| Revisando os anos 80: Cinema |
| A d�cada come�ou com uma pol�mica: o filme Parceiros na Noite (Cruisin', no t�tulo original, que significa ca�ando) estrelado por Al Pacino e dirigido por Willian Friedkin � censurado em v�rios os pa�ses, incluindo o Brasil. Um policial (Pacino, um dos melhores atores da d�cada de 70, que amargou uma d�cada de ostracismo, s� voltando ao estrelato na d�cada de 90, ganhando seu primeiro Oscar de Melhor Ator, ap�s mais de 20 anos de carreira!), � infiltrado na comunidade gay de Nova York para desvendar uma s�rie de assassinatos. Em princ�pio, temeroso, n�o fica muito empolgado. Mas logo� as coisas tomam um outro rumo, quando ele se pega na descoberta de prazeres at� ent�o desconhecidos da homossexualidade... E come�a a curtir esta nova faceta! Foi um babado muito forte. A comunidade homossexual caiu matando, pois n�o queria se ver retratada como prom�scua e vol�vel. A outra parte ficou horrorizada com as fartas doses de sexo pesado. |
| Demorou alguns anos para o filme ser redescoberto e reconhecido em seu valor hist�rico. Vindo de uma d�cada pr�ficua, como a d�cada de 70, com filmes de forte tem�ticas sociais e pol�tico (como Rede de Intrigas,Todos os Homens do Presidente, Sindrome da China e Desaparecido,o Grande Mist�rio), os anos 80 resolvem voltar a aten��o para dramas mais pessoais, como Gente Como a Gente, La�os de Ternura, A Escolha de Sofia e Touro Indom�vel. |
| Menosprezado pelo grande p�blico e por boa parte da cr�tica americana, o filme foi elevado a categoria de cl�ssico, ao retratar pela primeira vez, quest�es filos�ficas, como a imortalidade e a id�ia do amor eterno de uma forma diferente e com todos os elementos est�tico que marcariam toda a d�cada. |
| Atra��o Fatal e Filmes Gays |
| Em Querelle(1982), o diretor alem�o Rainer Werner Fassbinder, volta a provocar a pol�mica que Parceiros Na Noite provocou. Estrelado pelo gal� Brad Davis (que morreu de Aids, em 1989), o filme contava a est�ria do belo marinheiro que despertava paix�es proibidas e dilacerantes em todos a sua volta no Porto de Brest, na Fran�a. Como um Anjo Exterminador � o culpado pelos pecados escondidos que vem a tona diante de sua beleza e sexualidade latente. Com forte dose de homoerotismo, o filme virou refer�ncia. Outros t�tulos que merecem cr�dito s�o Maurice (com o futuro astro Hugh Grant), Essa Estranha Atra��o (com o astro dos adolescentes, Matthew Broderick), O Amor N�o tem Sexo (Gary Oldman bem enlouquecido de tes�o ca�ando pelos banheir�es das pra�as de Londres da d�cada de 60), Minha Ador�vel Lavanderia (com o muso Daniel Day-Lewis de cabelo cheio de reflexos loiros) e O Beijo da Mulher Aranha (o qual Willian Hurt ganha o Oscar de Melhor Ator, no papel de Molina, que Miguel Falabela fez no teatro em 2000). Mas foi um filme de 1987, que acabou entrando para a hist�ria como o mais representativo da doentia sociedade americana da �poca: Atra��o Fatal. Digirido por Adrian Lyne, que tinha feito o pastiche 9 1/2 Semanas (Filme de 1986, com a deusa Kim Basinger e Mickey Rourke), �filme revelou aquela que seria uma das grandes damas do cinema americano de todos os tempos: Glenn Close. |
| No papel de Alex Forrest, Glenn (Que nem � uma atriz bonita ou muito menos sensual) fazia uma editora de livros que se envolve com um homem casado (Michael Douglas, que virou astro neste per�odo), que est� sozinho durante um final de semana. Fartas doses se sexo, com direito a fotografia exuberante e a �pera Madane Butterfly, de Giaconno Puccini, o romance dos dois pega fogo. |
