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25/07/2001

Fernanda Paredes – [email protected]

 SEMPRE VOCÊ

Para um amor que não sai de dentro da gente!!!

 Mais uma vez lhe escrevo e 

Desta vez em forma de carta

Meio diferente, não sei porque,

Mas de mesmos dizeres,

Só querendo ser amor;

Tudo o que deveria saber,

O que o destino fez acontecer

E não quisemos conter.

Duvido que ela chegue,

Duvido que eu envie,

Duvido que você leia,

Duvido que entenda,

Mas sei que se recorda.

“Para você pode não ser nada,

enquanto para o outro é tudo...”

Não consigo lhe esquecer.

(Um início comum, não !?)

Sempre tentei, não minto,

E você sabe, e você quis,

E fez o mesmo,

Mas fui infeliz...

Porque você invadiu minha vida

E me fez ver as mais belas estrelas

E depois amanheceu?

Porque você me deu o doce mais doce

E depois o amargor sem cor?

Porque apresentou meu corpo

A cada curva de teu corpo

E depois só lembrança restou?

Porque me mostrou a delícia do beijo molhado

E depois deixou-me com sede?

Não entendo porque você se foi,

Se sei que era bom...

Nossa união era pra mim

Como se o universo

Estivesse em meu ventre

E eu fosse explodir...

Só de te olhar, observar,

Eu parava em outra dimensão;

Eu me sentia uma rainha

Ao ser cortejada sem pudor,

Ou com leves beijos nos pés,

Ou mesmo quando

Quase parei do outro lado do sofá;

Ou até quando nos amamos

Em meio a carros invisíveis...

Eu juro, tentei e quis te esquecer

Mas não preciso nem te ver

Para a saudade voltar

E o coração se entregar.

Você pode me pensar menina tola

Mas quem você beijou ou amou

Não foi só menina, foi mulher de você.

Apesar de tudo e todos

Conspirarem contra nós

Não conseguirei jamais te esquecer.

Você foi convidado especial

No palco da minha vida,

Mas hoje a cortina fechou,

O show acabou,

E continuo na platéia

Sem entender o que aconteceu.

Será que dormi no final?

Me acostumei com você,

Aprendi que seus “tchaus”

Não eram “até amanhã”

Mas nunca duravam um mês...

Só que o último

Está com cara de adeus.

Você veio ver-me

E eu estava presa,

Não acreditou,

Não voltou...

Agora fico sozinha,

Porque ninguém é você.

Às vezes quero te ligar

E sem coragem perco a vontade

Que teima em voltar todo dia

Pedindo você,

E eu digo:

Ele foi embora!

E ela responde:

Mas eu quero!

Duvido que lhe entregue

Essa palavras

Nunca d’antes pronunciadas

Porque são só pra nós,

Mas se chegar a tê-las em mãos,

Não ria, não chore,

Somente se lembre

Que quando o mundo te machucar

Você tem onde cair,

Ou mesmo se quiser só falar,

Há alguém para te escutar,

Até se estiver só

Lembre-se que existe outra só

Que quer muito estar junto

De você.

 

Não era para ser uma carta de amor

Mas foi tudo o que pude sentir

E escorreu pelas minhas mãos

Pela caneta até o papel

Pela noite até você!


16/06/2001

Soneto do amor tão sonhado.


Você é livre com seus pensamentos.
A poesia que guarda em teu coração.
Vem do teu ser mais humano e transparente.
Puro e apaixonado, sem igual.
Vangloriar em seu coração estas palavras ricas.
Usar tua voz e gritar pra todo mundo ouvir de seu amor.
Resplandecer as tuas virtudes de poesia de vida.
E ver de teu ser, as alegrias e desejos, em sentimentos.
Fraternizar toda sua emoção com prazer.
Satisfazer tua alma em voz alta e saber.
Ir onde só as tuas palavras alcançam.
Harmonizar com sua canção, teus prazeres de amar.
Arborescer tua arvore da vida.
Acreditar sem restringir-se do seu limite.
E florescer como de seu campo belo.
Reagir em tua alma a difícil arte de amar.
Arte esta que a natureza cria desde sua meninice.
Ainda inocente e serena como de sua virgindade.
Amor de brilho intenso, que para tanto significa.
Uma viagem que faremos neste sonho místico.
E sua sombra é que nos refresca.
Pensar que um dia ouve distância, por ser desconhecido.
Mas os sonhos nos preparam e nos guia por caminhos.
Livre com seus pensamentos.
Puro por ser desconhecido e belo por sua existência.
Foram estes sonhos que me fizeram crescer.
Tão belo que canta e encanta toda sua fé.
Os ventos que nos trazem e refrescam o calor da luz.
Proferido em seu olhar até o gosto de sua boca.
E o desejo de seu corpo em banho de paixão.
E acreditar que a solidão é profana e egoísta.
Mesmo que seja para ser livre em seus pensamentos.
Passar a acreditar que vem de uma força santa.
E é quase santo o nosso amor, e existe verdade.
E que seja dito o tempo todo, ao quanto nos amamos.


