![]() |
|
Quando me foi proposta a colaboração com este novo jornal ocorreu--me a possibilidade de divulgar o que se pode fazer em Silves fora do âmbito das actividades/modalidades instituídas virando-me para as actividades de aventura para uns, radicais para outros ou simplesmente de contacto com a natureza.
O desejo de emoções novas, o apelo à adrenalina (substância hormonal cuja produção é intensificada em situações mais agitadas ou de risco), a necessidade de libertar energia, o combate ao "stress", o recurso às sensações fortes, em que o importante não é ganhar ou perder, mas sim o desafio pessoal e o regresso à Mãe-Natureza levam cada vez mais pessoas a procurar este tipo de desporto. Este tipo de actividades ou desportos é muito extensa e para todos os gostos, em Terra, no Ar e na Água, desde os percursos pedestres - "trekking" ou orientação - , ultraleves ou balonismo, e no meio aquático temos, entre outros, o "rafting" - descidas de águas bravas em barcos pneumáticos - águas bravas em "kayak", o "kayak" de mar, e os calmos passeios em "kayak" ou canoa canadiana em rios normalmente calmos. A canoagem tem origens diversas, se entendermos que os rios, lagos e outros planos de água sempre foram meios privilegiados para o Homem se deslocar. A canoa canadiana, aberta, é originária da América do Norte, muito utilizada pelos índios, é uma embarcação de maior volume, com maior capacidade de carga, utilizando-se pagaias comuns de uma pá para propopulsão. Fornece maior conforto e comodidade, mais estabilidade, é mais lenta, enfim óptima para passeios em família. Os "kayaks" são mais estreitos, mais compridos, mais rápidos, com menor capacidade de carga e menor estabilidade, usando-se pagaias duplas normalmente assimétricas. Os materiais de construção foram evoluindo ao longo dos tempos (pele, casca de árvore, lona, alumínio, fibra de vidro, carbono, "kevlar", plástico, etc.). O canoísta que inicia a sua prática pode ser induzido em erro, na medida em que, facilmente aprende a deslocar-se, mas sem dominar as técnicas. As condições nos rios alteram-se com facilidade, caudal, ventos e outros factores. Nos passeios em águas interiores e calmas, as recomendações são muito poucas: evitar zonas com troncos submersos, ou com ramos a tocar a água, e dominar as regras básicas de segurança: saber nadar; utilizar sempre colete de flutuação; conhecer o plano de água em que vai entrar; prever e marcar os locais para apoio de terra; ter em consideração as condições meteorológicas e climatéricas e equipar-se de acordo com estas; nunca praticar sozinho; evitar situações de hidrocussão e hipotermia; conhecer e não exceder os seus limites físicos; aprender a praticar com técnicos devidamente habilitados. O rio Arade é facilmente navegável, classificado de grau I, dispõe de condições muito boas para a iniciação prática desta modalidade; para passear com os amigos ou com a família. Toda e qualquer descrição, com veia mais ou menos poética, que se possa fazer da descida do Arade, não será certamente tão elucidativa como passar pela experiência, ver o rio com outros olhos, estar lá e sentir a água, o vento e a calmaria, ir mais longe, a realização de um projecto, o direito ao risco, o domínio do medo, enfim... a conquista.
Carlos Gomes
|