Curso de Microeconomia

 

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Curso de Microeconomia

                                                                              Por  Hilmar Ilton Santana Ferreira,

                                             Professor de Microeconomia da UESC 

 

INTRODU��O � Faz Microeconomia a senhora Maria se, antes de ir � feira, relaciona na mente a quantidade de tomate que se disp�e a comprar para cada um  dos pre�os a que pode encontrar a solon�cea; ou o professor Shikida  quando ajusta uma fun��o produ��o aos dados quantitativos de diferentes produ��es obtidas para diferentes quantidades dos muitos insumos usados num processo de produ��o particular; ou o pesquisador Yamamoto ao desenvolver uma equa��o diferencial representado um fen�meno econ�mico que caracterize a a��o de  uma ou mais pessoas, f�sicas ou jur�dicas.  Uma o faz sem saber, outro produz um estudo emp�rico  e o �ltimo teoriza. Muitas s�o as maneiras de se utilizar a teoria dos pre�os (outro nome da Microeconomia), das quais apenas duas categorias elaboradas e uma intuitiva

est�o acima relacionadas.

 

Programa de Microeconomia da UESC/DCEC

 

Unidade I : - Introdu��o � Microeconomia

 

1.De que trata a Teoria Microecon�mica: Conceitos, usos e interrela��es.

2.Situa��o da Microeconomia no contexto da Teoria Econ�mica: o campo da

    microeconomia e metodologia.

3. Teoria elementar de funcionamento do mercado.

         3.1.Conceitos e elementos da procura e oferta.

         3.2. Tabelas e curvas de procura e oferta.

         3.3. Mudan�as nas e das curvas de procura e oferta .

         3.4. O equil�brio e a est�tica comparativa : o movimento dos pre�os.

         3.5. Excedente e escassez.

4. Elasticidade

         4.1.Conceitos e fatores que influenciam

         4.2.Determina��o e an�lise dos coeficientes no arco e no ponto.

         4.3.Elasticidade-pre�o; elasticidade-renda, elasticidade-cruzada;

         elasticidade-expectativa de pre�o.

 

icroeconomia  ï¿½ o  tradicional sub ramo  da Teoria Econ�mica que estuda, analisa, sintetiza, teoriza, constr�i o comportamento dos agentes econ�micos individuais ( consumidores, produtores, empres�rios, capitalistas, trabalhadores, donos ou propriet�rios dos recursos). O outro componente tradicional  da Teoria das chamadas Ci�ncias Econ�micas � a Macroeconomia.  Aqui vale lembrar com BUNGE(1987; 161): �uma doutrina � um corpo de id�ias suscet�vel de ser transmitido ou ensinado. Ao contr�rio, uma teoria � uma doutrina muito especial: � um sistema hipot�tico-dedutivo, ou seja, um corpo de id�ias organizado logicamente. Mais precisamente, uma teoria � um conjunto de proposi��es, todas elas referentes a um dado assunto (p.ex. o subdesenvolvimento), e tais que cada uma delas � uma premissa ( p.ex.uma hip�tese) ou uma conseq��ncia l�gica de outras proposi��es da teoria. Finalmente, uma teoria cient�fica � uma teoria comprov�vel empiricamente, ou pelo menos convert�vel ( por especifica��o ou agregado de premissas) numa teoria verific�vel mediante dados observacionais ou experimentais. Exemplo de doutrina: o estruturalismo. Exemplo de teoria: a teoria da utilidade ( ou valor subjetivo) de von Neumann e Morgenstern. Exemplo de teoria cient�fica: a teoria de Coleman das redes de influ�ncia social.�  Assim, segundo este ponto de vista, comungado pelo autor destas mal tra�adas linhas,

a Microeconomia, como toda a Teoria Econ�mica, se quer passar de doutrina e assumir o status de teoria, tem que se organizar de forma l�gica e, se aspira ser teoria cient�fica,  ter suas proposi��es verificadas empiricamente. Sem d�vida para tal papel verificador � fundamental o emprego da Econometria.

 

         Etimologicamente, Microeoconomia � tamb�m uma palavra de origem grega, significando suas ra�zes, pequena, casa e lei. O que n�o implica que a disciplina estude coisas menores ou possua menor import�ncia. Ali�s, as fronteiras entre a Micro e  Macroeconomia s�o �s vezes terra de ningu�m, havendo estudos de empresas maiores do que muitos estados, e  ensaios sobre fun��es microecon�micas agregadas referentes a todo o mundo.

 

Um pouco de hist�ria

         Caberia aqui um hist�rico, mostrando entre outras informa��es, quando e por quem foi usado pela primeira vez o termo. Fica o vazio deste informe para posterior preenchimento.

         � costume, no entanto, distinguir  nos Cl�ssicos a qualidade eminentemente    microecon�mica dos seus trabalhos. Assim, v.g., para ROSSETI (1977;  83  ) �em seus primeiros passos ,  nos s�culos XVIII e XIX, a Economia cuidou, basicamente, das unidades   elementares de consumo e de produ��o � dos consumidores e das empresas. A origem da An�lise Microecon�mica remonta, assim, aos primeiros autores cl�ssicos, como Adam Smith ( 1723 � 1790), David Ricardo (1722-1823) e  John Stuart Mill (1806 �1873), na Inglaterra; e Jean Bptiste Say (1767-1832), na Fran�a. As investiga��es microecon�micas desses autores cl�ssicos s� iriam chocar-se a partir da segunda metade do s�culo XIX, com o teor macrosc�pico da cr�tica marxista, que abordou o sistema econ�mico ocidental a partir de um enfoque globalista, desviando a aten��o dos te�ricos da �poca para o exame de quest�es de natureza bem diversa daquelas que at� ent�o haviam sido teoricamente enfrentadas. Mas, ap�s o breve intervalo da contundente  cr�tica de  Marx(1818-1883) , um outro grupo de te�ricos   iria novamente ocupar-se do desenvolvimento da An�lise Microecon�mica. Este segundo e destacado grupo ocorreria  a partir de 1870, na �ustria ( com Eugen von B�hm-Bawerk(1851-1914), Friedrich von Wieser(1851-1926) e Karl Menger (1840-1921)), na Sui�a ( com L�on Walras(1834-1910) e Vilfredo Pareto(1848-1923)) e na Ingaterra ( com Alfred Marshall(1842-1924), que reviu praticamente toda a An�lise Microecon�mica  tradicional, procedendo � chamada s�ntese neocl�ssica).� Mas h� controv�rsias. EKELUND JR & H�RBERT (1999; 1), por exemplo,  consideram como de dom�nio p�blico o fato de os cl�ssicos haverem tratado da macroeconomia e os neocl�ssicos da microeconomia.

         Na sua meticulosa e recente obra, EKELUND JR & H�BERT( 1999; xi-xii) mostram que as origens da disciplina remontam mais � Fran�a do que � Inglaterra e que os primeiros ancestrais da Microeconomia seriam mais os engenheiros do que os economistas. Para tais autores se � reconhecida a import�ncia de alguns autores franceses do come�o do s�culo XIX, como  por exemplo Augustin Cournot(1801-1877), em geral apresentado como �um s�bio trabalhando em espl�ndido isolamento�, se ignora a contribui��o maior daquele povo.  Em realidade em torno da �cole Nationale des Ponts et Chauss�s, , gravitava um grupo eminente de escritores ali preparados para o servi�o p�blico e que em muito contribu�ram para o surgimento da Microeconomia. Um deles, Jules Dupuit(1804-1866), moldara a ess�ncia da economia neocl�ssica marshalliana e deu express�o aos mais contempor�neos princ�pios, muito antes dos reconhecidos pioneiros do assunto William Stanley Jevons(1835-1882), Karl Menger(1840-1921) e L�on Walras(1834-1910). A obra desses dois estudiosos americanos � produto de trinta anos de trabalho, o que valoriza e persist�ncia, e seus resultados s�o fenomenalmente originais, novos e anticonvencionais.