Alberto Gomes.01/02/2001


16/06/2001             

Cara Janete, 

Em anexo vai uma crônica e um conto de minha autoria.

Nome do Conto: A Fragilidade Política

Nome da Crônica: Monólogo do Querer

 Obrigado -  Rodrigo Lóssio

Monólogo do querer

 Rodrigo Lóssio (crônica)

Queria eu ter uma máquina do tempo. Queria eu estar em todos os principais marcos da história. Queria eu compartilhar gritos de vitória e até mágoas da derrota. Queria eu lutar por um mundo mais justo. Queria eu estar em todos lugares e momentos ao mesmo tempo.

Queria eu estar lutando pelos índios quando homens de pele branca invadiram o Brasil. Queria eu ser revolucionário, lutar pela República como Tiradentes assim o fez. Queria eu ver Getúlio agonizando após ter se suicidado. Queria eu avisar Santos Dumont sobre o uso dos aviões em guerras. Queria eu pintar minha cara e lutar pelas diretas. Queria eu estar junto ao carro de Senna, tendo o orgulho de segurar a bandeira brasileira na vitória.

Queria eu avisar Einstein sobre os fins da bomba atômica. Queria eu poder evitar o Holocausto, depondo Hitler do poder. Queria eu ver as caras dos americanos após o Vietnã. Queria eu ajudar Mandela a combater o apartheid na África do Sul. Queria eu destruir o muro de Berlim com marretas e picaretas.

Queria eu ser o primeiro astronauta a ver a Terra da Lua. Queria eu estar no poder da ONU quando decidiram retirar palestinos e assentar judeus na Terra Santa, evitando o conflito. Queria eu impedir Talibãs destruírem estátuas milenares no Afeganistão. Queria eu apaziguar guerrilhas na Colômbia.

Queria eu, queria eu. Como queria. Querer é fácil, poder é difícil. Mas faz parte da vida, faz parte da minha história. Queria eu ter uma máquina do tempo para desvendar novas histórias.


16/06/2001

 

É certo que escrevo minhas poesias, mas me dedico mais a construção de textos reflexivos.

 

A pergunta que não quer calar

 

Por que político tem que ser desonesto ?

 

Por que advogado tem que ser omisso ?

 

Por que cabeleireiro tem que ser gay ?

 

Por que policial tem que ser corrupto ?

 

Por que preto tem que ser ladrão ?

 

Por que pobre tem que ser ignorante ?

 

Por que criança tem que ser teimosa ?

 

Por que adolescente tem que pensar que sabe das coisas ?

 

Por que idoso tem que ser imprestável ?

 

Por que roqueiro tem que ser drogado ?

 

Por que mulher bonita tem que ser burra ?

 

Por que índio tem que ser folclore ?

 

Por que estrangeiro tem sempre razão ?

A idéia preconcebida ou o estereótipo associado a esses personagens do nosso cotidiano e da sociedade criam uma vocação institucionalizada onde o protagonista das indesejáveis comparações sem saber porque já tem que esperar do público desprezo e desgosto independentemente do seu talento e de seu passado.

RODRIGO BENTES DINIZ


05/06/2001


Fantasmas


As palavras que calei gritam à noite,
Quando vejo apenas minha escuridão
E mergulho no vermelho de meu sangue
Me afogando em minha própria solidão.

-Anjo, Anjo meu, perdoa-me,
Se eu falasse, nem sequer me ouvirias,
Se me ouvisses, sei que não me entenderias.

Os olhares que neguei cegam-me à noite,
Quando tento não te ver, e tu me assombras.
Entre brumas, me estendes tuas mãos
Mas se tento alcançá-las, te alongas...

-Anjo, Anjo meu, perdoa-me,
os olhares que ousei lançar às trevas
Me corroem, como as ondas sobre as pedras.

As risadas que não dei choram à noite,
E no acre da saliva que degusto
elas morrem, e seus ecos repercutem
Nas paredes glaciais do quarto fusco.

-Anjo, Anjo meu, perdoa-me,
Os afagos que esmaguei entre meus dedos,
E os sorrisos, e os olhares, e as palavras,
Sepultei-os, sob a laje de meus medos.

