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O espírito de Natal

24 de Dezembro, 0h00, ano zero da nossa era.

Em Belém, na Judeia, a propósito de um recensamento do mundo romano ordenado por César Augusto quando Quirino era Governador da Síria, José e Maria, chegados da Galileia, onde habitavam, procuram lugar para pernoitar.

Maria está grávida e, enquanto está em Belém, completam-se os dias para o parto e ela dá à luz o seu filho primogénito, envolve-o com faixas e reclina-o numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.

Independentemente de ter ou não sido exactamente desta forma que as coisas aconteceram, a verdade é que, por volta do ano zero (sabemos hoje que há um erro de cerca de seis anos do tempo) deu-se o acontecimento que marcou até hoje o nosso tempo e deu forma à humanidade tal como hoje a conhecemos.

O acontecimento central da nossa história foi o nascimento de Jesus, o qual é relatado ter acontecido num contexto de extrema pobreza material e humildade espiritual. É que Jesus, o Glorioso Salvador do mundo, nasceu numa gruta, longe do mínimo conforto e tendo por companhia, reza a tradição, um burro e uma vaca.

Hoje, 2000 mil anos volvidos, vale a pena meditar nisto. Será que os nossos Natais são mesmo a celebração da alegria do nascimento do Salvador? Será que os nossos Natais são, hoje um tempo em que nos aproximamos dos humildes e dos pobres? Será que os nossos Natais são, em cada ano que passa, mais uma oportunidade de darmos um pouco de nós aos outros, aos que sofrem nos hospitais, nas prisões, nos bairros de lata e nas ruas do nosso país? Ou será que em cada Natal que passa, sob o pretexto hipócrita de uma solidariedade bacoca, estamos mas é cada vez mais contemplativos do nosso próprio umbigo, numa correria desenfreadamente consumista contra o próprio espírito do Natal?

Vale a pena pensar nisto!

HELDER PATRÃO

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