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Definindo o Norte
"Ser o que somos e tornarmo-nos o
que somos capazes de ser é a única finalidade da vida."
Spinoza
A base da realização pessoal é o auto-conhecimento.
Acreditamos saber quem somos e o que queremos, mas geralmente, temos
mais idéias vagas do que certezas. Embora todos tenhamos
valores, metas e princípios, como base da nossa identidade,
o seu significado e a prioridade entre eles são difusos.
Alguns têm uma visão clara do futuro que desejam para
si. Outros seguem uma rotina cega. E, como dizia o Gato de Alice
no País das Maravilhas, "se você não sabe
aonde ir, qualquer caminho serve". Ter valores e metas claras
esclarece as nossas escolhas, dá sentido e direção
às nossas ações e permite avaliar nosso progresso.
Sem um Norte claro não há progresso, a vida não
tem sentido, é vazia, ou, no mínimo, vaga.
Definindo seus Valores
"Não há nada que dê
tanto senso de direção à vida de uma pessoa
quanto um sólido conjunto de princípios." Ralph
Waldo Emerson
Os valores de uma pessoa são a bússola
da sua vida. São as suas maiores prioridades. Isto é,
deveriam vir sempre em primeiro lugar. O problema é que damos
valor a muitas coisas. Assim, várias situações
ao longo da vida nos colocam em conflito. Para evitar o bloqueio
diante destes conflitos é fundamental conhecer nossos valores
mais fundamentais e a prioridade entre eles.
Em momentos críticos nossos valores fundamentais aparecem
mais nitidamente. Porém, a maioria das pessoas passa pela
vida sem se defrontar com crises. Muitos até fogem delas
e as evitam, vivem afundados numa rotina que acaba por afastá-los
de realizar aquilo que mais valorizam. Por exemplo, dificilmente,
arriscaríamos a nossa vida numa situação de
perigo por uma soma em dinheiro, por elevada que fosse. Mas a grande
maioria das pessoas não hesitaria em enfrentar a mesma situação
para salvar um filho menor. Isto é, o amor paterno, para
a maioria das pessoas é um valor maior do que a estabilidade
financeira. Mas, no dia a dia, estas prioridades não são
tão claras. A mesma pessoa é capaz de chegar em casa
após 10 horas de trabalho e, diante do cansaço, deixar
de dar atenção ao mesmo filho que não hesitaria
em morrer para salvar. Sem pensar sobre nossos valores, dia a dia
nos afastamos de nós mesmos e daquilo que mais prezamos na
vida. Sem formular e perseguir metas que dêem uma expressão
concreta a esses valores, consumimos nossas vidas em trivialidades.
A noção de valor parece ter três origens distintas.
De um lado, temos o conceito normativo de valor como dever de agir
de uma determinada forma. De outro, uma noção de valor
associado ao resultado esperado. Uma terceira noção,
valoriza as ações e sentimentos por representarem
uma virtude.
A origem das obrigações e deveres está no passado.
Deve-se agir de uma determinada maneira em função
de um compromisso assumido anteriormente. Este compromisso pode
se traduzir numa promessa explícita, mas, de qualquer forma,
está implícito nos papéis sociais que assumimos.
Cumprir com esses deveres assumidos voluntariamente agrega valor
à vida da pessoa.
Já a noção de valor associada a resultado está
voltada para o futuro. Este resultado se materializa na realização
de metas e é medido pelo grau de felicidade ou satisfação
pessoal, envolvendo não só o prazer da conquista,
mas também a satisfação da busca, da auto-superação
de enfrentar desafios.
A terceira noção do valor de uma ação
é a medida em que ela representa uma virtude. Virtude seria
uma força interior do caráter, consistindo na consciência
do "Bem" e na conduta definida pela vontade, quando guiada
por esta consciência. Esta noção de valor baseada
em virtudes está enraizada no presente, na medida em que
a virtude se manifesta pela própria ação e
sua intenção. Nas palavras de André Comte-Sponville
"virtude é uma força que age, ou que pode agir".
Virtude é a excelência que se manifesta na e pela ação.
