Crônicas de um sobrevivente

 

 

[Capítulo 7] O Metrô
[7]


Meu nome é Henrique, tenho 15 anos, e eu sou um sobrevivente de uma epidemia que já percorreu toda a América do Sul. Essa epidemia é causada por algum tipo de vírus, que por enquanto é desconhecido, vírus que causa uma espécie de mutação na pessoa afetada, de algum modo ela morre e depois volta à vida, sedenta por carne, seja humana ou de outros animais. Depois de uma repentina invasão dessas criaturas que agora são chamadas de zumbis, fui obrigado a procurar algum abrigo. E o encontrei, mas esse foi totalmente destruído pelos zumbis. Foi quando me vi no meio de uma guerra, uma guerra pela sobrevivência, uma guerra de humanos contra zumbis, e a cada hora a batalha se tornava mais desigual, pois a todo o momento havia humanos se transformando em zumbis. O dia em que foi oficialmente proclamada uma invasão por zumbis, acabou recebendo o nome de "Dia Z".
Depois de uma batalha pela vida, consegui fugir e chegar à casa de uma garota da minha idade, ela me ajudou e me deu abrigo. Logo depois, as coisas começam a piorar, nossa comida acaba, e, depois de invadirmos a casa vizinha para buscar alimentos, Sergio -um amigo que me acompanhava - acaba sendo infectado por um zumbi. Agora Mas ele acaba por não nos revelar isso, colocando todos a sua volta em perigo, depois de alguma pesquisa, consegui descobrir isso e logo me vi numa situação pela qual eu nunca havia passado antes. Eu precisava escolher entre matar meu amigo ainda vivo, ou deixar que ele sofresse a mutação e se transformasse em um zumbi, Robson, outro acompanhante, foi contra, mas ainda sim fui obrigado a matá-lo. Agora me vejo numa outra situação difícil, nossos suprimentos estão acabando e nossa única escolha é sair em busca de mais comida, no meio de uma cidade infestada por zumbis sedentos por sangue.


[Dia 22 - 8h15min AM]


Já era de manhã quando o primeiro som que não fosse um gemido de um maldito zumbi ou de helicópteros do exercito ocorresse naquele lugar. Levantei-me da cadeira onde estava sentado, fui ate o lugar do barulho. Na cozinha Robson comia uma velha bisnaga, quando me viu ali, rapidamente perguntou se eu estava bem.
--Sim, estou. Mas e você? Respondi a sua pergunta.
--Eu? --Ele suspirou e mordeu um pedaço pequeno da bisnaga. --Eu ainda estou meio abalado com tudo o que aconteceu, mas vou ficar bem.
--É natural, ninguém deveria perder um amigo... Daquele jeito.
Disse, minha voz soou em tom melancólico, Robson percebeu isso e tentou me consolar.
--Você não deve se culpar pelo que fez. Tenho certeza de que o Sergio queria morrer como um humano, não como um... Zumbi.
Eu olhei para ele, mesmo assim, nada fazia sentido, e a sensação de que eu não havia conseguido salva-lo desse destino era mais cruel do que qualquer coisa naquele momento, isso me deixava oco por dentro, aquilo era terrível.
--Eu não deveria estar assim, se eu quero sobreviver a isso, preciso ser forte, não quero sentir isso de novo.
--Não seja tolo, Henrique, se você sentiu isso, quer dizer que ainda é humano, e isso é bom.
Ele se levantou e colocou a mão no meu ombro direito, mas ainda sim isso não era nada consolador. Por que aquilo estava acontecendo, talvez o capitão estivesse certo, talvez todos estivessem certos, as chances de jovens de 15 anos sobreviverem a uma situação como essa fosse mínima, e que, por mais perseverantes que fossemos, uma hora ou outra pereceríamos.
Uma voz veio aos meus ouvidos, era Bianca, ela estava usando uma calça esportiva e uma camisa da seleção brasileira.
--Bom dia, Henrique. Sussurrou ela em meu ouvido apos um longo beijo.
--Bom dia Bia. Respondi.
Robson que estava esse tempo todo com o olhar vago em direção ao jardim de repente se sobre-saltou:
--Henrique, quase me esqueci, precisamos de mais comida.
--Que? Perguntei, não havia entendido o que ele havia acabado de falar. Estava conversando com Bianca aos sussurros.
--Precisamos de mais suprimentos, o que temos não vai durar mais do que um dia.
--Esta certo. Eu estive pensando nisso sabe, e acho que devemos invadir outras casas e procurar comida lá.
--Quando faremos isso? Perguntou Bianca.
--Você quer dizer quando Robson e eu faremos isso. Você não vai.
--Como assim eu não posso? Por acaso você manda em mim?
" Como as mulheres eram complicadas, não importava a situação, elas sempre tentavam dificultar as coisas" pensei.
--Bia, entenda uma coisa, eu não vou arriscar a vida de mais ninguém aqui.