         A cita��o de tais resultados aqui tem o objetivo de deixar claro que � valioso pesquisar, buscar informes sobre fatos  importantes soterrados pelo h�bito da mera repeti��o de trabalhos consagrados. E quanto se perde por causa desta postura t�o difundida! Que contribui��es pioneiras de tantos povos permanecem ignoradas por descompromisso com a informa��o!

         Vale ressaltar, como o faz MYERSON(1999; 1068), comentando o papel desempenhado pela teoria dos jogos n�o cooperativos, do final dos anos 1940s, de John Nash, na hist�ria da teoria econ�mica, que a defini��o restrita da Economia como a Ci�ncia Social voltada para os temas de produ��o e aloca��o de bens materiais, tem sido suplantada(a defini��o) por uma mais ampla que considera como campo dessa ci�ncia �a an�lise de incentivos em todas as institui��es sociais�.  Tal estudo de Nash que ficaria nas fronteiras da economia, nos dom�nios da pesquisa matem�tica, pela defini��o mais antiga, agora, com a referida  amplia��o, se insere nas prov�ncias econ�micas. O que, ali�s, ocorre com muitas outras contribui��es surgidas em tal per�odo, a exemplo das muitas t�cnicas de Pesquisa Operacional. E � tamb�m gra�as a essa amplia��o, que assuntos como Escolha P�blica ( Public Choice) se incluem no campo da Economia (Ver a home-page do Prof. Cl�udio Djssey Shikida � www.geocities.com/CollegePark/Hall/5536/index.html  - 18.1.2000).

         Tal informe serve para alertar qu�o amplo pode ser  o tratamento, tanto te�rico como aplicado da teoria econ�mica e da microeconomia. N�o �, no entanto, um compromisso do presente enfoque.

 

A respeito de defini��o   -  Faz-se agora um �aquecimento mental�, procedendo-se uma incurs�o em  MACIEL (1974),  para que se  chegue com mais seguran�a a uma conceitua��o e a uma defini��o da microeconomia.

A L�gica trata da coer�ncia interna e pois da validade do pensamento. Ela precede  a Gnoseologia que cuida  de modo similar do conhecimento em si. Pensamento e linguagem (express�o verbal, mais especificamente) andam juntos e s�o insepar�veis. A L�gica cuida do primeiro, assim como a Gram�tica, da linguagem. A L�gica tamb�m vem antes da Gram�tica. A Gram�tica deve ter uma base l�gica. � preciso uma filosofia (uma l�gica) da linguagem . � preciso distinguir a linguagem natural ( ou ordin�ria) de linguagem discursiva ( ou cient�fica). H� tr�s elementos, em ordem crescente de complexidade, na linguagem discursiva: as palavras, as proposi��es e os argumentos . As contrapartes do pensamento paras estas tr�s entidades s�o, respectivamente, a concep��o, ou apreens�o, ou forma��o da id�ia ou ainda conceito  (contraparte da palavra ou termo), o ju�zo  (contraparte da proposi��o, rela��o entre id�ias) e o racioc�nio ( contraparte do argumento, rela��o entre ju�zos).

 

 Fig. 1.1 Correspond�ncias entre os entes b�sicos da linguagem e do pensamento

 

 

A Fig. 1.1 sugere que o pensamento vem antes da linguagem e que esta � a express�o daquele, nos tr�s n�veis de complexidade.

 

�A id�ia, ou conceito, � a representa��o mental de um ser. A palavra, ou o  termo, � a sua express�o verbal. Ambos se eq�ivalem logicamente, embora sejam filosoficamente distintos� (MACIEL, 1974; 27).  

 

O conceito e o termo t�m duas propriedades fundamentais: a compreens�o e a extens�o.

 

Compreens�o de um conceito seria o seu conte�do, todos os seus atributos, notas ou aspectos intelig�veis que levam o esp�rito a  apreender  ou conceber o conceito. �costuma-se chamar de notas esses atributos. Assim, a compreens�o de um conceito �, essencialmente, um conjunto de notas. Para o conceito homem s�o notas: �ser�, �vivo�, �animal� e �racional�. A compreens�o mede a complexidade de um conceito.�( MACIEL, 1974; 27).

 

J� a extens�o � a propriedade de um conceito que mede a sua generalidade ( o grau de aplicabilidade) e indica o conjunto dos seres ao qual o conceito se aplica, se �estende� ou conv�m. Por exemplo, o conceito de homem tem por extens�o um conjunto de seis bilh�es de indiv�duos que vivem neste planeta. Homem hist�rico teria extens�o maior, por envolver outras gera��es, para frente e paras tr�s.

 

Quanto mais simples (menor n�mero de notas) um conceito, mais geral (mais extens�o ele ter�) . Extens�o e Compreens�o mant�m uma raz�o inversa.

 

Nessas id�ias se baseia a teoria das categorias da L�gica Cl�ssica. �As categorias s�o concebidas como classes mais gerais de conceitos ou palavras. � o mesmo que conceb�-las como �g�neros supremos�. �As categorias s�o os instrumentos por excel�ncia do pensamento na gera��o de qualquer forma do conhecimento� (MACIEL, 1974; 28). Classifica��o,  g�nero, esp�cie s�o conceitos, id�ias, termos ou palavras que adv�m da�. Das duas �ltimas, advinha qual a que tem mais compreens�o e a que tem mais extens�o.

 

�Duas opera��es podem se aplicar ao conceito ou ao termo, do ponto de vista de suas propriedades fundamentais ( a compreens�o e a extens�o ). Estas opera��es s�o, respectivamente, a defini��o e a divis�o.  A defini��o � a opera��o que analisa a compreens�o de uma termo. Ora, a compreens�o � uma �medida� da complexidade do conceito. � justamente porque  s�o complexos que os conceitos precisam ser definidos (�definir�, no Dicion�rio, � �expor com clareza e precis�o os caracteres gen�ricos e diferenciais de uma coisa�, �tornar conhecido�). Os conceitos s�o  definidos � isto �, t�m suas compreens�es analisadas � para serem melhor compreendidos. A defini��o se faz,  em geral, pelo �g�nero pr�ximo� e pela �diferen�a espec�fica�. J� se v�  que o manejo desta opera��o depende fundamentalmente do manejo que se tenha das categorias. E como estas est�o na raiz mesma do processo de gera��o do conhecimento, � f�cil entender porque, em geral, � t�o dif�cil definir.�

 

�A divis�o � a opera��o que analisa a extens�o de um conceito ou termo. Como a extens�o vem a ser um conjunto de �indiv�duos ou seres� (no original constava �notas�, o que, evidentemente, � um erro de revis�o. Nota do transcritor), dividir o conceito � desmembrar esse conjunto em seus elementos. O conjunto ( ou o todo, o pr�prio conceito) � um �g�nero�, os elementos ( ou as partes, ou notas) s�o as esp�cies respectivas� ( MACIEL, 1974; 30).

 

Com a musculatura mental aquecida, sem riscos de estiramentos, retorna-se � Microeconomia.