É a própria vivência da essência do "ser"
e da excelência própria do homem. Virtude, dizia Aristóteles,
é o que somos e o que podemos fazer, mas porque assim nos
tornamos. É o esforço para fazer o bem que define
o bem neste próprio esforço.
É muito importante refletir sobre valores. E a melhor forma
de fazer isto é descrevê-los por escrito. Ao descrever
seus valores use sentenças afirmativas, que digam respeito
a ações e atitudes pelas quais você se sentiria
vivendo aquele valor, mesmo que essas afirmações soem
falsas a princípio. Ao lê-las, você se sentirá
mais motivado a torná-las verdadeiras. A auto-sugestão
consciente funciona. Ter a descrição dos seus valores
à mão tem o efeito de mantê-lo em sintonia com
suas maiores prioridades.
Não necessariamente todos os nossos valores são coisas
que já alcançamos. É difícil ser tão
perfeito assim. Descrevendo-os é que nos esforçamos
para alcançá-los. Tê-los à mão,
relê-los e revisá-los nos ajuda a refletir sobre a
verdade de nossos valores e aprimorá-los constantemente,
buscando sempre fazer as coisas que nos tornarão, dia-a-dia,
pessoas melhores e mais próximas de nossos ideais. E isso
começa pela definição de metas.
Nosso entendimento sobre os nossos valores e a prioridade entre
eles mudam ao longo da vida. Assim, é importante revisá-los
pelo menos uma vez por ano.
Definindo sua Missão Uma forma alternativa e complementar
para esclarecer a sua visão de si mesmo é através
da formulação de uma Declaração de Missão.
Ao invés de enunciar valores, a Declaração
de Missão tem a forma de um texto motivador e inspirador.
O planejamento estratégico de uma empresa começa pela
identificação da sua missão. Porque ela existe?
Qual sua finalidade? Da mesma forma, podemos descrever nossa missão
como indivíduos. Não se trata de fazer coisas grandiosas.
Mas cada um de nós é único. Cada um de nós
deseja perseguir a sua visão original. Como disse Vartan
Gregorian, "o universo nunca verá alguém como
você de novo por toda a história da criação".
Cada um de nós tem uma maneira única e original de
ver o mundo e a vida. E a originalidade sempre busca expressão.
Nossa contribuição é única, e portanto,
nossa missão é única.
"Mesmo o mais fraco dentre nós possui um dom, embora
aparentemente trivial, que lhe é peculiar, o qual se usado
com um senso de valor, será também um dom para o seu
povo."
Ruskin
O que dá sentido à sua vida? Como você se vê
realizando e vivendo este sentido? A resposta a estas questões
é a sua Missão Pessoal. Sua Declaração
de Missão é um texto que motiva e empolga. Toca mais
o lado emocional do que os valores, que dizem respeito ao lado racional.
Entretanto, ambos devem ser coerentes. Para muitas pessoas é
mais difícil chegar a uma boa declaração de
missão do que descrever os seus valores.
Algumas pessoas, por timidez, acham que enunciar sua visão
é falta de humildade ou expressão de arrogância.
Outras o fazem como que para satisfazer uma exigência externa.
O resultado é uma série de lugares-comuns, uma tarefa
que foi completada, palavras apenas. De fato, o que ocorre é
que ambas não conseguem ou não querem entrar em contato
consigo mesmas, não dão força ao seu próprio
self.
A maioria das pessoas não pensa que tenha uma missão
na vida. Quando param para pensar sobre isso, deparam-se com desejos
vagos, difusos e fugidios. Hesitam quanto à autenticidade
de sua visão: se é sua ou lhe foi imposta de forma
explícita ou sutil. Sentem-se perdidas diante de tantas opções,
de tanta diversidade. Querem, mas não querem, entram em conflitos
internos. Mas é justamente este o processo. Uma declaração
de missão nunca é uma obra acabada. Ter a sua Declaração
de Missão consigo e relê-la, de vez em quando, tem
o efeito de mantê-lo inspirado e comprometido com seus ideais.
A depuração da sua declaração de missão
é a própria expressão do seu processo de crescimento
e auto-conhecimento.
(fonte: PowerSelf
- www.powerself.com.br)
Que Deus abençoe a todos!!!
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