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25/07/2001Fernanda Paredes – [email protected]SEMPRE VOCÊ Para
um amor que não sai de dentro da gente!!! Mais uma vez lhe escrevo e Desta
vez em forma de carta Meio
diferente, não sei porque, Mas
de mesmos dizeres, Só
querendo ser amor; Tudo
o que deveria saber, O
que o destino fez acontecer E
não quisemos conter. Duvido
que ela chegue, Duvido
que eu envie, Duvido
que você leia, Duvido
que entenda, Mas
sei que se recorda. “Para
você pode não ser nada, enquanto
para o outro é tudo...” Não
consigo lhe esquecer. (Um
início comum, não !?) Sempre
tentei, não minto, E
você sabe, e você quis, E
fez o mesmo, Mas
fui infeliz... Porque
você invadiu minha vida E
me fez ver as mais belas estrelas E
depois amanheceu? Porque
você me deu o doce mais doce E
depois o amargor sem cor? Porque
apresentou meu corpo A
cada curva de teu corpo E
depois só lembrança restou? Porque
me mostrou a delícia do beijo molhado E
depois deixou-me com sede? Não
entendo porque você se foi, Se
sei que era bom... Nossa
união era pra mim Como
se o universo Estivesse
em meu ventre E
eu fosse explodir... Só
de te olhar, observar, Eu
parava em outra dimensão; Eu
me sentia uma rainha Ao
ser cortejada sem pudor, Ou
com leves beijos nos pés, Ou
mesmo quando Quase
parei do outro lado do sofá; Ou
até quando nos amamos Em
meio a carros invisíveis... Eu
juro, tentei e quis te esquecer Mas
não preciso nem te ver Para
a saudade voltar E
o coração se entregar. Você
pode me pensar menina tola Mas
quem você beijou ou amou Não
foi só menina, foi mulher de você. Apesar
de tudo e todos Conspirarem
contra nós Não
conseguirei jamais te esquecer. Você
foi convidado especial No
palco da minha vida, Mas
hoje a cortina fechou, O
show acabou, E
continuo na platéia Sem
entender o que aconteceu. Será
que dormi no final? Me
acostumei com você, Aprendi
que seus “tchaus” Não
eram “até amanhã” Mas
nunca duravam um mês... Só
que o último Está
com cara de adeus. Você
veio ver-me E
eu estava presa, Não
acreditou, Não
voltou... Agora
fico sozinha, Porque
ninguém é você. Às
vezes quero te ligar E
sem coragem perco a vontade Que
teima em voltar todo dia Pedindo
você, E
eu digo: Ele
foi embora! E
ela responde: Mas
eu quero! Duvido
que lhe entregue Essa
palavras Nunca
d’antes pronunciadas Porque
são só pra nós, Mas
se chegar a tê-las em mãos, Não
ria, não chore, Somente
se lembre Que
quando o mundo te machucar Você
tem onde cair, Ou
mesmo se quiser só falar, Há
alguém para te escutar, Até
se estiver só Lembre-se
que existe outra só Que
quer muito estar junto De
você. Não
era para ser uma carta de amor Mas
foi tudo o que pude sentir E
escorreu pelas minhas mãos Pela
caneta até o papel Pela noite até você! 16/06/2001 Soneto
do amor tão sonhado. 16/06/2001 Cara
Janete, Em
anexo vai uma crônica e um conto de minha autoria. Nome
do Conto: A Fragilidade Política Nome
da Crônica: Monólogo do Querer Obrigado
- Rodrigo
Lóssio Monólogo
do querer
Rodrigo
Lóssio (crônica) Queria
eu ter uma máquina do tempo. Queria eu estar em todos os principais marcos da
história. Queria eu compartilhar gritos de vitória e até mágoas da derrota.