Obs. Esta poesia tem seus direitos autorais assegurados,tendo sido publicada
em uma coletânea de minha cidade, e anteriormente, foi classificada em segundo
lugar em um concurso literário de Petrópolis.

Ana Bailune

http://www.petronline.com.br


08/05/2001

Posições ) Janelas e Luas

 

Em cada noite , último desejo

descobrir um motivo razoável ,

para acordar amanhã .

Poço sem fundo , janela com trinco .

 

Por favor, não me impurre de volta

ao sem volta , de mim

Vou consumindo as horas , dos dias

como se fossem cigarros .

Fuma , esmaga ponta , joga fora .

 

Sem entender , mal de amor

sem conseguir chorar , sinistros sinais .

Tanto frio , te procuro em outros corpos , enganos .

 

Só mais um engano , improvável encontro .

motivos razoáveis , razão de vida .

Molhar plantas , jogar fora jornais

tirar pó de livros , arrumar discos

olhar paredes , ouvir Jobim .

 

Nada vale a pena , lua minguante

só me resta , puxar as cobertas

cobrir a cabeça , apagar a luz

Mergulhar ... tesouros ...

Gritar , procurar outra vez

no mais escondido do meu corpo ,

teu cheiro , eu insana .

 

Reinventar no breu , delírios

teu corpo moço de homem ,

apertado contra o meu , corpo mulher .

 

Desculpe , mas foi só mais um engano .

quem garante ? quem se importa ?

Eu , lágrimas escassas ... janela acorrentada .

Alta noite , já se ia .. menina ) mulher .

 

Dentro da noite morna , perdida

lua crescente , furando meu corpo .

Vapor espesso , se desenha , forma informe

em sonhos ... clarão da lua .

 

Estrelas cadentes , desejo eterno

seu cheiro , seu suor .

Adocicado , Damas-da-Noite

 

Cheiro misturado , te reconheço

flores , suor , luta de facas ...

Eu , entrando em sonhos , janela semi-aberta

em busca de você , mesmo ritmo .

 

Meu corpo vindo , peito nú

nem sei mais de onde venho , talvez algum atalho

Razão pra te encontrar , inútil preocupação

noite escura , luta ) repouso , nosso ritmo .

 

Brilho das facas , no breu

apenas o brilho do aço , amargura

rasgando meu peito , sem proteção

na noite escura à procura , de você .

 

Amor brilhando , correndo

tanto quanto as facas na escuridão .

Eu desarmada , coração aberto

latejando , armadura

 

Dentro , tudo nítido

pernas e braços , capoeira veloz .

ritmo de dança , cheiro de nosso suor

Vapor da noite , faca cintilando forte ,

talhando minha planta nua ,

meu pé , nossa dança improvável .

 

Não houve dor , não gritei

na hora do aço , amorteci .

Roupas velhas , aborto de papéis .

damas-da-noite derramadas , odores

doce demais , enjoativo demais .

 

Sem naúsea , escuro em meus olhos

vapores da noite , nenhuma dor mora .

Esfriando sensações , dentro e fora

meu corpo sangrando , meu quarto .

 

Vermelho lindo , lento

sangue escorrendo , amor

espinho de dentro , de mim .

 

Quem sabe assim , consigo

decifrar seus caminhos , minha artéria aorta .

Facas de neon e estrelas , me guiam

busca eterna , minhas noites infinitas .

 

Neblina tinta , carbono carmim

talho aberto , meu peito lavado

sangue , solto louco ... em mim .

 

Dentro Perto Fundo

sangue jorrando , desejo recente

pedido-cadente , amor antigo .

 

Meu desejo mais íntimo ,

tua mão num contato morno .

Tocando meu corpo

num único eterno gesto

desejo simples , me conceda .

 

Secreto misterio , intenso

sonhos , minha lua quase cheia .

Carícia Amante , eu ,

disposta a qualquer coisa

tempo todo , tempo escasso , delírios .

 

Me perco , me vejo

viro poetisa ou poeira .

Nada ou tudo , meu amor

alimento d,alma carnal .

Intensidade debutante

menina , quinza anos .

 

Sem roupa , deitar ao seu lado

abraços com força , beijos na boca .

Coisas loucas , confissões ,

nossos corpos , confusos .

 

Chegue bem perto , de mim

me olhe , me toque .

Diga qualquer coisa , ou não diga nada

mas , chegue mais perto , diremos tudo .

Vamos declamando as poeiras de nossas poesias

palavras ao vento , janelas abertas .

 

Sua mão , fervente , lua repleta

junto ao meu corpo , fato consumado .

Cabelos desgrenhados , vozes baixas

nós , tudo e nada .

