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Clarice: página 1 - 2>


suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

  1954: Perto do Coração Selvagem é publicado em francês. Dois anos depois seu A Maçã no Escuro recebe o Prêmio Carmem Dolores Barbosa.

  Em 1959, Clarice separa-se do  marido.

  Em 1964, publica A Paixão Segundo G.H.

  Em 1967, fere-se gravemente num incêndio em seu apartamento.

  Avanço, invado, penetro, novamente invado e estrategicamente recuo, mais uma vez  penetro.

  E minha tola vaidade de macho sopra ao pé do ouvido para que eu vá em frente, prossiga.

  Em 1969 ela ganha o "Golfinho de Ouro" com Felicidade Clandestina, no ano seguinte seus livros A Maça no Escuro (romance) e Laços de Família (conto) traduzidos para o alemão.

 Estou dividido mas prossigo, mandam um sinal que tenho só cinco minutos... Agora quatro... Três ... Sou oportunista descarado, finjo perceber o desconforto de Clarice. Faltam dezessete para as cinco... Clarice será descoberta no mundo inteiro, lida e amada em todos os idiomas. Sinto que não a verei nunca mais, estou emocionado, mais duas ou três perguntas e a entrevista se encerra com Clarice dizendo:"... bem, agora eu morri... Mas vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto estou morta.Estou falando do meu túmulo..."

  Silêncio pesado no estúdio B. Um longo, e triste, e terrível silêncio.

  A premonição.

  Está encerrada a entrevista.

  Clarice se levanta, nada digo, ajudo-a a tirar o microfone de lapela.

  Silêncio milenar no estúdio.

  Miriam, a estagiária, chora baixinho, Olga está calada, Clarice e eu nos olhamos no fundo dos olhos e ...

 


Se você quiser a entrevista completa mande-me um e-mail: [email protected]

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