo se apercebido que poderia t�-la feito diferente se n�o se submetesse a anseios fugazes e gl�rias ef�meras, como as que ocorrem tr�s dias por ano com uma coroa de papel na cabe�a e de quatro em quatro anos com uma bola debaixo dos p�s. E novos informes d�o conta que a situa��o n�o mudar� em breve... talvez nunca mude... |
| Informes Anteriores |
| 002/2003 ... e como o governo n�o pode fechar seus cofres e deixar de usar o dinheiro que n�o tem, acaba gerando-o, na forma de empr�stimo ou emiss�o, e coloca- o no mercado para, ao depois, tom�-lo de volta sob a desculpa infame da necessidade de enxugar os meios de cr�dito, sob pena de eleva��o da taxa de infla��o... e o que sobra � colocado � taxas estratosf�ricas, porque al�m de satisfazer a gan�ncia monetarista, que n�o � pequena, tem que remunerar aquilo que o governo surrupia. O cr�dito, assim, perde a fun��o de alavancagem da produ��o e mesmo do socorro social, porque n�o h� atividade que unindo o capital ao trabalho, suplante as taxas altas de juros elevadas � estratosfera por um sistema exponencial ... a produ��o n�o resiste...fico pensando no que teria acontecido se todo o dinheiro empregado para socorrer os bancos tivesse sido aplicado no setor produtivo, trocando-se a amea�a de uma crise sist�mica por um ciclo sist�mico de produ��o....e mais uma vez t�m-se a sensa��o de que a economia nacional foi tra�da pelo anseio incontido de perman�ncia no poder... e � de se perguntar em qual diretiva se ampara uma financeira (Fininvest) para operar � taxa de 18% a.m. (700% a.a.) dentro de uma economia dita est�vel, sen�o a de abusar de incautos, necessitados e desprivilegiados, sob a ben��o do desinteresse, incompet�ncia ou locupletamento governamental... isto posto, � de concluir-se que nesta situa��o o governo n�o s� deveria lutar pela pris�o de empres�rios de tal quilate, mas encarcerar-se junto, eis que, como culpado maior, nada fez e nada faz para redimir-se sen�o submeter, o povo ao tac�o do arrocho... finge n�o perceber que todos os dias est�o sendo criados mais e mais produtos substitutivos, que para continuarem a iludir o povo, s�o maquiados para a beleza sem qualidade, o que vai do ve�culo que n�o dura cinco anos � soja transg�nica, �s hortali�as impregnadas de agrot�xicos, �s �guas minerais infestadas de coliformes fecais que uma popula��o, j� explorada ao �ltimo, � obrigada a comprar porque os sistemas de saneamento, como tudo o mais que diz respeito � sa�de da popula��o, para isentar a responsabilidade e o dever de fazer do Estado, est�o lan�ados �s m�os dos interesses lucrativos... � a fal�ncia do Estado como �rg�o de prote��o do cidad�o...e n�o se sabe o que os cidad�os do pa�s fazem que simplesmente n�o se sentam e dizem n�o a todo este culto her�tico � pr�pria exist�ncia e felicidade deles... |
| 003/2003 ... e constatou-se que para cada cidad�o economicamente ativo que contribui para o fundo de previd�ncia social existente h� outro, nas mesmas condi��es, que com nada contribui... e que entre aqueles que contribu�ram, chegada a hora de retirarem-se, mais de um ter�o n�o o fazem, passam a usufruir os benef�cios do fundo, por�m continuam a demandar no mercado, em detrimento de outrem, a vaga de trabalho... e indaga-se qual dos dois comete injusti�a maior... e v�-se que ambos s�o v�timas de um sistema que, muito mais do que buscar qualquer amparo ao povo, busca justificar sua exist�ncia mascarando a realidade... e a cobrar pela m�scara... aquele que contribuiu n�o encontra, na velhice, a contrapartida das suas contribui��es mediante um retorno que lhe permita uma exist�ncia digna - certamente ele gostaria de, alquebrado, repousar, por�m submete-se a necessidade e ignom�nia de permanecer em seu posto, mesmo sabendo que sua hora j� � passada e est� a tomar o lugar de outro, porque sabe que tal opr�brio � invis�vel ao lado da pobreza e rebaixamento social - por outro lado aquele que n�o contribui n�o o faz por impossibilidade que obter o lugar justo que lhe � tomado por aquele que j� recebe para ficar em casa ou pelo exemplo de que aquele que contribuiu n�o faz papel melhor do que o bobo da corte formada por aqueles que, com parcos anos de trabalho, se beneficiam por lautas remunera��es... e h�, ainda, os exclu�dos inclu�dos, ou seja, aqueles que mesmo sem condi��o de competir num mercado, porque n�o lhe foi dada a condi��o de estudo, s�o inclu�dos como for�a economicamente ativa, como se catar latinhas, revend�-las a pre�o irris�rio e viver sob um barraco fosse condi��o humana comput�vel... e o que se constata � que os primeiros s�o, na realidade, os inclu�dos exclu�dos, ou seja, aqueles que repousam na tranq�ilidade de que se encontram sob a prote��o do sistema, mas que na doen�a e no pesar s�o obrigados a plantarem-se em intermin�veis filas para implorarem exames e rem�dios que, n�o raro, quando chegam, j� n�o encontram o paciente... quedado, sob sete palmos... mas h� sempre um champanha para ser bebido pelos que det�m o sistema e uma raz�o para beb�-lo, que, se n�o � plaus�vel ao homem da fila, �quele que busca um emprego que lhe d� dignidade, serve, ao menos, para entorpecer as consci�ncias de t�o afortunados bebedores que, por carregarem enorme vileza, acarretam tamanha sede aos corpos que as abrigam. |
| 004/2003 ...e novos informes d�o not�cia de que "apesar da crise a arrecada��o foi recorde", demonstrando que governo � um s�cio que cobra sua parte mesmo quando as coisas v�o mal... e o secret�rio-adjunto da Receita acredita que o recorde seu deu porque uma pequena empresa decidiu pagar impostos atrasados de mais um bilh�o... "a auditoria deles deve ter detectado o d�bito e a empresa efetuou o pagamento", declarou... quando um pobre mortal fica a dever reles centenas de reais � Fazenda, o governo consegue detectar e coloc�-lo no Cadin - Cadastro de Inadimplentes; quando a Petrobr�s fica devendo 1.5 bilh�o � preciso que a auditoria deles detectem...� que o valor � muito pequeno para se dar falta... petr�leo e banco � neg�cio t�o lucrativo, que deveria existir uma equipe de fiscais em tempo integral dentro de cada banco e da Petrobr�s, mas isso seria tolher a liberdade...e o n�mero de cheques devolvidos foi recorde de novo... um meio circulante sem lastro e sem economia que o justifique...� de pensar quantos cheques devolvidos n�o teriam sido se o governo houvesse pago todos os precat�rios que deve e voltado atr�s no cano que deu ao parcelar, unilateralmente, seus d�bitos em dez anos... o mau exemplo vem de cima...o governo deveria se auto-inscrever no Cadin.. o que n�o teria a menor import�ncia para um certo Fundo que aplaude a pol�tica de juros altos, que chama de pr�-ativa e como pr�mio concorda em pagar 9.2 bilh�es de d�lares em empr�stimos acertados no governo anterior... o que mostra que a pol�tica (de juros altos) faz parte da li��o de casa deixada para este governo que, submisso e com o devido acatamento, d� conta do recado... at� porque n�o tem imagina��o suficiente para criar suas pr�prias li��es... |
| 005/2003 ...e a nova ordem � afastar o presidente dos problemas...bem, como solu��es n�o v�m, � melhor, ent�o, afast�-lo de uma vez....quando o povo se p�e a pensar acaba por concluir que n�o existiu raz�o para o Plano Real dar certo...n�o se fez reforma tribut�ria, n�o se fez reforma fiscal, n�o se fez reforma previdenci�ria... por que, ent�o, o Plano Real deu certo?... e quem falou que deu? ... apenas ouve uma transfer�ncia de capital das m�os do povo, que com uma poupan�a em progress�o geom�trica e � taxas estratosf�ricas n�o precisava mais trabalhar - vivia de poupan�a -, �s m�os dos banqueiros, onde at� o governo entrou, com um acr�scimo simples de 800% na d�vida p�blica... em oito anos passou-se a dever, em moeda est�vel (n�o o Real), oito vezes mais do que a d�vida que o pa�s precisou de 494 anos constituir! ... sabe o porqu�? juros...o pa�s que tem os bancos mais rent�veis do mundo tem tamb�m as maiores taxas de juros do mesmo planeta...um contador que