Crônicas de um sobrevivente

 

 

[Capítulo 9] O Abrigo

Talvez eu pudesse estar tomando um sorvete agora, ou talvez eu estivesse no shopping ou numa quadra, jogando "batendo uma bolinha" com meus amigos, e então eu iria para casa, tomaria um banho, jantaria a ótima comida da minha mãe depois dormiria tranqüilo, sabendo que estava seguro, e que todos eles ainda estavam vivos, e que eu tinha uma vida...
" Vamos Henrique, você sabe muito bem que pensar numa coisa que nunca vai acontecer não vai mudar nada". Isso era a mais pura verdade, e quanto mais pensava nas milhares de pessoas mortas, mais eu me sentia culpado por tudo que acontecia, era obvio que isso tudo não era minha culpa, mas saber que de um dia para o outro toda uma vida havia se acabado, isso era o pior pensamento do mundo, meus planos para o futuro, eu nunca iria sentir o que era ser um universitário, ou nunca festejaria minha formatura na faculdade, tudo isso havia acabado, e não havia nada que pudesse fazer para mudar essa realidade.
--Vamos não tenho o dia todo! Largue essa espada, agora!
A voz fria e irregular do homem baixo vestindo o uniforme da polícia me tirou do devaneio, eu olhei para ele, o homem era baixo, e tinha a pele coberta de sardas, não pareia ter mais de trinta aos, mas seu olhar estava bem serio, serio o suficiente para me fazer perceber que não demoraria muito para ele atirar se eu não soltasse a espada. Eu a soltei, um sentimento de insegurança e uma certa pontada de medo surgiu em meu estomago, tudo estava indo bem, e agora isso. Droga, eles são policiais! Por que estão nos desarmando ao invés de nos ajudar a sair daquele lugar? Esse pensamento surgiu em minha mente como se fosse a coisa mais obvia a se fazer nessa situação.
--Ótimo. Disse o segundo a direita do baixinho, ele era moreno, e pequenos fios brancos começavam a nascer em seu cabelo, que era curto, porem espessos.
--Não fizemos nada de errado, por que ao invés de vocês ficarem ai parados não nos ajudam?
As palavras saíram antes que eu pudesse pensar, por mais cauteloso que eu fosse, o pensamento de que eles nos quisessem mal estava praticamente fora de cogitação naquele momento, ou pelo menos os mantenha distraídos para não levar uma bala na cabeça.
Os três se olharam, e com um aceno com a cabeça um deles se aproximou e nos revistou, depois do que pareceu uma eternidade todas nossas coisas e armas estavam no chão, enquanto um deles ficava de guarda, outro olhava atentamente nossos pertences ao chão, o policial alto e moreno começou a fazer algumas perguntas.
Bem, deixe me ver por onde começar, hum, que tal por seus nomes?
Robson olhou para mim, como se pedisse autorização, dei um leve aceno com a cabeça, confirmando, não tínhamos outra saída a não ser cooperar.
--Robson, senhor. Disse ele.
--Bianca.
--Henrique.
Disse olhando atentamente para os três policiais agora parados a nossa frente. Eles não pareciam quere atirar em nos, talvez receosos em nos levar junto com eles, um pouco de precaução num momento como este não é nada de outro mundo.
O homem baixo e moreno nos analisou com o olhar por um instante e depois falou sua voz soando bem mais agradável e gentil.
--Bem, parece que encontramos alguns sobreviventes aqui, e são bem novos hein?
Os outros dois concordaram, apenas com um aceno da cabeça, e o outro continuou falando:
--Os senhores estão bem?
--Sim senhor. Respondemos em uninssonso
--Algum dos senhores contraiu a doença ou esta ferido.
Eu sabia que Robson tinha machucado o ombro, e algumas gotas de sangue caiam do corte em minha cabeça, mas mesmo assim respondemos:
--Não senhor.
--Muito bem, disse ele, eu sou o Sargento Ramon da Policia Militar de São Paulo, estes são Cabo Dante e soldado Jorge, e se não se importam, gostaria que nos acompanhassem ate... Nossos aposentos.
Assim, eles devolveram nossos pertences, inclusive as espadas, pareciam estar mais confiantes sobre nos.
--Como assim seus aposentos? Vocês tem algum abrigo? Ha mais pessoas lá? Perguntou Robson.
--Sim, mais algumas pessoas, estão num local seguro agora, e é pra lá que estamos indo. Respondeu Ramon andando.