Ela pareceu mal humorada e descontente pela frase.
--Você esta arriscando a vida do Robson, se ele for.
Suspirei, tentando manter a calma, mesmo que nos a deixássemos ir, alguém precisaria ficar na casa tomando conta, e essa pessoa não poderia ser eu ou Robson.
--Robson é Robson, Bianca é Bianca. São coisas total mentes diferentes, e alem do mais ele sabe se cuidar. Disse, piscando para Robson, que já estava verificando seu equipamento.
--Vocês homens, sempre duvidando da capacidade feminina.
Será que ela não compreendia a situação? Me levantei da cadeira e fui em direção ao quarto arrumar meu equipamento.
--Você não entende? Não posso me dar ao luxo de perde-la. Disse a meio caminho da escada, logo em seguida subi ate o quarto para arrumar minhas coisas.
Depois de alguns minutos, eu e Robson estávamos prontos e equipados para enfrentar zumbis se precisasse.
--É só puxar aqui e apertar o gatilho e ela ira disparar. --Eu tentava explicar para Bianca como se destravava e atirava com a antiga pistola do Sergio.
--Ok. Respondeu ela.
Eu e Robson descemos pela janela do quarto de visitas, o plano era passar pela casa onde o Sergio estava enterrado e chegar as outras quatro casas que haviam por perto. No começo ate deu certo, mas não foi possível adentrar na ultima casa, ela estava abarrotada de zumbis, e parece que esses haviam se transformado em zumbis a pouco tempo, pois fediam um pouco menos do que o comum para outros zumbis. Quando voltamos, encontramos Bianca jogando paciência com um velho baralho, tudo que conseguirmos carregar de suprimentos estava dentro das mochilas, quando tiramos tudo e colocamos em cima da mesa, soubemos que a situação era bem pior do que pensávamos.
--Uma lata de atum, uma lata de ervilha, uma pacote de bolachas lacrado, duas barras de chocolate, e um saco pequeno de balas. Droga isso não vai durar nem dois dias. Disse Robson fazendo uma lista das coisas que ainda tínhamos.
--A coisa esta feia, não poderemos sobreviver com isso por muito tempo, e pior, não temos para onde ir agora. Disse Bianca preocupada.
--Negativo, temos um lugar aonde poderíamos ir.
--Henrique, você esta pensando... Não pode ser... Naquele prédio? Disse Robson.
--Sim. -Respondi --Veja bem, nos temos duas alternativas, a primeira é sair dessa casa e ir em busca de algum lugar mais seguro e com mais comida, a segunda opção é ficar aqui ate morrermos de fome, ou pior, morrermos por alguma invasão de zumbis, mas de qualquer maneira morreremos se ficarmos aqui.
--Não é mais fácil irmos para um shopping ou algo do tipo? Perguntou Bianca.
--Não, fomos todos pegos de surpresa, duvido que algum shopping ou mercado estivesse fechado quando tudo isso começou a acontecer e será bem improvável que o lugar esteja limpo de qualquer zumbi, e ainda não podemos esquecer que muitas pessoas podem estar usando esses mercados como abrigo, e duvido muito que eles deixariam a gente entrar no lugar.
--É, você tem razão, mas que prédio é esse? perguntou Bianca.
--Venha comigo. Respondi.
Subimos as escadas e fomos ate o quarto de visitas, que dava diretamente para o centro, lá, bem no centro havia um grande prédio cinza, e em cima dele, do que parecia ser uma chaminé saia fumaça, uma fumaça que não cessava desde o momento em que havíamos chegado ali.
--E como chegaremos até lá em segurança? Perguntou Bianca, descrente na idéia de irmos ate o prédio.
--Metrô! Responderam Robson e eu ao mesmo tempo.
--Seria possível, estamos bem perto da estação Jardim São Paulo de Metrô. Poderíamos ir por dentro das estações a pé. Disse Robson.
--Sim, e Robson aqui poderia fazer ligação direta num carro qualquer para irmos com mais segurança para o Metrô, mas teremos que esperar ate amanhã. Já é tarde e iria escurecer muito rápido, e precisamos chegar ate o prédio antes da noite, não sabemos como esta o Metrô.
Naquela noite repassamos todo o plano, Robson havia saído na rua rapidamente para conferir se o carro estava bom. Ele saiu por uma das casas das quais havíamos procurado suprimentos ontem. De acordo com Robson, o prédio deveria ficar bem perto da estação de Metrô de São Bento. Se conseguíssemos chegar ate o prédio, alguém poderia nos ajudar.
--Então esta tudo certo? Todos sabemos o que devemos fazer amanhã? Perguntei para os outros.
--Sim. Responderam Robson e Bianca. --Espero que esta noite não passem tantos helicópteros por aqui, preciso ter um noite de sono descente hoje.
--Como assim tantos helicópteros? Ate agora não vi nenhum por aqui. Disse Bianca desconfiada.
--Ah, deixa pra lá vai. Respondi evasivamente.
