Crônicas de um sobrevivente

 

 

[Capítulo 3] Guerra Civil Parte 1
[3]


*Eu estou na cama de minha casa, esta tudo escuro, eu escuto gemidos do lado de fora, e batidas na porta, eu vou ate a janela da sala e afasto as cortinas.
--NÃO!!!
Centenas, milhares de zumbis todos com olhos brancos, e sem pedaços de seus rostos, algumas mãos perfuram o vidro e me agarram "eu não posso morrer assim, eu preciso me salvar!", é o fim...*

Eu acordo repentinamente, abro os olhos, estou num quarto escuro, e deitado numa cama confortável. Eu me toco para ver se aquilo não era um sonho "ainda bem", me levanto. Aquilo que chamo de cabeça esta doendo muito, eu boto mão sobre minha nuca, dói, parece um hematoma, acho que levei uma pancada. Eu só me lembro de ter saído da escola, depois tudo fica nublado. "Meu irmão", droga, a imagem dele, com camisa vermelha e uma calça jeans lá, morto e com um pedaço de seu estomago no chão, não me saia da cabeça, era frio e cruel de mais para alguém o ver, ainda mais um familiar assim como eu. Mas eu não choro, de meus olhos não caem sequer uma lagrima, "eu não posso fraquejar agora, senão tudo que eles fizeram por mim teria sido em vão, preciso ser forte, frio, intocável...".
Eu ouço vozes, me deito rapidamente e procuro algo na escrivaninha que ao lado da cabeceira da cama que posa me ser útil, eu apenas acho uma caneta, que a deixo em minha mão, de baixo dos lençóis para usar como uma possível arma se fosse necessário. Nesse momento a porta se abre, eu apenas deixo meus olhos semicerrados, um homem entra por ela, ele é alto, forte e apesar de quase não haver luz no quarto, a luz de fora faz seu distintivo brilhar. Ele da uma boa olhada pelo quarto, e vai andando devagar ate onde estou. Eu consigo sentir um forte cheiro de perfume nele, sua cabeça fica bem perto da minha, eu fecho os olhos, ele parece estar me inspecionando "é agora ou nunca". Com um movimento rápido eu puxo o braço por debaixo dos lençóis e com o outro eu o passo em volta de seu pescoço o puxando para perto, e deixo a caneta a um centímetro de seu pescoço, o homem foi pego de surpresa, mas mesmo assim aparenta estar calmo e bem lúcido sobre minhas intenções, eu falo num tom calmo e ameaçador.
--Quem é você, onde estou, fale logo!!
Ele ainda parece bem calmo, da um leve suspiro e diz em voz calma:
--Você parece bem determinado no que esta fazendo, acha que pode me matar com uma caneta. --Sua voz é seria e calma porem eu sinto um tom de deboche nela.
--Ah! Sim, posso te matar com uma caneta.
Ele solta uma exclamação baixa e quando fala parece mais decidido do que nunca:
--Não, não acredito. Uma caneta não é uma arma muito adequada para ferir alguém.
Estou cada vez mais cauteloso com esse cara, ele parece saber o que fala, exceto que...
--Não seja tolo, eu sei que você sabe o que estou fazendo. --Agora eu o disse em tom de deboche.
--A é? Então o que você esta fazendo?
--Eu tomei cuidado para que a caneta ficasse em cima de sua jugular, e ela é muito sensível, uma caneta é o suficiente para perfurá-la, e se isso ocorrer, você morrerá rapidamente e me dará tempo o suficiente para escapar desse quarto.
--Você não teria coragem.
--Você não tem idéia do quanto me seria fácil perfurar a sua jugular externa com essa caneta. Agora me diga algo de útil ou eu...
Foi tão rápido que eu não pude fazer nada, quando me dei por mim, ele já estava com a caneta e suas mãos imobilizavam meus braços para traz enquanto sua perna estava estendida e sua bota em minha coluna vertebral, pronto para destroncar meus braços e talvez fazer um estrago bem maior.
