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As
pessoas costumam associar a fama à necessidade de se drogar. Parece que
pra fazer sucesso, ser uma estrela, é necessário um pouco de heroína. Talvez
ninguém tenha parado pra pensar que a realidade é exatamente o oposto.
Andy
Wood foi a primeira vítima da cena. Na verdade, ele e sua banda, o
Mother Love Bone, nunca foram muito conhecidos até serem incluídos
na trilha do filme Singles, de Cameron Crowe. Jack
Endino diz que Andrew era o único roqueiro comediante que Seattle
tinha, muito engraçado e com uma disposição contagiante. Alguém já disse
que se ele não tivesse morrido por causa de uma overdose de heroína em
1990, o Mother Love Bone teria ocupado o lugar que o Nirvana
ocupou e Andy seria o que Kurt será para sempre. E ele nem era famoso
ainda!
Basta
pensar: você tem uma banda com os seus melhores amigos; vocês adoram tocar
pra seus outros amigos e ser aplaudido por eles; você quer gravar um disco
e tocar por aí, tornar sua música conhecida.; tudo o que você quer é se
divertir. Daí você vê uma oportunidade de ganhar dinheiro enquanto se
diverte, e você embarca nessa. De repente você começa a ser obrigado a
fazer shows com bandas que você odeia, a gravar discos melhores que os
anteriores, a dar entrevistas idiotas e a ter sua vida pessoal exposta
pra gato e cachorro. Não é mais diversão, é obrigação! E o seu sonho é
sufocado pela comodidade.
Sim,
Kurt cometeu um erro, mas será que a maioria de nós não cometería também?
O fato é que se transformar no ícone de uma geração foi demais pra ele
e em abril de 94, Kurt deu um tiro na cabeça. Simbolicamente, a morte
de Kurt Cobain representou a morte de tudo que era falso e que
foi fabricado em cima de algo verdadeiro e sincero. A morte de uma jogada
de marketing que deu lucro às grandes gravadoras - hoje o underground
é perfeitamente vendável - e prejuízo ao rock, especialmente o de Seattle.
O que é mais doloroso é que Kurt foi e ainda é o cara mais sincero e mais
verdadeiro que o rock já conheceu. O problema é que o peso do hype
estava todo sobre ele.
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