Crônicas de um sobrevivente
[Capítulo 1] Dia Z
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Dia Z
[16h13min] 14/ago/2007
Meu nome é Henrique e eu sou um herói, talvez esteja mais para
um matador, um assassino é o que sou depois do que fiz naquele ônibus,
eu tento raciocinar mais tudo esta confuso, o ônibus, a criatura, e
eu, olho para o lado, Bianca esta ao meu lado, é uma bela garota,
deve ter minha idade, e seu rosto é calmo, sua expressão suave,
seus olhos azuis estão fixos no horizonte, que ela olha pela janela
no segundo andar do sobrado onde estamos, como eu havia conseguido chegar
ate ali eu não sei, "acho que foi um golpe de sorte".
[15h47min]
A criatura esta vindo para cima de mim, com os braços estendidos para
frente, gemendo, um gemido de dor e fome, em desespero para mante-la longe
de mim eu grito:
--Pare onde esta, agora!!
Nada, ela continua vindo, "tenho que fazer alguma coisa para salvar
estas pessoas senão todas vão morrer" eu sabia que aquilo
não era humano, mas mesmo assim a idéia de matar uma pessoa
mesmo que morta, é ruim demais para imaginar "não eu preciso
ser forte", olho ao redor, o ferro que eu havia segurado parece meio
solto, eu corro ate ele e com certa facilidade o tiro do lugar, e volto para
a criatura, meus olhos estão rentes, eu fixo um olhar na criatura,
eu sinto o ódio e a frieza me dominarem, com um ultimo olhar naqueles
olhos brancos eu corro e forço a ponta do metal cortante bem na cabeça
do individuo, ele cai, tremendo, "mas isso é normal, são
contrações do músculos por cansaço, a famosa
cãibra", estou mais lúcido do que nunca, eu corro para
as outras pessoas tentando sentir seus sinais vitais, mas nada, todos estão
mortos, a mulher grávida que estava caída, se mexe um pouco,
eu sei o que ela tem, e o que a outra pessoa tinha, eles eram zumbis, sim,
zumbis de verdade, andando pela Terra, com seus odores fétidos e seus
gemidos de morte, eu sabia o que tinha que ser feito, mesmo que eu precisasse
usar uma arma naquele momento, eu me preparei para um dia que talvez nunca
ocorresse, e esse dia mesmo contra minha vontade chegou, "preciso fazer
algo ou ela ira levantar logo dali e vai tentar me morder.", eu pego
a camisa do cobrador e a rasgo, enrolo em volta das mão e com cuidado
tiro o pedaço de ferro da cabeça do zumbi, me viro para a mulher,
aquela visão me da nojo, a cabeça do feto estava jogada no
chão, tripas e um pedaço do que se parecia muito com o estomago
estavam espalhados, em volta da mulher, levantei o ferro com as duas mãos
e com um golpe certeiro acertei a cabeça dela, eu estava me preparando
para sair, mas antes olhei para todos eles, o motorista não estava
lá e eu ainda ouvia gritos lá fora.
--Descansem em paz.
Eu saio pela janela e o que eu via era uma total confusão, carros
batidos uns contra os outros, pessoas correndo, crianças mortas no
chão, e alguns zumbis que tentavam ir atrás das pessoas, mas
logo desistiam por serem lerdos demais, muitos deles olharam para mim, e
eu olhei de volta "seus desgraçados, venham para ca venham",
puxei o ferro de dentro do ônibus e já estava me preparando
para ir pra cima deles quando uma mão me agarrou por traz, eu me virei
e um zumbi me derrubou, eu lutava contra ele para não deixá-lo
chegar perto o suficiente, mas ele era muito forte, ate que ele se enrijece
e cai para o lado, era o motorista, com um enorme corte no braço,
que havia matado o zumbi uma faca de carne, ele me ajudou a levantar e disse:
--Melhor você sair daqui garoto, saia da cidade, isso aqui só vai
piorar.
Eu não ia desistir tão fácil.
--Não, vou ficar e ajudar o senhor.
--Ora não seja tolo, você precisa... AAAHHHH, GRRRHH --um zumbi
o havia mordido bem no pescoço--SAIA DAQUI, FU-FUJA!!