--Então o que você iria fazer mesmo?
A porta se abre com uma forte batida e dois homens com a mesma roupa e distintivo entram, contudo, no quarto, empunhando metralhadoras, eu estava com a cara no chão e não pude identificar os modelos, mas pareciam todas apontadas para mim.
--Capitão. O senhor esta bem? Escutamos um barulho de luta aqui dentro.
Eles olharam então a situação, eu no chão imobilizado e o Capitão apenas lá parado se divertindo com a situação.
--Ah! Não rapazes, eu apenas estava tendo uma educada conversinha com esse rapaz aqui, não se preocupem, se eu precisar de vocês eu os chamo. E Silva, disse ele para o soldado mais baixo que se postava do lado direito da porta, traga alguma coisa para ele comer, certo?
Os dos homens saíram, e agora eu sabia quem eles eram, mas nada se encaixava. Como eu havia parado ali, e onde seria esse lugar para qual eles me trouxeram?
--Eu te solto se você se comportar e se sentar na cadeira junto à mesa ali.
Ele me soltou e acendeu a luz do quarto.
--Mas que mesa, eu não... Foi ai que eu vi, aquele quarto não era qualquer um, era o quarto de alguém, havia uma mesa e duas cadeiras aonde ele havia apontado, parecia mais como uma escrivanhia, e havia fotos nela, como também havia nas paredes, também havia uma pequena estante, onde troféus, medalhas e certificados de prêmios do dono do quarto repousavam solitariamente.
--Por favor. --Disse ele apontando para a cadeira menor que estava do outro lado da mesa, enquanto ele mesmo estava sentado na outra cadeira, maior e mais confortável.
Eu fui andando devagar, pensando em minhas alternativas: eu podia simplesmente fugir e correr o risco de dar de cara com um bando de pessoas armadas, podia também tentar acertar um chute certeiro nele, mas já fazia algum tempinho que eu não praticava Karatê e da ultima vez que havia tentado fazer algo que ameaçasse a vida do Capitão, ele havia quase quebrado meus braços, ou poderia simplesmente me sentar ali e ouvir o que ele tem a dizer "é, parece que a alternativa C era a mais correta e saudável a minha vida".
Sentei na cadeira menor, de frente para o Capitão que me estudou com cuidado, agora eu podia ver bem seu rosto, era magro, porem forte, era serio, porém dava uma sensação de calma e vigilância constante, seus olhos negros perfuravam os meus, eu tinha a sensação que estava sendo radiografado, em dois minutos ele havia conquistado meu respeito, porem ele estraga tudo quando começa a falar:
--Eu vou ser bem claro, farei as perguntas necessárias, não se preocupe, não é nada de anormal, e depois você poderá saber o que quiser.
Eu ergui a sobrancelha, uma coisa que eu sempre admirei foi pessoas que eram diretas e objetivas no que queriam.
--Certo.
Ele olhou em volta no quarto, depois pousou os braços fortes na mesa e fez a primeira pergunta:
--Você é Henrique Chemite?
--Por que você quer saber meu nome?
--Apenas responda, não discuta. --Seu tom era calmo porém intimidava bastante "coitado daqueles que tentarem enfrentar de frente esse cara".
--Sim, eu sou Henrique Chemite.
Ele olhou atentamente para mim e disse.
--Nos o encontramos saindo de uma escola infestada dessas criaturas, o que você fazia lá?
--Eu estava procurando uma pessoa.
Ele pareceu não acreditar, mas não questionou sobre isso, apenas continuou com o interrogatório
--Nos temos informações que confirmam que você já treinou Karatê, isso é verdade?
Como ele sabia disso? Eu não carregava nada que me relacionasse a isso, será que eles haviam me espionado, ou haviam deduzido isso?
--Sim, é verdade.
Ele suspirou, então disse num tom sereno como se aquilo fosse tão normal quanto perguntar como estava o tempo naquele dia.