Eu estava calado, avaliando a situação, certamente eles não eram inimigos, mas eram confiáveis? No momento não tínhamos muita escolha, poderíamos estar a ponto de encontrar mais sobreviventes, isso era ótimo, se nos não tivéssemos nos encontrado, provavelmente morreríamos logo. Com certeza a possibilidade de sobrevivermos sozinhos no centro da cidade, ainda mais não muito tempo depois da infecção era quase nula, pelo que eu podia me lembrar, a cidade estava quieta desde anteontem, quando fui capaz de ouvir os últimos gritos de pessoas por perto. Claro que isso não significava que todo mundo estivesse morto, São Paulo era a terceira maior cidade do mundo e a região metropolitana dela era a segunda, talvez em algum outro lugar ainda houvesse uma resistência, um abrigo, mas as minhas esperanças começaram a se extinguir quando os telefones ficaram mudos, os rádios só davam estática, sem luz, sem água, parecia que todo o Brasil tinha se esquecido de São Paulo, mesmo quando ainda havia energia, e a TV ainda pegava as noticias não eram nada otimistas, algumas pessoas haviam sido contaminadas com a doença e boa parte do Brasil já estava infectada, o exercito ainda tinha um certo controle sobre as fronteiras e sobre a população, mas não demorou muito e tudo o que se sabia era que o Brasil estava sitiado, isolado do resto do mundo, e mesmo assim uma parte da America Latina já apresentava casos da misteriosa doença, que por sinal era muito contagiosa.
Andávamos pelos trilhos, em direção a Estação São Bento, quando uma fraca e amarelada luz me fez piscar para me adaptar à pequena claridade, havíamos chegado à estação, porem ao invés de dezenas de corpos jogados, zumbis e trens vazios, havia apenas alguns homens parados ali, todos armados, contei num total de sete, alguns eram policiais, outros pareciam cidadãos normais, uns com M16 e outros com pistolas Taurus e revólveres. 38, todos pareciam estar esperando problemas e olharam com espanto quando aparecemos, obviamente surpresos com mais pessoas vivas.
Um deles se aproximou e falou com Ramon:
--Senhor, tudo limpo aqui, infelizmente não foi possível realizar a missão de limpeza a estação Sé, eram muitos, tivemos duas perdas e quase não conseguimos voltar através das barricadas.
Ramon suspirou, aparentemente abatido com as perdas, eu apenas olhava tudo atentamente, se o local estava tão limpo, possivelmente esse seria o aposento deles? Talvez, mesmo assim minha mão escorregou para a bainha da espada, poderia ser algo para não se preocupar, mas ultimamente eu estava desconfiado de tudo, melhor se prevenir do que remediar.
--Quem era? Perguntou Dante se aproximando do grupo, serio.
--Ricardo e Túlio. Respondeu o policial.
Dante olhou para Ramon, preocupado.
--Isso não estava nos planos, Túlio não tinha família conosco, mas Ricardo...
--Certamente a morte deles afetará as pessoas, eles eram bons policiais, e nos prometemos que essa seria somente uma missão de reconhecimento. Disse Ramon, olhou então para os outros e disse:
--Vamos voltar, vamos abortar a missão, retornaremos amanhã talvez, para recolher os corpos e fazer a limpeza.
Olhei para Robson e Bianca, os dois estavam quietos esperando que alguém desse explicações talvez, eu não iria esperar um convite.
--Achei que esse fosse o seu refugio.
Ramon balançou a cabeça enquanto começávamos a andar novamente pela plataforma.
--Negativo essa aqui apenas faz parte de nossa rota.
--Rota?
Ele parou, sua expressão estava cada vez mais cansada, por um momento pude ver frustração em seu rosto, mas logo depois disso ele começou a falar, sua expressão voltando a ficar neutra:
--Olhe, sei que para vocês, que estiveram fugindo desses comedores e de repente dão de cara com o nosso pessoal tudo isso pode parecer um pouco estranho e confuso, mas posso te garantir, logo terá suas perguntas respondidas, ok? Mas para isso é preciso ter certa paciência, pois estamos apenas esperando que um técnico em eletrônica possa retirar alguns equipamentos úteis aqui, e logo vocês estarão seguros em nosso abrigo.
Isso me pareceu um pequeno sermão...
--Não foi um sermão, se é que esta pensando nisso. Disse ele, e continuou andando ate chegar às escadas que davam no andar de cima onde ficavam as roletas.
Eu o segui com o olhar por alguns segundos, esta era a segunda vez que eu ia parar em algum abrigo. E apesar de eu estar mais tranqüilo por ter encontrado pessoas, não esta muito animado pelo fato da ultima experiência com abrigos não tenha saído como o esperado. Às vezes ainda me perguntava o que teria acontecido com o batalhão que havia sobrevivido na batalha no Barro Branco. Se não fosse por eles nem Robson, nem eu estaríamos aqui, e talvez nem a Bianca.
--Ei, vocês dois ai, podem vir agora. Passamos pela primeira saída que parecia travada com enormes pedaços de concreto e rocha. Como conseguiram fazer tudo isso no meio de uma infestação?