Queria eu lutar por um mundo mais justo. Queria eu estar em todos lugares e
momentos ao mesmo tempo. Queria
eu estar lutando pelos índios quando homens de pele branca invadiram o
Brasil. Queria eu ser revolucionário, lutar pela República como Tiradentes
assim o fez. Queria eu ver Getúlio agonizando após ter se suicidado. Queria
eu avisar Santos Dumont sobre o uso dos aviões em guerras. Queria eu pintar
minha cara e lutar pelas diretas. Queria eu estar junto ao carro de Senna,
tendo o orgulho de segurar a bandeira brasileira na vitória. Queria
eu avisar Einstein sobre os fins da bomba atômica. Queria eu poder evitar o
Holocausto, depondo Hitler do poder. Queria eu ver as caras dos americanos após
o Vietnã. Queria eu ajudar Mandela a combater o apartheid na África do Sul.
Queria eu destruir o muro de Berlim com marretas e picaretas. Queria
eu ser o primeiro astronauta a ver a Terra da Lua. Queria eu estar no poder da
ONU quando decidiram retirar palestinos e assentar judeus na Terra Santa,
evitando o conflito. Queria eu impedir Talibãs destruírem estátuas
milenares no Afeganistão. Queria eu apaziguar guerrilhas na Colômbia. Queria eu, queria eu. Como queria. Querer é fácil, poder é difícil. Mas faz parte da vida, faz parte da minha história. Queria eu ter uma máquina do tempo para desvendar novas histórias. 16/06/2001
É
certo que escrevo minhas poesias, mas me dedico mais a construção de textos
reflexivos. A
pergunta que não quer calar Por
que político tem que ser desonesto ? Por
que advogado tem que ser omisso ? Por
que cabeleireiro tem que ser gay ? Por
que policial tem que ser corrupto ? Por
que preto tem que ser ladrão ? Por
que pobre tem que ser ignorante ? Por
que criança tem que ser teimosa ? Por
que adolescente tem que pensar que sabe das coisas ? Por
que idoso tem que ser imprestável ? Por
que roqueiro tem que ser drogado ? Por
que mulher bonita tem que ser burra ? Por
que índio tem que ser folclore ? Por que estrangeiro tem sempre razão ? A
idéia preconcebida ou o estereótipo associado a esses personagens do nosso
cotidiano e da sociedade criam uma vocação institucionalizada onde o
protagonista das indesejáveis comparações sem saber porque já tem que
esperar do público desprezo e desgosto independentemente do seu talento e de
seu passado. RODRIGO BENTES DINIZ 05/06/2001
08/05/2001 Posições ) Janelas e Luas
Em cada noite , último desejo descobrir um motivo razoável , para acordar amanhã . Poço sem fundo , janela com trinco .
Por favor, não me impurre de volta ao sem volta , de mim Vou consumindo as horas , dos dias como se fossem cigarros . Fuma , esmaga ponta , joga fora .
Sem entender , mal de amor sem conseguir chorar , sinistros sinais . Tanto frio , te procuro em outros corpos , enganos .
Só mais um engano , improvável encontro . motivos razoáveis , razão de vida . Molhar plantas , jogar fora jornais tirar pó de livros , arrumar discos olhar paredes , ouvir Jobim .
Nada vale a pena , lua minguante só me resta , puxar as cobertas cobrir a cabeça , apagar a luz Mergulhar ... tesouros ... Gritar , procurar outra vez no mais escondido do meu corpo , teu cheiro , eu insana .
Reinventar no breu , delírios teu corpo moço de homem , apertado contra o meu , corpo mulher .
Desculpe , mas foi só mais um engano . quem garante ? quem se importa ? Eu , lágrimas escassas ... janela acorrentada . Alta noite , já se ia .. menina ) mulher .
Dentro da noite morna , perdida lua crescente , furando meu corpo . Vapor espesso , se desenha , forma informe em sonhos ... clarão da lua .
Estrelas cadentes , desejo eterno seu cheiro , seu suor . Adocicado , Damas-da-Noite
Cheiro misturado , te reconheço flores , suor , luta de facas ... Eu , entrando em sonhos , janela semi-aberta em busca de você , mesmo ritmo .
Meu corpo vindo , peito nú nem sei mais de onde venho , talvez algum atalho Razão pra te encontrar , inútil preocupação noite escura , luta ) repouso , nosso ritmo .