--Você parece saber o que faz Henrique Chemite, e também é obstinado, talvez um pouco de ousadia, eu admiro essas qualidades em uma pessoa quando a encontro. --Ele se levantou da cadeira e começou a andar pelo quarto. --Sabe, eu estou muito impressionado com o que você fez ali, poucas pessoas teriam a coragem e a ousadia, porém, não é preciso perfurar a jugular para matar uma pessoa, se você causar uma pressão sobre o local, já é o suficiente para tal efeito.
--Mais alguma pergunta... Senhor.
Ele sorriu, mostrando os dentes pontudos e amarelados, com um gesto simples ele puxou uma carteira verde do bolso, que eu reconheci como minha.
--Tome, é sua.
--O... Obrigado. Você ira me deixar trancado aqui?
--Ah não, seus amigos estão preocupados com você, parece que o atingimos com muita força ontem.
Eu arregalei os olhos.
--Ontem? Mas, eu dormi tanto assim?
--Oh sim, você parecia exausto, e também em choque, murmurou coisas por toda a noite. --Disse ele olhando para o teto, depois de um momento eu tomei coragem e disse.
--Obrigado Capitão, se não fosse por vocês terem me dado aquela pancada, eu poderia ter feito alguma merda.
--Não ha de nada, mas lembre-se, controle e frieza são essenciais, sem excessos é lógico. Ah, seus amigos ficarão felizes em ve-lo.
--Meus amigos?
--Sim, eles me irritaram um pouco vindo aqui de meia em meia hora para saber como você estava.
Eu me levantei e sai pela porta deixando o Capitão para traz. Eu ainda sentia uma pequena tontura, talvez fosse pela pancada, mas provavelmente era pela fome. Pensando bem, agora eu estava muito agradecido pelo Capitão ter cuidado pessoalmente de mim. Desci as escadas e fui parar num corredor, dali era possível ouvir trovões e ver relâmpagos pela pequena janela, eu continuei seguindo pelo corredor, sem saber aonde ele iria dar, quando um barulho de vozes e risadas veio a mim. Eu virei na curva e dei para uma porta, que eu abri. Instantaneamente eu tapei os olhos, uma luz muito forte veio a atingir minhas córneas, quando finalmente consegui enxergar algo, escutei vozes familiares no meio das outras.
--HENRIQUE!!!
Eu olhei para o lado que elas vinham e vi meus melhores amigos, Robson e Sergio.
--Cara, você ta bem?
Eu olhei meio confuso para eles.
--To, to ótimo, nunca estive melhor.
--A gente levou um susto quando você chegou aqui, apagado e sangrando. --Disse o menino mais alto e moreno, Robson.
--É, achamos que você tinha virado um desses caras mordedores. --Falou Sergio, que tinha a minha altura, mas usava um cabelo moicano e parecia mais branco do que costume.
--Felizmente não né?--Disse, pensando em toda minha família morta.
--Cara, sinto muito, mas eu também perdi parentes por causa dessa merda. --Disse ele percebendo minha aparência.
--Sim, é verdade, porém, por que eu? Eu sempre acreditei que algum dia isso talvez ocorresse, eu sempre tentei ficar alerta, ligado em tudo o que estava acontecendo, para poder sobreviver, e quando a hora chega, eu não consigo salvar quem eu mais amo? Para que afinal então todo aquele treinamento? Tudo em vão.
--Não diga isso, talvez você também estivesse morto se não fosse por isso. Disse Sergio
Eu decidi mudar de assunto, pois cada vez que eu pensava nisso, uma vontade enorme de sair quebrando tudo pela frente vinha a minha mente.
--Bem, e como vocês vieram parar aqui?
--Bem, eu tava em casa assistindo o programa do Datena, dai o Datena começou a falar coisas sobre uma guerra de gangues, e logo depois a policia passou lá na frente dizendo para que todos que pudessem fossem para a Academia do Barro Branco onde estaríamos protegidos dessas "gangues". Mas dai eu vi um desses ataques, tentei ajudar e quase foi mordido. --Disse Robson mostrando a calça rasgada porém a perna intacta.--Dai pra frente foi só correria e conseguimos nos salvar, eu e meus pais, não sabemos nada dos meus irmãos.