 

Névoa calmante , noite cheia

motivo encontrado , amanhã

Acordar ao seu lado , suspiros profundos

voar sobre os telhados , atravessar ruas

infinitas loucuras , nós dois

consumidos um pelo outro

 

Românce Platônico , oxigênio me invade

acendo um cigarro , olhos , nos olhos seus

Cinzas pela janela , escancarada

 

Daniela Resch


Urbanos sentimentos

 

Subo e desça a rua Augusta ,

sábado à tarde , como se tanto fizesse

dobrar a à esquina ou à direita ,

seguir em frente ou voltar atrás .

 

Pelos óculos escuros

e o rosto um tanto amassado

quem olhasse perceberia que

dormi mal ou demais ,

bebi na noite anterior ,

acabei de chorar ...

ou qualquer coisa assim .

 

Mãos nos bolsos , unhas roídas

ansiedade .. saudades

olhos .. para baixo ,

sem medo de tropeçar nos solavancos ..

frequentes das calçadas ...

 

As solas de borracha

amoldam-se com certa suavidade

ás irregularidades do cimento ..

cotidiano fresco .

 

Com as pulipas um tanto dilatadas

procuro tesouros perdidos ,

... cimento fresco ...

bilhetes secretos ,

alguma jóia ou objeto

que , mais que valor , guarde

uma história imaginária ou real , de amor .

 

Talvez ... horizontes

entre o emaranhado de edifícios

refletidos nas lentes negras dos óculos

que escondem o brilho ou a intenção , te ver .

 

A ausência total de maquiagem ,

que , nem pensei em disfarçar .

Vou caminhando devagar , olhando as coisas ,

não as pessoas .. além de você ,

que carrego em meu olhar .

 

Meu jeito firme , segurando

a alça da bolsa .. sonhos e buscas

com dinheiro escasso , talão de cheques sem saldo

agenda de poucos compromissos , tickets de metrô

algum livro , de poesia , uma foto de criança

cartão de crédito , vencido , e entradas para

teatro ou show , já usadas ... caminhando lado a lado

aos meus desejos , recordações e lembranças ...

passos incertos e corretos

pegadas no cimento fresco de meu coração .

 

Continuo , com passo decidido

olhando para a frente ,

além do horizonte ,

meus desejos mais secretos ,

nitidez no passo

atrevida falta de artifícios no rosto ,

me sinto livre , deixo apenas pegadas

marcas no caminho , broto

a sensação de liberdade e solidão .

 

Sorrio para você

surpreso ... sem entender

Recebo um riso seu .

Sábado , de repente , alguma razão .

 

Não sei o que falar

um cigarro , talvez , café no Ritz , quem sabe ?

Mãos nos bolsos , apenas distraída .. atraída

convite algum , pergunta .. nenhuma .

 

Sorrisos , encontros inocentes .. sentimentos

terrivelmente urgentes .. n, alma .

Pela vida , no caminho ,

sempre à espera ... de você

 

Desejo mais profundo , te conhecer ..

qualquer esbarrão , cheiro ou expressão .

No mundo , quantas pessoas ,

menos você , esquinas incertas.

 

Algum minuto ou para sempre

tanto faz , alguma razão ou pressão .

estar ao seu lado .... realização

respirando seu ar , palpitação .

 

Sem jeito , abano a mão

abrindo os dedos , continuo a descer ,

rua Augusta

Sorrio pela terceira vez .

 

Passos vagos

Cem metros além de você .

cimento fresco , novas marcas .

Sábados de tardes desertas ,

Augusta , certa .

 

Vou desaparecendo ( nós )

cada qual em seu livre caminho .

Eu e você , os dois ou nenhum de nós .

Cimento novo , projeto de vida .

 

Olhando no futuro minuto

para trás , procurando , quem sabe

algum vestígio , um resto qualquer

um do outro .. pela velha rua deserta .

Pegadas de cimento

já endurecido pela solidão .

 

Sábado à tarde ... perdas , sensações

momentos especias , não ou sim

costumam deixar rastros , já assumidos

sumidos em esquinas de ladeiras súbitas

calçadas maltratadas pelo amor ... .

 

Acima de nós ... nuvens de concreto

densas , esconderijos de você ... meu anjo

Céu de chumbo , próximo segundo

chuva ... rajada ...

lavando ... rasgando .

 

Me acordando

pensamentos .. ou quem sabe

apenas sonhos

te ver passar , novamente .

ou pela primeira vez.

Eu galgando você , entre marcas ,

cicatrizes de amores

eterna saudades .

 

Eu perdida

Pegadas vestígios

de alguma solidão ,cheiro

ou até alguma expressão ...você

tatuado em meu caminho ..

Minha busca interna , eterna .