Brilho das facas , no breu apenas o brilho do aço , amargura rasgando meu peito , sem proteção na noite escura à procura , de você .
Amor brilhando , correndo tanto quanto as facas na escuridão . Eu desarmada , coração aberto latejando , armadura
Dentro , tudo nítido pernas e braços , capoeira veloz . ritmo de dança , cheiro de nosso suor Vapor da noite , faca cintilando forte , talhando minha planta nua , meu pé , nossa dança improvável .
Não houve dor , não gritei na hora do aço , amorteci . Roupas velhas , aborto de papéis . damas-da-noite derramadas , odores doce demais , enjoativo demais .
Sem naúsea , escuro em meus olhos vapores da noite , nenhuma dor mora . Esfriando sensações , dentro e fora meu corpo sangrando , meu quarto .
Vermelho lindo , lento sangue escorrendo , amor espinho de dentro , de mim .
Quem sabe assim , consigo decifrar seus caminhos , minha artéria aorta . Facas de neon e estrelas , me guiam busca eterna , minhas noites infinitas .
Neblina tinta , carbono carmim talho aberto , meu peito lavado sangue , solto louco ... em mim .
Dentro Perto Fundo sangue jorrando , desejo recente pedido-cadente , amor antigo .
Meu desejo mais íntimo , tua mão num contato morno . Tocando meu corpo num único eterno gesto desejo simples , me conceda .
Secreto misterio , intenso sonhos , minha lua quase cheia . Carícia Amante , eu , disposta a qualquer coisa tempo todo , tempo escasso , delírios .
Me perco , me vejo viro poetisa ou poeira . Nada ou tudo , meu amor alimento d,alma carnal . Intensidade debutante menina , quinza anos .
Sem roupa , deitar ao seu lado abraços com força , beijos na boca . Coisas loucas , confissões , nossos corpos , confusos .
Chegue bem perto , de mim me olhe , me toque . Diga qualquer coisa , ou não diga nada mas , chegue mais perto , diremos tudo . Vamos declamando as poeiras de nossas poesias palavras ao vento , janelas abertas .
Sua mão , fervente , lua repleta junto ao meu corpo , fato consumado . Cabelos desgrenhados , vozes baixas nós , tudo e nada .
Névoa calmante , noite cheia motivo encontrado , amanhã Acordar ao seu lado , suspiros profundos voar sobre os telhados , atravessar ruas infinitas loucuras , nós dois consumidos um pelo outro
Românce Platônico , oxigênio me invade acendo um cigarro , olhos , nos olhos seus Cinzas pela janela , escancarada
Daniela Resch Urbanos sentimentos
Subo e desça a rua Augusta , sábado à tarde , como se tanto fizesse dobrar a à esquina ou à direita , seguir em frente ou voltar atrás .
Pelos óculos escuros e o rosto um tanto amassado quem olhasse perceberia que dormi mal ou demais , bebi na noite anterior , acabei de chorar ... ou qualquer coisa assim .
Mãos nos bolsos , unhas roídas ansiedade .. saudades olhos .. para baixo , sem medo de tropeçar nos solavancos .. frequentes das calçadas ...
As solas de borracha amoldam-se com certa suavidade ás irregularidades do cimento .. cotidiano fresco .
Com as pulipas um tanto dilatadas procuro tesouros perdidos , ... cimento fresco ... bilhetes secretos , alguma jóia ou objeto que , mais que valor , guarde uma história imaginária ou real , de amor .
Talvez ... horizontes entre o emaranhado de edifícios refletidos nas lentes negras dos óculos que escondem o brilho ou a intenção , te ver .
A ausência total de maquiagem , que , nem pensei em disfarçar . Vou caminhando devagar , olhando as coisas , não as pessoas .. além de você , que carrego em meu olhar .
Meu jeito firme , segurando a alça da bolsa .. sonhos e buscas com dinheiro escasso , talão de cheques sem saldo agenda de poucos compromissos , tickets de metrô algum livro , de poesia , uma foto de criança cartão de crédito , vencido , e entradas para teatro ou show , já usadas ... caminhando lado a lado aos meus desejos , recordações e lembranças ... passos incertos e corretos pegadas no cimento fresco de meu coração .