--E você Sergio?
--A minha historia é bem parecida, exceto que somente eu e meu pai sobrevivemos, minha mãe... --Ele parecia que estava a ponto de perder o controle.--Bem, de qualquer jeito ela deu a vida para me salvar e eu devo honrar isso eternamente.
--Eu sei cara. --Disse, era o melhor que eu poderia fazer por ele naquele momento.
--Quer conhecer o abrigo? Tem policiais por toda a parte aqui, estamos bem protegidos, e eles montaram barricadas e todas as casas estão limpas e seguras num raio de 200 metros, ha guardas nelas vigiando tudo.
Eu não parecia estar escutando muito, agora eu tinha uma curiosidade muito maior.
--Quem me trouxe para cá, e como?
Robson e Sergio se olharam e Robson disse calmo.
--Bem, o que sabemos é que pelo que parece você foi achado numa dessas rondas para trazer mais pessoas, me parece que eles te acertaram sem querer, achando que você era um deles, por sorte seu resgate foi rápido e preciso. Mas há outra coisa, não estão mais fazendo muitas dessas excursões, veja você mesmo por que.
Ele começou a andar ate chegarmos a uma porta, saímos então do refeitório e demos de cara com uma escada, subimos por ela e entramos numa espécie de observatório improvisado com teto de lona.
--Olhe lá ao longe. --Disse Sergio.
Eu apertei o olhar e consegui enxergar um portão improvisado, onde havia dois guardas, mais a frente havia o verdadeiro portão, onde estavam alguns guardas vigiando atentamente, e na frente do portão havia barricadas e arames pelo chão, mais a frente, a uns 200 metros, numa rua reta havia mais barricadas feitas com carros e caminhões, e guardas nas casas anteriores as barricadas, atirando num grupo enorme de pessoas, ou melhor...
--Zumbis. Disse, mas eu nunca havia visto tantos juntos, pareciam com muita vontade de pegar o guarda que corria para outra casa tentando achar uma posição melhor para atirar neles.
Eu me virei para os dois e disse.
--Algum desses zumbis já entrou aqui?
--Bem não. Respondeu Robson. Mas já teve alguns casos de transformação aqui dentro.
--Por mordida ou contato com zumbis, ou do nada?
--Não, por contato com esses bichos, como você os chama? Zumbis né?
--É, eles mesmos.
Um pensamento repentino me veio à cabeça, Bianca!
--Droga, droga, droga! Eu prometi a ela que eu voltaria lá hoje pela manhã. Disse a eles enquanto eu corria pelos corredores procurando a sala de armas.
--E ela acreditou? Disse Sergio
Eu me virei para ele com os olhos semicerrados mostrando a ele meus objetivos.
--Ta bem, então como faremos?
Eu parei de correr e olhei para eles.
--Vocês estão loucos?
--Não, não estamos o Guilherme, da nossa classe foi um dos casos de transformação aqui dentro, e nos não deixaremos que isso ocorra de novo. Disse Robson
--Eu não posso permitir que vocês...
--Não me venha falar do que não podemos. Meus pais estão na enfermaria em estado de choque, e o pai do Sergio esta ajudando os policiais, nos iremos com você nessa cara.
Eu afirmei com a cabeça e continuei correndo, ate que no final do corredor achamos uma porta com as inscrições "Sala de armas: SOMENTE EM CASO DE EMERGÊNCIA".
Eu ignorei o aviso e entrei aquilo era realmente um caso de emergência. Estamos todos dentro da sala quando uma voz nos assustou.
--Sr. Chemite? O que o senhor faz por aqui?
Era o Cap.
--Nada, apenas queríamos...
Eu enterrompi Sergio e disse com toda a franqueza do mundo.