 

 

Algumas defini��es( e extens�o) de Micreconomia   -  � A teoria do pre�o, ou   microeconomia, trata da atividade  econ�mica de unidades econ�micas individuais, tais como consumidores, propriet�rios de recursos e firmas comerciais. Preocupa-se com o fluxo de bens e servi�os das firmas ou empresas comerciais para os consumidores, com a composi��o do fluxo e com a avalia��o ou forma��o de pre�o das partes componentes do fluxo. Preocupa-se tamb�m com o fluxo dos recursos produtivos (ou seus servi�os) dos seus propriet�rios para as firmas comerciais, com sua avalia��o e com a distribui��o entre os empregos alternativos. Geralmente, a teoria do pre�o pressup�e uma economia est�vel � sem grandes flutua��es para baixo ou para cima � e razo�vel pleno emprego dos recursos. Adotaremos tais pressuposi��es , neste livro, n�o porque as flutua��es e desemprego sejam irrelevantes, mas porque se nos ativermos a elas (as pressuposi��es), poder-se-� estabelecer a teoria do pre�o de maneira inequ�voca e mais simples�....�A teoria do pre�o � um tanto abstrata� ...�...n�o nos d� uma descri��o exata do mundo real� (LEFTWICH, 1974; 8-9).

 

�A Microeconomia, ou Teoria de Pre�os, � a parte da Teoria Econ�mica que estuda o comportamento das fam�lias e das empresas, e os mercados nos quais operam. A Microeconomia preocupa-se mais com a an�lise parcial, com as unidades (consumidores, firmas, mercados espec�ficos), enquanto a Macroeconomia estudos os grandes agregados (Produto Nacional, N�vel Geral de Pre�os etc.)�( VASCONCELLOS & TROSTER, 1993; 33).

 

�A Teoria do Pre�o trata, fundamentalmente, dos fluxos de bens e servi�os das empresas para as fam�lias, dos fluxos de servi�os produtivos das fam�lias para as empresas, da composi��o desses fluxos e da forma��o dos pre�os dos componentes dos fluxos. O estudo de tais fluxos conduz a defini��o tradicional do problema econ�mico, isto �, a aloca��o de recursos escassos entre usos alternativos. A verdadeira economia consiste em obter a m�xima satisfa��o das necessidades com os recursos dispon�veis� ( BILAS, 1970; 16).

 

�Como muitas outras disciplinas, a Economia � dividida em ramos e sub-ramos. Os maiores ramos s�o  Microeconomia, que � o estudo das a��es econ�micas  dos indiv�duos e bem definidos grupos de indiv�duos, e Macroeconomia, que � o estudo de amplos agregados tais como emprego total e renda nacional. Esta dicotomia � em algum senso artificial, desde que os agregados s�o meramente a soma cifras individuais. Entretanto, ela se justifica pelas diferen�as b�sicas nos objetivos e m�todos dos dois ramos� (HENDERSON & QUANDT, 1971; 2-3).

 

De muitos manuais consultados, os  autores n�o definem nem dividem a Microeconomia. De fato, definir � uma opera��o sobre o conceito de dif�cil execu��o. VARIAN (1993; 1) come�a o seu manual afirmando a inadeq�abilidade do h�bito de se por no primeiro cap�tulo dos livros de Microeconomia seu escopo e m�todo, por mais interessante que isto pare�a. Evita falar na defini��o. E assim procede porque acha dif�cil algu�m apreciar tal discuss�o antes de ver em execu��o alguns exemplos de an�lise econ�mica.

 

Outros que fazem considera��es iniciais sobre o uso e limita��es da Microeconomia, consideram as an�lise positiva x an�lise normativa, apresentado dois exemplos que buscam responder � pergunta �por que estudar Microeconomia?�   , al�m de estudar o que � mercado e pre�os nominais x pre�os reais, s�o a dupla PINDICK & RUBINFLED (1998; 3-16). Lembram esses autores que �como qualquer outra ci�ncia,  a Economia � comprometida com explica��o e predi��o de fen�menos observados�. E tais categorias est�o baseadas em Teorias. E Teorias s�o verific�veis, fal�veis. A validade e a utilidade de uma teoria depende em como ela explica e prev� fen�menos concernentes ao seu campo de a��o.

 

Esta r�pida passagem pela literatura d� para ter uma id�ia de que notas ou atributos se faz uso para definir a disciplina, portanto sua compreens�o, e a que campos ela se aplica, sua extens�o. Eis um  bom exerc�cio: fa�a um rol das notas que definem a Microeconomia. Fa�a-o agora e volte a faz�-lo no fim do curso.

 

Seria conveniente fazer agora uma divis�o da Microeconomia, uma estirada sobre a extens�o do conceito. � comum nos textos mais antigos, se dividir a Microeconomia em :

1.     Estudo dos Mercados, Oferta e Demanda.

2.     Teoria do Consumidor

3.     Teoria da Firma ou da Produ��o (e custos)

4.     Teoria da Firma e Organiza��o do Mercado

5.     Teoria da Distribui��o

6.     Teoria do Equil�brio Geral

7.     Teoria do Bem Estar Econ�mico.   ( Ver FERGUSON, 1972; xi-xvi).

 

Em literatura mais recente se encontra mudan�as na extens�o do conceito Microeconomia:

 

I. Introdu��o: Mercados e Pre�os.

�        Preliminares

�        O b�sico de oferta e demanda.

II. Produtores, Consumidores e Mercados Competitivos

�        Comportamento do consumidor.

�        Demanda individual e de mercado.

�        Escolha sob incerteza

�        Produ��o

�        O custo de produ��o

�        Maximiza��o do lucro e oferta competitiva

�        An�lise de mercados competitivos

III. Estrutura de mercado e estrat�gia competitiva

�        Poder de mercado: monop�lio e monops�nio

�        Forma��o de pre�o e poder de mercado

�        Competi��o monopolista e oligop�lio

�        Teoria dos Jogos e estrat�gia competitiva

�        Mercados de fatores de produ��o

�        Investimento, tempo e mercados de capital

IV � Informa��o, falhas de mercado e papel do governo

�        Equil�brio geral e efici�ncia econ�mica

�        Mercados com informa��o assim�trica

�        Externalidades e bens p�blicos.

Tal estrutura��o se encontra em  PINDYCK & RUBINFELD (1998;v ).

 

Como h� quem arrume o corpo doutrin�rio/te�rico da disciplina assim:

 

I � Introdu��o � Microeconomia

* Microeconomia: Uma metodologia de trabalho

II- Escolha Individual

�        Uma teoria das prefer�ncias

�        Obter e gastar: o problema da escolha econ�mica

�        Solu��o indireta de problemas: aplica��es da teoria da escolha

�        Escolha sob informa��o imperfeita

III-A firma

�        A teoria da firma

�        Produ��o e custo: um insumo vari�vel

�        Produ��o e custo: muitos insumos vari�veis

IV � Mercados de bens

�        A teoria da concorr�ncia perfeita

�        Monop�lio

�        Teoria dos jogos e oligop�lio

�        Diferencia��o de produtos

     V- Mercados de recursos e equil�brio geral

�        Mercados de insumos e a aloca��o de recursos

�        A distribui��o de renda

�        Aloca��o aloca��o intertemporal  de recursos

�        Efici�ncia e aloca��o de recursos: uma abordagem do equil�brio geral

�        Externalidades e bens p�blicos.   (EATON & EATON, 1999;iv-xix)

 

Uma das mais citadas e referidas divis�es da Microeconomia � a da American Economic Association(1999; 887-898) , publicado em cada n�mero do peri�dico Journal of Economic Literature :