Continuo , com passo decidido olhando para a frente , além do horizonte , meus desejos mais secretos , nitidez no passo atrevida falta de artifícios no rosto , me sinto livre , deixo apenas pegadas marcas no caminho , broto a sensação de liberdade e solidão .
Sorrio para você surpreso ... sem entender Recebo um riso seu . Sábado , de repente , alguma razão .
Não sei o que falar um cigarro , talvez , café no Ritz , quem sabe ? Mãos nos bolsos , apenas distraída .. atraída convite algum , pergunta .. nenhuma .
Sorrisos , encontros inocentes .. sentimentos terrivelmente urgentes .. n, alma . Pela vida , no caminho , sempre à espera ... de você
Desejo mais profundo , te conhecer .. qualquer esbarrão , cheiro ou expressão . No mundo , quantas pessoas , menos você , esquinas incertas.
Algum minuto ou para sempre tanto faz , alguma razão ou pressão . estar ao seu lado .... realização respirando seu ar , palpitação .
Sem jeito , abano a mão abrindo os dedos , continuo a descer , rua Augusta Sorrio pela terceira vez .
Passos vagos Cem metros além de você . cimento fresco , novas marcas . Sábados de tardes desertas , Augusta , certa .
Vou desaparecendo ( nós ) cada qual em seu livre caminho . Eu e você , os dois ou nenhum de nós . Cimento novo , projeto de vida .
Olhando no futuro minuto para trás , procurando , quem sabe algum vestígio , um resto qualquer um do outro .. pela velha rua deserta . Pegadas de cimento já endurecido pela solidão .
Sábado à tarde ... perdas , sensações momentos especias , não ou sim costumam deixar rastros , já assumidos sumidos em esquinas de ladeiras súbitas calçadas maltratadas pelo amor ... .
Acima de nós ... nuvens de concreto densas , esconderijos de você ... meu anjo Céu de chumbo , próximo segundo chuva ... rajada ... lavando ... rasgando .
Me acordando pensamentos .. ou quem sabe apenas sonhos te ver passar , novamente . ou pela primeira vez. Eu galgando você , entre marcas , cicatrizes de amores eterna saudades .
Eu perdida Pegadas vestígios de alguma solidão ,cheiro ou até alguma expressão ...você tatuado em meu caminho .. Minha busca interna , eterna .
Daniela Resch |
16/06/2001 A
Fragilidade Política
Rodrigo
Lóssio
A reunião estava conturbada, os presentes estavam exaltados, grupos se formavam para discutir idéias e propor ações. Era um encontro de lideranças de um grande partido político nacional, a UDB (União Democrata Brasileira). A residência, na qual se dava a cúpula, era do líder do partido, estava abarrotada de políticos, figuras da alta sociedade, presidentes de grandes empresas e simpatizantes do partido. O motivo central da reunião era a escolha do candidato à presidência da república. A
fim de iniciar realmente as discussões, o anfitrião, líder do
partido, subiu num pequeno palanque e tentou acalmar o ânimo dos mais
exaltados. Pediu que todos se dirigissem ao seu auditório particular
para então, melhor discutirem e decidirem o candidato do partido. Com
alguns cochichos no ar, todos foram se dirigindo à enorme sala na casa
do líder partidário. De pouco em pouco, todos foram se sentando e o
silêncio ia pairando. Quando todos estavam acomodados, entrou à sala,
o senador Luís Henrique Assis, presidente
do partido e o deputado Leocádio Guimarães, líder do partido e
anfitrião do encontro. Se dirigiram ao palanque montado a fim de
prosseguir a reunião. O primeiro a dirigir a palavra foi o deputado
Leocádio. –
Caros senhores presentes, agradeço a presença de todos em minha casa a
fim de discutirmos e elegermos o candidato à presidência de nosso
pais. É com muito orgulho que inicio aqui, a nossa cúpula de eleição.