--Estamos procurando armas de fácil manuseio para podermos resgatar uma pessoa.
Ele saiu de traz das prateleiras, ele tinha um cigarro em sua boca, ele o atirou no chão e o esmagou com sua bota.
--Resgatar, vocês três? Estão loucos? Mas pensando bem... Disse ele olhando para meus olhos, eu retornei o olhar, queria que ele soubesse que era importante. Muito bem rapazes, mas para usar uma arma é preciso saber usar essa arma.
E durante uma hora ele falou sobre como se atirar com uma pistola, e como limpa-la. Eu estava sendo o seu melhor aluno, pois sem que ele soubesse, eu já havia atirado com armas de fogo antes, e já sabia a técnica. Finalmente após uma aula teórica chegou a hora da pratica.
Seguimos pelos terrenos do prédio ate o primeiro portal, por onde passamos facilmente, logo depois chegamos ao segundo, os guardas estranharam nossa presença junto do Capitão, mas abriram o portão do mesmo jeito.
--Muito bem meninos, quero que atirem nesses zumbis, na cabeça, pois descobrimos a pouco tempo que eles só morrem assim.
Eu sabia que ele estava usando o termo "zumbi" por que eu o havia falado a ele. Enquanto praticávamos o Capitão havia ido falar com um guarda que comandava a operação de vigilância na área.
Robson foi o primeiro, errou por pouco a cabeça a uma distancia de 30 metros, Sergio acertou de raspão e eu acertei em cheio. Na segunda tentativa a historia foi quase a mesma. Somente na sexta tentativa todos estavam acertando as cabeças deles sem dificuldade de controlar a arma.
Depois de descarregar o pente da arma, nos recarregamos, mas, porém o Capitão disse em voz enérgica.
--muito bem garotos, hora de voltar, e não comentem nada com seus familiares.
" Ninguém iria mesmo", pensei.
--Oh sim Sr. Chemite, daremos apoio a sua busca amanhã, espero que não seja nenhuma piada de mau gosto.
--Não será.
Naquela noite eu jantei e já fui para um quarto que o Capitão tinha designado a mim. Eu fiquei olhando pela janela do 1º andar o primeiro portão, pelo qual havíamos passado mais cedo. Tudo parecia calmo, porém a idéia de sair atrás de uma pessoa no meio de um monte de zumbis não era muito agradável para eles, mas para mim estava mais do que perfeito. Algumas horas antes eu havia perguntado ao Robson como estava repercutindo o caso no Brasil e mundo.
--Mais uma vez o governo anda escondendo? Tentando omitir o que não pode ser omitido?--Disse depois de Sergio ter me contado sobre o que aparecia na TV sobre os ataques, tudo o que falavam era sobre badernas e uma virose que estava contagiando a cidade toda, e que estávamos de quarentena.
--porém isso não vai durar muito, quer dizer, essa é a maior cidade do Brasil, e esta tudo um caos aqui.
Eu concordei com ele e fui para o meu quarto. Como o governo poderia estar fazendo isso com as pessoas? Mas relatos de casos parecidos com este estavam ocorrendo deste o Rio Grande do Sul até o Amazonas.
Eu deitei esperando que o amanhã chegasse logo, eu não suportaria mais perder mais nenhum ente querido.


--Henrique acorda! Henrique!!!
Eu me levantei rapidamente assustado.
--Que foi?
Era Robson, ele estava vestido uma roupa com um emblema da policia.
--Temos problemas se troque sua roupa esta ali, ela foi dada pelo Capitão, agradeça ele mais tarde.
Eu me troquei e encontrei Robson, Sergio e outro garoto, Felipe, que também vestia o mesmo uniforme. Felipe era da minha classe também, quando descemos para o salão de entrada, vimos que não era somente nos de adolescentes lá, havia varias pessoas lá, muitas usando um capacete da tropa de choque, outros assustados, e alguns quase dormindo de novo.
--Invadiram as barricadas, os Zumbis, eles estão tentando passar pela segunda, na parte oeste daqui.