D � Microeconomia

D00 � Geral

D1 � Comportamento da Dona de Casa e Economia da Familia

D10 � Geral

D11 � Economia do Consumidor: Teoria

D12 -  Economia do Consumidor: An�lise Emp�rica

D13 � Produ��o da Dona de Casa

D18 -  Prote��o do Consumidor

D19 � Outros

D2 � Produ��o e Organiza��es

D20 � Geral

D21 � Comportamento da Firma

D23 � Comportamento Organizacional; Custos de Transa��o; Direitos de Propriedade

D24 � Produ��o: Produtividade do Capital e de todos os Fatores; Capacidade

D29 � Outros

D3 � Distribui��o

D30 � Geral

D31 -  Distribui��o Pessoal da Renda e da Riqueza

D33 � Distribui��o Funcional da Renda (Distribui��o entre os Fatores)

D39 � Outros

D4 � Estrutura de Mercado e   Forma��o de Pre�os

D40 � Geral

D41 � Competi��o Perfeita

D42 � Monop�lio

D43 � Oligop�lio e Outras Formas de Imperfei��o de Mercado

D44 � Leil�es

D45 � �Rationing�; �Licensing�

D46 � Teoria do Valor

D49 � Outros

D5 �   Equil�brio e Desequil�brio Gerais

D50 � Geral

D51 -  Economia da Produ��o e da Troca

D52 � Mercados Incompletos

D57 � An�lise de Insumo � Produto

D58 -  Modelos de Equil�brio Comput�veis e Outros Modelos de Equil�brio Geral Aplicados

D59 � Outros

D6  -   Economia do Bem Estar

D60 � Geral

D61 � Efici�ncia Alocativa; An�lise de Custo � Benef�cio

D62 � Externalidades

D63 � Equidade, Justi�a, Inequidade, e Outros Crit�rios Normativos e de Mensura��o

D64 � Altru�smo

D69 � Outros

D7 � An�lise da Tomada de Decis�o Coletiva

D70 � Geral

D71 � Escolha Social; Clubes; Comit�s

D72 -  Modelos Econ�micos do Processo Pol�tico

D73 -  Burocracia; Processo Administrativo nas Organiza��es P�blicas

D74 � Conflitos; Resolu��o de Conflitos

D78 � An�lise Positiva do Planejamento ( �Policy � Making�) e Implementa��o

D79 � Outros

D8   - Informa��o e Incerteza

D80 � Geral

D81 � Crit�rios para Tomada de Decis�o sob Risco e Incerteza

D82 � Informa��o Assim�trica e  Privada

D83 � Busca(Pesquisa), Aprendizado e Informa��o

D84 � Expectativas ; Especula��o

D89 � Outros

D9 � Escolha Intertemporal e Crescimento

D90 � Geral

D91 � Escolha Intertemporal do Consumidor

D92 � Escolha Intertemporal da Firma e Crescimento, Investimento e  Financiamento

D99 � Outros.

 

V�-se, pois, que � uma divis�o ampla e � pelos vazios da numera��o � em elabora��o, evoluindo com a sociedade.

 Para contextualiza��o, eis  o quadro geral da divis�o da Economia:

A � Economia Geral e Ensino

B -  Metodologia e Hist�ria do Pensamento Econ�mico

C -  M�todos Matem�ticos e Quantitativos

D � Microeconomia

E � Macroeconomia e Economia Monet�ria

F -  Economia Internacional

G � Economia Financeira

H � Economia P�blica

I  - Sa�de, Educa��o e Bem Estar

J � Economia do Trabalho e Demogr�fica

K � Lei e Economia

L � Organiza��o Industrial

M � Administra��o de Neg�cios e Economia de Neg�cios; Comercializa��o (�Marketing�); Contabilidade

N � Hist�ria Econ�mica

O � Desenvolvimento Econ�mico, Mudan�a Tecnol�gica e Crescimento

P � Sistemas Econ�micos

Q � Economia Agr�cola e Economia de Recursos Naturais

R � Economia Urbana, Economia Rural e Economia Regional

Z  - Outros T�picos Especiais.

 

Como se v�, definir e dividir um conceito, mesmo um cient�fico, que se sup�e ser o mais neutro e eq�idistante poss�vel das muitas weltanschauung  [HF1] ou vis�es de mundo,  � tarefa de dif�cil realiza��o, controversa e sempre imperfeita. [HF2] [HF3] 

 

 

Microeconomia: Situa��o, Objeto, Campo, Usos, Metodologia-

 

A Microeconomia � uma parte componente da Teoria Econ�mica. A teoria � o segmento da Economia (ou da Ci�ncia Econ�mica ) que versa sobre leis, princ�pios, sistematiza��o. Caracteriza-se pela consist�ncia interna, coer�ncia, objetividade. A Teoria Econ�mica � a vers�o cient�fica da Economia. Como Teoria Cientifica, mant�m o compromisso da verificabilidade.  

Um conhecimento do meio econ�mico com base na superficialidade, credulidade e praticidade se constitui na Economia Descritiva, que enfatiza o Senso Comum.

Economia Descritiva mais Teoria Econ�mica formam o conjunto da Economia Positiva, que trata o mundo econ�mico como ele �.

A Pol�tica Econ�mica, carregada de Ideologia, se constitui na setor Normativo da Economia ou Economia Normativa. Busca objetivos predeterminados, diz pois como deve ser a Economia ( Economia mundo real, n�o Economia ci�ncia; na nossa l�ngua � preciso cuidado para diferenciar estas duas id�ias ou conceitos, que s�o expressos pelo mesmo termo ou palavra, economia; j� no idioma ingl�s n�o h� tal problema, gra�as aos dois termos economy e economics. O mesmo ocorre em esperanto, com ekonomio e ekonomiko). � a parte aplicada da Economia, que pressup�e a (ou depende da) Economia Positiva. Pode ser conduzida por governos ou particulares, havendo muitas vezes pessoas que acumulam as duas fun��es, algumas vezes de modo promiscuo. ( ROSSETI, 1977; 78-82).

Um preceito tipicamente normativo est� expresso por LEFTWICH( 1974;4): �O desempenho de uma economia de prefer�ncia deveria ser julgado com base no fato de estar ou n�o proporcionando o mais alto n�vel de vida permitido por seus recursos e t�cnicas, deixando de lado uma parcela da produ��o a fim de aumentar a  futura capacidade produtiva. N�o se pode pedir mais de uma economia, n�o se deve  esperar que ela proporcione menos�.

 

 

O objeto da Microeconomia era a atividade econ�mica das pessoas f�sicas e jur�dicas. Mas s� a atividade  abordada pelo seu especial m�todo. Eis o seu campo de atua��o. Hoje h� uma expans�o deste campo.  

 

Em realidade n�o h� apenas um m�todo para a disciplina. Ou talvez se possa falar, como acima, de um s� m�todo e de alguns sub-m�todos.  A Microeconomia pode ser apresentada de modo oral ou(acep��o de intersec��o) verbal, de modo gr�fico ou (acep��o de reuni�o) anal�tico. Pode ainda vir sob a forma axiom�tica, quando estruturada em axiomas ou pressupostos b�sicos, dos quais se deduz todo o corpo te�rico. Pode-se ainda induzir a partir de fatos concretos. Nada impede que se lhe aplique diferentes tipos de l�gicas, entre elas algumas para-consistentes. Certamente para diferentes m�todos poder�o resultar diferentes microeconomias. Todas as que sobrepujarem o teste da verificabilidade , isto �, todas as cujos preceitos s�o verific�veis no mundo real, merecem a aceita��o como ci�ncia.  

