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Grandes aventuras de jvk

Episódio de hoje: Eric, o estagiário

Capítulo 3

- Não me deixa esquecer de sair da BR, não quero pegar engarrafamento.

Essa é a frase que resume nosso ânimo ao sairmos de Sapiranga. O medo, por outro lado, era perdermos a entrada certa e acabarmos caindo no engarrafamento. O que era muito pior quando se leva em conta que nem Eric nem eu sabíamos a ordem das cidades a nossa frente, só que a barreira do MPA ficava em Esteio. Coube ao motorista decidir nossa linha de ação:

- Vou cair fora aqui em Campo Bom mesmo, aí não tem problema de esquecer.
- Eric, acho que esse é um retorno!
- Não meu! Não tá vendo a entrada pra cidade ali na frente?
- Ah, sim. Foi mal.

Então lá fomos nós, seguindo estrada afora que, sem nós sabermos, contornava Campo Bom. Essa estrada, alias, nos reservava uma surpresa incrível, mas antes de chegar a ela, convém citar o diálogo que se repetiu por várias vezes, não só na atual cidade como nas outras estradas:

- Cara, mas que trânsito lento!
- É uma sinaleira.
- Ah...

Continuando, a estrada era calma, fora as sinaleiras e os caminhões lentos pelo caminho. Era um retão. O céu nublado dava um clima de Betrayal in Antara à viagem (quando se passa metade da vida jogando rpgs no vídeo game, você passa a ser capaz de fazer muitas relações surpreendentes...). E a estrada continuava, sempre reta. De repente, uma placa: “atenção: obra interrompida 1km adiante”. Nós não nos assustamos, no horizonte a estrada continuava. As placas continuavam vindo: 900m, 800m e assim por diante. Perto da placa dos 100m, nós vimos um cavalete bloqueando a pista. “Um dos lados deve estar interditado”, pensei. Ledo engano: a estrada acabava. Não virava estrada de terra, não fazia curvas, nada. Simplesmente acabava. Depois da barreira, só um homem e seu cachorro.

A nossa sorte é que uma das ruas de Campo Bom acabava logo ali e depois de um ou dois “putz” coletivos seguimos nossa jornada nas baixadas da cidade. E só não ficamos por medo porque somos pessoas prevenidas e levamos um dos itens mais importantes para uma viagem não-planejada, e não estamos falando de toalhas (isso é lapso, desculpa!):

- Quer chocolate?
- Quero. Dois quadradinhos. Ufa!

E assim nos acalmamos e seguimos por mais algum tempo, até o comentário mais letchi da viagem:

- Tu já veio por esse caminho?
- Não.

Aí resolvemos parar para pedir informações. O senhor, muito educado, nos informou que para chegarmos em Novo Hamburgo (a próxima parada), precisaríamos seguir até a avenida grande no topo da ladeira e dobrar à esquerda; depois seguir até a rotatória e esquerda de novo. Na rotatória, Eric pegou a direita.

 
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