Estejam todos a vontade! Após
alguns aplausos se dirigiu ao palanque o senador presidente do partido
Luís Henrique. –
Primeiramente eu queria agradecer ao nosso companheiro Leocádio, por
ter cedido sua residência para a nossa reunião. Por segundo, queria
enfatizar a importância deste encontro. Daqui a algumas horas
escolheremos o candidato representante do nosso partido, para ocupar o
posto mais importante da política nacional. Peço que todos votem,
neste momento, no computador ao lado, o voto é secreto, bastando
digitar o código de seu escolhido. A
votação durou em torno de meia hora. Todos estavam ansiosos quanto ao
resultado da mesma, visto que muitos dos que votaram, eram pré-candidatos.
No momento que se encerrou a votação, o computador foi levado a uma
sala, e lá foi feita a apuração dos votos. Depois de alguns minutos já
se tinha o resultado. –
Companheiros de partido, já temos o nosso candidato – disse,
ofegante, Luís Henrique. – O candidato da UDB para a presidência da
república é... o atual senador gaúcho, José Cardoso Magalhães. O
senador gaúcho foi recebido com muitos aplausos e cumprimentos. Fez um
discurso breve e eloqüente de agradecimento e disse que honraria a
confiança depositada nele. Começaria naquele momento a campanha rumo
à presidência do país. José
Cardoso Magalhães, mais conhecido como JCM, começou sua vida política
como vereador numa pequena cidade gaúcha. Com o aumento de sua
popularidade como vereador, decidiu se candidatar prefeito da pequena
cidade e ganhou, com uma vitória esmagadora: 85% da votação foram
dele. Sua popularidade ia não só tomando conta da cidade, mas também
das cidades vizinhas, sendo visto como um grande político no Rio Grande
do Sul. Mas
JCM não estava contente, ele queria mais, era ambicioso. Por indicação
de companheiros políticos., decidiu contratar um assessor de marketing
político, que o ajudaria a cada vez ficar mais conhecido. Uma pessoa em
que ele depositaria total confiança, que lhe daria condições de
crescer cada vez mais na política. Neste momento, Magalhães decidiu se
mudar para Porto Alegre. Se filiou à UDB, um partido em ascensão após
a queda da ditadura militar. Seu
assessor, Francisco Putre, o acompanhou em sua ida à Porto Alegre.
Chegou até certo momento a morar junto com a família de JCM. São
Chico, como foi apelidado por José, ensinava a seu aluno como se
comportar frente a câmeras, a fotografias, em reuniões. Era um
verdadeiro anjo da guarda de JCM. Logo,
JCM foi indicado a ser deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, com a
ajuda do marketing político de Chico, venceu as eleições como o
deputado gaúcho mais votado. Sua popularidade nunca esteve tão alta.
Toda hora estava na mídia, divulgando suas obras, suas ações, suas
doações sociais. Descontente
com a Câmara Estadual, queria o Congresso Nacional. Fez uma forte
campanha não só no Rio Grande do Sul, mas também nos estados vizinhos
como Santa Catarina e Paraná. Fez também campanha em São Paulo e no
Rio de Janeiro. Conseguiu muitos votos fora do Rio Grande do Sul e se
elegeu. O então Senador JCM despontou como uma das maiores lideranças
políticas do país. Se aliou ao governo, a ponto de ganhar a confiança
do então presidente, Antônio Costa Gomes, mesmo sendo este de um
partido com diferente ideologia. Com
aliados políticos fortíssimos, um grande carisma da população
nacional, popularidade. JCM, quis mais, ele não queria mais o Congresso
Nacional, ele tinha um sonho, comandar o país, ocupar o lugar máximo
dentro da hierarquia política. Ele almejava a Presidência Nacional. Antes de todas suas ações, consultava sempre São Chico. Primeiramente, Francisco achou que JCM deveria esperar um pouco mais, para ganhar mais popularidade, ganhar confiança de eleitores no Norte e Nordeste. Então, por indicação de seu assessor, acompanhou grandes obras no Nordeste e Norte, se aliou a alguns partidários de lá, a um grande coronel senador baiano, ao governador cearense, maranhense e amazonense. Acompanhava todas as ações do governo no Norte e Nordeste. Sua popularidade em todos os cantos do país estava sendo montada. Seus passos eram extremamente cautelosos, evitava escândalos. Começaram
a aparecer seus adversários políticos, visto à sua ascensão política.
