Crônicas de um sobrevivente

 

 

[Capítulo 2] O Resgate
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Meu nome é Henrique, ou será que não? O que é real, verdadeiro e o que é falso, uma mentira? Eu não sei mais o que pensar, foi tudo tão rápido, tão inesperado, eu sempre tentei estar preparado para isso, mas no momento eu estou menos preparado do que poderia estar alguém da minha idade. Por que... Por que eu não havia prestado atenção nos noticiários? Se talvez eu fosse um pouco menos desligado do mundo real, talvez eu não tivesse me despedido de meus pais talvez pela ultima vez. Um estranho frio em baixo do abdômen é um mau sinal, eu estou nervoso, quero resgatar meu irmão, "ele esta vivo, com certeza", mas um pensamento ruim vem a mim, e se ele foi mordido? E se ele se tornou um deles? Malditos zumbis, por que tinha que ser um dia da semana? Por que não poderia ter sido um feriado, assim todos estaríamos unidos, e prontos. São tantas perguntas e nenhuma resposta.
Eu estou andando por uma viela que faz uma curva antes de dar numa avenida, a Av. Tucuruvi, e quando eu faço a curva, tenso, e atento a qualquer barulho, eu vejo que ela esta praticamente deserta, um carro passa rapidamente por ela, eu tomo coragem e entro na rua, para minha surpresa ha pessoas correndo ao longe, indo em direção a Avenida Nova Cantareira que passa em frente à academia do Barro Branco, famosa por formar bons policiais, mas qual é a razão de não ter ninguém nesta parte da avenida, que costumava ser tão movimentada? Minha resposta viria instante depois, quando, seguindo reto pela avenida em direção a Rua do Metrô eu vejo um enorme grupo de zumbis, juntos na estação de Metrô, gritos de longe vem aos meus ouvidos, parece que as pessoas saem da estação para ir para suas casas e dão de frente para 50 zumbis mortos de fome. Eu continuo andando pela avenida rapidamente, até sair numa rua paralela a do Metrô, eu sigo reto por ela, há poucas pessoas nas ruas e alguns zumbis, mas eu começo a correr e eles logo desistem de vir atrás de mim.
"Preciso de ajuda, tenho que me comunicar com a C.R.A.Z!", C.R.A.Z, uma organização não governamental que estava cheio de pessoas como eu, bem, na verdade não como eu, "eles são um pouco loucos, mas não chegam aos meus pezes...", todos tinham uma coisa em comum, uma espécie de fanatismo "ou precaução" por zumbis. Todos nos tínhamos uma idéia fixa de sempre estar alerta, se caso algum desses seres aparecesse pela Terra, e é o que esta acontecendo agora, eu precisava avisá-los, não que fosse necessário, as emissoras de TV fariam esse trabalho por mim, mas eu precisava me encontrar com os outros membros, eles poderiam me dar assistência, apesar de que isso não adiantaria muito, isto é, como eles viriam para São Paulo, e como iriam me achar? A única chance era de me encontrar com os membros que residem aqui, mas como avisá-los, eu ainda não sabia mais tarde eu tentaria algo, mas por hora eu tinha coisas mais importantes do que isso, eu tinha que salvar meu irmão.
Tem zumbis por toda parte, o lugar onde estou, uma encruzilhada, há muitos zumbis, eu correrei um risco muito grande tentando passar por eles, e para que tenho cérebro? Ora para alguma coisa deve servir "vamos lá Henrique, você sempre foi o melhor aluno de sua classe, use esse troço que você tem na cabeça chamado cérebro para fazer alguma coisa", e foi o que fiz, pulei o muro de uma casa, que estava estrategicamente na esquina, e me levaria a contornar os zumbis, a casa era grande, eu dei a volta por fora dela, todas as janelas estavam pregadas, alguém não queria que ninguém entrasse lá, ou na pior das hipóteses saísse de lá.
--UUUURRRGG!!
Eu olho para traz, assustado, maldito pensamento, é só eu pensar para acontecer, mas tudo que penso de bom não acontece, mas os ruins, só pensar que eles se realizam. Eu saio a toda pela casa, o zumbi tem cabelos ruivos e compridos, mas pela suas roupas da para ver que é homem, eu chego ate o muro e com agilidade o pulo, eu finco o ferro no chão, "santo ferro, se não fosse por ele eu não estaria aqui", eu já usava aquilo como uma espécie de lança, e estava dando certo, eu já havia escapado por dentre as garras de zumbis por causa dela, e esse pedaço de ferro de um ônibus com uma ponta era o verdadeiro salvador, "nada como uma corridinha leve uma hora dessas", era uma piada, ou poderia ser se não fosse pelo fato que àquela hora não era qualquer hora, àquela hora era para eu estar chegando perto da escola do meu irmão. Der repente eu a vejo, alta e imponente, eu também estudava lá, mas no período da manhã, e hoje por pura sorte eu havia perdido a hora. A idéia de entrar lá e ver meu irmão morto não me saia da cabeça e me dava arrepios, ma eu tinha que pensar positivo, mas não dava, não quando eu vi como estava o portão de entrada e a porta aos fundos, abertas, e uma possa de sangue estava ali, no chão, isso me deu arrepios, ”por favor, Deus, não, é tudo que peço!".
Porém, mais tarde eu saberia que meu pedido não bastaria, eu estou ali, no pátio da escola, e há dezenas de alunos ali, todos zumbis, todos de olhos leitosos e aparência decadente, e la no canto esquerdo está ele, meu irmão, eu saio correndo para não ter mais que ter aquela visão. Quando eu saio pelo portal, escuto vozes, e sinto uma pancada em minha cabeça, depois disso não vi mais nada...


" C.R.A.Z.: Centro de Resistência Anti Zumbi
RUMO A GUERRA!!”


 

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