--Não Henrique, que historia é essa de helicópteros? Perguntou Robson curioso.
Suspirei nervoso, como eu esperava, mencionar os helicópteros não seria nada bom.
--Bem, esta noite, como você sabem eu não dormi, vigiei a noite toda, e ouvi inúmeros helicópteros do exercito passando por aqui. Fui ate o quarto onde Robson estava dormindo e da janela era possível ver um monte deles, infelizmente Robson estava ferrado no sono e eu não quis incomodá-lo, nem você Bianca.
--Mas por que não? Poderia ter me acordado e nos faríamos algum sinal para eles. Exclamou Robson, estava claro que todos exceto eu estavam ansiosos por um possível resgate.
--Não iria adiantar nada, quando eu vi eles passando aqui por cima, liguei o radio e procurei uma freqüência para que pudesse falar com eles. Eu ouvi uma mensagem de emergência, dizendo que todos os sobreviventes deveriam se dirigir para algum lugar na Zona Sul, pelo que me pareceu a cidade estava isolada, ninguém entra e ninguém sai, e parece que estes helicópteros não eram para resgate e sim para impedir que alguém saísse da cidade sem passar por um exame antes, ou ate pior, parece que eles estão matando quem o tentar.
--Isso não pode ser verdade! Disse Robson num tom mais elevado de voz que misturava raiva e desespero, se não podíamos sair da cidade o que mais poderíamos fazer?
--Mas o Brasil já era, por que eles se preocupariam com isso? Perguntou Bianca.
--Por que o Brasil ainda não acabou, segundo os militares, 80% da população das cidades esta contaminada com o vírus, ou seja, ainda restam em torno de trinta e seis milhões de pessoas vivas, e isso é um bom numero, e com esse numero talvez eles achem que possam eliminar pelo menos uma certa quantidade de infectados.
--Meu Deus, e quando poderemos sair da cidade? Perguntou Robson, chios punhos estavam fechados, ele parecia que acabara de levar um murro de alguém.
--Talvez nunca, a cidade esta sobre quarentena, se ate lá nada melhorar eles fecharam isso de vez. Respondi.
--Mas por que só São Paulo?
--Ligue o radio. Disse a Robson, que o ligou e ajustou a freqüência, localizando-a.
Uma voz masculina falava alto e sua voz era urgente.
--...Por favor, senhoras e senhores, sigam para o local descrito anteriormente, devido a alta porcentagem de infectados na cidade, não poderemos estar resgatando-os, mas estamos fazendo o possível para ajudá-los. A cidade esta sob quarentena, por isso vocês não poderão ser resgatados antes de passar por exames biológicos. Temos a suspeita de que o vírus foi introduzido na cidade de São Paulo, e se espalhando para outras localidades a partir dai. Esperamos que entendam nossas ações, estamos fazendo o possível para tentar ajudá-los, por favor colaborem. O exercito brasileiro não vai desistir. Remetendo... Devido as seguintes circunstancias, esperamos que os senhores... --A voz parou quando desliguei o radio, Robson que estava ouvindo a noticia atentamente não gostou muito.
--Por que desligou? Precisamos saber que lugar é esse, e onde fica.
--Não precisamos não, nos não iremos para lá. Iremos fazer como o planejado, e se quer saber, é algum lugar perto da represa Guarapiranga.
Assim, depois disso, dei um beijo em Bianca e fui dormir, hoje Robson começaria como vigia.
O Sol havia acabado de nascer quando um barulho na porta da frente me fez levantar com tudo, parece que eu havia estado cochilando um pouco.
--Acalme-se cara, sou eu. Disse Robson, ele já estava vestido com o uniforme e estava verificando a porta para ver se estava tudo ok.
--Parece que os zumbis se despertaram um pouco mais ainda ha. pelo menos uns quinze do outro lado da porta.
--É, e parece que eu acabei cochilando quando deveria estar vigiando. Disse com sono.
--Isso é bem plausível. Respondeu ele.
Levantei-me do lugar onde estava sentando, sentindo com relutância certa dor no corpo, pensando melhor agora, eu nem sabia se poderia dormir bem novamente em minha vida. Eu não consegui mais dormir direito, grandes olheiras em meus olhos demonstravam isso, e mesmo as raras vezes em que dormia, tinha pesadelos terríveis, sobre zumbis devorando minha família, e sobre a morte de Sergio. Tentando apagar temporariamente esse pensamento de minha mente, comecei a fazer um leve alongamento dos membros, era certo de que eu precisaria deles o tempo todo.
--Onde esta a Bia? Perguntei enquanto fazia algumas flexões para "acordar os músculos".
--Deve estar dormindo ainda. Respondeu ele ligando mais uma vez o radio, talvez, pensei fosse para realmente comprovar que tudo quilo que ele havia escutado da ultima vez não estava errado, não fosse um simples sonho.
--Eles não vão nos resgatar. Disse levantando os braços doloridos.