Eu fiquei espantado, porém já sabia do risco de manter um monte de pessoas num abrigo numa cidade como São Paulo.
--Certo, e porque estamos aqui?
--Henrique, não é só uma barricada que se rompeu, as outras estão a ponto disso também, e estamos falando de 22 barricadas. Disse Felipe rispidamente.
--E nos estamos aqui como proteção interna?
--Você não esta entendendo, nos somos a força principal, não tem gente suficiente para essa guerra. Disse Sergio.
--Mesmo com nos, ainda serão poucas pessoas para cada barricada, e segundo o Capitão estamos falando de quase 2.000 zumbis.
--Mas que @#$%!!! Xinguei, então, aquela barricada de treinamento, havia sido a menor que havia ali.
--Então, qual é o plano?
--Olhem vocês mesmos.
Disse, o Capitão acabara de entrar no pátio, com a voz ampliada ele disse:
--Nos estamos utilizando a energia elétrica graças aos geradores daqui. Mas a energia elétrica não vai nos salvar desse mal que nos cerca agora. Sim, Zumbis, aquelas criaturas que viviam somente em historias de terror estão aqui agora, e estão prestes a nos matar se todos não colaborarmos, portanto sigam as instruções e vamos salvar nosso lar!!!
Um grito de muitas pessoas veio em resposta. O Capitão veio em nossa direção e disse:
--Preciso de vocês, num daqueles telhados dando reforço, atirando naquelas coisas.
Todos respondemos com um certo e o seguimos ate a mesma sala, onde policiais passavam quites com arma e colete para as pessoas, e numa sala mais a frente eles tinham um curso rápido de como atirar. Nos passamos reto pela sala e fomos parar no outro lado do prédio, uma garagem, onde haviam viaturas e uma sala com porta de ferro. Entramos nela, lá dentro era abafado, com um forte cheiro de liquido para polimento, a sala estava cheia de armas, metralhadoras. O Capitão então nos deu um quite melhor do que o que estava sendo usado pelos civis comuns.
--Tomem, como vocês poderão ficar cercados por zumbis nos telhados daquelas casas, acho melhor usarem proteção maior.
Depois de alguns minutos vestimos todo o uniforme e fomos ao encontro do resto do pessoal, fomos divididos em grupos, cada um designado para uma rua, ou seja, 22 grupos para 22 ruas com barricadas.
Não fomos para a mesma barricada anterior, saíram três caminhonetes para a barricada, todas elas lotadas de zumbis. Chegamos lá rapidamente, descemos e vimos o tamanho do problema.
Centenas de zumbis, todos quando virão nos começaram a se agitar ainda mais, os carros que a tampavam estavam sendo empurrados aos poucos, pela primeira vez eu senti um tremor em minhas pernas, era o medo. Mesmo assim fomos para a casa como havia sido combinada, antes disso eu havia escutado que aquela era a com mais zumbis, isso não foi muito animador.
--Henrique, você é mais certeiro, fique daquela parte da casa.
Eu me posicionei, estávamos a alguns metros dos zumbis que não haviam prestado atenção nas nossas presenças.
Uma voz de longe gritou, quando eu der a ordem, atiradores da direita, atirem nos carros, explodam essas merdas!!
Nos éramos os atiradores da esquerda, os outros eram policiais de verdade, quando foi dada a ordem tiros certeiros acertaram os carros e estes explodiram, nos preparamos para atirar, quando os zumbis começaram a vir em direção a eles começamos, as metralhadoras eram bem fortes e davam um tranco, porem eu não tinha tempo para reclamar, depois de acertar o terceiro zumbi, ouvi ma forte explosão, um lampejo e uma nuvem de fumaça subiram.
--QUE HORAS SÃO? Gritei por causa dos tiros.
--SEI LÁ, 3 HORAS? Disse Robson.
