Exclusivo: O Dossiê Deda (parte I)

Gabriel Rocha, especial para a Agência C, H, MC Press

Figura popular nos corredores do finado Curso de Jornalismo da UFSC, Rodrigo Ghomes, o Dheda, tem sido um enigma para as pessoas que, por azar, cruzam seu caminho. Ser místico, discípulo da seita do Terceiro Olho (A.K.A. Olho de Rá), exibicionista, leprechaun espertalhão, amigo da calourada, afinal who the fuck is Rodrigo Dheda? Depois de um longo período de levantamento de dados, horas de entrevistas, viagens internacionais e de sofrer ameaças de morte, este repórter trás a tona revelações desconcertantes sobre as origens do rapaz.

Corria o ano de 1942 e o mundo fervia com a II Guerra Mundial. Na Alemanha, Josef Mengele realizava horrendas experiências genéticas com os prisioneiros de guerra judeus. O ditador Benito Mussolini, aliado de Hitler, manda um grupo de seus melhores cientistas para estagiar com a equipe de Mengele. Entre eles estavam os renomados professores da Universitá de Milano Giuseppe Cagacazzi e Maximo Fammi Unbochino.

Na época, as pesquisas de Mengele sobre clonagem estavam em estágio avançado e em breve ele tentaria criar cópias do Führer. Entusiasmados, Cagacazzi e Unbochino voltam para a Itália com a idéia de clonar o Dulce. Mas logo no início das pesquisas as verbas foram canceladas para a compra de armas, frustrando os cientistas. E assim, esta história tomaria rumos muito diferentes...

Útero Artificial

Em 1945 com a Itália e Alemanha derrotadsa e Hitler e Mussolini mortos, ex-nazistas e fascistas espalham-se pelo mundo fugindo do Tribunal de Haia. Unbochino refuciou-se na pequena localidade italiana de Misericordia, subúrbio de Arezzo, na província de Toscana com o nome falso de Pietro Stronzo e Cagacazzi foi para o Rio de Janeiro, onde logo retomou sua pesquisa sobre clonagem. Adotando o nome de Manolo Suchiami Laminchia, ele abriu um consultório na então capital do Brasil e passou a trabalhar como ginecologista. Paralelamente, Unbochino, aliás, Stronzo, também continuaria suas pesquisas e manteria correspondência freqüente com Cagacazzi, aliás, Laminchia.

Laminchia usou micos-leões dourados em suas primeiras experiências no Brasil. O princípio de clonagem seria o mesmo daquele realizado 50 anos depois pela equipe do Dr. Ian Hunt para a clonagem da ovelha Dolly, A diferença está no fato de que Laminchia desenvolveu um útero especial que dispensava a presença de uma mãe para seu clone. No curto período de seis meses, o cientista já havia conseguido clonar com sucesso meia dúzia de macaquinhos. Destes, dois nasceram com polidactilia (dedos a mais nas mãos e nos pés) e com o tempo desenvolveram desvios de comportamento. As espécimes polidactilas apresentavam variações radicais de humor, indo da apatia e docilidade até a violência sem motivo aparente.

O Próximo Passo

Em abril de 1946, logo após o nascimento dos micos-leões, Laminchia resolveu partir para seu grande projeto: a clonagem humana. Usando seu próprio DNA e o óvulo roubado de uma de suas pacientes, ele começa os procedimentos básicos para a operação. Depois de retirar o núcleo do óvulo e preenchê-lo com o DNA, ele submergiu o embrião no fluido que faz as vezes de placenta no útero artificial. Neste processo, o desenvolvimento da criança se completa com apenas seis meses de gestação. E finalmente em outubro de 1946 nasce morto o primeiro clone humano. Laminchia não desanima e no mês seguinte faz a sua segunda tentativa de clonagem.

Em 30 de maio de 1947, o cientista colhe os frutos de seu árduo trabalho: nasce um menino saudável com cabelos castanhos e encaracolados. Ao constatar a perfeição da criança, Laminchia, que não tinha a mínima vocação para a paternidade, resolve deixá-la com os vizinhos, para observá-lo à distância. Os escolhidos foram o casal Clarita e Fortunato Azulay (por ironia, judeus), que batizariam seu novo filho de Dhaniel. Sim, o primeiro clone humano é ninguém menos que o desenhista Dhaniel Azulay, criador dos inesquecíveis Professor Pirajá, Chicória e toda a Turma do Lambe-Lambe, muito populares entre as crianças nos anos 80. Quando adulto, Azulay era uma cópia exata de Laminchia: míope, magro e de cabelos cacheados castanhos.

Roberto!

Enquanto isso na Itália, Pietro Stronzo falhava sucessivas vezes na tentativa de recriar a experiência de Laminchia. Depois de anos de frustrações, ele resolve chamar seu antigo companheiro para orientá-lo em mais uma tentativa. A princípio receoso de voltar à Itália, Laminchia acaba aceitando a proposta e em fevereiro de 1952 ele desembarca em Misericordia. Depois de dois meses construindo o útero artificial, eles partem para a prática e, em 27 de outubro de 1952 nascia outra criança à imagem e semelhança de Laminchia/Cagacazzi: Rhoberto Benigni.

Criado pelo casal Giovanna e Carlo Benigni, Rhoberto se tornou um dos mais populares atores italianos e desenvolveu uma característica que estaria presente nos próximos dois clones: a tendência à aporrinhação alheia. Um imprevisto obrigou os cientistas a deixarem a Itália às pressas: eles foram descobertos pelo governo italiano através de uma denúncia anônima. Assim ambos voltaram para o Brasil, só que desta vez a região escolhida foi o nordeste. Logo eles estariam no Maranhão.

A Flor da Pele

Levaria quase 15 anos até o nascimento do terceiro clone. O motivo do hiato foi a rara doença que afetou o sangue de Stronzo, forçando os cientistas a procurar uma cura com a ajuda dos pajés de uma tribo indígena maranhense da região de São José do Ribamar. Depois de dez anos de esforços, Stronzo não resiste e morre em decorrência da doença. Demorou mais quatro anos para Laminchia juntar dinheiro para realizar novamente sua experiência.

11 de abril de 1966 foi a data em que o mundo viu nascer Zheca Baleiro, o terceiro clone. Criado por Antônio e Maria do Socorro Baleiro, Zheca, para a infelicidade de uma nação, se tornou um popular músico, autor de pérolas do cancioneiro brasileiro "A Flor da Pele", "Samba do Approach" e "Heavy Metal do Senhor". Pouco depois do nascimento de Zheca (magro, míope, cabelos encaracolados), Laminchia parte para o Mato Grosso do Sul, onde compra uma fazenda. Mas este ainda não seria o fim da saga do clone, o próximo rebento de Laminchia, seria Rodrigo Dheda, o Lepre.

Fim da primeira parte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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