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Em
1992, Seattle tinha cerca de 1000 bandas de rock se amontoando pela cidade!
Havia disputa pra se conseguir tocar num clube; todos atrás de contratos
milionários. Bandas novas começaram a copiar o som de bandas como Soundgarden
e a ser vendidas como "o novo som de Seattle", enquanto elas eram da Califórnia
ou Texas! No rastro do frenezi grunge, bandas como o Stone Temple Pilots
fizeram fama copiando o som do Pearl Jam e Alice in Chains
sem cerimônias (e ainda diziam que estavam homenageando elas!).
O
marketing da mídia atingiu graus tão estapafúrdios, que no Natal as lojas
de departamento estavam vendendo a grungewear - calças rasgadas
com um long-john por baixo, camisas de flanela e gorros a preços de loja
de grife...e ninguém sequer sabia que toda a cidade usava camisas de flanela
xadrez porque a região noroeste é terra de lenhadores, ou que os malucos
usam long-johns sob seus jeans rasgados porque em Seattle o frio é insuportável!
Os
jornais e revistas corriam atrás das gravadoras e das pessoas comuns da
cidade pra saber da vida pessoal dos astros. O New York Times ligou
para a Sub Pop e pediu à atendente que lhe revelasse a gíria grunge!
A garota achou aquilo tão ridículo que começou a inventar um monte de
bobagens só para sacanear o jornal. E no outro dia estava estampado na
primeira página "Conheça a gíria Grunge!".
Embora
pareça demagogia, nenhum dos grandes nomes do grunge estava correndo atrás
da fama. É óbvio que o que fez Kurt Cobain sair de Aberdeen para
Seattle era a vontade de fazer rock n' roll e tornar sua música conhecida,
mas o plano era vender umas 1000 cópias do primeiro disco, excursionar
pelos clubes do país e viver uma vida tranquila. Faz parte da própria
ideologia punk (e grunge, se é que isso existe) a aversão à fama e ao
sucesso, pois junto com eles vem as armadilhas da responsabilidade, e
isso era a última coisa que a galera tinha em mente.
De
repente, pessoas comuns, tímidas e às vezes com sérios problemas pessoais
tinham seus rostos estampados em todas as capas de revistas e suas vidas
expostas pra todo mundo ler. Que o diga Kurt!
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