Mas ele, como bom político (e com um bom assessor), soube lidar com a
situação. Sendo imparcial e defensor dos interesses da população
(seus futuros votos). Chegou
o momento, era a hora de JCM se candidatar à presidência. A UDB,
agora, um grande partido, dá a oportunidade para o gaúcho realizar sua
maior ambição, seu maior ideal: a presidência. Dias
após a reunião que apontou José Cardoso como candidato a presidência
pela UDB, os líderes do partido, juntamente com JCM, se reuniram para
propor metas e estabelecer as bases aliadas. Estavam todos muito
confiantes quanto a eleição de JCM. Mas,
a véspera do lançamento oficial de JCM como candidato à presidente,
uma fatalidade ocorreu. Seu fiel assessor, companheiro, nestes anos de
política, foi cruelmente assassinado. O crime ocorreu na noite
anterior, na residência do próprio assessor, a polícia suspeita de
tentativa de seqüestro. Um laudo seria divulgado nas horas seguintes. JCM
estava desesperado, amargurado, visivelmente abatido. Viu que perdeu um
grande amigo e um grande companheiro, a pessoa que fez ser o que ele é
na política. São Chico sabia de todos os detalhes, de todas as
artimanhas da política. Era considerado um dos maiores
“marketeiros” políticos da atualidade. Não era só o braço
direito de JCM, era os pés, as mãos, o corpo, o cérebro de José. O lançamento oficial de JCM foi adiado. Propuseram para Magalhães, a contratação de um novo assessor político para ele. Ele recusou, estava ainda abatido. O partido decidiu realizar outra reunião, com os líderes e com JCM. Nesta reunião o candidato a presidente já estava mais conformado, e sua ambição já tinha retornado, queria a presidência como nunca. JCM
estava mudado, desorientado, aquele político determinado, populista,
estava apagado. Faltando três meses para as eleições nacionais, a
popularidade do gaúcho estava caindo, dos 55% iniciais, já estava em
40%. Ninguém sabia o motivo da decrescente popularidade. Os programas
políticos de JCM eram fracos. Os discursos inflamados eram raros.
Realmente, o grande político gaúcho estava irreconhecível. Foi
então que JCM caiu na real, percebeu que sem os conselhos de São
Chico, ele não era nada, sem a fiel ajuda, sem os discursos eloqüentes
escritos por Chico, ele era apenas um político dentre outros. JCM não
tinha mais seu mentor, seu companheiro. Se tornou frágil. As
eleições chegaram com as pesquisas apontando um empate técnico de JCM
e de seu maior rival. A confiança de JCM de ser o próximo presidente já
não era aquela do começo de campanha. E
as urnas apontaram Ciro Enéas, o candidato rival de JCM, como o novo
presidente da república. JCM era uma farsa, estava acabado. O político
ideal, perfeito, não existia, JCM era pré-fabricado. No dia seguinte, José Cardoso Magalhães foi encontrado morto, em sua cama, com um tiro na cabeça. Suicidou-se. Deixou um bilhete, e nele escrito: “Não
sou o que vocês pensavam que eu era. Também não sou o que eu pensava
ser. Só sei de uma certeza, quero ser político no céu, ao lado de São
Chico, o meu único santo e protetor...” 08//05/2001 Ópio eterno ...
Vida incerta sombria forma dolorida algo que falta , o teu lugar ocupa .
Na memória vulto triste , stéril dor usurpando meus minutos primitivos caos , eterno incerto .
Dor no âmago decorada por estrelas súbditas nem maior , nem menor apenas com intuito natural dataram o teu lugar , eterno em mim
Memórias recolhem minhas dores , cada vez número maior . Crente peito , presenças maiores parceiras da tua forma . Noite ... dor da humanidade .
Improvável ... dúvido . Meu amor nunca apagar Supersticiosos , ciências dos Deuses .