| O que pra ele n�o representava nada mais do que uma trepada e ele resolve voltar para os bra�os da esposa e filhinha fofa, para ela a coisa era diferente. |
| Cansada do papel de mulher objeto, ela parte para cima do gostos�o, com direito a atormentar a bela fam�lia americana perfeita, com direito a coelhinho na panela e fac�o de loka na m�o. |
| Tapa na cara de todos os c�nicos de plant�o, o filme foi acusado de moralista por boa parte da cr�tica especializada, que chegou a apelidar Alex como o fantasma da AIDS. |
| De fato, o filme tem um final moralista, mas tudo o que ocorre antes vale cada momento de tens�o que o filme provocou. E a atua��o de Glenn � magn�fica. N�o satisfeita com o destaque neste papel, ela volta em Liga��es Amorosas, do diretor ingl�s Stephen Frears, um dos melhores filmes da d�cada. No papel da Marquesa de Merteuil, ela entrou para a hist�ria como uma das melhores vil�s e herdeira direta de Bette Davis. N�o � um feito para qualquer mortal. |
| O casal de Atra��o Fatal virou um s�mbolo da d�cada, mas outros nomes que fizeram hist�ria no cinema foram Meryl Streep, J�ssica Lange, Harrison Ford, Sigourney Weaver, Kevin Costner, Dennis Quaid, Dudley Moore, Kelly LeBrock e Debra Winger. Fora os quatro primeiros, astros do primeiro time de Hollywood, os outros jamais conseguiram repetir o sucesso igual daquele per�odo. |
| Brasil |
| No Brasil Pixote: A Lei do Mais Fraco de Hector Babenco, de 1981, foi o melhor retrato do pa�s naquele momento. Dirigido e roterizado com maestria, o filme contava ainda com a presen�a da grande Mar�lia Pera, num papel pol�mico, que lhe rendeu o Pr�mio da Cr�tica de Nova York, como melhor atriz. Num dos cap�tulos mais ir�nicos da hist�ria do cinema nacional, o pequeno astro Fernando Ramos da Silva foi morto anos depois por policiais, por estar envolvido com roubo e tr�fico de drogas. |
| Outros t�tulos que chamaram a aten��o foram Vera (Pr�mio de Melhor Atriz em Cannes para Ana Beatriz Nogueira), Leila Diniz (O melhor papel da carreira de Louise Cardoso), Feliz Ano Velho, A Dama do Cine Shangai (A participa��o de Maite Proen�a entra para a hist�ria do cinema brasileiro), Bete Balan�o, Menino do Rio, Eu Te Amo e Eu sei que vou te amar (Pr�mio de Melhor Atriz em Cannes para Fernanda Torres). Apesar destes t�tulos, somente na pr�xima d�cada o cinema brasileiro faz as pazes com as plat�ias, tanto no pa�s quanto fora. O que fez sucesso foi os filmes dos Trapalh�es e Xuxa, que come�a aqui seu reinado infantil. |
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| Mas foi com um filme sobre replicantes (rob�s feitos a perfei��o humana) no ano de 1982, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford, que o cinema da d�cada come�a a ter uma f�rmula. Blade Runner, o Ca�ador de Andr�ides tornou-se o primeiro cult-movie (palavra surgida no per�odo que designava as produ��o que n�o faziam sucesso nem de cr�tica, nem de p�blico, mas que por motivos alheios a compreens�o humana, eram cultuados por uma pequena parcela de f�s). |
| Blade Runner - O cult-movie da d�cada |
| Contando a est�ria do detetive Rick Deckard, especializado em ca�ar replicantes rebeldes, ele vi sua vida virar de cabe�a para baixo ao se apaixonar por Rachel (Sean Young - atriz deste �nico papel, que se afundou numa s�rie de filmes ruins depois), a replicante preferida do seu criador. E desta forma, ele se confronta com uma paix�o imprevis�vel, que o envolver� de uma forma que ele jamais imaginou. |
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