 

Vale a aten��o � afirmativas de BUNGE(1987): �Os primeiros a empregar o m�todo cient�fico nas ci�ncias sociais foram os economistas, h� mais de um s�culo. Os economistas cient�ficos, como Marx, Cournot, e Walras, longe de limitar-se a juntar dados ou enunciar hip�teses especulativas, formularam modelos precisos, recolheram dados relevantes para esses modelos e fizeram progn�sticos que, a longo prazo, permitiram avaliar os mesmos. O fato de tais modelos terem sido grosseiros n�o impede que tenham sido concebidos e utilizados de maneira cient�fica. Tanto o foram que os economistas posteriores puderam utilizar essa experi�ncia para formular e aplicar modelos melhores em alguns aspectos, ainda que, naturalmente, sempre imperfeitos�. 

 

Para alguns autores a Microeconomia � um estudo t�pico das economias de livre empresa ou, como se costuma dizer hoje, de mercado. Embora tenha sido em tal contexto que ela mais se desenvolveu, n�o parece correto, � primeira vista restringi-la assim. Seu campo de atua��o pode se achar em todo e qualquer sistema econ�mico. 

 

Como finalidades e usos da Microeconomia � costume se relacionar:

a)     fornecer meios para compreender como funciona a economia;

b)    predizer  a natureza e a dire��o prov�veis das mudan�as na organiza��o e na atividade econ�mica;

c)     funcionar como base para recomenda��es de pol�ticas que possam adaptar ou modificar a atividade econ�mica, segundo o rumo que se julgue desejado.

LEFTWICH(1974; 8 )

 

BILAS(1970; 18 ) relaciona como prop�sitos desta disciplina a previs�o, a pol�tica econ�mica, o exame das condi��es do bem-estar econ�mico e decis�es administrativas de empresas comerciais(ou de todos os setores, pode-se acrescentar).

 

Como o uso emp�rico da Microeconomia depende da Econometria, vale lembrar com  INTRILIGATOR, BODKIN & HSIAO (1996;4) os usos desta �ltima disciplina: An�lise Estrutural ( o lado cient�fico  da disciplina que entende o mundo real via mensura��es, testes e valida��o e que produz uma retroalimenta��o da teoria, aperfei�oando-a), Previs�o e Avalia��o Pol�tica.

 

 

Metodologicamente a Microeconomia � reducionista e n�o hol�stica. No sentido de que ela reduz o mundo real, com o prop�sito de torn�-lo manuse�vel. Do emaranhado de fatos e fen�menos econ�micos ou n�o (mas relacionados) a estudar, ela procura selecionar grandezas e vari�veis relevantes para montar seus modelos de atua��o.  Grande quantidade de fen�menos � simplesmente ignorada. Cai na vala comum do erro e da ignor�ncia. Ali�s, na arte da modelagem ou da modela��o, precis�o ou realismo e manuseabilidade s�o propriedades dos modelos inversamente relacionadas entre si: quanto maior uma, menor a outra. Quanto mais vari�veis entram no modelo, mais ele fica realista e menos manuse�vel.

 

Conforme FERGUSON (1972; 5 ),  a Microeconomia parte do mundo real, complicado, procede abstra��es te�ricas, monta modelos l�gicos, simplificados, faz argumenta��es l�gicas com tais modelos e obt�m conclus�es l�gicas. Tais conclus�es s�o submetidas a interpreta��es l�gicas para voltar ao mundo real. Volta agora como explica��o, como previs�o, como proje��o. Tal autor apresenta,. com base em outro estudo, um diagrama comparando o m�todo microecon�mico  com o estat�stico experimental. Vale a pena ler tal apresenta��o.

� enfatizado a� e em todos os manuais o emprego de modelos na disciplina. Fala-se em dois mundos: o mundo real e o mundo modelar.  Vive-se no mundo real. Analisa�se, procede-se s�nteses, estuda-se enfim  o mundo modelar com os instrumentos, basicamente matem�ticos, da ci�ncia microecon�mica. O modelo, pois, se constitui em pe�a fundamental do conhecimento utiliz�vel. O conhecimento desej�vel deve transitar entre os dois mundos.

 

Atuando sobre o mundo real via o mundo modelar; interpretando, explicando e prevendo sobre o mundo real depois de operar sobre modelos, cabe uma digress�o sobre eles.

 

Para GUILLAUME(1971; 5 ), �um modelo � um sistema abstrato que permite o estudo dum fen�meno ou de um sistema real. Construir um ser abstrato, isto �, inteiramente constitu�do por sua defini��o, para estudar um objeto real � uma atividade  cient�fica muito freq�entemente utilizada. Os sucessos de tal m�todo s�o incontest�veis. Ele elimina as  ambig�idades e os equ�vocos da linguagem, definindo conceitos operat�rios e exatos a um n�vel de rigor onda a l�gica formal � aplic�vel�.

 

�Um modelo, por defini��o, �  qualquer representa��o de um fen�meno real tal como um sistema ou um processo real.  O fen�meno real � representado pelo modelo a fim de explic�-lo, de prediz�-lo, de  control�-lo � prop�sitos correspondentes aos tr�s escopos da econometria j� discutidos�....�Existem muitos tipos de modelos nos v�rios campos onde eles t�m sido aplicados. Entre os tipos mais importantes est�o os modelos verbal/l�gicos, modelos f�sicos, modelos geom�tricos e modelos alg�bricos. Talvez o mais simples tipo de modelo e o primeiro usualmente usado em qualquer campo de pesquisa seja  o modelo verbal/l�gico. Ele usa analogias verbais, tais como met�foras e s�mile e o modelo resultante � algo chamado paradigma� (INTRILIGATOR, BODKIN & HSIAO, 1996; 13-15).  Para estes autores, dois dos paradigmas mais antigos e melhores se devem a Adam Smith: o da f�brica de alfinete, para a divis�o do trabalho e o da m�o- invis�vel, para o sistema de livre empresa. Como modelos f�sicos os autores relacionam jovens e belas mulheres para a moda, modelos de avi�es em escala testados em t�neis de vento, modelo do �tomo, modelos astron�micos, modelos de mol�culas de prote�na,   e outros de fen�menos  de muitas naturezas.  Para os prop�sitos econom�tricos, modelos alg�bricos, estoc�sticos s�o os mais apropriados.

 

Na disciplina Pesquisa Operacional � encontradi�a a classifica��o dos modelos: 

 

Modelos Ic�nicos: t�m por base a imagem

 

Modelos Anal�gicos: baseiam-se em analogias, propriedades representando outras propriedades.

 

Modelos Simb�licos : Matem�ticos, mais gerais e abstratos.

 

Estes �ltimos se subdividem em :

         Equa��es de comportamento:

                   Fun��o Consumo

Fun��o Demanda

Equa��es institucionais ou legais:

Equa��o de imposto de renda

Equa��es Tecnol�gicas:

Fun��o produ��o

         Equa��es de defini��o ou identidade:

                   Y = C + I

         Equa��es de equil�brio m�vel :

                   Qd  = Qs    

(ACKOFF, R. L. & SASIENI, M. W. �1971; 70-71).

