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Os Riscos de Fazer Piercings e Tatuagens
Introdução
Não existe um perfil definido ou uma justificativa para o uso de tatuagens e
piercings. O que se sabe é que esses dois adornos do corpo conquistam a
simpatia de um número crescente de pessoas, transformando-se, muitas vezes, na
marca registrada de quem os usa. A atitude de tatuar o corpo ou de espalhar
brincos em partes não convencionais pode até revelar uma personalidade
destacada com um toque de rebeldia, determinação e jovialidade e, talvez ,
seja buscando isso mesmo que cada vez mais pessoas estão aderindo.
Segundo a psicóloga Sônia Cury, o fato de tatuar o corpo pode significar o
desejo de traduzir alguma coisa que a pessoa não sabe expressar em palavras, um
desejo oculto. Entretanto, essa também pode ser uma atitude sem segundas intenções,
ditada apenas pelo modismo ou por um apelo estético.
O mesmo acontece com o uso do piercing. "É como escolher um corte de
cabelo, ou decidir usar roupas de determinado estilo. Para a maioria das pessoas
não há um significado expresso no ato de fazer piercing ou tatuagem",
explica.
Sônia acredita que o desejo de protestar ou simplesmente de se mostrar rebelde
usando piercing ou tatuagem não se justifica mais dentro da sociedade
permissiva em que vivemos. "O uso já está banalizado e as pessoas não
precisam mais disso para provar coisa alguma", completa.
Problemas mais Comuns
Modismo ou não, o uso tanto de tatuagens quanto de piercings tem seu preço. A
pessoa se expõe a riscos de contaminação por bactérias que causam infecções
como impetigo ou por vírus que causam doenças como a hepatite, a Aids, a sífilis
e muitas outras. Segundo o dermatologista Antônio Carlos Martins Guedes,
professor da Universidade Federal de Minas Gerais, o único caso registrado, no
mundo, de lepra transmitido por objeto aconteceu durante um processo de
tatuagem. A contaminação acontece porque os procedimentos nem sempre são
realizados em boas condições de higiene. Em muitos casos, agulhas são
reutilizadas e, como há sangramento da região que vai ser trabalhada, até o
dedo ou algodão utilizado para estancar o sangue pode transmitir doenças.
Também podem surgir reações alérgicas e cicatrizes indesejáveis como as
queloideanas. E se a pessoa tem algum tipo de doenças dermatológica, como psoríase,
líquen plano, vitiligo e verrugas, estas podem aparecer nos locais do trauma,
como explica a dermatologista Maria Antonieta Rios Scherrer. Segundo ela, a
tatuagem também pode provocar um tipo de reação inflamatória, chamada
granuloma, ocasionada pela presença de corpos estranhos que penetram na pele
durante o ato de tatuar, ou pelo próprio pigmento introduzido.
Escolha Deve ser Consciente
Não existem locais no corpo mais seguros para piercing ou tatuagens. A
cicatrização em mucosas, em geral, é mais fácil e sem marcas. Entretanto,
permanece o risco das infecções.
Se a pessoa decide mesmo realizar o procedimento, a escolha do profissional e da
clínica deve ser consciente. Segundo o doutor Guedes devem ser evitados locais
que não tenham o selo de qualidade da Secretaria de Saúde. Esse documento é a
garantia de que o estabelecimento segue as condutas mínimas de higiene
recomendadas.
A escolha do profissional também é muito importante. "O resultado
imediato, tanto de piercings como de tatuagens é sempre muito bom. Entretanto,
a médio e longo prazo podem aparecer problemas e o profissional deve deixar
isso muito claro para quem se dispõe a realizar um desses dois
procedimentos", avalia.
Ele também ressalta que, no caso das chamadas "maquiagens
permanentes", feitas especialmente nos olhos ou nos lábios, o cuidado deve
ser ainda maior porque as chances de reversão são ainda menores que em outros
tipos de tatuagens. Isso sem falar que o risco de doenças é maior devido à
sensibilidade das regiões onde são feitas.
A doutora Maria Antonieta também recomenda que se escolha profissional e clínica
capacitados, qualquer que seja o procedimento. Ela lembra que a idéia de fazer
piercing ou tatuagem deve ser rejeitada se a pessoa tem alguma doença dermatológica
como psoríase e verrugas viróticas ou doenças sistêmicas como diabetes.
"O ideal é se aconselhar com um dermatologista antes de encarar o
procedimento", orienta.
Marcas para Sempre
Tatuar o corpo significa introduzir pigmentos na derme. Quando isso acontece, a
presença desse corpo estranho (o pigmento) é logo sentida pelo organismo. Daí
o organismo tende a expulsá-la e o resultado é que, em vez de tatuagem, o que
fica é uma cicatriz. Segundo o doutor Guedes, não existe tratamento 100%
eficaz para a remoção de tatuagens quando se deseja ou necessita retirá-las.
"As marcas permanecem sempre, mesmo quando é o organismo quem as
rejeita", ressalta.
De acordo com Maria Antonieta, as marcas de piercing, em geral, também são
irreversíveis. Para corrigi-las são necessários pequenos procedimentos cirúrgicos.
Os dois profissionais afirmam que para retirar as tatuagens são necessários métodos
de abrasão (pequenas cirurgias) ou laser. Entretanto, a resposta depende da cor
dos pigmentos da tatuagem e do processo utilizado para fazê-la. "Em geral,
sempre fica alguma seqüela como cicatriz ou mancha", lembra a
dermatologista. "Alem do mais, as cirurgias são caras e demandam
equipamentos específicos, muitas vezes não disponíveis", completa.
O doutor Guedes lembra que não existe método que possa ser considerado mais ou
menos eficaz. "O resultado vai depender da característica do paciente.
Cada caso deve ser estudado com cuidado e o profissional que realizará o
procedimento irá decidir qual o melhor caminho de recomposição da pele".
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