--Mas por quê?... Por que fazer uma coisa destas? As pessoas desta cidade precisam de ajuda. Onde esta a policia, o exercito, onde esta o presidente numa hora dessas?
--Provavelmente fugindo confortavelmente em seu avião particular, enquanto nos, meros mortais ficamos aqui a mercê de alguns poucos milhões dessas criaturas.
--Sabe Henrique, as vaze eu me pergunto o que teria causado tudo isso, o estopim dessa infecção.
Pensei um pouco, varias vazes eu imaginava como e onde havia começado essa epidemia, mas pelo que a mensagem de emergência no radio dizia, o inicio deveria ser aqui, na capital, São Paulo. Será que ninguém notou? Quando tudo começou, será que ninguém avisou que alguns malucos estavam andando por ai devorando pessoas? É, parecia que não.
--O que mais me incomoda, Robson, é que ate agora não ouvi menção alguma do culpado disso, ou da onde veio isso.
Ele concordou com a cabeça, seu olhar estava triste, e a cada dia que passava, parecia que um pouquinho de sua vida ia desaparecendo e com ela a esperança de sobrevivermos.
--Não se preocupe Robson, nos vamos viver, eles não vão nos derrotar.
--É, mas a cada dia que passa, eu sinto como se passa assem anos desde que minha família toda foi morta. E as vazes eu esqueço os rostos deles, e isso me da medo.
Aquelas palavras foram tristes, de alguém que por mais que queres se sobreviver, o via a cada dia mais longe de sua família, aquilo tocou meu coração frio. Por mais podre que estivesse o mundo agora, todos estávamos no mesmo barco, tínhamos que parar com nasça disputas mesquinhas e nos unirmos uns aos outros para nos ajudarmos.
Uma hora depois, Bianca já estava acordada, e estava vestindo o antigo uniforme de Sergio, ficou um tanto largo nela, mas isso foi facilmente resolvido com alguns cintos. Discutíamos alguns detalhes do plano de ultima hora. Combinamos que deveríamos fazer uma passagem pelo tumulo de Sergio que agora estava com pedras por cima eu as havia colocado lá na tarde anterior.
Dividimos a bagagem nas mochilas, e eu entreguei a arma de Sergio para Bianca, poderia ser útil, dei algumas dicas sobre como ela deveria atirar, ela pareceu se confundir um pouco com aquilo, mas mesmo assim gostou de por a arma, isso a fazia se sentir mais segura, e era uma preocupação a menos para mim. O plano foi colocado em ação por volta das 9h30min daquela mesma manhã. Como o combinado, Robson pulou de casa em casa -já que estas eram bem próximas- e chegou ate uma pequena travessa onde estava um carro estacionado em prefeito estado e com gasolina no tanque. Ele iria fazer a ligação direta e também iria trazê-lo para a rua mais a frente, paralela a avenida da qual a casa de Bianca estava. Enquanto isso, eu e Bianca fomos ate a seguinte rua, e tiramos alguns zumbis do caminho, quando Robson chegou, entramos dentro do carro e partimos em direção a estação de Medro Jardim São Paulo. O percurso era difícil, havia muitos zumbis pelas ruas, porém, muitos deles eram muito lerdos para alcançar um carro a 40Km/h. Porem eu me perguntava como alguns desses zumbis conseguiam praticamente correr, mesmo que um pouco desengonçados, estes davam um certo trabalho, depois de um longo tempo pensando, percebi que esses zumbis corredores estavam praticamente intactos, sem muitos ferimentos que os acusassem, provavelmente seus músculos ainda estavam inteiros o suficiente para fazer aquele esforço, sorte nossa de que só vimos dois desses, enquanto os zumbis lentos estavam lotando algumas ruas, onde eu suspeitava, ainda ateve gente viva, mas não podíamos parar para constatar nada, ou acabaríamos virando o café da manhã de zumbi.
A casa de Bianca ficava ha. algumas quadras, mais essa distancia demorou a ser percorrida, já que Robson tinha de fazer desvios por outras ruas para conseguirmos burlar os zumbis, tendo ele algumas vezes ficado nervosos e saindo atropelando eles com nosso Gol 1.4, enquanto eu me curvava na janela dando alguns tiros para afastar alguns zumbis do caminho.
--Estamos chegando, agora fiquem alertas. Eles estão por toda a parte, vou fechar o vidro agora. Disse aos dois.
--Ops! Disse Robson em tom irônico e de desculpas quando atropelou outro zumbi, esmagando seu corpo.
Minha munição estava acabando e eu não poderia me dar ao luxo de jogar mais balas fora. Na pistola cabia um pente de 16 balas. E eu só tinha dois pentes e meio. Robson possuía três inteiros, ja que estávamos usando alguma munição do Sergio.
--Droga!! Olha aquilo ali!!! Disse Robson xingando.