 

Trabalhando com modelos, a Microeconomia se conduz por m�ltiplos procedimentos. Tem por pano de fundo a F�sica, de onde retira algumas categorias. Fala-se em equil�brio quando os agentes atingem posi��o que tende a permanecer. Refere-se a equil�brio total quando s�o tomada em conta rela��es entre todas as grandezas da economia e a equil�brio parcial quando se selecionam algumas. Invoca-se o qualificativo est�tico quando n�o se considera a evolu��o temporal das mudan�as nos par�metros  e/ou  nas vari�veis das v�rias fun��es. E a contraparte din�mico se os estudos consideram este evoluir no tempo, com indexa��o das vari�veis para os diversos tempos. Comparando-se duas situa��es (de equil�brio) entre grandezas econ�micas que comp�e um quadro antes e depois de mudan�a(s), diz-se que se procede um estudo de Est�tica Comparativa. A nomenclatura carece de explica��o, ressaltando-se apenas que o termo est�tica implica na considera��o de um s� momento no tempo. A est�tica comparativa � qualitativa  se apenas indica a dire��o(o sinal)do movimento de uma vari�vel por for�a da a��o de outra. Se indica tamb�m a magnitude da mudan�a, a� ent�o � quantitativa.. Mudan�a quantitativa � mais geral e abrange a mudan�a qualitativa.  Outras divis�es dos campos das Microeconomia s�o Est�tica do Equil�brio, Din�mica Comparativa e Din�mica do Equil�brio.

 

FERGUSON(1972; 6-8) agrupa os praticantes da Economia ( e aqui n�o s� da Microeconomia) em tr�s grupos no que respeitas a vis�o dos v�nculos entre teoria e  verifica��o:

1.      Os Extremamente Aprioristas, para os quais a ci�ncia prescinde da verifica��o das suas proposi��es, sendo um sistema aprior�stico de verdades deduzidas de um conjunto de postulados.

2.      Os Ultraempiricistas, em posi��o diametralmente oposta, n�o reconhecem legitimidade no que n�o for verific�vel; n�o passar pelo teste da comprova��o emp�rica.

3.      Os Positivistas L�gicos assumem posi��o intermedi�ria. Isentam os axiomas ou postulados da verifica��o emp�rica, que deve ser aplicado as proposi��es da� deduzidas.

 

O microeconomista deve estar atento para o mundo real, objeto de seu trabalho e para a Matem�tica, linguagem dos seus modelos, embora haja quem combata  a �matematiza��o� da disciplina.  Para  CHANG (1974; 4-5)  eis as vantagens de se usar o enfoque matem�tico:

1.     �A �linguagem� usada � mais concisa e precisa.

2.     Existe uma riqueza de teoremas matem�ticos a nosso servi�o.

3.     Nos obrigando a explicitar todos os nossos pressupostos para o uso dos teoremas matem�ticos, nos previne da armadilha de ado��o n�o intencional de pressupostos impl�citos e n�o desejados.

4.     Permite-nos tratar o caso geral de n � vari�veis.�

 

Como desvantagens do emprego da linguagem matem�tica o autor relaciona o fato de este n�o ser o vern�culo de todos os economistas, provocando dificuldades de comunica��o entre economistas matem�ticos e n�o matem�ticos. Al�m disso ocorreria o perigo de se ser tentado a tratar apenas os problemas pass�veis de solu��o matem�tica. Al�m disso, �pode-se desavisadamente levar a Matem�tica a um papel de senhor em vez de  servo�.

 

 

Teoria elementar de funcionamento do mercado.

 

De mercado, do latim, mercatus, us, trato mercantil, compra e venda, um bom dicion�rio de id�ias, termos semelhantes ou anal�gico, como AZEVEDO (1983) pode apresentar a seguinte rela��o de termos an�logos: pra�a, tel�nio, �gora, pra�a de com�rcio, vendedouro, feira, nundinas[HF4] ( ant.), quermesse, bazar, chandeu (China[HF5] ), [HF6] [HF7] bezes� (S�ria),  entreposto, n�cleo, emp�rio, interposto, centro comercial, ribeira, alf�ndega , aduana, armaz�m, armarinho, loja, mostru�rio, taceira, mostrador, vitrina,  montra (gal.), papelaria, tabacaria, estanco, vidra�aria, casa comercial, de neg�cio, mercearia, quiosque, taverna, botequim, bar, tasca, esteiraria, malcozinhado, sebo (bras.), casa de alfarrabista, venda, vendola.. Ufa! Sirva este monte de palavras para mostrar como cansativo e rico � o labor humano. E � sobre este emaranhado do mundo real que est� por tr�s destes termos, que se come�a apresentando as primeiras simplifica��es feitas pela disciplina com os fins colimados de explicar, prever, auxiliar na elabora��o de pol�ticas. 

 

O mercado � a entidade onde, por meio da qual ou via seus agentes se processam as trocas entre os homens e suas institui��es econ�micas.  De exist�ncia real simples ou multi-complexa, variando desde as pequenas vendas de atendimento vicinal at� aos sofisticados  mercados internacionais de  commodities, de capitais ou de futuro, esta institui��o econ�mica � estudada com modelos de mercados, que tomam em conta algumas grandezas para explicar o fato real.

 

No mundo real, os mercados s�o  considerados instrumentos de aloca��o de recursos e meios de produ��o. Na economia descentralizada, de livre empresa, este papel dos mercados � ainda mais enfatizado. Mesmo reconhecendo-se  que h� diferentes mercados, com  caracter�sticas  pr�prias, algumas das quais bastante prejudiciais ao bom desempenho como alocador eficiente de recursos do mercado, alguns c�rculos insistem na tecla de que,  neste campo,  n�o h� salva��o fora do mercado( a repeti��o da palavra � proposital, para enfatizar a �nfase que hoje se d� a essa institui��o), como se todos os mercados de exist�ncia real fossem perfeitos, como se n�o houvesse imperfei��es de mercado.  O mercado funcionaria como um  �deus ex-machina�, capaz de transformar cen�rios indesej�veis em �timos. Nada de interven��o governamental, sempre imperfeita. S� as for�as de mercado, os seus mecanismos, podem levar � felicidade. Claro que h� pontos de vistas opostos e que valorizam o planejamento, �s vezes indicativo, �s vezes intervencionista. Nesta �rea � muito comum se resvalar do campo da ci�ncia � que precisa de comprova��o emp�rica � para o da ideologia, que � doutrin�ria e prescinde o  confronto com a realidade. E, claro, h� mercado onde prevalece o planejamento e h� planejamento no mercado. O planejamento � fun��o importante das  grandes empresas multinacionais. H� um texto do Prof. Delfim Neto, antes de ser ministro, onde ele afirmava textualmente que a op��o n�o � entre planejar e  n�o planejar, mas sim entre planejar bem  e planejar mal.  

 

A Microeconomia, pretensamente cient�fica, n�o doutrin�ria, enfrenta seus problemas de modo a submeter seus achados � valida��o emp�rica. Seus aportes devem ser testados no mundo real, em geral com o uso da Econometria ( embora haja posi��o leg�tima de quem diga que se a realidade n�o confirmar a teoria, pior para a realidade) . N�o se est� aqui assumindo uma posi��o ultraempiricista, propondo-se que tudo deva ser comprovado pelo mundo real. Comp�e-se talvez com os positivistas l�gicos que isentam postulados/axiomas deste teste.

 

Para enfrentar as atividades do mercado a disciplina procede a simplifica��es e monta modelos matem�ticos. Separa grandezas relevantes e com elas trabalha. Os mecanismos de mercado s�o acionados por dois entes b�sicos, duas for�as ( ressalta a influ�ncia da Mec�nica) fundamentais: a demanda ou procura e a oferta. Pelo confronto dessas duas for�as os mercados � sejam de um produto ou de muitos(agregados); sejam locais ou internacionais � entram em equil�brio. A qualquer interven��o de fora os mercados acionam tais seres para, quebrado seu equil�brio pr�vio, ir para novo equil�brio. Os homens concretos que fazem os mercados, os agentes do mercado, se comportam ora oferecendo coisas, ora procurando. Exercem assim aquelas fun��es do mercado, a fun��o oferta e a fun��o demanda. E para estudar este fato, montam-se modelos de ofertantes(ofertadores) e demandantes (demandadores). Agentes te�ricos, portadores apenas de algumas qualidades que interessam ao modelo, desprovidos de sua humanidade, tendo interesse apenas para a Microeconomia e nunca, por exemplo,  para os imaginosos romancistas que registram, contam e antecipam todo o drama da exist�ncia humana. E montam-se tamb�m modelos das pr�prias fun��es : fun��o demanda (fun��o procura) e fun��o oferta.