 

Daniela Resch

16/06/2001

A Fragilidade Política

Rodrigo Lóssio 

A reunião estava conturbada, os presentes estavam exaltados, grupos se formavam para discutir idéias e propor ações. Era um encontro de lideranças de um grande partido político nacional, a UDB (União Democrata Brasileira). A residência, na qual se dava a cúpula, era do líder do partido, estava abarrotada de políticos, figuras da alta sociedade, presidentes de grandes empresas e simpatizantes do partido. O motivo central da reunião era a escolha do candidato à presidência da república.

A fim de iniciar realmente as discussões, o anfitrião, líder do partido, subiu num pequeno palanque e tentou acalmar o ânimo dos mais exaltados. Pediu que todos se dirigissem ao seu auditório particular para então, melhor discutirem e decidirem o candidato do partido.

Com alguns cochichos no ar, todos foram se dirigindo à enorme sala na casa do líder partidário. De pouco em pouco, todos foram se sentando e o silêncio ia pairando. Quando todos estavam acomodados, entrou à sala, o senador Luís Henrique Assis,  presidente do partido e o deputado Leocádio Guimarães, líder do partido e anfitrião do encontro. Se dirigiram ao palanque montado a fim de prosseguir a reunião. O primeiro a dirigir a palavra foi o deputado Leocádio.

– Caros senhores presentes, agradeço a presença de todos em minha casa a fim de discutirmos e elegermos o candidato à presidência de nosso pais. É com muito orgulho que inicio aqui, a nossa cúpula de eleição. Estejam todos a vontade!

Após alguns aplausos se dirigiu ao palanque o senador presidente do partido Luís Henrique.

– Primeiramente eu queria agradecer ao nosso companheiro Leocádio, por ter cedido sua residência para a nossa reunião. Por segundo, queria enfatizar a importância deste encontro. Daqui a algumas horas escolheremos o candidato representante do nosso partido, para ocupar o posto mais importante da política nacional. Peço que todos votem, neste momento, no computador ao lado, o voto é secreto, bastando digitar o código de seu escolhido.

A votação durou em torno de meia hora. Todos estavam ansiosos quanto ao resultado da mesma, visto que muitos dos que votaram, eram pré-candidatos. No momento que se encerrou a votação, o computador foi levado a uma sala, e lá foi feita a apuração dos votos. Depois de alguns minutos já se tinha o resultado.

– Companheiros de partido, já temos o nosso candidato – disse, ofegante, Luís Henrique. – O candidato da UDB para a presidência da república é... o atual senador gaúcho, José Cardoso Magalhães.

O senador gaúcho foi recebido com muitos aplausos e cumprimentos. Fez um discurso breve e eloqüente de agradecimento e disse que honraria a confiança depositada nele. Começaria naquele momento a campanha rumo à presidência do país.

José Cardoso Magalhães, mais conhecido como JCM, começou sua vida política como vereador numa pequena cidade gaúcha. Com o aumento de sua popularidade como vereador, decidiu se candidatar prefeito da pequena cidade e ganhou, com uma vitória esmagadora: 85% da votação foram dele. Sua popularidade ia não só tomando conta da cidade, mas também das cidades vizinhas, sendo visto como um grande político no Rio Grande do Sul.

Mas JCM não estava contente, ele queria mais, era ambicioso. Por indicação de companheiros políticos., decidiu contratar um assessor de marketing político, que o ajudaria a cada vez ficar mais conhecido. Uma pessoa em que ele depositaria total confiança, que lhe daria condições de crescer cada vez mais na política. Neste momento, Magalhães decidiu se mudar para Porto Alegre. Se filiou à UDB, um partido em ascensão após a queda da ditadura militar.

Seu assessor, Francisco Putre, o acompanhou em sua ida à Porto Alegre. Chegou até certo momento a morar junto com a família de JCM. São Chico, como foi apelidado por José, ensinava a seu aluno como se comportar frente a câmeras, a fotografias, em reuniões. Era um verdadeiro anjo da guarda de JCM.

Logo, JCM foi indicado a ser deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, com a ajuda do marketing político de Chico, venceu as eleições como o deputado gaúcho mais votado. Sua popularidade nunca esteve tão alta. Toda hora estava na mídia, divulgando suas obras, suas ações, suas doações sociais.

Descontente com a Câmara Estadual, queria o Congresso Nacional. Fez uma forte campanha não só no Rio Grande do Sul, mas também nos estados vizinhos como Santa Catarina e Paraná. Fez também campanha em São Paulo e no Rio de Janeiro. Conseguiu muitos votos fora do Rio Grande do Sul e se elegeu. O então Senador JCM despontou como uma das maiores lideranças políticas do país. Se aliou ao governo, a ponto de ganhar a confiança do então presidente, Antônio Costa Gomes, mesmo sendo este de um partido com diferente ideologia.