virou banqueiro, J. P. Morgan, j� dizia, quando os bancos v�o muito bem � porque a economia do pa�s vai muito mal... e n�o se sabe a raz�o de tanta urg�ncia para se fazer uma reforma tribut�ria quando o governo federal j� det�m o poder de fixar as al�quotas de IPI, II, IE e IOF sem respeito ao princ�pio da anualidade...os Estados, por sua vez, det�m o poder de, conjuntamente, estabelecer formas de cobran�a do ICMS... � tudo uma quest�o de ajuste matem�tico...mas onde encontrar matem�ticos n�o pol�ticos? ....e tem, tamb�m, a porteira das contribui��es sociais que lembram Concei��o, uma can��o que h� no pa�s onde se diz que "se subiu ningu�m sabe, ningu�m viu"....no pa�s, quando n�o se tem o que inventar, inventa-se contribui��o...j� a reforma previdenci�ria, exceto por uns dois mil que poderiam ser cortados sumariamente da folha, e que fossem reclamar para o bispo... n�o vai dar em nada porque o problema n�o � servidor se aposentando...o problema � n�o meter a m�o no dinheiro da previd�ncia, converter o que ela tem de patrim�nio inativo e fechar a torneira do desperd�cio e corrup��o...diz-se que no pa�s tem mais de cem mil defuntos recebendo pens�o...como se os de cujus fossem ser sepultados por lei, ou melhor, por reforma previdenci�ria... |
| 006/2003 - ... meu sentimento � que aportei em local errado... quando, no ato da posse, S.Exa. o presidente deu in�cio ao plano denominado Fome Zero, imaginei que se tratava de um plano para dizimar a fome e n�o um plano para degradar o ser humano ao mais baixo grau de desnutri��o. Fiz minhas contas: cinq�enta reais por fam�lia, o que significa um m�nimo de duas pessoas, com d�lar a tr�s reais, dava dezessete d�lares por fam�lia, oito e meio para cada pessoa, num m�s quase trinta cents por dia, de onde conclui que o plano era bom...nesta trilha a pobreza ser� fatalmente dizimada a curt�ssimo prazo... pela fome... o governo realmente iniciava-se com uma compet�ncia demag�gica fant�stica, projetando um atendimento ilus�rio para mais de um milh�o de pessoas a um custo menor do que a arrecada��o do cassino lot�rico brasileiro, a caixa econ�mica federal. Uma bagatela!... n�o fosse a parte que realmente interessava: outros cinq�enta milh�es para administrar o programa... incompat�vel com qualquer necessidade de disp�ndio � sobreviv�ncia, o governo, ap�s dar trato � bola, n�o se sabe a qual, descobriu a perfeita aplica��o para a verba familiar: pagamento da presta��o de um empr�stimo barato, m�dico por assim dizer, institu�do � simples taxa de trinta por cento ao ano, aproximadamente tr�s vezes as taxas praticadas para indigentes de pais pobres como Estados Unidos, Gr�-Bretanha, Fran�a e outros do mesmo quilate. Todo brasileiro tem direito a este acesso credit�cio no patamar relevante de cinq�enta a duzentos e cinq�enta d�lares, desde que esteja formalmente empregado e em condi��es de aguardar, descontadas todas as burocracias e deduzidos todos os impostos sobre a transa��o, meros sessenta dias para receber o dinheiro da vi�va, no caso literalmente falando, porque h� muita vi�va sendo passada para tr�s no faz-de-conta das pens�es... tamb�m, h�, certamente, de se corrigir a express�o "formalmente empregado": quem, apesar de empregado e trabalhando, tem que tomar duzentos e cinq�enta d�lares para pagar em trinta e seis meses s� pode estar, certamente, sendo formalmente explorado. Passa-me � cabe�a o caso da patroa que foi condenada, em certo pa�s, por estar mantendo sua empregada em regime de escravid�o, eis que apesar de prover moradia, refei��o, banho, etc. pagava-lhe apenas novecentos d�lares por m�s e exigia-lhe que trabalhasse aos s�bados... � pena que o IgNobel, um pr�mio criado pelos estudantes da Universidade de Havard, em franca s�tira ao famoso pr�mio, n�o estenda sua inventividade, � semelhan�a do original, premiando, �s avessas, tamb�m aqueles que fazem coisas ign�beis na �rea social...se assim fizesse esta terra teria, certamente, v�rios laureados no �mbito governamental. |