Quando eu olhei não acreditei no que via, dezenas de zumbis na frente da estação, eles a rodeavam como sanguessugas, Robson parou o carro, pensando na alternativa mais viável. Nos já tínhamos contado com isso. Bem, não exatamente isso, mas já tínhamos decidido usar uma isca, alguém para afastar pelo menos um pouco dos zumbis da entrada da estação que era uma escada grande que descia para a estação subterrânea. Eu era a isca, Saltei do banco do Gol, e comecei a correr para perto dos zumbis tentando chamar a atenção dos zumbis com tiros.
--EI!! SEUS CORPOS PODRES CHEIOS DE VERMES APODRECIDOS VENHAM ME PEGAR, AQUI!!! OLHE SÓ, UM PEDAÇO QUENTINHO DE CARNE FRESCA, VENHAM, SES IMUNDOS, TOMEM ISSO!
Gritava bem alto para chamar a atenção dos zumbis que estavam perto da estação, me posicionei a vinte metros deles, aos poucos eles erguiam os braços podres e começavam a gemer, aqueles gemidos me irritavam, eu comecei a atirar em alguns tentando ao Maximo acertar a cabeça deles, recuei um pouco e comecei a correr tentando levar a massa para longe para que Robson pudesse entra com o carro para dentro da estação.
--VENHAM!! Isso, seus idiotas, estão fazendo exatamente o que quero, se afastando da estação. Disse baixinho.
Eu já os tinha levado a pelo menos sessenta metro da entrada da estação. Eu pretendia levá-los a mais alguns metro, mas de repente uma mão gélida me agarra por trás e me derruba no chão.
--Droga!
era um zumbi, ele estava de óculos e com o terno todo rasgados, sua boca estava a centímetros do meu rosto, uma saliva verde pingava no meu cabelos, eu estava com as mãos no pescoço dele, tentando afastá-lo um pouco, mais ele era muito forte e eu estava perdendo a batalha para ele. Foi quando olhei para o lado procurando minha arma no chão e vi. Centenas de zumbis apareciam pelas ruas, eles vinham de todos os lugares e haviam vários deles bem atrás de mim, com um ultimo esforço afastei ele segundos suficientes para eu pegar minha arma no chão e apontar para a testa dele e atirar, miolos voaram para todos os lados e sangue espirrou em mim, joguei o corpo dele para o lado e senti a esperança se esvair de meu corpo , eu estava praticamente cercado, uns vinte zumbis me cercavam, eles estavam tão próximos que eu tinha de fazer força para não desmaiar com seus odores fétidos.
--Droga, tô morto!
Um barulho vem ao meu ouvido, parece o som de algum carro, e era, do nada surge um gol atropelando alguns zumbis, Robson havia dado um cavalo de pau, e o Gol parou centímetros da minha perna esquerda, zumbis voaram amassando o capô do carro.
--Entra!!!
Foi o que fiz,um segundo depois eu pulava pela porta aberta do Gol, Robson para sua idade era um ótimo motorista, mas eu não sabia o quanto. Assim que consegui me sentar no banco da frente, Bianca atrás pulou do banco traseiro e me deu um abraço, preocupada.
--Você esta bem?
--Por causa do Robson, sim.
--Vamos entrar contudo! Disse ele quando passamos por poucos zumbis que ainda estavam ne frente da entrada, o Gol praticamente fez um vôo, descendo as escadas meio de lado, porem, aquelas escadas não tinham espaço para um carro e o Gol acabou virando e capotando, parando de ponta cabeça. Sentindo uma dor lancinante na cabeça, me levantei e sai pela porta aberta, e dei uma olhada por cima do Gol. Não era possível ver os zumbis, mas eu sabia que eles estavam vindo, o mais rápido que pudessem, suas mãos brancas e apodrecidas querendo tocar a menor parte de nossos corpos, para poder provar um pouco daquele gosto de carne fresca., eu tinha que fazer alguma coisa. Me abaixei e puxei Bianca para fora do carro, ela estava inconsciente, apesar de não aparentar nenhuma ferida grave, apenas arranhões.
--Bianca, acorde, por favor. --Eu olhava toda hora para ver se os zumbis já estavam a vista. Bianca precisava acordar rapidamente ou seria nosso fim -- Bianca acorde!!!