Ele caiu no chão, era tarde demais, mais isso não iria ficar
assim, não comigo. Fui para cima do zumbi mais próximo de mim
e bati com o ferro bem na cabeça do bicho, ele cambaleou e se virou
para mim.
--Quer me comer!! Então venha!!
E ele veio, eu só segurei o ferro na altura da cabeça e empurrei
com força, como sua ponta era afiada, o matou na hora, eu virei, havia
cada vez mais zumbis, der repente ouço tiros, parece a policia, e
eu os
Vejo os uniformes azuis e escudos, uma batida vinha deles, o som de cassetetes
sendo batidos contra os escudos, e logo atrás destes tem muitos policiai
com metralhadoras e armas apontadas para um bando de zumbis mais a frente, "droga,
eu to no meio do confronto!", de um lado zumbis, do outro, policiais,
e não tenho para onde ir, ate que alguém me puxa pelo braço
e me diz:
--Vem, por aqui.
Era a voz de uma menina, eu a segui, seu cabelo esvoaçava enquanto
ela me guiava ate o sobrado mais próximo, eu entro dentro e ela fecha
rapidamente a porta, aquele cômodo era de uma sala, eu arrasto o sofá ate
a porta, ela sobe e me diz para segui-la. Ela era incrivelmente bonita, seus
cabelos pretos combinavam muito bem com seus olhos azuis, ela usava uma calça
jeans e uma blusa verde, quando chegamos ao primeiro andar minha primeira
reação foi perguntar seu nome.
--É Bianca, não se preocupe, eu moro aqui, e o seu?
--Henrique, por que você me salvou?--olho fixamente para ela, ela abaixa
o olhar e diz num tom baixo:
--Você parecia em apuros, e você foi muito corajoso a atacar
aquela... Aquela coisa la fora.
Eu olhei para ela, suspirei então disse:
--Aquilo era um zumbi.
Ela olhou espantada e disse:
--Zumbi? Mas só existem zumbis em filmes.
--Não é o que ta parecendo, não é? Mas não
era só eu que estava em apuros, tinha outras pessoas lá.
--Sei lá, eu acho que escolhi o que estava mais perto.
Eu sorri, e ela me retornou o sorriso, BAM, eu olho para a janela e digo:
--Tiros, devem estar enfrentando eles.
Foi tão rápido que não tive tempo de pensar, eu me joguei
sobre ela e caímos os dois no chão, tiros ricochetearam o teto.
--Você esta bem?
--Si-sim, acho que sim.
--Certo, melhor sairmos de perto da janela.
Depois de alguns instantes os tiros pararam e tudo ficou em silencio novamente.
Eu fui acordado de meus devaneios por Bianca que chamava por mim na cozinha.
--Sim?
--Eu queria te dizer, obrigado por me salvar, sabe, se você não
tivesse pulado, eu talvez não estaria aqui.
--Não foi nada, eu apenas retribui o que você fez por mim la
em baixo.
Eu sento na cadeira da cozinha e ela diz:
--Meus pais foram assassinados por essas coisas, ontem. --Lagrimas caíram
de seus olhos.
Eu me levantei e a abracei, pensando bem agora, eu não sabia onde
estava minha família, "meu irmão!!", eu me separo
dela e digo com calma.
--Eu tenho que ir.
--Você não vai me deixar aqui não é?
--Não se preocupe, eu prometo que volto. Só preciso buscar
uma pessoa.
Ela concordou com a cabeça.
Eu fui ate a janela e olhei para fora. Sangue para todo lado, havia policiais
e civis caídos por toda a rua, mas só havia três zumbis
por perto, olhei para baixo, não era uma grande altura, talvez eu
pudesse pular daqui.
Eu voltei para ela e a beijei na boca.
--Eu volto para te buscar e iremos para um lugar seguro, por enquanto passe
a noite aqui, e em silencio, tentarei voltar amanha de manha.
--Certo.
Eu peguei o ferro e pulei com ele, senti uma leve dor no tornozelo, mas não
liguei para isso, um instante depois eu estava correndo por uma rua menor
e paralela aquela, desviando dos poucos zumbis que haviam por ali, agora
eu iria tentar resgatar meu irmão, "e pedir ajuda!!"...
"
C.R.A.Z.: Centro de Resistência Anti Zumbi
RUMO A GUERRA!!"