Depois de alguns metros de caminhada, chegamos às roletas, as ultrapassamos e fomos em direção a saída perto da Rua 25 de Março, uma das ruas mais famosas e movimentadas de São Paulo, em minha mente eu pensava em como aquela rua estaria abarrotada de zumbi, antigamente já era difícil de andar nela pela quantidade de pessoas.
Começamos a subir as escadas, ali não havia escadas rolantes. Enquanto nos aproximávamos do topo, um policial ficou perto de nos, e murmurou para que nos tomássemos cuidado e não chegássemos muito perto das barricadas.
A claridade me causou uma certa cegueira temporária, sendo substituída por espanto e medo assim quando meus olhos voltaram a enxergar.
--Meu deus!! Disse Bianca, atrás de mim, Robson que vinha por ultimo xingou, aquela imagem era impressionante.
A imagem era grotesca, digna de um filme de terror, porem era tão real quanto à rua pela qual andávamos. A rua estava fechada pelos dois lados com enormes blocos de concreto, de mais de 2 metros de altura. E todos eles estavam manchados por sangue, ao invés da cor cinza do concreto, via se apenas o vermelho de sangue. Sangue podre, sangue de zumbi, pois atrás das barricadas, haviam centenas, milhares, a quantidade era tão grande que não era possível contar, de cada lado uma infinidade de zumbis tentava de todas as maneiras pular ou nos alcançar. Suas mãos estendidas por cima da barricada davam medo pela quantidade. O que mais impressionava era que mesmo com toda essa multidão de zumbis, as barricadas nem se mexiam apesar do ruído estranho metálico vindo do outro lado das barricadas.
--As barricadas estão sendo apoiadas por enormes barras de metal no meio de suas estruturas ate o subsolo. Alem do que temos também alguns carros do outro lado ajudando na sua estabilização.
Era Ramon, ele estava nos alcançando, quando chegou mais perto, eu lhe perguntei.
--Onde estamos indo?
--Ah, sim, estamos indo em direção ao nosso abrigo. Você logo verá que apesar de termos tantos comedores ao redor destas barricadas, estamos seguros lá.
Sua voz tinha um tom de confiança, então decidi que deveria acreditar, pelo menos por enquanto. Por pior que fosse, a cada dia que passava eu me tornava ao mesmo tempo mais frio e também mais perto de uma depressão a ponto de todos os dias arranjar um motivo para continuar vivendo e não estourar os miolos, o que nessa ocasião era algo normal. Mesmo assim no final eu via que valia a pena continuar mais um dia vivo, para poder pelo menos deixar as únicas pessoas conhecidas vivas, Robson e Bianca.
Assim que atravessamos a rua e saímos daquele que parecia uma passagem pelo inferno, com gemidos e gritos de zumbis, entramos num pequeno prédio, onde um policial se levantou de uma velha cadeira e bateu continência para Ramon.
--Senhor encontrou sobreviventes! Ele parecia entusiasmado, provavelmente porque já tinha poucas esperanças de encontrar mais alguém vivo.
--Sim, Paulo, estes são Henrique, Bianca e Robson, vamos dizer que topamos com eles no metrô.
Paulo ficou com os olhos arregalados, e logo veio pergunta a nos, como conseguimos chegar ao metrô e como sobrevivemos lá.
--Se você não se importa, uma outra hora, infelizmente eu estou acabado hoje.
Respondi a ele, esperando uma cara rabugenta ou decepcionada pela resposta, mas o que vi foram suas faces se iluminarem com o entusiasmo.
--Claro, claro!
--Paulo, acompanhe-os ate o abrigo, eu tenho um assunto a resolver aqui antes. Disse Ramon.
-Sim senhor.
Paulo bateu continência e foi em direção aos fundos da pequena sala, nos o acompanhando.
__Mas sabem que estou surpreso, muito surpreso de vocês estarem vivos. Realmente já tínhamos perdido as esperanças quando os rádios começaram a ficar mudos. Perdemos a comunicação com uras partes do mundo. Mas sabemos como a situação esta ruim.
Disse ele.
--Deu pra perceber, mas nem um contato? Onde esta a governo? Perguntou Robson.
Paulo balançou a cabeça negativamente.
--Não sabemos onde esta o governo agora, sabemos somente o que algumas outras resistências espalhadas pelos estados brasileiros sabem que o governo estava prestes a deixar o Brasil, já que a exercito estava perdendo a batalha para essas coisas.
Silencio, todos sabiam que se isso estava acontecendo, o Brasil estava definitivamente abandonado por seus governantes.
--Isso é ruim, eu sei, mas aqui estamos tentando oferecer o abrigo ao maior numero de pessoas, continuou ele, mas nesses últimos dias ninguém mais tem aparecido ou tentado nos contactar.
O Brasil estava acabado, e não havia anda que pudesse ser feito a respeito disso, tantas pessoas mortas e alguém como eu vivo...