Dei um tapinha no rosto dela, e ela abriu os olhos, tossiu um pouco, enquanto eu ouvia o vidro da frente do Gol ser quebrado por um chute de Robson que rapidamente já estava de pé. Arma em punho. Bianca se levantou, por sorte estávamos todos de capacete, o dano poderia ter sido bem maior. Puxei minha pistola e comecei a correr gritando para eles fazerem o mesmo, de todos os lados, em cima de nos surgiam zumbis, e dois deles praticamente pularam caindo com um barulho seco no chão, eles estavam indo mais longe do que eu esperava por comida. Assim que entramos na estação vimos o estrago que os zumbis tinham causado. A estação estava toda destruída, havia algumas marcas de tiro nas paredes, policiais e civis estavam caídos ali, mortos. Mas esses não eram os únicos ali, havia uma boa quantidade de zumbis ali, uma em especial me chamou a atenção, era uma mulher de uns quarenta anos, cabelos negros, eu a conhecia, era uma funcionaria do Metro, ela vestia o uniforme de trabalho, e seus olhos me seguiram, assim como suas pernas que estavam tortas pela grande quantidade de ferimentos de mordidas ali. Robson, Bianca e eu atirávamos somente naqueles que estavam mais pertos e por conseqüência poderiam nos atacar. Não tínhamos munição para acabar com todos, e não podíamos perder tempo. O trem do Metrô estava parado na plataforma à esquerda, e dava para se ver mais zumbis lá dentro, mas a plataforma a direita estava vazia, pelamos a roleta e descemos pela escada que dava nela, lá em baixo o piso parecia ser feito de sangue, havia mais zumbis á, alguns tão mutilados que não se mexiam direito, outros nem haviam virado zumbi, provavelmente haviam sido devorados por inteiro. Eu pulei para o trilho, e assim fizeram os outros, e Robson gritou para continuarmos, alguns zumbis estavam invadindo os trilhos e Robson estava matando-os para não correr o risco deles nos seguirem. Nesse momento agarrei a mão de Bianca e continuamos correndo juntos, sem olhar para trás. Os tiros cessaram, enquanto corríamos, Robson apareceu atrás de nos. Ofegantes, decidimos andar um pouco. Precisávamos poupar energia para caso precisássemos correr por uma certa distancia.
--Vocês estão bem? Perguntou Robson, abrindo o visor do capacete.
Eu apenas balancei a cabeça, num sinal positivo, o mesmo fez Bianca. Aquela maratona pelas ruas de São Paulo não havia sido fácil, porem pelo menos ate agora tudo tinha saído bem. Mas nem por isso esse percurso seria mais fácil, três pelo meio do caminho. Estações lotadas de zumbis, trens abandonados com zumbis, e teríamos que passar por muitos deles, antes de chegarmos à estação São Bento onde teríamos de mais uma vez sair da certa "segurança" dos trilhos e túneis do Metrô e ir para as ruas da cidade. Parecia um plano suicida aquele, pôr era nossa única alternativa naquele momento. Com o exercito pronto para matar qualquer um que tentasse sair da cidade, a única coisa que poderíamos fazer era procurar outros sobreviventes.
Chegamos a um ponto onde a saída do metrô para o céu aberto, o que significava que a próxima estação, Santana, estava eticamente a nossa frente. Deveríamos tomar o Maximo de cuidado, e passar rápido por ela. Porém, aquilo era apenas a ponta do iceberg. Aquela era a primeira das quatro estações que ficavam a céu aberto, eram elevadas do solo e estavam praticamente em linha reta. Ou seja, quem estava na próxima estação -exceto Armênia -poderia ver uma pessoa que se dirigia para a mesma. Isso era ruim, nos estávamos perdendo o efeito surpresa.
--Agora fiquem alertas. --Resmungou Robson.
Nos íamos em fila indiana, Robson ia na frente, depois Bianca e por ultimo cobrindo a retaguarda, eu.
A estação Santana estava toda destruída, parecia que nada menos que um tufão havia passado por ali, enormes manchas de sangue por toda parte, porem nenhuma parecia ser muito recente, alguns pedaços de carne humana eram vistos nas plataformas. Porem não havia sinal de vida ou mesmo de zumbis, tudo estava anormalmente quieto, nenhum trem estava parado ali, apesar de nos trilhos, haver algumas marcas, como se o trem tivesse freado o Maximo possível de uma vez só, e depois tivesse continuado seu caminho.
--Isso aqui esta muito quieto. --Dizia Robson, olhando atentamente enquanto passávamos à estação e seguíamos reto para a próxima estação. Não demorou e chegamos na próxima estação, era a estação Carandiru, porem era quase impossível ver o nome no alto, pois havia sangue cobrindo as letras e a carnificina era enorme. Para onde olhávamos havia corpos mutilados, dilacerados, havia corvos no alto da estação, eles nos olhavam como se quiséssemos roubar sua refeição. Eu os olhava com muito cuidado, numa historia famosa sobre zumbis, havia corvos que atacavam humanos por estarem infectados pelo mesmo vírus que os zumbis, e eu não queríamos correr aquele risco, ainda não sabia os efeitos do vírus em animais.
Havia um trem mal estacionado, apenas metade dele havia entrado na estação, a outra metade estava para fora, e só havia escuridão dentro. Se era assim, provavelmente não havia energia, e só tinha um meio de conferir isso.
Assim que saímos da estação vimos um zumbi sem pernas no beirada dos trilhos, ele ergueu os braços quando passamos por ele.
--Vão indo.