Com aliados políticos fortíssimos, um grande carisma da população nacional, popularidade. JCM, quis mais, ele não queria mais o Congresso Nacional, ele tinha um sonho, comandar o país, ocupar o lugar máximo dentro da hierarquia política. Ele almejava a Presidência Nacional.

Antes de todas suas ações, consultava sempre São Chico. Primeiramente, Francisco achou que JCM deveria esperar um pouco mais, para ganhar mais popularidade, ganhar confiança de eleitores no Norte e Nordeste. Então, por indicação de seu assessor, acompanhou grandes obras no Nordeste e Norte, se aliou a alguns partidários de lá, a um grande coronel senador baiano, ao governador cearense, maranhense e amazonense. Acompanhava todas as ações do governo no Norte e Nordeste. Sua popularidade em todos os cantos do país estava sendo montada. Seus passos eram extremamente cautelosos, evitava escândalos.

Começaram a aparecer seus adversários políticos, visto à sua ascensão política. Mas ele, como bom político (e com um bom assessor), soube lidar com a situação. Sendo imparcial e defensor dos interesses da população (seus futuros votos).

Chegou o momento, era a hora de JCM se candidatar à presidência. A UDB, agora, um grande partido, dá a oportunidade para o gaúcho realizar sua maior ambição, seu maior ideal: a presidência.

Dias após a reunião que apontou José Cardoso como candidato a presidência pela UDB, os líderes do partido, juntamente com JCM, se reuniram para propor metas e estabelecer as bases aliadas. Estavam todos muito confiantes quanto a eleição de JCM.

Mas, a véspera do lançamento oficial de JCM como candidato à presidente, uma fatalidade ocorreu. Seu fiel assessor, companheiro, nestes anos de política, foi cruelmente assassinado. O crime ocorreu na noite anterior, na residência do próprio assessor, a polícia suspeita de tentativa de seqüestro. Um laudo seria divulgado nas horas seguintes.

JCM estava desesperado, amargurado, visivelmente abatido. Viu que perdeu um grande amigo e um grande companheiro, a pessoa que fez ser o que ele é na política. São Chico sabia de todos os detalhes, de todas as artimanhas da política. Era considerado um dos maiores “marketeiros” políticos da atualidade. Não era só o braço direito de JCM, era os pés, as mãos, o corpo, o cérebro de José.

O lançamento oficial de JCM foi adiado. Propuseram para Magalhães, a contratação de um novo assessor político para ele. Ele recusou, estava ainda abatido. O partido decidiu realizar outra reunião, com os líderes e com JCM. Nesta reunião o candidato a presidente já estava mais conformado, e sua ambição já tinha retornado, queria a presidência como nunca.

JCM estava mudado, desorientado, aquele político determinado, populista, estava apagado. Faltando três meses para as eleições nacionais, a popularidade do gaúcho estava caindo, dos 55% iniciais, já estava em 40%. Ninguém sabia o motivo da decrescente popularidade. Os programas políticos de JCM eram fracos. Os discursos inflamados eram raros. Realmente, o grande político gaúcho estava irreconhecível.

Foi então que JCM caiu na real, percebeu que sem os conselhos de São Chico, ele não era nada, sem a fiel ajuda, sem os discursos eloqüentes escritos por Chico, ele era apenas um político dentre outros. JCM não tinha mais seu mentor, seu companheiro. Se tornou frágil.

As eleições chegaram com as pesquisas apontando um empate técnico de JCM e de seu maior rival. A confiança de JCM de ser o próximo presidente já não era aquela do começo de campanha.

E as urnas apontaram Ciro Enéas, o candidato rival de JCM, como o novo presidente da república. JCM era uma farsa, estava acabado. O político ideal, perfeito, não existia, JCM era pré-fabricado.

No dia seguinte, José Cardoso Magalhães foi encontrado morto, em sua cama, com um tiro na cabeça. Suicidou-se. Deixou um bilhete, e nele escrito:

“Não sou o que vocês pensavam que eu era. Também não sou o que eu pensava ser. Só sei de uma certeza, quero ser político no céu, ao lado de São Chico, o meu único santo e protetor...”


08//05/2001

Ópio eterno ...

 

Vida incerta

sombria forma dolorida

algo que falta , o teu lugar ocupa .

 

Na memória

vulto triste , stéril dor

usurpando meus minutos

primitivos caos , eterno incerto .