 

Com os modelos de fun��es oferta e demanda, tendo por pano de fundo os agentes te�ricos, o mecanismo de mercado � sempre acionado quando se quebra o equil�brio existente e faz este especial tipo de mercado atingir outra posi��o de equil�brio. Este � o modelo de Mercado de Competi��o Perfeita (estudado ainda neste curso). Isto � o que se chama desempenho do mercado como agente alocador de recursos produtivos.

 

Em geral este � o mais simples dos modelos microecon�micos envolvendo duas fun��es, o primeiro que se aprende e tem interessantes aplica��es dentro de suas limita��es. Nele funcionam oferta e demanda explicando quantidades ofertada e demandada de um produto  pela vari�vel pre�o do produto quando se trata de mercado deste produto. Em outro est�gio, tomam-se modelos mais abrangentes, com oferta e demanda sendo explicadas por outras vari�veis al�m de pre�o do produto. Certamente que, mesmo neste caso continua-se trabalhando com equil�brio parcial e n�o com o modelo do equil�brio total.        

 

Elementos da Procura e da Oferta. 

 

 

Distinguem-se  tr�s categorias de componentes de demanda e oferta:

 

1)     Elementos Objetivos

 

Da demanda: a exist�ncia de quantidades do bem  e  a exist�ncia de poder de compra dos demandores.

Da oferta:  a exist�ncia de quantidade do bem.

 

2)     Elemento Subjetivo

 

Da demanda e da oferta: a disposi��o do demandante de adquirir o bem e a disposi��o do ofertante de vend�-lo.

 

3)     Elementos Condicionantes

 

Da demanda e da oferta: o pre�o e o tempo.

 

O tempo merece considera��o especial no desenho de demanda e oferta. Tais grandezas se constituem em fluxo, i.e., em quantidades de bens por unidade de tempo. Variando a unidade de tempo, para o mesmo fato concreto, varia a quantidade demandada ou a  ofertada nesta unidade de tempo. As influ�ncias sazonais ou estacionais s�o outras marcas indel�veis do tempo. A armazenagem e seu tempo exercem influ�ncia nestas grandezas.  ( GAR�FALO & CARVALHO, 1975, 1976).

 

 

As fun��es demanda e oferta.

A fun��o demanda.

A fun��o demanda expandida ou com mais de uma vari�vel explicartiva.

 

 

No estudo da fun��o demandas muitas s�o as vari�veis que explicam as quantidades demandadas. A fun��o demanda � concebida teoricamente, mas com compromisso com o mundo real.  Em geral se montam modelos em que as quantidades que um demandante est� disposto a adquirir de um dado bem, produto ou servi�o � fun��o de  algumas vari�veis. O demandante pode ser individual ou coletivo (respectivamente, fun��o demanda individual, fun��o demanda agregada), o mercado pode ser local, regional, nacional, mundial. Em algum tempo, quem sabe,  poder� ser  gal�tico e intergal�tico.

 

Em geral e costumeiramente se diz :

 

QDX = f  ( PX , P1, P2  , ......, Pn  , TM, Y, G, Ex, T, W, VB,...)            (1)

 

Onde:

 

QDX  = Quantidade demanda (que o demandante est� disposto a                   demandar) do bem X por unidade de tempo. A quantidade            demandada �   um  fluxo e n�o um estoque. (unidade ou dimens�o: unidade f�sica/ unidade de tempo).

 

PX  = Pre�o do bem X . (unidade ou dimens�o: $/unidade f�sica )

 

P1, ....., Pn   =  Pre�os de bens relacionados [ substitutos(suced�neos) ou complementares] ao bem X (unidade ou dimens�o: $/unidade f�sica).

 

TM = Tamanho do Mercado. Grandeza a definir para cada caso concreto. A pr�pria popula��o humana � uma vari�vel pr�xima desta. 

 

Y =  renda do demandante (individual ou agregado) (unidade ou dimens�o: $/unidade de tempo) � A distribui��o da renda( e sua v�rias categorias, pessoal, regional, funcional) � outra vari�vel explicativa.

 

G  =  Gosto do demandante. A definir. �s vezes � preciso estabelecer uma vari�vel que expresse o gosto. Uma vari�vel delegada  ou proxy.

 

Ex = Expectativas dos demandantes. Podem ser de v�rias naturezas.  

 

T = Tempo, que pode ser considerado de m�ltiplas maneiras, contemplando inclusive a sazonalidade.   

 

W  =  Riqueza. Estoque de bens expresso financeiramente. (unidade ou dimens�o : $).  A distribui��o da riqueza � outra vari�vel de grande poder explicativo.  

 

VB =      

 

� preciso ter cuidado com as unidades em que se expressam as vari�veis tamb�m em Economia. Em F�sica h� os Sistemas de Unidades das medidas das grandezas e suas dimens�es (a express�o das diversas grandezas em termos de grandezas b�sicas. Exemplo, a grandeza velocidade � expressa por espa�o / tempo. Ent�o a dimens�o da velocidade �  comprimento / tempo  (L/T)). Este estudo se chama An�lise Dimensional. � poss�vel e conveniente aplicar an�lise dimensional em Economia, em Microeconomia? Em alguns casos, pelo menos, tudo indica que sim. De qualquer modo � preciso ter presente em que unidades se expressam as grandezas. Quantidade Demandada, v.g., � expressa em Unidade f�sica / tempo. Pre�o, em $/ unidade f�sica.

Da� o cuidado de expressar as dimens�es das grandezas acima.  

 Especifica��o.    

A fun��o (1) acima � gen�rica, que em cada caso � especificada de modo adequado �s caracter�sticas concretas. S�o muitas as possibilidades de montagem dessas fun��es em estudos da emp�rie. A especifica��o linear � a mais freq�ente.

 

Sinais esperados da rela��o (coeficientes de regress�o) entre a vari�vel dependente e cada uma das vari�veis independentes.

 

As considera��es que se seguem sobre o sinal esperado das rela��es entre  vari�vel explicada e cada uma das vari�veis explicativas s�o v�lidas apenas para os casos em  que as vari�veis independentes est�o em numerador ou t�m expoentes positivos. No caso em que elas exibem expoentes negativos ou se  apresentam em denominador nas suas express�es alg�bricas, ent�o as rela��es entre as vari�veis e o sinal que as expressa s�o exatamente o contr�rio do que se segue.  � o que acontece com as vari�veis Pt  e  Yt *  nos modelos ( 4 ), abaixo. Quando, num mesmo termo de um modelo existirem vari�veis independentes no numerador e no denominador, faz-se a combina��o dos dois sinais, obedecidas as regras alg�bricas para os sinais.   

 

a) Quantidade demandada do bem X (QDX) x Pre�o do bem X(PX):  Em condi��es normais, fora das situa��es de exce��o, as duas vari�veis est�o associadas negativamente: aumentando o pre�o, cai a quantidade demandada; diminuindo o pre�o, aumenta a quantidade demandada. � verdade a associa��o inversa, i.e., aumentando a quantidade, cai o pre�o; caindo a quantidade, sobe o pre�o. Logo, o sinal esperado do coeficiente da vari�vel � negativo.