--E quantas pessoas estão nesse abrigo?
Perguntei a ele, que pareceu se alegrar de uma hora para outra, com certeza aquele Paulo era estranho, porem parecia confiável, alem de parecer muito novo, ele vestia o uniforme da policia militar e usava um boné com o símbolo de São Paulo estancado na frente, era alto, mais alto que eu, porem tão magro quanto, apesar de ele aparentar ter uns vinte e quatro anos, seu rosto ainda era de um garoto.
--Bem, disse ele, em torno de umas 67 pessoas, 70 com vocês.
Bianca que permanecera calada por um bom tempo, falou:
--Onde estamos indo, já passamos por dois cômodos e agora estamos nesse corredor lateral, e essas janelas pregadas...
Ela tremeu de repente, provavelmente pensando no que poderia haver por fora das janelas, que estavam pregadas com pedaços de tábua, porem, eu sabia, não poderia haver zumbis do outro lado, zumbis eram barulhentos e quando não estavam fazendo nada, ficavam a gemendo e uivando como animais, e aquele corredor estava muito quieto. Porem ao passarmos por mais uma janela, coberta de sangue, comecei a duvidar de mim mesmo.
--Não se preocupem. Disse Paulo. –Se algo acontecer eu estou aqui, e alem disso, não há nada do outro lado.
Disse ele apertando o fuzil contra o peito.
--E mais, vocês estão bem armados, disse ele apontando para as espadas e a pistola que eu ainda carregava, sem balas. –Vocês estão com um profissional treinado para salvar vidas.
Disse ele, dois segundos antes de tropeçar nos próprios pés e quase cair.
Eu olhei para Robson, que disse entre os dentes.
--Será mesmo?
Após chegarmos ao final do escuro corredor, onde havia uma porta pela qual passamos, saímos numa travessa de uma avenida, ela era um tanto estreita porem era grande em extensão, e estava deserta.
--Barricadas dos dois lados, nas pontas. Há diversas delas pela cidade, quanto mais tentávamos salvar as pessoas, mais zumbis apareciam e mais pessoas se transformavam, então começamos a evacuar por etapas, claro que nem toda a força policial foi suficiente para impedir o avanço de milhares de zumbis, então começamos a fechar as ruas, pouco a pouco, ate os postos, onde as pessoas ficavam.
--Que tipo de postos? Perguntei.
--Ah, todo tipo de prédio que pudéssemos usar, escolas principalmente, mas havia muitas pessoas querendo entra e muitas querendo sair e resgatar seus parentes então, há cinco dias ouve um colapso e quase todos os postos não resistiram. Pelo que sabemos só há um abrigo alem do nosso, ele fica na zona Sul, perto do zoológico, porem perdemos o contato, só conseguíamos ouvir grito de socorro e pedidos de ajuda há dois dias, e de repente eles desapareceram.
Todos ficamos em silencio, atravessamos à travessa ate o meio dela, um grande edifício separado dos outros em volta erguia-se das sombras, havia uma porta de tamanho médio, ela estava trancada com três grandes cadeados, e parecia reforçada com barras de ferro.
Paulo tirou do bolso esquerdo da calça um molho de chaves e abriu os cadeados, e empurrou com força à porta, ela se moveu de pouco em pouco ate estar totalmente aberta.
--Venham, entrem, vou deixar destrancada para quando o Capitão voltar.
Entramos Bianca um pouco temerosa, apertou meu braço dolorosamente.
Paulo indicou as escadas de emergência, por onde subimos, quando chegamos ao primeiro andar tivemos uma surpresa, dava para ouvir o barulho de vozes humanas, havia uma grande porta de ferro no final da sala que havíamos chego. Paulo se aproximou da porta e bateu três vezes.
Por uma pequena fresta, dois olhos nos observaram, e uma voz grossa perguntou.
--Quem são eles?
--Ora, Zé, abra logo essa porta, encontramos sobreviventes!
Ele nos olhou mais uma vez, e seus olhos desapareceram da fresta, ouve um barulho de travas sedo destrancadas e retiradas, então a porta se abriu, e um homem alto, um tanto gordo e moreno abriu um pequeno sorriso:
--Entrem, chegaram bem na hora do jantar!
Paulo sorriu e fez um gesto para que entrássemos primeiro e assim o fizemos.
Quando entramos, demos de cara com algumas crianças correndo de la para cá, e muitas pessoas sentadas e varias mesas espalhadas pelo enorme saguão cinza claro. No momento em que cruzamos o portal, muitos deles nos olharam com interesse, outros sorriram, e outros se levantaram e se aproximaram, eu também sorri, parecia que pelo menos por enquanto estávamos a salvo.

“C.R.A.Z.: Centro de Resistência Anti-Zumbi”


 

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