
No século XVII floresceu em França um dos maiores pensadores de todos os tempos, René Descartes, filósofo, físico, matemático, astrônomo e naturalista. Tendo nascido em 1596, de família nobre, foi educado com jesuítas, mas, descontente "com os doutores e com livros", este filósofo decidiu-se a não procurar mais a ciência "senão internamente e no grande livro do mundo" Seguiu, durante alguns anos, a carreira das armas ingressando em 1617 no exército. Nessa qualidade tomou parte na guerra dos Trinta Anos, e depois, renunciando à carreira militar, percorreu diversas partes da Europa "tratando de ser mais espectador que ator em todas as comédias que ali se representavam". Voltando a Paris, e não encontrando a tranqüilidade e o sossego, decidiu-se viajar para a Holanda, país de liberdade religiosa e política. Ali passou vinte e três anos. Solicitado vivamente pela ilustre rainha Cristina da Suécia, dirigiu-se a Estocolmo, onde os rigores do clima abreviaram-lhe os dias, falecendo em 1650.
Descartes pôs em evidência este principio: que a realidade do pensamento é uma realidade absoluta que todos tem que aceitar. "Posso duvidar de tudo, mas há alguma coisa de que não duvido, é de que duvido. Eu penso, logo existo". É preciso confessar que o que é axiomático é a realidade do pensamento, e que a realidade da existência de um eu, ou simplesmente da existência de um espírito que pensa, já não é coisa tão axiomática como parecia a Descarte.
Mas Descartes não se limita a provar a existência do eu, do mundo interior. Vai mais longe nas suas afirmações. Demonstra a existência, que pressupõem um ser perfeito, e pela própria idéia da perfeição, que não pode ter por causa senão o próprio ser perfeito. Demais, segundo ele, dizer que uma perfeição absoluta(DEUS) não existe é afirmar uma perfeição imperfeita(visto que a idéia da perfeição contém já a da existência), é portanto incorrer numa pura contradição.
Demonstrada a existência do eu e de DEUS, falta demonstrar a existência do mundo. É o que faz Descartes valendo-se da própria verdade da existência de DEUS. O mundo exterior pode ser um sonho. Mas se eu creio em DEUS e num Deus de bondade perfeita, deverei crer em alguma coisa fora de mim por que DEUS, que não pode enganar-se nem enganar-me, me fez ver o mundo exterior, é porque o mundo exterior existe.
A influencia de Descartes foi enorme, mas foi sobretudo pelo método preconizado que Descartes exerceu a maior e mais duradoura ação sobre o pensamento moderno. Esse método pode resumir-se assim: não aceitar como verdade senão o que é evidente; aceitar por verdadeiro tudo o que é evidente. De maneira que o nosso dever, quando não concebemos uma coisa com bastante clareza e distinção, é abstermo-nos de emitir qualquer juízo.
Descartes aconselha também que não se generalize muito depressa; que se conduza ordenadamente os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer; que não nos deixemos iludir pelas palavras e vejamos sempre sob cada palavra a sua significação real e precisa. Favorecendo a livre procura, autônomo, individual, desdenhoso de toda a autoridade, o método cartesiano tornou-se, programa, uma divisa e como uma bandeira para toda a filosofia moderna.
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