Disse a Robson, então em seguida puxei a espada, ela era um pouco pesada, e de certa forma dificultava meus movimentos, mais havia provado ser útil para matar sem fazer barulho, coisa que com uma arma sem silenciador era impossível. Depois de dar o golpe de misericórdia, fui ao encontro de Robson e Bianca que já estavam quase na outra estação esperando apenas por mim. Enquanto nos aproximávamos da estação vendo um trem parado sem energia, eu decidi parar e fazer o teste mais simples possível.
Me agachei, tirei a luva e encostei a mão no trilho. Nada. Não havia nem sequer uma corrente elétrica, mesmo mais fraca que fosse.
--Henrique! --Exclamou Bianca se virando bem na hora em que eu estava com a mão no trilho.
--Não se preocupe ,esta sem energia.
--E não é só aqui, olhe para a cidade, esta tudo destruído, não nenhuma construção que tenha energia. --Disse Robson.
E ele tinha razão, pensei, lá em baixo, nas ruas, milhares de zumbis andavam sem rumo, alguns tentavam capturar um pequeno gato que andava por lá.
--Inferno! --Resmunguei.
A estação Portuguesa - Tietê estava a nossa frente, Robson caminhou com cuidado pelo estreito dos trilhos, ele se agachou e chegou num ponto seguro, onde era possível ver o que havia nas plataformas, eu e Bianca ficamos um pouco mais atrás agachados, nos preparando para correr se necessário.
Robson olhou para mim e passou sinais com a mão, eles diziam que havia quatro zumbis na plataforma vazia a direita, mas quando ele olhou para o outro lado, fez um sinal de negativo para nos. Eu me aproximei e pude ver, do lado em que o trem estava estacionado haviam no mínimo vinte zumbis do lado de fora, e mais outros tanto dentro do trem, que tinham as duas portas abertas. Ale éramos presas fáceis para eles, tínhamos que passar o mais rápido o possível.
--Quando eu disser já, a gente corre Robson, não importe o quanto for tentador, não atire neles, a não ser que eles cheguem perto demais.
Cochichei para Robson e Bianca.
Os dois acenaram com um sim, fechando o visor e se preparando do capacete e se preparando para correr. Eu olhei para todos os lados pelo menos três vazes para ter certeza de que era seguro passar.
--Muito bem... Já!!
Saímos correndo, os zumbis logo notaram nossa presença porem seus raciocínios lentos os fizeram olhar bem para ver se aquilo era real. Quando pensaram em ir atrás de nos, já era tarde demais, já estávamos longe.
Passamos por um dos rios mais famosos e sujos da cidade, o rio Tietê. Seu cheiro fétido e sua cor escura o destacavam no meio de toda a marginal que o seguia, toda destruída, carros por todo lado batidos, destruídos, amassados e abandonados, eles não eram bem a única "atração" por ali. Havia um zumbi que estava no meio do rio, se afogando, ele parecia ter ido longe demais, e agora não conseguia voltar para a margem, porem era possível ver que ele tinha uma certa noção de como bater as pernas e braços, talvez ele soubesse nadar quando vivo, mas sua imagem estava agora tão cômica que me deu vontade rir, e ate mesmo uma sensação de pena. Coitado, ate para ele, um ser que fedia a podridão, o rio parecia estar com um cheiro insuportável.
" Era isso que vocês, direitos humanos queriam?" pensei com um ar de graça, o lado positivo daquilo era que o rio Tietê iria se purificar ate ficar limpo aos poucos, a que não haviam mais humanos para o poluírem.
A próxima estação era a Armênia, esta confesso, foi a estação mais fácil de se atravessar, sem nenhum zumbi a vista e nem muito sangue. Quer dizer, sem muito sangue queria dizer que havia apenas algumas dezenas de litros de sangue seco. Quando em alguns lugares haviam não só sangue, mas pedaços de corpos retalhados.
Quando finalmente alcançamos o túnel, foi um alivio, pois agora não estávamos tão expostos quanto antes. Porem ainda estávamos longe de alcançar nosso objetivo.
Depois de passarmos por mais uma estação um tanto complicada, Tiradentes, chegamos num ponto onde corríamos muito risco. Passar pela Luz, ultima estação antes de São Bento, era uma coisa muito ruim. Ela era imponente, uma estação importante da cidade, fazia ligamento entre trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e os trens do Metro, alem de suas plataformas do Metro serem quase tão grandes quanto a da principal estação da cidade, a Sé.
--Eu quero que vocês tomem muito cuidado agora, atirem em qualquer coisa que chegue muito perto, provavelmente terão alguns deles lá.
--Certo, e eu vou verificar a estação agora, ver como ela esta. --Disse Robson.
--Tome cuidado Robson. Disse.
--Tomarei. --Respondeu ele, correndo por entre a escuridão do túnel do Metrô.
Passados alguns minutos ele retornou um pouco assustado. Quando perguntamos o porquê de sua agitação ele nos descreveu o lugar como quase impossível de se passar.
--Há zumbis por todas as partes, até nos trilhos, e não são poucos, são dezenas, se duvidar, centenas.
