Nota do Editor: trata-se de uma ligeira amostra do talento
literário dos nossos queridos leitores.
Nicanor estava
passando o maior aperreio: contas de água, luz, farmácia e bares atrasadas;
vencimento da prestação do carro já chegando na segunda, sem falar no IPVA e
multas que existiam.
Na quarta-feira
(16), Nicanor teve uma grata surpresa. Um verdadeiro prêmio de loteria.
Descobriu um erro no seu contracheque e comunicou à Seção de Pessoal, que
logo tratou de fazer a regularização. Feitos os cálculos, Nicanor iria
receber mais de 2 mil reais. Pronto. A sua Semana Santa seria bastante
gorda e farta.
No dia seguinte,
Nicanor recebe logo o dinheiro. Logo também, a primeira porrada: se não
pagar as duas prestações do carro naquele dia, o banco solicitará sua
apreensão. Nicanor, temeroso, providencia imediatamente esse pagamento –
quitando até a prestação vincenda – e sai pagando também água, luz, farmácia
e os bares (nesses, vai curtindo, tomando umas cervejas).
Durante a Semana
Santa, novas porradas: despesas com troca de pneu que, careca, estourou e o
estepe também não servia pra nada; com o filho doente de forte gripe e
febre, despesas com farmácia; o veículo, derramando óleo, teve que ser
consertado.
Para comemorar o
conserto do carro feito no sábado, Nicanor, no domingo, saiu à procura dos
amigos Seu Popó, Cabeça, Professor e Baixinho, todos moradores na Zona
Norte. Tudo em vão. Os bares estavam fechados e não encontrou ninguém.
Enfim, chega a
terça-feira, e Nicanor faz planos: primeiro, presentear o filho com um tênis
(cobrança de há muito); pagar as taxas do IPVA e da Carteira de Habilitação
vencida, utilizando-se de parcelamento programado pelo DETRAN. Para tudo
isso, tem 500 reais. Nesse mesmo dia, Nicanor começa a realizar o que
planejou: compra o tênis do filho e tira retrato para a Carteira de
Habilitação.
Quarta-feira
(23). Nicanor recebe os retratos e dirige-se ao DETRAN. Vai pela Praça
Saraiva, pois ainda irá passar em sua casa, pegar uns documentos. No
caminho, é detido por uma blitz do DETRAN. Apesar dos argumentos, tem seu
carro apreendido e recolhido ao Depósito do DETRAN e, de quebra, multas.
Dirigindo-se ao
DETRAN, Nicanor esforça-se para retirar o seu veículo do Depósito do DETRAN
ainda no mesmo dia, pois precisa levar seus filhos para o colégio. Entra em
filas, corre daqui pra li e o tempo passa. São 12h30. Nicanor teve seu
carro liberado. Embora triste por não haver feito o tão sonhado
parcelamento do IPVA e taxas, Nicanor está feliz por estar novamente com seu
carrinho.
Os 500 reais
foram embora e Nicanor está novamente liso.
Tem um ditado
popular que diz: “Alegria de pobre dura pouco”. O ditado foi confirmado.