 

b) Quantidade demandada do bem X  x Pre�os dos bens associados: Para bens complementares, sinal negativo j� que caindo o pre�o de um bem complementar aumenta a demanda do bem X.  E aumentando o pre�o do complementar cai a quantidade demandada do bem em tela.. Para bens substitutos, sinal positivo, pois subindo o pre�o de um substituto de X, sobe a demanda do bem X. Caindo o pre�o, cai a  dita demanda. Bens complementares se comportam como o pr�prio bem. Bens substitutos invertem o comportamento.

 

    c) Quantidade demandada do bem X (QDX) x  Tamanho do Mercado (TM):    Funciona nas fun��es de demanda agregada. O sinal esperado � normalmente positivo, pois parece razo�vel se esperar que quanto maior o mercado, maior a demanda nele vigente.

 

    d) Quantidade demandada do bem X ( QDX) x  Renda do demandante (Y ) :

    Para bens normais e (reuni�o, n�o intersec��o) superiores o sinal esperado � positivo. O estudo do efeito renda ajudar� a entender melhor este tema.

 

    e) Quantidade demandada do bem X (QDX) x Gosto do demandador (G):

    Embora esta n�o seja uma vari�vel previamente definida, quase sempre � de se esperar que a vari�vel que represente o gosto mantenha uma rela��o(em conseq��ncia tamb�m o sinal ) positiva com a quantidade demanda do bem. Da� os investimentos feito em propaganda.

 

    f)Quantidade demandada do bem X ( QDX) x Expectativas dos demandantes:

    As expectativas podem levar a vari�veis com coeficientes de sinal positivo ou negativo.  Se os demandantes esperam que no futuro pr�ximo ocorrer� escassez do bem X,. ent�o por conta desta expectativa  as quantidade demandada deste bem agora sofre um incremento. Ent�o se a vari�vel � tamanho da escassez futura a  associa��o e o sinal s�o positivos. Se a vari�vel expectativa � de futura abund�ncia do bem X, ent�o a associa��o � negativa, o mesmo ocorrendo com o sinal do coeficiente.

 

    g) Quantidade demandada do bem X ( QDX ) x Tempo:

     O Tempo pode ser considerado de muitas maneiras, como por exemplo como uma seq��ncia, representando tend�ncia hist�rica crescente ou decrescente. O sinal podendo ser negativo ou positivo. Outra forma de considerar o tempo � levar em conta a influ�ncia das esta��es do ano na quantidade demandada do bem. Para este caso cai muito bem a considera��o de uma vari�vel bin�ria ( ou dummy ), que pode assumir apenas dois valores 0 e 1. Zero na aus�ncia e um na presen�a da dita esta��o. � uma t�cnica de Econometria freq�ente nos estudos emp�ricos. 

 

    h) Quantidade demandada do bem X (QDX) x Riqueza (W) :

    Em geral � de se esperar que haja associa��o positiva entre as duas vari�veis ou grandezas.  O mesmo se pode esperar da distribui��o de riqueza.

 

 

Aplica��es emp�ricas da fun��o demanda:

 

1)    Equa��o de demanda agregada do manual de projetos da ONU(CEPAL):    ( MELNICK, 1958; 29)

 

 

Log Q = log K + e log P + E log Y                                                                 ( 2 )

 

Que � uma transformada de       Q = K . Pe  . YE                                            ( 3 )

 

e onde

 

Q = Quantidade demandada per capita (por habitante)

P = �ndice de pre�os relativos

e  = Elasticidade-pre�o da demanda

Y = Ingresso(renda) por habitante (per capita)

E = Elasticidade-renda da demanda

K = Uma constante

 

2)    Demanda por caf� comum e sol�vel nos EUA ( BACHA, 1968):

 

q1t = a10 + a11 ( P1t  / Pt ) + a12  ( P2t / Pt ) + b1 ( 1 / yt* ) + g1  D + e1t

 

                                                                                                                   (4 )

q2t = a20 + a21 ( P1t  / Pt ) + a22  ( P2t / Pt ) + b2 ( 1 / yt* ) + g2  D + e2t

 

 

onde

 

q1t = consumo civil de caf� comum nos EUA em 1000 sacos de caf� torrado.

q2t  = consumo civil de caf� sol�vel nos EUA em 1000 sacos de caf� sol�vel.

P1t = pre�o ao consumidor de caf� comum nos EUA em US$ cents/libra

P2t  = pre�o ao consumidor de caf� sol�vel nos EUA em US$ cents/libra

Pt  = �ndice de pre�os de alimentos aos consumidores nos EUA, 1958=100

Yt* = renda pessoal dispon�vel nos EUA, em bilh�es de d�lares de 1958.

D = Dummy : 1951/53=0, 1954/65=1.

e1t e e2t = termo erro. 

 

 

O primeiro dos modelos acima tem uma especifica��o Cobb-Douglas ou Pot�ncia. Fala-se da Segunda forma apresentada, em que as vari�veis explicativas s�o multiplicadas entre si e elevadas a um �ndice ( fun��o 3 ). Prova-se que tal �ndice � exatamente a elasticidade da quantidade demandada em rela��o � respectiva vari�vel.  A forma  da fun��o (2 ), transforma��o logar�tmica,  �  uma transformada com fins de possibilitar o ajustamento da fun��o a dados do mundo real via m�todo linear de regress�o. O modelo usou apenas  duas vari�veis explicativas: pre�o ( um �ndice de vez que se trata de estudo agregado ) e renda per capita.. Outras vari�veis foram ignoradas. Ao assim proceder, h� sempre motivos que justifique o procedimento.

 

J� o segundo modelo, das duas fun��es ( 4 ) ,  usou como vari�veis ex�genas o pre�o do bem, o pre�o de um bem substituto, um �ndice de pre�o de alimentos,   renda pessoal dispon�vel e uma vari�vel dummy.

 

 

A fun��o demanda restrita ou com uma vari�vel explicativa

( a condi��o ceteris paribus)

 

Pode ser considerada fun��o demanda mais simplificada ainda, em que a varia��o da quantidade demandada � explicada apenas por umas vari�vel independente qualquer. Certamente  que aqui se est� aprofundando o  reducionismo. A fun��o (1) j� era reducionista. As que se seguem ser�o mais.

 

A express�o gen�rica deste modelo mais  reduzido � :

 

                       QDX  =  f  ( Z )

 

Sendo Z qualquer uma das vari�veis explicativas.

 

Os casos mais conhecidos s�o os em que Z assume o papel de Renda

do Demandante (Y) e nesse caso a fun��o recebe o nome especial de

Fun��o ( ou curva) de Engel, muito utilizada nos estudos emp�ricos de renda e consumo familiares. � o caso dos estudos do IBGE conhecidos como ENDEF � Enquete de Despesas Familiares[HF8] :

 

               QDX  =  f  ( Y )   

 

e o caso em que Z �  o Pre�o do Bem X.  Neste  �ltimo caso, t�m-se a cl�ssica fun��o demanda restrita, a maior parte das vezes apresentadas simplesmente como fun��o demanda e que se constitui talvez no mais simples dos modelos econ�micos gen�ricos, n�o espec�ficos. O mais elementar dos espec�ficos seria esta fun��o demanda linear.

 

              QDX =  f ( Px  ) .

             

                                                                               

 

 

 

 

      

[HF9] 

 

 

 

 

 

 

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