Podem até enxugar meu pranto , mas nunca secar . Buscando ao ópio que consola , seu amor . Minh,alma doente , são dias só de febre .
Vivo por mecanismo uma engrenagem com volantes falsos . Visões de um jardim , sem flores .
Vou cambaleando , desejos degolados vida-interior de renda , desastres . O ópio ) amor , meu oxigênio , Vital .
Nervos na forca toque adormecido da morfina . Transparências latejantes , estou perdida aqui sem você .
Noite alheia , cheia de brilhantes angústias próprias , erguem-se pesadelos , minha cabeça . Visões , estranheza da Vida .
Impressão de ter , você absurdo fantasmagórico , meu consolo . Eu consequência Delíro .
Tenho febre escrevo , rangendo os dentes . Rugindo Estrungindo Ferreando fazendo-me um excesso de carícias ao corpo , um copo cheio , numa só carícia à alma .
Oh , engrenagens forte espasmo , em fúria !!! Fora e dentro , de mim .
Nervos dissecados eu , sinto ... lábios secos , grandes ruídos modernos . Ouço demasiadamente , de perto .
Arde-me a cabeça excesso de expressão , minhas sensações . Ferro Fogo Força
Passado e futuro , nem penso . Presente é todo o passado , todo o futuro . Pedaços de séculos , êmbolos volantes .
Rasgo-me toda abro-me completamente . Perfumes e óleos , calores e carvões .
Flora estupenda artifícial e insaciável . Minha promíscua fúria . desejos estrênuos , eternos.
Minha língua , comospolita , você . penetra-me triunfante , fisícamente meu tumulto de sentimentos , disciplinados .
Quase-silêncio , rumores . gestos lúbricos , monótonos de amor . Horas européias , grandes cidades existo por dentro .
Giro , rodeio , engenho-me luzes e febris desejos , satisfeitos . Entusiasmo sorrindo , cristalizam nossos gestos , transas infinitas .
Vivo todo o passado dentro do presente . Todo o futuro já dentro , de mim . Sou o calor , eletricidade .
Sensações em comboios pela minh,alma dentro . Sinto-o em mim , como o meu sangue . Mistério alegre , triste . quem chega , parte .
Doçura dolorosa memórias doutros momentos . Vaga busca , náusea . Olho pro indefinido .
Sozinha , ar distante alma vã do seu fumo . Vem entrando , me formando , tomando .
Olho aqui , acolá . Visões arrebatadoras . Dores , sinto-me atracando em sentimentos , caos .
Grande independência de alma , memórias . Minhas angústias , surradas . trazem aos meus olhos , você .
Contenta-me , só isso . Inconscientemente , misteriosamente . De repente , angústia recente duma primeira madrugada , após você . Névoa de sentimentos , tristeza .
Despeço-me desta hora destino diverso , deuses no Universo . À vida , aos sentimentos humanos . complicadamente simples , Tristes .
Envolve-me , enternece-me tranquilamente , vou agora saindo ... Anunciando ser ... alguém ou algo .
Cumpridora duma qualquer espécie de deveres , indeveres . O único dever , do ser , de ser ... amor , no fundo sempre , irá raiar-se para mim . Sigo meus caminhos , amando-te , ópio eterno de minha sobrevivência .
Daniela Resch Invensões Desesperadas
Um sonho , certa noite eu e você , entre o amor . Complicado demais , inevitável compreensão maneiras tortuosas , trejeitos sem jeitos . Mas naquele momento dentro do sonho , era simples e sublime ... eterno bem querer .
Dormir juntos , anestesia da vida . deitada nua em seu ombro nu também dormimos apenas , sonho que sonho .
Seu rosto próximo , me inundando guardo contra as pálpebras , tesouro um por um dos seus traços , fortuna .
Manhã seguinte , solitária nenhum contato , para contar o sonho . Lavo pratos e copos , noite anterior folheio jornais , cotidiano sem graça .
Andando pelo apartamento , bocejos metade do corpo dentro do sonho , onde você esteve . Despisto telefonemas , desmarcando compromissos algo pela tarde ou pela noite , desculpas ...