--Droga isso é mal, quer dizer que teremos que passar a noite aqui. Respondi a ele.
--Isso aqui não é muito seguro, mas se temos que passar a noite, então melhor ficarmos entre as duas estações para não corrermos o risco de sermos surpreendidos.
--Concordo, então amanhã tentaremos passar aquilo. --Disse Robson, ele não estava nada feliz em ter de enfrentar um bando de zumbis num lugar fechado, chegou ate mesmo em falar em desistir e voltar.
--Sem chance, já chegamos ate aqui, e alem do mais que chance teríamos se voltar? Ficaríamos presos nessa cidade e isso é que realmente eu não quero. Respondi ele quando me veio com a proposta de dar meia volta.
A noite foi péssima, nos só tinhamos noção do dia e da noite devido ao relógio do Robson, alem de que estava muito difícil dormir sabendo que ao lado havia zumbis querendo nos devorar. Quando a manhã chegou mesmo se ver o sol, aquilo foi um alivio. Mas nossos problemas só estavam começando. Agora viria a parte mais difícil, atravessar a estação.
--Eu vou na frente, vou tirar alguns do caminho, Bianca vem logo atrás de mim, e Robson vai cobrindo a retaguarda. Pelo que ele nos disse, o lugar em que há menos zumbis são exatamente o meio da plataforma central, é por lá que iremos. Quero todos juntos e se eu disser, continue sem mim, vocês continuarão, certo?
--Não vai ser necessário. Respondeu Bianca.
Eu simplesmente não falei nada, continuamos andando ate ver uma luz no fim do túnel, quando nossos olhos se acostumaram com a mesmo que fraca luz que havia ali, vimos que o negocio estava muito pior do que imaginávamos.
Eram dezenas de zumbis por todas as partes, me fixei em olhar bem o lugar por onde passaríamos. A plataforma central. Olhei para os dois, dei um sinal positivo então puxei a espada e comecei a correr, Bianca logo atrás de mim, logo o campo estava cheio de corpos caídos no chão, minha munição ia embora como se fosse água. Logo só me restavam três balas do ultimo pente, Robson já esta sem balas e atacava os zumbis com a espada, Bianca ainda possuía algumas balas e atirava pra todo lado, tentando nos ajudar abrir caminho. Um zumbi me derrubou, mas eu consegui matá-lo com uma pequena faca que havia conseguido na casa de Bianca, me levantei bem na hora de ver um bolo de zumbis descendo degraus abaixo da escada rolante que agora estava parada. Eles se espatifaram no chão, agora tínhamos mais um problema, já não estávamos conseguindo abrir nem caminho com somente estes zumbis, agora com mais, estávamos praticamente declarando nossa sentença de morte.
De um lado Robson estava enfrentando dificuldades com três zumbis particularmente grandes. Puxei a faca de carne que estava comigo e joguei as cegas num deles, acerto bem seu pescoço e ele caiu.
--Que sorte! --Gritou ele, não era nada fácil jogar uma faca e acertar uma pessoa bem na cabeça.
--SÃO MUITOS!! --Gritei.
--Por aqui!
Era Bianca, ela havia conseguido chegar aos trilhos e agora gastava suas últimas balas com os zumbis que a estavam alcançando. Ela gritou, nesse momento Robson e eu pulamos da plataforma em cima dos zumbis com as espadas. Matei dois de uma vez. Aquilo era bom, eu sempre tive uma sensação boa quando estava com raiva e feria alguém de quem não gostava.
--Vamos! --Gritou Robson
Nos corremos o mais rápido que pudemos, sempre olhando para trás para saber se haviam zumbis a nossa cola.
Foi quando nos deparamos com duas grandes barricadas, uma atrás da outra protegendo os dois trilhos. Elas eram feitas de barris, blocos, concreto e algumas placas e eram altas, dificultando que a pulássemos.
Finalmente depois de tudo pelo que passamos estávamos chegando ao nosso objetivo, porem ainda havia alguns obstáculos a serem superados. E nosso objetivo primário era encontrar sobreviventes, se reunir a eles e formar um grupo que tenha força para transpor o exercito.
--Acho que podemos para um pouco por aqui. --Disse Robson, se esticando.
--Eu acho que não garoto! --Veio uma voz a nossa frente, eram três pessoas vestidas com o uniforme da policia, carregavam metralhadoras e pareciam estar ao mesmo tempo contentes e preocupados ao nos encontrar.
--Ora, ora, Ramon, parece que estes garotos estão encrencados.
Disse o homem moreno, alto e com uma voz grossa para outro baixo que sorria para nos.
--Parece que sim Dante. --Respondeu ele. --Ok, garotos e a garota, larguem as espadas.
Eu dei uma olhada de leve para Robson, parecia que este era o fim de nossa jornada por sobreviventes.

Continua...

“C.R.A.Z.: Centro de Resistência Anti-Zumbi”.
“ Guerras vêm e vão, mas nossos soldados são eternos.”


 

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