 

Dor no âmago

decorada por estrelas súbditas

nem maior , nem menor

apenas com intuito natural

dataram o teu lugar , eterno em mim

 

Memórias recolhem

minhas dores , cada vez número maior .

Crente peito , presenças maiores

parceiras da tua forma .

Noite ... dor da humanidade .

 

Improvável ... dúvido .

Meu amor nunca apagar

Supersticiosos , ciências dos Deuses .

 

Podem até enxugar

meu pranto , mas nunca secar .

Buscando ao ópio que consola , seu amor .

Minh,alma doente , são dias só de febre .

 

Vivo por mecanismo

uma engrenagem com volantes falsos .

Visões de um jardim , sem flores .

 

Vou cambaleando , desejos degolados

vida-interior de renda , desastres .

O ópio ) amor , meu oxigênio , Vital .

 

Nervos na forca

toque adormecido da morfina .

Transparências latejantes , estou perdida

aqui sem você .

 

Noite alheia , cheia de brilhantes

angústias próprias , erguem-se

pesadelos , minha cabeça .

Visões , estranheza da Vida .

 

Impressão de ter , você

absurdo fantasmagórico , meu consolo .

Eu consequência Delíro .

 

Tenho febre

escrevo , rangendo os dentes .

Rugindo Estrungindo Ferreando

fazendo-me um excesso de carícias

ao corpo , um copo cheio , numa só

carícia à alma .

 

Oh , engrenagens

forte espasmo , em fúria !!!

Fora e dentro , de mim .

 

Nervos dissecados

eu , sinto ...

lábios secos , grandes ruídos modernos .

Ouço demasiadamente , de perto .

 

Arde-me a cabeça

excesso de expressão ,

minhas sensações .

Ferro Fogo Força

 

Passado e futuro , nem penso .

Presente é todo o passado , todo o futuro .

Pedaços de séculos , êmbolos volantes .

 

Rasgo-me toda

abro-me completamente .

Perfumes e óleos , calores e carvões .

 

Flora estupenda

artifícial e insaciável .

Minha promíscua fúria .

desejos estrênuos , eternos.

 

Minha língua , comospolita , você .

penetra-me triunfante , fisícamente

meu tumulto de sentimentos , disciplinados .

 

Quase-silêncio , rumores .

gestos lúbricos , monótonos de amor .

Horas européias , grandes cidades

existo por dentro .

 

Giro , rodeio , engenho-me

luzes e febris desejos , satisfeitos .

Entusiasmo sorrindo ,

cristalizam nossos gestos , transas infinitas .

 

Vivo todo o passado

dentro do presente .

Todo o futuro já dentro , de mim .

Sou o calor , eletricidade .

 

Sensações em comboios

pela minh,alma dentro .

Sinto-o em mim , como o meu sangue .

Mistério alegre , triste .

quem chega , parte .

 

Doçura dolorosa

memórias doutros momentos .

Vaga busca , náusea .

Olho pro indefinido .

 

Sozinha , ar distante

alma vã do seu fumo .

Vem entrando , me formando , tomando .

 

Olho

aqui , acolá .

Visões arrebatadoras .

Dores , sinto-me

atracando em sentimentos , caos .

 

Grande independência

de alma , memórias .

Minhas angústias , surradas .

trazem aos meus olhos , você .

 

Contenta-me , só isso .

Inconscientemente , misteriosamente .

De repente , angústia recente

duma primeira madrugada , após você .

Névoa de sentimentos , tristeza .

 

Despeço-me desta hora

destino diverso , deuses no Universo .

À vida , aos sentimentos humanos .

complicadamente simples , Tristes .

 

Envolve-me , enternece-me

tranquilamente , vou agora saindo ...

Anunciando ser ... alguém ou algo .

 

Cumpridora duma qualquer

espécie de deveres , indeveres .

O único dever , do ser , de ser ...

amor , no fundo sempre , irá

raiar-se para mim .

Sigo meus caminhos ,

amando-te , ópio eterno

de minha sobrevivência .

 

Daniela Resch


Invensões Desesperadas

 

Um sonho , certa noite

eu e você , entre o amor .

Complicado demais , inevitável compreensão

maneiras tortuosas , trejeitos sem jeitos .

Mas naquele momento dentro do sonho ,

era simples e sublime ... eterno bem querer .

 

Dormir juntos , anestesia da vida .

deitada nua em seu ombro nu também

dormimos apenas , sonho que sonho .

 

Seu rosto próximo , me inundando

guardo contra as pálpebras , tesouro

um por um dos seus traços , fortuna .

 

Manhã seguinte , solitária

nenhum contato , para contar o sonho .

Lavo pratos e copos , noite anterior

folheio jornais , cotidiano sem graça .