Continuamos a atirar, mas os nossos eu outros tiros não bastavam para deter os zumbis que iam avançando devagar, e nos éramos obrigados a recuar pelo extenso telhado da casa. Isso não era o que mais me preocupava, mas sim a trovoada e o lampejo branco dos trovões, logo iria chover, e se as armas molhassem.

[03h30min AM]

Eu havia acabado de olhar no relógio do Felipe, uma viatura que havia sido jogada contra os zumbis atrapalhava sua movimentação.
Uma voz veio ao longe.
--CESSAR FOGO!!
Nos paramos, então alguém disse:
--GRANADA!!
--Droga, vamos nos proteger!!
Nos abaixamos e ficamos esperando pela explosão.
BUUMM!!!
Uma onda de ar quente bateu em meu rosto, mesmo apos isso, ainda havia muitos zumbis, eu chutava uns 90, nos recomeçamos a apertar o fogo.
Já havia passados dez minutos, e os zumbis estavam cada vez mais próximos dos policiais em terra, fomos obrigados a pular um telhado para ficar mais próximo dos zumbis, quando ouço um grito de pavor.
--AHHHHHH!!!
O Felipe havia caído do telhado e estava agora na rua, numa clareira entre zumbis, mas não demoraria muito para ele ser mordido.
--Vamos lá!!
Sergio, Robson e eu pulamos na rua, ouve gritos de policiais que agora avançavam para nos ajudar, mas tinha uma barreira de zumbis entre eles e nos, começamos então a atira para todo lado.
Chuva, como sempre em São Paulo aparecia em horas ruins, era uma tempestade que caia no meio de uma guerra, uma guerra civil, entre cidadãos e cidadãos que agora chamavam se zumbis. A chuva lavava o sangue da batalha para os bueiros, quem nos dera se ele varresse os zumbis também, eu puxei um facão da calça, as armas já estavam falhando por causa da água.
--VENHAM ME PEGAR!! Gritei desesperado tentando chamar a atenção dos zumbis que tentavam pegar meus amigos.
Eles vinham de montes, e eu não sabia mais quem era quem, minha raiva era maior que tudo que eu já havia sentido, eu queria jogar tudo que eles haviam feito comigo em forma de cortes profundos nas cabeças deles, que caiam para traz, uma voz, então, gritou para mim atrás.
--Recuar! Preciso de ajuda aqui!
Era um policial que estava encurralado, eu matava quantos podia, por duas vezes quase fui mordido, na terceira, a Faca do Robson perfurou o crânio do zumbi, parecíamos que estávamos ganhando a batalha, corremos para a casa que tinha muros baixos chamando a atenção dos zumbis para lá, queríamos prende-los lá, e não tínhamos o risco de ser cercados, pois o muro era baixo e poderíamos pular sem problemas.
Depois de um tempo conseguimos trancar eles La dentro, agora não havia tantos zumbis, a chuva continuava batendo forte e impiedosamente em minha cabeça, mas eu não ligava agora eu podia sentir, poderíamos ganhar a batalha.
Robson, Felipe, Sergio e eu, formávamos um belo grupo, porem víamos que muitos dos nossos já haviam sido devorados, mas faltava apenas uma dúzia dele para matarmos.
Quando terminamos o serviço, percebemos que tínhamos nos afastados muito do local, éramos apenas um grupo de 8 pessoas agora, quando chegamos ali, eram 26...
--Certo, vamos voltar. Disse um policial negro e forte.
--Não dá senhor, olhe para lá.
O outro apontou para onde havíamos prendidos os zumbis, eles haviam quebrado o portão e saem em busca de comida, nos.
--Podemos vencê-los! Disse outro baixinho.
--Esse não é o maior dos problemas agora senhor!
O que ele queria dizer? Quando virei o rosto molhado para o outro lado da rua, víamos, centenas de zumbis apareciam acurva da rua, estávamos cercados...

"C.R.A.Z.: Centro de Resistência Anti Zumbi
OS VERDADEIROS HERÓIS SERÃO REVELADOS PELO CALOR DA BATALHA!"


 

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