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No momento em que nos preparávamos para ultimar os pormenores da saída desta nossa primeira edição, apresentando-nos ao público do nosso concelho, deixávamos de poder contar com um dos nossos mais estimados colaboradores. Esse sugadouro de vidas humanas, ávido de sangue, a que chamamos Estrada do Algarve, acabara de colher, na Terça-feira de Carnaval, o RUCA.Passei a conhecê-lo mais de perto por finais de 1988. Integrávamos uma equipa que preparava uma representação de rua - Ibn Qasi - para comemorar os 800 anos da cidade de Silves sob administração portuguesa. Eu interpretava o papel dessa grande figura de silvense ao tempo da civilização muçulmana, o Ruca era Ibn Harbun, poeta, amigo, conselheiro, confidente - o alter-ego do Senhor de Silves. Fomos cimentando uma amizade que do teatro passou à rádio, onde colaborei com ele no "Café com Leite", um suave programa das manhãs de Domingo na Rádio RACAL, e que cultivávamos em torno dos interesses, dos projectos, dos sonhos, dos gostos, das sensibilidades, dos amigos que tínhamos em comum. Um dia o Ruca, sem nunca nos deixar, rumou à capital - os seus sonhos não cabiam nesta pequena cidade de província. Que o digam o Rui Bento, com quem viveu nos tempos do Benfica, o António Macedo desde os tempos da rádio e mais tarde, com Carlos Cruz no "Isto só video"; que o testemunhem o Fernando Ávila com quem aprendeu televisão e a Fátima Lopes ou a Júlia Pinheiro de cujos programas o Ruca foi realizador; que o recordem com a sua estonteante vontade de viver os que com ele trabalhavam no dia-a-dia, ou os que com ele se divertiram no seu último Carnaval; que o chorem a enorme legião de amigos que física ou espiritualmente o acompanharam na sua última viagem à sua última morada.
António Baeta Oliveira
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