Só tenho um desejo , inviolável ficar dentro de mim , qualquer jeito uma maneira vadia meio à merçe dos pensamentos Homem dos meus sonhos , desejos sinceros .
Morta de saudades , relógio estagnado quase três da tarde , vou deitar . Cama ainda morna , solitária tragos na penumbra interrompida pelas cintilações da curva da tarde . Sinto uma falta ... Indecifrável lacuna sofrivel , não de alguém morto ou perdido para sempre em uma viagem , rompimento definitivo , não essa falta .
Nem falta , nem saudade uma coisa parecida e oca o que sinto às três da tarde , fumando no quarto escuro , cotidiano sem graça .
Você aqui continua , constante presença alguma forma ou algum ponto , quem sabe onde ? Talvez na cama , no quarto , na mente ou espaço .
Embalada pelos ruídos da rua , durmo até quase sete , sobrevivência . Entre sonhos onde você não está eu , perambulando por histórias que te trazem de volta , imaginação fértil .
Desisto , lavo o rosto , coisas banais posso café , acendo um cigarro . Chatices da tevê , manias loucas torno a dormir , loucura incurável .
Custa um pouco , cama de faquir tentação , desesperada , ânsia de lhe ver . Busca incansável , lembranças ... Sonho anterior , inesquecivel , atual .
Eu nua em seu ombro , colada em seu rosto , tesouro . Lembranças a sete chaves meu baú de palpebrás , iamgens .
Budas , Cristos , Oxalas tentativas , resgates , eterna busca recordar certo cheiro do sono anterior .
Sem artifícios ou proteções manhã seguinte , vazias nós duas , despertamos . Algum dia , esperança algum lugar , reencontro esperado .
Qualquer lugar que seja mundo paralelo , noutro espaço . Interfrequência de rádio ou televisão reflexo do espelho , dentro do peito .
Dias seguintes vazios .. fuga inválida aceitando todos os jantares cedendo a todos os cinemas , shoppings e pizzarias , tentativas de lhe ver .
Em vão , você não está nem aqui , nenhuma pista fora ou dentro de sonhos reais , futuros ... próximos
Desejo mais profundo , eterno semanas e semanas , minutos , segundos tentativas de resgate ... qualquer sinal algum cheiro ... tênue , quase perverso .
Intimidade úmida , te procuro colônias masculinas , cheiro crú , confusões claras . Nenhum cheiro seu , desespero profundo âmago ausente .. breu total
Sensações ... à flor da pele . Ponta da língua , ativa certo remoto gosto salgado , tremores internos . Memórias Íntimas ... remoendo
Frustações , não lhe vejo , pertubações volto a deitar em horas absurdas . Sono .. Sonho ... eternos ... infinitos
Todas as noites , pedido , suspiro um segundo antes de afundar , planos te encontrar , qualquer região , te percebo Mente .. mínimo interstício .
Qualquer horizonte , além de mim fímbria do pensamento , funcha da memória dobra da fantasia , faixa vibratória Passado Presente Futuro
Promessa , vou ao teu encontro entre anjos e fadas .. sonhos desejo árduo e louco .. insano . Vida inteira ... carnal e espiritual
Promessas ... Juras ... tentativas ) loucuras Cartomantes , Ocunas , Ebós tudo vale à pena .. sobrevivência carnal
Valete de copas ... carta de amor Peorth ... anuncio de reencontro Oxum ... rosas amarelas Juras e Promessas
Delirio insone , consolo eu princesa , você gladiador eu talvez sereia , mulher-maravilha pastora e astronauta ... Palco da vida ... fascinação !!!
Realidade árdua , dor incurável só um cheiro de homem , seu corpo nu flutuando no escuro de meu corpo , meu quarto . Quentura de bicho vivo , pulsando , latejando junto à quentura de meu bicho vivo , mulher imortal resistindo sempre a ilusão de reencontro , semente da vida .
Busca incansável ... sonhos , realidades , qualquer lugar Centro da noite , Meio do sonho .. sono esperado Outro espaço , planeta desconhecido , horas douradas . Conteúdo de minhas invenções desesperadas . Daniela Resch
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