 

Andando pelo apartamento , bocejos

metade do corpo dentro do sonho , onde você esteve .

Despisto telefonemas , desmarcando compromissos

algo pela tarde ou pela noite , desculpas ...

 

Só tenho um desejo , inviolável

ficar dentro de mim , qualquer jeito

uma maneira vadia meio à merçe dos pensamentos

Homem dos meus sonhos , desejos sinceros .

 

Morta de saudades , relógio estagnado

quase três da tarde , vou deitar .

Cama ainda morna , solitária

tragos na penumbra interrompida

pelas cintilações da curva da tarde .

Sinto uma falta ...

Indecifrável lacuna sofrivel ,

não de alguém morto ou perdido

para sempre em uma viagem ,

rompimento definitivo , não essa falta .

 

Nem falta , nem saudade

uma coisa parecida e oca

o que sinto às três da tarde ,

fumando no quarto escuro , cotidiano sem graça .

 

Você aqui continua , constante presença

alguma forma ou algum ponto , quem sabe onde ?

Talvez na cama , no quarto , na mente ou espaço .

 

Embalada pelos ruídos da rua ,

durmo até quase sete , sobrevivência .

Entre sonhos onde você não está

eu , perambulando por histórias

que te trazem de volta , imaginação fértil .

 

Desisto , lavo o rosto , coisas banais

posso café , acendo um cigarro .

Chatices da tevê , manias loucas

torno a dormir , loucura incurável .

 

Custa um pouco , cama de faquir

tentação , desesperada , ânsia de lhe ver .

Busca incansável , lembranças ...

Sonho anterior , inesquecivel , atual .

 

Eu nua em seu ombro , colada

em seu rosto , tesouro .

Lembranças a sete chaves

meu baú de palpebrás , iamgens .

 

Budas , Cristos , Oxalas

tentativas , resgates , eterna busca

recordar certo cheiro do sono anterior .

 

Sem artifícios ou proteções

manhã seguinte , vazias

nós duas , despertamos .

Algum dia , esperança

algum lugar , reencontro esperado .

 

Qualquer lugar que seja

mundo paralelo , noutro espaço .

Interfrequência de rádio ou televisão

reflexo do espelho , dentro do peito .

 

Dias seguintes vazios .. fuga inválida

aceitando todos os jantares

cedendo a todos os cinemas ,

shoppings e pizzarias , tentativas de lhe ver .

 

Em vão , você não está

nem aqui , nenhuma pista

fora ou dentro de sonhos

reais , futuros ... próximos

 

Desejo mais profundo , eterno

semanas e semanas , minutos , segundos

tentativas de resgate ... qualquer sinal

algum cheiro ... tênue , quase perverso .

 

Intimidade úmida , te procuro

colônias masculinas , cheiro crú , confusões claras .

Nenhum cheiro seu , desespero profundo

âmago ausente .. breu total

 

Sensações ... à flor da pele .

Ponta da língua , ativa

certo remoto gosto salgado , tremores internos .

Memórias Íntimas ... remoendo

 

Frustações , não lhe vejo , pertubações

volto a deitar em horas absurdas .

Sono .. Sonho ... eternos ... infinitos

 

Todas as noites , pedido , suspiro

um segundo antes de afundar , planos

te encontrar , qualquer região , te percebo

Mente .. mínimo interstício .

 

Qualquer horizonte , além de mim

fímbria do pensamento , funcha da memória

dobra da fantasia , faixa vibratória

Passado Presente Futuro

 

Promessa , vou ao teu encontro

entre anjos e fadas .. sonhos

desejo árduo e louco .. insano .

Vida inteira ... carnal e espiritual

 

Promessas ... Juras ...

tentativas ) loucuras

Cartomantes , Ocunas , Ebós

tudo vale à pena .. sobrevivência carnal

 

Valete de copas ... carta de amor

Peorth ... anuncio de reencontro

Oxum ... rosas amarelas

Juras e Promessas

 

Delirio insone , consolo

eu princesa , você gladiador

eu talvez sereia , mulher-maravilha

pastora e astronauta ...

Palco da vida ... fascinação !!!

 

Realidade árdua , dor incurável

só um cheiro de homem , seu corpo nu

flutuando no escuro de meu corpo , meu quarto .

Quentura de bicho vivo , pulsando , latejando

junto à quentura de meu bicho vivo , mulher imortal

resistindo sempre a ilusão de reencontro , semente da vida .

 

Busca incansável ...

sonhos , realidades , qualquer lugar

Centro da noite , Meio do sonho .. sono esperado

Outro espaço , planeta desconhecido , horas douradas .

Conteúdo de minhas invenções desesperadas .

Daniela Resch

 

 

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