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Informativo Sul Leite


Manejo

Animais sem estresse maximizam resultados da

atividade

Os estabelecimentos, Estância do Passo Comprido, Agropecuária Pontal, Estância dos Provedores e Estância Albardão foram brindados pela empresa Merial com uma palestra-treinamento do médico veterinário, Mozart Farias, que ainda no mês de maio veio falar sobre Bem Estar Animal. "Essa empresa como fornecedora de produtos veterinários, nos proporciona treinamentos, atualizando neste caso, a melhor maneira de trabalharmos com indivíduo principal da atividade: o bovino, independente de sua aptidão", explica Leandro Hackbart, que presta assessoria veterinária às fazendas citadas. O técnico, Mozart Farias evidenciou o manejo e a importância da participação dos peões e capatazes nos treinamentos, já que são eles que mantêm um contato diário com os animais. "Ao entrar em qualquer propriedade, basta analisarmos como os animais reagem à presença do homem, para sabermos como eles são tratados", comenta. "Quantas vezes, durante o ano, trouxemos os animais para a mangueira? 08, 10, 12? O ano tem 365 dias, então porque nestes 12 dias, é preciso fazer o serviço correndo?" Um animal estressado não pode dar resposta adequada a uma vacina, então, o preconizado é um período de descanso antes e após o manejo sanitário, seja ele vacina ou vermífugo. Depois de mostrar vários filmes, o técnico questionou a forma bruta de fazer os animais entrarem nas mangueiras, apontando como primeiro erro, a lotação. "Se há espaço para 10, são colocados 20. Para fazer "a fila andar" começam aparecer os relhos, guizos e cachorros, principalmente nos que estão atrás. Como os da frente vão entender que devem entrar no brete? É preciso dar espaço para o animal se mexer e encontrar o caminho". Como ponto básico, devemos conhecer o comportamento bovino e seu papel na evolução das espécies. Por ser considerado presa, apresenta atos gregários agrupando-se frente ao perigo e por isso enxerga pelas laterais, além de possuir uma audição mais acurada que o ser humano. Distância de Fuga- O gado de campo deve aceitar a nossa chegada a quatro metros dele. Quanto maior essa distancia é porque está mal manejado. O palestrante falou da tendência das novas mangueiras em serem arredondadas e fechadas nas laterais, projetadas com base em estudos da doutora Temple Grandin, uma altista que revolucionou a pecuária descobrindo detalhes da visão animal. "O boi possui um ponto cego nos primeiros 30cm a sua frente, mas uma exímia visão lateral e posterior. A função disso é o medo do predador. O boi tem alguma dificuldade com as cores e tende a enxergar acinzentado e sente-se atrapalhado com o amarelo." Se o bovino escuta melhor que o homem, por que gritamos tanto com o gado? Basta acostumá-lo com "entra boi...entra boi", que acaba dentro da mangueira com tranqüilidade. "Um boi escuta cinco vezes mais que nós e por isso, falando mais baixo, ele entende melhor. Outra coisa: Para que cachorro nas mangueiras? O silêncio é melhor para tocar o gado". Outro ponto bastante enfatizado pelo palestrante foi o ato de aplicar a vacina ou vermífugo. Desde o correto acondicionamento da vacina em temperatura preconizada pelo fabricante, até o correto uso das pistolas, passando pela via e local de aplicação, regulagem e limpeza da pistola, calibre da agulha ajustado a viscosidade do produto. Segundo Mozart, o bem estar não vem só com o trato, mas também com o conforto, incluindo-se principalmente as mangueiras que devem possuir bom piso, sombra e água. "Ainda encontramos propriedades que deixam os terneiros três ou quatro dias sem água durante o desmame"



Bom trato é essencial

Para o veterinário Leandro Hackbart, nos últimos tempos a evolução nos conhecimentos de genética, sanidade e alimentação foi muito rápida, mas de uma maneira geral somos lento para qualificar e reciclar a mão-de-obra rural, temos pouca qualificação para trabalhar com o bovino, por exemplo. "Estamos conversando com empresas e técnicos para tornar esses cursos e treinamentos mais freqüentes. Existe uma infinidade de assuntos para deixar nosso pessoal interado. Além dos funcionários, trouxemos os transportadores, pois o ato de embarcar, transportar e desembarcar os animais, representa um ponto crítico a ser analisado". Ele informou que atualmente no Brasil se perde, em média, 400 gramas de carcaça/animal abatido devido a hematomas e contusões. No caso de bovinos de leite as perdas são incalculáveis quando o animal não é bem tratado e, como é característico da atividade, a resposta vem de imediato com a queda da produção, além de outros problemas concomitantes como mastites, etc. A Cooperativa Sul Leite apoiou este evento, por entender a importância do tema, estando representada pelos técnicos Marcos Pereira e Leonardo Canabarro.


Curso "Nutrição do Gado Leiteiro"

Em maio, todos os produtores foram convidados para participar do curso do Senar sobre nutrição do gado leiteiro, e os interessados que compareceram aproveitaram bem a oportunidade para melhorar o desempenho de sua atividade. A Chácara Palmar, que tem a assessoria técnica de Gustavo Oliveira disponibilizou, mais uma vez, as suas instalações, também aproveitando para aumentar a capacitação de seu quadro funcional. A técnica do Senar, Vet. Ângela Balen destacou alimentação, manejo, condição corporal, peso e altura. Os participantes também puderam observar a silagem, galpões, camas, sala de ordenha ouvindo os comentários da instrutora. Esses cursos prevêem de 12 a 20 participantes para melhor aproveitamento, mas não pode ter um número muito pequeno que inviabilize-os financeiramente, explica Ângela. O foco principal é um balanceamento nutricional. "A gente reforça para o produtor que animais com genética, capacidade produtiva precisam suficiente nutrição para expressar isso, tornando-se eficientes, lucrativos para a propriedade". A seca quebrou a produção ocasionando deficiência na alimentação. E a falta de alimentos em tal situação, segundo Ângela poderá ser resolvida com irrigação e silagem. "Estamos vendo, num futuro próximo, a necessidade do produtor trabalhar com irrigação. Pastagem não requer alagamento, mas irrigação por asperção". Depois de plantado e colhido, o alimento requer alguns cuidados para melhor aproveitamento. Ângela diz que a quantidade, frequência, conservação, corte, preparação influem nesse sentido, pois o alimento pode produzir doenças, alguns fungos, toxinas que causam intoxicação e podem provocar até a morte. "O produtor tem que ser muito profissional porque a margem de lucro está cada vez mais difícil. Em tempos passados, com menos animais se conseguia melhor lucratividade." Esses cursos trazem informações de órgãos de pesquisas mostrando o que está dando certo em outros lugares com ferramentas que podem ser utilizadas por todos.






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